Ruy o escudeiro: Conto
Romeiro.
«É que na vossa oração
«Vos alembreis d'este irmão.
ROMEIRO.
«Dizei-me, bom Cavalleiro,
«Se com o nosso Rei andais,
«De Pedro Affonso o escudeiro
«Que nome tem, que signaes?
«Dizem-me ser tão guerreiro,
«De tal pórte, e de obras taes
«Que as gentes na lide espanta
«E fóra d'ella as encanta.
RUY.
«Esse escudeiro que dizes
«De Ruy o nome tem,
«Dos signaes para que ajuizes
«Elle mesmo a ver-te vem.
«Mais não busques nem pesquizes
«Novas; se as trazes de alguem,
«Falla palavras seguras
«Que eu sou esse que procuras.
ROMEIRO.
A nova de que ora tracto,
Senhor, é tão delicada,
Que heis perdoar o recato
Com que ha de ser confiada.
Dizei-me, onde existe um matto
Com um penedo musgado,
Onde na noute apparecem
Sombras que se desvanecem?
RUY.