Relações Sociais e Ética

Maria da Graça Correa Jacques · Capítulo 18 de 22

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Relações Sociais e Ética

Revisitando a educação popular a partir das mulheres Papeleiras

Revisitando a educação popular a

partir das mulheres Papeleiras

 

Nilton Bueno Fischer

NEP

Alcindo Antônio Feria

NEP — UFRGS/PMPA

 

Introdução

Educação Popular, hoje, pode parecer uma temática antiga e nostálgica para aqueles que, nos anos 60, estiveram envolvidos nos projetos militantes orientados por intelectuais e educadores populares. Passados mais de 30 anos, as mudanças ocorridas na sociedade brasileira trouxeram consigo a demanda de revisitação aos referenciais teóricos e metodológicos usados por educadores populares da época, especialmente em seus novos campos de atuação.

Assim, diferentemente do discurso homogenizador que se apresentava há três décadas, o movimento possível para os intelectuais e educadores, atualmente, é a reconstrução da cidadania dignificada, da qualificação da vida e da escolha de futuro. Passando, essa reconstrução, pelo reconhecimento das especificidades das trajetórias e da diversidade das condições de vida dos trabalhadores (gênero, desenraizamento, ocupações, representações, histórias de vida, subjetividades, etc.).

Temos tido uma possibilidade privilegiada de conviver com um espectro bastante extenso dessas diferenças através de projetos agenciados pelo Núcleo de Estudos, Pesquisas e Assessoria em Educação Popular — NEP. Nesse Núcleo, localizado junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS, estão abrigadas diversas pesquisas na área da Educação Popular e projetos de assessoramento em educação, saúde e assistência (na perspectiva das políticas públicas), o trabalho educativo e a comunicação popular.

É exatamente do projeto que acompanha a ação desse Núcleo desde seu início, que se fará a reflexão que organiza este texto: o assessoramento aos educadores populares que atuam junto às mulheres papeleiras da periferia de Porto Alegre e região metropolitana.

Desde 1987, no entardecer de todas as quartas-feiras. reúnem-se educadores, mulheres papeleiras (inicialmente dos galpões da Ilha Grande dos Marinheiros, depois da Vila Santíssima Trindade e da Wenceslau Fontoura), representantes do Governo Municipal, pesquisadores, técnicos e outros representantes de Entidades Não Governamentais.

A dinâmica das reuniões se faz através de uma pauta construída para cada encontro. Existem variadas temáticas envolvendo o funcionamento técnico dos galpões das mulheres papeleiras (problemas de produção, estragos nos equipamentos. pesagem do lixo, etc.); as questões econômicas (comercialização. sistema de pagamentos. programação de investimentos. etc.); as relações interpessoais (entre as trabalhadoras. com os representantes do poder público, com os agentes de Educação Popular); e as questões políticos (organização de cada galpão. entre os diversos galpões, organização e participação em eventos. elaboração de estratégias e propostas de ação frente as políticas públicas do governo municipal: coleta seletiva e projetos de geração de renda, saúde, educação e assistência social).

Sinalizando uma face do papel de mediação o qual caracterizaremos posteriormente, uma das observações mais precoces nesse processo foi a diversidade das maneiras de atuar de cada um dos educadores em relação às mulheres papeleiras nos diferentes galpões. Existem pessoas com experiências variadas em trabalhos com classes populares de periferia urbana e outros com maior formação profissional ou acadêmica. A plural presença de educadores com diferentes orientações religiosas também favorece um debate muito respeitoso e com explicitação dessas diferenças.

A constatação da pluralidade apontou a necessidade de um aprendizado dos educadores para o agenciamento de uma saída da esfera da experiência e do voluntariado, que são insuficientes para a ultrapassagem dos padrões de qualidade do trabalho (gerador da renda para as mulheres).

Em outras palavras, o aperfeiçoamento dos educadores populares também foi, e está sendo, concomitante com a necessidade de melhorar as condições de trabalho, saindo do exótico de trabalhar com o lixo, reciclando-o para uma instância organizativa (tipo cooperativa) mais eficiente técnica-econômica e socialmente.

Para isso, é decisiva a explicitação das relações entre os diferentes sujeitos do trabalho (pesquisadores, educadores e trabalhadoras), o desvelamento de como se processam os conhecimentos a respeito do trabalho e da exploração que se estatui na nossa sociedade e como essas questões podem colaborar para o entendimento da totalidade social.

Um breve passeio pela construção e localização do lixo no cotidiano das cidades e na cultura e a definição da categoria mediação contribuirão para nossa reflexão.

 

Dos fragmentos do lixo à globalidade da

economia

O entendimento da questão do lixo urbano não pode se restringir à lixeira onde o depositamos ou aos locais em que é desprezado após a coleta. Novamente, aqui é necessária uma mediação entre alguns valores da cultura e o resgate de processos sociais para sua compreensão.

No trabalho intitulado A inserção do trabalho de reciclagem do lixo urbano no sistema social de produção como um processo educativo, a pesquisadora Russel da Rosa (1994) reconstruiu, através de uma complexa reflexão teórica, "o processo de desodorização progressiva das pessoas e dos ambientes, guiado por um discurso médico-sanitarista associado à crescente privatização da vida e controle dos 'instintos', primeiramente dos membros da família burguesa em ascensão, como forma de distinção social, e progressivamente da sociedade em geral como valor", que se verificou com o advento da Revolução Industrial. Assim, o lugar de segregação se constituiu tanto para o lixo, que "deve sair do alcance dos olhos e do nariz, perdendo a visibilidade", como para as catadoras (mulheres, migrantes, excluídas do sistema formal de produção e consumo como consequência do processo de desenvolvimento social, marginalizadas no território da cidade, inseridas no sistema informal de produção e, ainda mais, trabalhando com o lixo — objeto desprezado pela cidade).

O processo social de exclusão das classes populares no Brasil, orientado pelas políticas econômicas recessivas, também intervém em qualquer análise mais aprofundada sobre os processos de trabalho a partir do lixo urbano. A presença do catador de papel no cenário urbano brasileiro, das migrações internas e da periferização nas grandes cidades são o lado avesso da industrialização predatória e da concentração de riquezas e propriedades.

Por outro lado, também as criativas teias do sistema informal de produção e consumo têm origem nesse processo. Destes, interessa-nos destacar a complexidade do processo de reciclagem de lixo urbano, enquanto um processo de trabalho que permite a reentrada de materiais no ciclo da produção e consumo.

Esse processo vai desde a catação de restos nos lixões urbanos, para a alimentação, à "complexa rede de relações sociais e procedimentos técnicos para o reaproveitamento de materiais que em algum momento foram considerados inúteis e descartados sob a forma de lixo" (ROSA, 1994) que se processa na reciclagem de lixo urbano. O processo de reciclagem compreende, primeiro, a separação e classificação dos diferentes tipos de materiais e, posteriormente, o armazenamento, o transporte e a comercialização desses materiais, que serão utilizados como matériasprimas por fábricas, indústrias ou usinas de reciclagem.

Como se vê, existe um contexto de diferença e segregação bastante particular nos espaços do lixo que, tão verdadeiro como é o potencial educativo e de inclusão social que têm, implica em mediações de diversas ordens para ser compreendido e potencializado.

 

Educação popular e mediação

A construção da categoria mediação na trajetória da Educação Popular vem sendo gestada desde que, principalmente a partir da década de 60, esteve impregnada pela perspectiva de "libertação para as classes subalternas". Nessa época, partindo da lacuna criada pela temática da modernização ("transição de uma sociedade pobre, atrasada e desigual para uma sociedade industrializada, urbana e universal"), fértil na década anterior, foi sendo preparado o espaço para a ação de fora e de cima, especialmente do Estado e dos partidos políticos, para a "ordenação" das classes populares (FISCHER, 1995).

As análises acadêmicas desse período, centradas nos trabalhadores urbanos e fabris, reforçam a imagem da negatividade nas classes trabalhadoras, obstaculizadas para a constituição de uma classe real por serem consideradas "imaturas, heterogêneas, sem vocação para a solidariedade e para a universalidade" (imagem sugerida por SADER & PAOLI, 1986). Associando-se a essa imagem, o atrasado processo de modernização do setor produtivo, reforça a necessidade da presença do Estado para a sua tarefa de disciplinamento das relações sociais. Como reflexo da necessidade de mudanças sociais mais imediatas, um certo nacionalismo estimulou, também, a migração de setores de vanguarda intelectual para o convívio com as populações periféricas para educá-las com suas iluminadas mensagens, via de regra, deslocadas e estranhas às realidades em que se inseriam.

Segundo Brandão (1985), nessa época não existiam "projetos de transformação global de estruturas, mesmo culturais, onde o povo fosse chamado a ser não apenas um beneficiário marginal dos efeitos da luta, mas também e principalmente um de seus sujeitos participantes". Para esse autor, por ingenuidade ou colonialismo disfarçado, esses projetos reduziram as classes populares a consumidores do que lhes era oferecido.

Aos poucos, surge uma reflexão questionadora da centralidade do Estado como exclusiva instância organizadora da ordem numa sociedade desigual e atrasada. A sociedade civil, diversa e plural, é indagada sobre como ela pode também gerar transformações, "transformações históricas em direção à liberdade e à democracia" (SADER & PAOLI, 1986). Esses questionamentos partem principalmente de pesquisadores dispostos a "realizar uma produção científica através da combinação harmônica (e ao mesmo tempo dinâmica) entre a experiência (...) junto aos movimentos populares e aos referenciais teóricos de sustentação do seu trabalho" (FISCHER, 1995). É assim que, desde os olhares de diferentes áreas do conhecimento, vão sendo identificadas em meio às, supostamente homogêneas, massas de operários, movimentos históricos do operariado, experiências e modos de vida na constituição dos lugares simbólicos nas relações e nos conflitos do âmbito do trabalho, espaços de enfrentamento onde se constitui a classe na especificidade de cada situação e, finalmente, versões da história que resgatam não apenas o lugar oficial dos vencedores, mas também a história dos vencidos. Assim, vão se constituindo enfoques teóricos potentes na demonstração da quase totalidade das manifestações sociais e no resgate dos cidadãos das classes trabalhadoras.

Mesmo enquanto surgem proposições descontrutivistas no cenário da produção acadêmica, anunciando o fim das metateorias e utopias, emerge nesse tempo da história o revigoramento do sonho de uma sociedade mais humana, justa e vitalizada. Há um projeto de liberdade humana se construindo a partir de caminhos que continuam a reflexão advinda de práticas diversas e, com isso, ressignificando categorias teóricas, sem caírem no relativismo. Essa revitalização potencializa o trabalho de estudos, pesquisas e assessoria, particularmente na área da Educação Popular, porque a sensibilidade ao diferente, ao outro, enquanto expressa com sinais vivos de troca, pode tomar permanente o movimento de qualificação de referenciais dos envolvidos — trabalhadores, operários, educadores e pesquisadores — e, mais ainda, transformá-lo num ato prazeroso. Está aí anunciado, no trânsito entre as diversas instituições sociais (partidos, grupos religiosos, classes populares, Estado, gêneros, ocupações, etc.) o papel de mediação dos educadores populares. A esses se soma, e certamente merece destaque, uma outra face necessária dessa mediação: aquela referente aos conhecimentos, particularmente quando um dos lados da relação representa a academia. Para essa mediação são necessários, além dos trânsitos entre as diferentes disciplinas de âmbito formal — cujo percurso teórico já foi apropriado pelas formulações da inter/transdisciplinaridade — mas, igualmente, entre estas e o concreto vivido, as representações e os saberes informais dos cidadãos das classes trabalhadoras. Nessa perspectiva relacional entre sujeitos de classes sociais diferentes, são criadas instâncias de construção e apropriação de conhecimentos, num processo efetivamente educativo e transformador para todos os envolvidos.

E nessa perspectiva também, a experiência com as mulheres papeleiras é desafiadora.

 

Mediações como método de trabalho

Cabe, então, retomar algumas das faces da mediação descrita preliminarmente para, com um intuito mais didático do que generalizador, avançar na sua descrição. Vale retomar que até aqui essa mediação foi proposta como uma espécie de trânsito, de troca, de complementaridade através da produção de novos conhecimentos entre os sujeitos do processo educativo, visando a reconstrução de uma sociedade mais justa e vitalizada, através do desenvolvimento de uma ética voltada para a defesa e qualificação da vida e da construção de futuro.

Para reforçar o papel da mediação, também se destacaram as diferenças entre os mundos que coexistem nos espaços da reciclagem e no seu entorno: as diferentes religiões, as formas de se constituírem famílias, as relações com o mundo do trabalho, as etnias, as violências do mundo da droga e de seu tráfico, as presenças de múltiplas assessorias (universidades com projetos de pesquisa e extensão, partidos políticos na formação de quadros, projetos de educação popular diferenciados, poder público municipal e estadual), as diferentes ofertas de serviços e equipamentos públicos: escolas, creches, serviços de saúde etc.

Dizíamos que uma das faces desse processo era a mediação entre os diferentes conhecimentos dos sujeitos envolvidos. Isso significa, de um lado, a socialização de representações, isto é, imagens, conceitos, categorias, teorias e componentes cognitivos, segundo SPINK (1993), acerca do trabalho, da realidade e da militância, de forma a possibilitarem uma verdadeira comunicação entre os sujeitos. Tendo o cuidado de observar que, no tempo da convivência, o que não é compreendido de modo imediato não significa inexistência de conhecimento.

Está aí presente a mediação na perspectiva epistemológica na

qual, através da práxis humana, se realiza a consciência e seu

objeto. Nesse sentido, nessa relação entre sujeito cognocente e

mundo vivido, há um movimento permanente o qual não deixa o

pensamento petrificarse (FISCHER, 1995).

De outro lado, essa socialização também significa o compartilhamento dos conhecimentos que permitem identificar como se processam socialmente os mecanismos de exploração, como circulam os produtos e as diversas valorações sociais que transitam pela cultura, incluídas as diferentes perspectivas de realização dos saberes dos assessores.

Está aí apontada uma outra face, a mediação entre as diferentes culturas. E, aqui, mais do que reiterar os trânsitos descritos queremos incluir as formulações de Ecléa Bosi (1987) sobre a cultura popular. Para essa autora, ao invés de pensar na ausência de cultura pela condição de migrante associada pelo processo social às classes trabalhadoras (migração geográfica e social), "seria mais justo pensar a cultura (...) em termos de desenraizamento. Não buscar o que se perdeu: as raízes já foram arrancadas, mas procurar o que pode renascer nessa terra de erosão". O trânsito com a cultura urbana, com o lugar do lixo na cultura, com as divisões sexuais, com os credos e com os rituais são pistas para pensar no espectro dessa mediação.

A mediação com as diversas entidades que atuam no mesmo espaço, para além de evitar a duplicidade de esforços, auxilia na construção de efetivas possibilidades de atuar sobre as condições de vida, prevenindo conflitos e sobreposições, além de acenar com uma possibilidade efetivamente coletiva de ação. Assim, no entorno dos galpões, os diversos serviços assistenciais, em particular de saúde e educação, os postos de polícia e as ONGs representam uma possibilidade de articulação que precisa ser construída pela convivência. A articulação com o Poder Público no que se refere ao gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos representa um desafio adicional na manutenção de projetos de reciclagem. Para além dos papéis de fiscalização e normalização que geralmente desempenha, pode ter uma função parceira na incidência na cultura da coleta doméstica, no encaminhamento de materiais aos galpões de recic1agem e na estruturação e manutenção de projetos de implantação de unidades industriais de produção de matérias-primas — com maior valorização e competitividade no mercado. Essa é uma parceria que está se desenvolvendo positivamente, com percalços e retrocessos, nos galpões em Porto Alegre.

Um último destaque: a mediação entre as instâncias de produção e consumo dos materiais reciclados. Para além da mediação homem/natureza que é a possibilidade clássica de entendimento do trabalho, aqui reforçada pelo caráter ecológico que está associado à reciclagem de lixo urbano, tratase de reiterar a possibilidade educativa de qualificação do trabalho possível com a ampliação das informações técnicas apropriadas pelos trabalhadores. A qualidade de vida, na parcela obtida através da remuneração pelo trabalho realizado, tem avanços na medida da qualificação e profissionalização do processo de produção. E para isso já existem disponíveis tecnologias e conhecimentos que precisam ser acessados e utilizados, certamente de maior facilidade para os educadores populares.

Essa reflexão sobre as diversas mediações possíveis tenderia a prolongar-se por um espaço não disponível. Então, é preciso reafirmar nossa convicção de que cabe aos projetos de Educação Popular, hoje, não a normalização para a libertação adestradora/homogenizadora mas, ao contrário, o reconhecimento das diferenças e a militância na conquista de padrões maiores de cidadania para todos, por diferentes que sejam. E, mais uma vez, é necessária uma mediação entre os discursos/paradigmas idealistas e hipócritas da direita e o azedume e a generalização dos discursos da esquerda, assim como pela miopia dos que ainda veem o mundo assim polarizado. Como mediação, também por dentro desses discursos e dessa condição. Trata-se de implementar, efetivamente, a intenção de fortalecimento de uma sociedade civil para construir hegemonias e definir espaços públicos, mesmo não sendo Estado.

 

Referências bibliográficas

BOSI, Ecléa. Cultura e enraizamento. In: BOSI, Alfredo (org.) Cultura brasileira. São Paulo: Ática, 1987, p. 16-41.

BRANDÃO, Carlos R. A educação como cultura. São Paulo: Brasiliense, 1985.

FISCHER, Nilton B. A história de Rose: classes populares, mulheres e cidadania Petrópolis: Revista de Cultura Vozes, nov./dez. 1992. p. 38-45.

_______________. Mulheres papeleiras: trajetórias e mediações (dos fragmentos do lixo à globalidade da economia). Projeto de pesquisa apresentado no Concurso para Professor Titular em Fundamentos da Educação (DEBAS-FACED-UFRGS). Porto Alegre: março de 1995. 35p. (mimeo)

ROSA, Russel T.D. A Inserção do trabalho de reciclagem do lixo urbano no sistema social de produção como um processo educativo. Oficinas Educacionais: Dessegregação e Heterogênese. Porto Alegre: Programa de Pós-graduação em Educação/UFRGS, set. 1994. 17p. (mimeo).

SADER, Éder & PAOLI, Maria C. Sobre "classes populares" no pensamento sociológico brasileiro. In: CARDOSO, Ruth (org.). A aventura antropológica. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. p.39-69.

SPINK, Mary Jane P. O conceito de representação social na abordagem psicossocial. Rio de Janeiro: Cadernos de Saúde, 9(3): 300-308, jul./set. 1993.