Resumo elementar de archeologia christã
Pias para agua benta
As pias de feitio de tina sem pé encontravam-se ainda algumas vezes no periodo ogival, porém muito poucas durante o periodo Roman.
As pias monopediculadas, isto é, firmadas sobre um só pilar, foram as mais communs na Belgica durante todo o tempo do periodo ogival. Estas pias baptismaes, em vez de serem como as Romans, circulares ou quadradas na parte externa, eram geralmente de seis ou oito lados. A pia continua a apresentar, como durante o periodo Roman, a fórma hemispherica ou oval; havendo muitas vezes, na parte mais baixa, um orificio servindo para vasar a pia.
Na Allemanha e na Belgica desde o final do seculo XIV, e principalmente no XV seculo, havia pias monopediculadas em latão.
O maior numero de pias Romans estavam cobertas de esculpturas decorativas, symbolicas ou historicas. Sobre as pias do periodo ogival, pelo contrario, os assumptos historicos e legendarios, assim como as figuras symbolicas e phantasticas são raras; por excepção se vê ainda n'ellas o baptismo de Jesus Christo e outras scenas biblicas ou tambem personagens isolados collocados debaixo de arcaduras.
Os ornatos simplesmente decorativos, taes como folhagens e carrancas, são tambem bastante raros sobre as pias do XIV e XV seculo. Toda a decoração das pias ogivaes, principalmente no XV seculo, consiste as mais das vezes n'um certo numero de molduras que se vêem sobre a pia e sobre o pilar em que se fórmam.
Pias para agua benta
Ha duas qualidades de pias para agua benta: as fixas e as portateis.
As pias fixas são cylindricas ou polygonaes, com reservatorio hemispherico, collocadas junto da entrada da egreja, no interior ou exterior do edificio: umas isoladas e postas sobre um pé, outras sem terem apoio. Estas ultimas, que estão sempre unidas com as construcções, vê-se quer em nichos, quer em sacada sobre o liso da parede ou d'um pilar, no qual estão encaixadas.
Posto que as pias para agua benta pediculadas estivessem já em uso no XIII seculo, e talvez ainda antes, foi todavia no XIV e XV seculos que vieram a ser mais communs. Em muitos paizes, apresentam bastante analogia com as pias baptismaes contemporaneas, de maneira que é muitas vezes difficil distinguir de repente, se o objecto que está presente serviria na primitiva de pia para agua benta ou de pia baptismal, pela sua grandeza. A capacidade limitada do reservatorio e a falta do orificio destinado para dar sahida ás aguas baptismaes, dão algumas vezes um indicio para designar que o objecto seja uma pia para agua benta e não uma pia baptismal.
O maior numero das pias para agua benta fixas do periodo ogival que existem, ainda são de pedra. Havia tambem em outro tempo um certo numero d'ellas de bronze e de latão. A memoria de algumas d'estas pias de metal nos foi conservada, quer por desenhos e gravuras, quer por testemunhos de escriptores antigos. Encontram-se mesmo raros especimens que escaparam á destruição vandalica.
As pias para agua benta portateis são vasos com azas, destinados a conter a agua benta. Como já referimos, serviam durante o periodo Roman, para apresentar a agua benta aos imperadores, reis e outros distinctos personagens, na occasião da sua entrada na egreja. Serviam tambem n'esta epocha, para a agua com que se faziam as aspersões prescriptas pela liturgia. O costume de principiar a missa solemne do domingo por uma procissão dentro da egreja, durante a qual se aspergia o povo com agua benta, remonta aos primeiros seculos do christianismo. As capitulares de Carlos Magno confirmam já este costume, e no Concilio reunido em Nantes em 911 determina aos curas que benzam a agua ao domingo, em um vaso limpo e apropriado, para que o povo seja aspergido, e o