Repensar a Educação

Inger Enkvist · Capítulo 9 de 11

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Repensar a Educação

7. Recuperar a educação

 

 

O que os pais, os professores e os políticos podem fazer para recuperar o

ethos da educação? Propomos algumas sugestões:

 

As famílias devem examinar de perto a influência de certas modas

psicológicas. Os pais devem saber que seu papel não consiste somente em

proteger seus filhos, mas também em ser bons modelos para eles. Os pais

são os “líderes” da família.

 

As atividades extracurriculares podem constituir um estímulo para a

criança, mas, por outro lado, também parece arriscado que a criança ou o

jovem participe de muitas atividades. Levar um ritmo familiar tranquilo

significa reduzir o número de atividades tanto para os pais como para os

filhos. Além disso, para que a família funcione como tal, deve se reunir

com regularidade; é de especial significação comer juntos sem pressa,

conversando, e é importante criar um ambiente sereno antes de ir dormir,

tentando diminuir ruídos e estridências de todo tipo.

 

Os pais devem acompanhar de perto o que acontece no colégio. O filho

avança em conhecimentos? Parece razoavelmente contente com os colegas?

Se os professores ou os psicólogos do colégio falam muito “de aprender de

maneira lúdica”, os pais devem desconfiar. Os pais devem apoiar o filho, o

colégio e os professores e somente em casos extremos devem criticar o

professor diante da criança.

 

Nos colégios, a tarefa mais urgente e difícil é encontrar e manter equipe

docente bem formada, entregue a sua tarefa, professores que possam servir

de modelo aos alunos a partir de diferentes pontos de vista.

 

A fase mais importante da escolarização é a aprendizagem da leitura para

todos os alunos e, em particular, para os estudantes provenientes de outros países; deve-se insistir no vocabulário, na leitura e na escrita e não deixar

que passem de ano sem ter o nível de leitura necessário.

 

Um bom colégio ou instituto precisa medir os resultados da aprendizagem

para saber se os mesmos melhoram ou pioram. O bom resultado do estudo

não está em discordância com a assistência social.

 

Além disso, para diminuir o risco de violência escolar, deve-se permitir

que os alunos optem por diferentes programas e ritmos de trabalho,

sobretudo entre os treze e dezesseis anos. A escola compreensiva teve um

mau desempenho para estas idades, e até que os governos decidam mudar o

modelo escolar, deve-se encontrar adaptações locais para tornar possível a

melhoria do rendimento. Uma medida é tentar diminuir o número de alunos

por colégio.

 

No plano político, deveria ser pensado como se desfazer dos falsos

profetas do pedagogismo para começar a partir do zero na formação dos

professores, enfocando o ensino de conteúdos. Deveria ser prevista uma

formação complementar para os professores que tiveram que escutar os

dogmas dos pedagogos durante décadas. Deve-se assegurar que os

regulamentos que regem os centros escolares permitam garantir a proteção

de alunos e professores. Não necessariamente significa colocar mais

dinheiro do que já é dedicado à educação porque, além de negativa, a atual

atividade dos pedagogos é cara.

 

Os professores universitários deveriam reagir com mais vigor e

preocupação perante esta problemática, deixando de apoiar qualquer moda

educativa e contribuindo com pesquisa, esforço e conhecimento ao

progresso da educação.

 

O que tem atrapalhado a compreensão dos mecanismos do pedagogismo,

descritos neste livro, é precisamente sua vacuidade. É fácil identificar e

denunciar um projeto “positivo” ou concreto, mas como se pode rebater

uma proposta incoerente e insubstancial? Menos ainda quando esta vacuidade é feita em nome do conhecimento e por professores que ostentam

um título publicamente reconhecido e que recebem dinheiro público. É tão

descomedida a chantagem, a chacota, a imposição e o engano, que a

maioria de nós se nega a acreditar no que temos diante dos olhos. É urgente

repensar a educação.