Resumo elementar de archeologia christã

Joaquim Possidónio Narciso da Silva · Capítulo 27 de 53

Páginas do PDF

Resumo elementar de archeologia christã

Pilares, columnas e columnasinhas

 

Na edade média, as designações de pilar e de columna se confundem muitas vezes; todavia a palavra columna indica a idéa de um apoio com fuste cylindrico. Eucontram-se nos edificios do periodo ogival quatro especies principaes de pilares ou columnas: o pilar quadrado, a columna monocylindrica, a columna cruciforme e a columna enfeixada. A columna monocylindrica dá em secção um circulo, e o pilar quadrado, um quadrado ou um rectangulo; a columna cruciforme se compõe de um pilar central, tendo sobre as faces quatro columnas mais ou menos envolvidas; finalmente a columna enfeixada, como o nome indica, é o resultado da reunião em mólho, em roda de um massiço formando pilar, muitas columnasinhas ou nervuras.

Os pilares quadrados são raros durante o periodo ogival; apparecem no começo, e ás vezes as suas arestas são chanfradas.

Em quasi todos os monumentos belgas do XIII e XIV seculos, as columnas são monocylindricas. As columnas cruciformes, communs nas cathedraes francezas, servem na Belgica principalmente na intersecção da nave e do transepte nos grandes edificios.

Os edificios do XV seculo teem as columnas monocylindricas ou enfeixadas. As primeiras apresentam ás vezes capiteis; outras vezes são inteiramente privadas d'elles. N'este ultimo caso os arcos-duplos e as nervuras das abobadas nascem directamente do fuste da columna, no logar onde se colloca o capitel. Este genero de columnas se encontra muitas vezes em todos os paizes da Europa central e occidental.

No XV seculo, as columnas enfeixadas não são já formadas, como precedentemente, de columnasinhas com capitel, porém compostas de nervuras prismaticas em grupo, á roda de um pilar central. Estas nervuras saem da base da columna erguendo-se quasi sempre sem ter por intermedio o capitel até ás abobadas do edificio, afim de formar os arcos-duplos e os arcos ogivaes; são sempre com a fórma angulosa e apresentam secções similhantes ao feitio de um seio. É por excepção que se encontram ainda, em certas partes dos monumentos do XV seculo, columnas enfeixadas formadas pela reunião de columnasinhas cylindricas com capitel.

Os pilares e as columnas são construidas por fiadas na Belgica, na Allemanha e no Norte da França. No meiodia da França e na Italia, as columnas cylindricas são quasi sempre monolithos.

Durante o periodo ogival, os fustes das columnasinhas não são, como muitas vezes no periodo roman, cobertas de diversas esculpturas. Todavia encontram-se, em alguns edificios dos primeiros annos da época ogival, como na cathedral de Chartres em França, e em muitos monumentos italianos, columnasinhas terciaes em que o fuste é em espiral.

As columnasinhas tiveram principalmente applicação no XIII e no XIV seculos. As que compõem os grandes pilares teem geralmente o seu fuste envolvido n'um quarto de circumferencia, os outros tres quartos ficam apparentes; algumas, não obstante, estão inteiramente separadas da parede ou da columna que fórma o pilar que ellas ornam, como existe nas cathedraes de Amiens, França, e de Salisbury, na Inglaterra. No XIII seculo, essas columnas são muitas vezes, como as do seculo precedente, anneladas, ou compostas de engrossamentos em fórma de bracelete.

No XV seculo, estas columnasinhas são raras; ou então substituidas por nervuras prismaticas não sómente nas columnas enfeixadas, mas tambem em todas as outras partes dos edificios, taes como o molduramento das portas e das janellas. Estas nervuras teem base, mas sem capitel.