Ruy o escudeiro: Conto

Luís da Silva Mousinho de Albuquerque · Capítulo 13 de 20

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Ruy o escudeiro: Conto

Fim do Quarto Canto.

«Aparta-te de mim, antes que iroso

«Pelas expressões tuas indiscretas

«Me leve o sangue a extremo perigoso!

«Ao zelo que por mim, por ella affectas

«Prestes pôe termo, foge pressuroso,

«Deixa-me, oh velho insano, ao meu destino, «Poupa-me algum funesto desatino!

Immovel, qual rochedo, o velho Ermita

Do mancebo os transportes escuitava,

A compaixão, que seu penar lhe excita,

No gesto enternecido se mostrava.

Pallida, e sem alento a moça afflicta

Aos ceos os lindos olhos levantava,

Como quem do poder soberano e forte

Submissa, e resignada espera a sorte.

N'isto do batel mouro percutida

É a barca do remo abandonada:

N'agua mergulha a borda, compellida

Do veleiro batel pela pancada.

Aquella vê Ruy, que lhe era vida,

No rio desparecer precipitada,

Grita, lança-se ao rio a soccorre-la,

Mergulha em vão, em vão quer recolhe-la.

Mas o braço do Ermita mysterioso

Fatima sobre as aguas amparando

Longe a leva do amante impetuoso,

Que em vão a está nas aguas procurando, Clama ao batel dos mouros pressuroso,

E a filha de Hauzeri prompto entregando,

Volve a Ruy, arrastra-o da corrente,

E desparece á vista em continente.

 

FIM DO QUARTO CANTO.