Resumo elementar de archeologia christã
Orgãos e caixas para elles
Barreiras de madeira. Em logar de grades de ferro, tambem se serviam de barreiras de madeira, a fim de separar as capellas. Estas barreiras são geralmente tapadas até á altura quasi d'um metro, não ficando interrompida a vista na parte superior. Quasi todas são feitas com madeira de carvalho, devendo a sua duração não sómente ao bem feito da obra, como á excellente qualidade do material empregado. A começar do XIV seculo, a parte inferior tapada é formada de duas ou muitas ordens sobrepostas de almofadas encaixadas entre as couceiras e as travessas. Estas almofadas teem muitas vezes obra de talha figurando pinasios dos caixilhos, ou folhas de pergaminho dobradas. A parte superior d'estas barreiras compõe-se quasi sempre de arcaduras rotas, deixando passar a vista entre os prumos em que se dividem.
Orgãos e caixas para elles
Os primeiros orgãos de que os chronistas occidentaes fazem menção, são os que o rei Pepin recebeu de presente da côrte imperial de Constantinopla no meiado do VIII seculo, e que fez collocar no seu palacio de Compiègne. Carlos Magno tambem no principio do seculo seguinte mandou fabricar orgãos, conforme o modelo byzantino para ornar a sua egreja de Aix-la-Chapelle. Depois de Carlos Magno, o uso dos orgãos para o acompanhamento de certas partes cantadas do officio divino, introduziu-se pouco a pouco na egreja Latina. Desde o final do X seculo, a maior parte das egrejas cathedraes e abbaciaes de primeira ordem tinham-os adquirido, e durante os dois seculos seguintes continuaram a generalisar-se.
Os orgãos primitivos eram muito defeituosos e d'uma grande singeleza, como vemos nas miniaturas dos manuscriptos contemporaneos.
Durante o periodo ogival a predilecção pelos orgãos tomou novos desenvolvimentos, e, no final do XV seculo, todas as egrejas de alguma importancia e mesmo as capellas tinham o seu orgão. No XIII seculo, começaram já, em alguns logares, a multiplicar o numero dos orgãos em uma só e mesma egreja. Ao principio contentavam-se com dois d'estes instrumentos; porém no XIV e XV seculos tinham tres, quatro e até cinco. Na egreja do convento de Mafra, el-rei D. João V mandou collocar quatro grandiosos orgãos nos angulos do cruzeiro, no XVII seculo.
Até ao XV seculo, diz o insigne architecto Violet-le-Duc, não parece que os grandes orgãos estivessem em uso. Serviam-se apenas de instrumentos de mediocres dimensões e que podiam ficar dentro d'um movel assentes na capella-mór, nos jubés ou sobre tribunas mais ou menos espaçosas, destinadas não sómente aos orgãos, mas ainda aos cantores e musicos. Foi no final do XV e principio do XVI seculo que houve a ideia de dar aos orgãos, dimensões extraordinarias desconhecidas até então, tendo uma grande força de som e exigindo, caixas collossaes. Todavia esses orgãos não são nada em comparação com os instrumentos que se fizeram depois no XVII seculo.
No fim do periodo ogival, a fórma das caixas dos orgãos era determinada pela disposição que tinha esse instrumento. A obra de entalhador para as caixas dos orgãos do XV e XVI seculos, e mesmo de alguns orgãos do XVII seculo era independente do instrumento e servia para o resguardar, cobrindo-o. O mechanismo e os folles ficam inteiramente mettidos entre as almofadas macissas dos sócos; as almofadas recortadas enchem os espaços rotos existentes entre a extremidade superior dos canudos e os tectos, afim de facilitar a emissão do som. A marceneria ornada de esculpturas e de polychromia e os canudos eram muitas vezes estampados e dourados. Tudo ficava encerrado por portas que o organista abria quando tocava; estas portas eram, as mais das vezes, ornadas, pelo menos na parte interna, com pinturas historicas que se viam quando servia o instrumento. Os orgãos e as caixas, anteriores ao XVI seculo, são muitissimo raros.