Ruy o escudeiro: Conto

Luís da Silva Mousinho de Albuquerque · Capítulo 8 de 20

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Ruy o escudeiro: Conto

Ruy.

Viatorio bordão jaz estendido.

A gorra de aba espaçosa

Calva a frente lhe obumbrava,

A concha da praia ondosa

O capello lhe adornava;

De uma correia nodosa,

Que o pardo saio apertava,

Pendente a cabaça tinha

Que a bebida em si continha.

Escravo por longos annos

De um mouro, que o captivára,

Mão gentil da sorte os damnos

Compassiva lhe adoçára.

Quebrou-lhe os ferros tyrannos;

E liberto lhe inspirára

Sua devoção singella

Ir romeiro a Compostella.

Tal se mostrava o Romeiro,

Que assim Ruy saudou:

«Deus vos salve, Cavalleiro,

«Vosso humilde servo sou.

«Se do trato meu grosseiro,

«Que aqui consumindo estou,

«Vos pode o uso ser grato,

«Partiremos do meu trato.

RUY.

«Graças mil bom peregrino,

«Deus vos dê feliz successo

«Até o vosso destino

«E bem assim no regresso.

«Ao Apostolo divino

«Bom Romeiro o que vos peço