Resumo elementar de archeologia christã

Joaquim Possidónio Narciso da Silva · Capítulo 44 de 53

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Resumo elementar de archeologia christã

Representação da Santissima Trindade

Observações preliminares. As representações iconographicas tão variadas e tão abundantes de symbolismo, que se encontram em grande numero sobre os monumentos e alfaias religiosas das epochas Roman e Ogival, eram geralmente projectadas e imaginadas, não pelo obreiro ou artista que executava o objecto, porém, por um padre, frade ou secular litterato.

A aureola. A aureola ficou em uso como signal iconographico durante todo o periodo ogival. Crucifera pertence exclusivamente ás pessoas da Santissima Trindade; simplesmente circular é attributo caracteristico dos Santos. A sua fórma manteve-se geralmente a mesma que era antes, salvas algumas modificações em certos paizes, mas apenas no termo do periodo ogival.

No fim do XIV seculo, não sómente os Santos, os Apostolos e Nossa Senhora, mas tambem os anjos, assim como o Padre Eterno e Jesus Christo ficaram privados d'este attributo caracteristico. Se a aureola por acaso apparece ainda resplandecendo alguma imagem, foi porque o artista, luctando contra a moda, commetteu archaismo. Um sem numero de monumentos que datam d'esta epocha e chegaram até á nossa, apresentam sem aureola as imagens divinas, as imagens divinas, angelicas ou sanctificadas.

 

Representação da Santissima Trindade

 

Na epocha ogival, serviam-se ainda algumas vezes do baptismo de Jesus Christo para representar a Santissima Trindade. Como no periodo Roman, dava-se ainda, durante o periodo ogival, a fórma humana ás tres pessoas Divinas, ou pelo menos ás duas primeiras, pois o Espirito Santo continuou a ser frequentemente symbolisado por uma pomba. As tres pessoas Divinas continúam a ser representadas da mesma fórma até ao fim do XIV seculo. Mais tarde o Padre Eterno teve a figura de um ancião, o Filho de Deus a de um homem de trinta a trinta e cinco annos, e o Espirito Santo a de um adolescente de doze a dezoito annos. Ao Padre Eterno dá-se então o distinctivo de um globo, uma Cruz de resurreição ao Filho, e um livro ao Espirito Santo. Finalmente, ainda perto da mesma epocha, representa-se o Padre Eterno, e mesmo algumas vezes o seu Filho, de papa ou de imperador, com a pretensão de expressar, por assim dizer materialmente, o seu supremo poder, achando-os revestidos das insignias das duas maiores auctoridades conhecidas sobre a terra.