Talvez Não

Colleen Hoover · Capítulo 12 de 14

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Talvez Não

Um pouco de Talvez um Dia

Desfrute de um trecho de Talvez um Dia de Colleen Hoover, o romance que

inspirou os personagens em Talvez Não.

prólogo

Eu acabei de socar um a garota no rosto. Não qualquer garota. Minha m elhor am iga. Minha colega de quarto. Bem , a partir de cinco m inutos atrás, eu acho que deveria cham ar de ex-colega de quarto.

O nariz dela com eçou a sangrar quase im ediatam ente, e por um segundo, eu m e senti m al por bater nela. Mas então eu lem brei o quão m entirosa, vadia traidora que ela é, e isso m e fez querer dar um soco nela novam ente. Eu teria dado se Hunter não tivesse im pedido ficando entre nós. Então, em vez disso, eu dei um soco nele. Eu não fiz qualquer estrago nele, infelizm ente. Não com o o estrago que eu tinha feito na m inha m ão.

Bater em alguém dói m uito m ais do que eu im aginava que doesse. Não que eu gastasse um a quantidade excessiva de tem po im aginando com o seria a sensação de socar pessoas. Em bora eu estej a tendo essa necessidade de novo enquanto eu encaro o m eu celular com a m ensagem de texto de Ridge. Ele é outro que eu gostaria de tirar as coisas a lim po. Eu sei que ele tecnicam ente não tem nada a ver com a m inha situação atual, m as ele poderia ter m e alertado um pouco antes. Portanto, eu gostaria de dar um soco nele, tam bém .

Ridge: Você está bem? Você quer vir aqui até a chuva parar?

Claro que eu não quero ir. Meu punho j á dói o suficiente com o está, e se eu for até o apartam ento do Ridge, iria doer m uito m ais depois que eu acabasse com ele.

Eu m e viro e olho para sua varanda. Ele está encostado em sua porta de correr de vidro; celular na m ão, m e observando. Está quase escuro, m as as luzes do pátio ilum inam seu rosto.

Seus escuros olhos travam com os m eus e a m aneira com o sua boca se curva pra cim a em um suave sorriso arrependido torna difícil m e lem brar o porquê de eu estar m esm o chateada com ele em prim eiro lugar. Ele passa a m ão livre pelo cabelo solto vagam ente sobre a testa, revelando ainda m ais a preocupação em sua expressão. Ou talvez isso sej a um olhar de arrependim ento. Com o deve ser.

Eu decido não responder e m ostro o dedo pra ele ao invés. Ele balança a cabeça e encolhe os om bros, com o se dissesse, eu tentei, e então ele volta pra dentro de seu apartam ento e desliza a porta fechada.

Eu coloco o celular de volta no bolso antes que m olhasse, e eu olho em volta para o pátio do com plexo de apartam entos onde eu vivi por dois m eses inteiros. Quando nos m udam os, o quente verão do Texas foi engolindo os últim os vestígios de prim avera, m as este pátio parecia de algum a form a ainda se agarrar à vida. Vibrantes hortênsias azuis e roxas cobriam as passarelas que levavam até as escadas. Na fonte fixada no centro do pátio se via um fluxo constante de j ovens visitantes.

Agora que o verão chegou ao seu m om ento m enos atraente, a água na fonte há m uito tem po evaporou-se. As hortênsias são um lem brete triste e m urchas do que senti quando Tori e eu nos m udam os pra cá. Olhando para o pátio agora, derrotado pela tem porada, é um paralelo estranho à form a com o eu m e sinto no m om ento. Derrotada e triste.

Estou sentada na borda da fonte de cim ento agora vazia, m eus cotovelos apoiados sobre as duas m alas que contêm a m aioria dos m eus pertences, à espera de um táxi para m e pegar. Eu não tenho nenhum a ideia de onde isso vai m e levar, m as eu sei que eu prefiro estar em qualquer lugar, exceto onde estou agora. Que é, bem , desabrigada.

Eu poderia ligar para os m eus pais, m as isso os daria m unição para com eçar a disparar todos os Nós te avisamos em m im .

Nós te dissemos para não se mudar pra tão longe, Sydney. Nós te dissemos para não levar a sério com esse cara.

Nós te dissemos que se você tivesse escolhido direito ao invés de música, nós teríamos pagado por isso.

Nós te dissemos para dar um soco com o polegar do lado de fora de seu punho.

Ok, talvez eles nunca m e ensinaram as técnicas de soco adequada, m as se eles estão tão certo todo o m aldito tem po, eles deveriam ter.

Eu aperto o m eu punho, abro os dedos, então, os aperto novam ente. Minha m ão está surpreendentem ente ferida, e tenho plena certeza de que eu deveria colocar gelo sobre ela. Eu sinto pena pelos caras. Dar soco é um a m erda.

Sabe o que m ais é um a m erda? Chuva. Ela sem pre encontra o m om ento m ais im próprio pra cair, com o agora, enquanto estou desabrigada.

O táxi finalm ente estaciona, e eu fico em pé e pego m inhas m alas. Eu as coloco atrás de m im enquanto o m otorista de táxi sai e abre o porta-m alas. Antes m esm o de entregar-lhe a prim eira m ala, m eu coração afunda enquanto eu de repente percebo que eu nem sequer tenho a m inha bolsa com igo.

Merda.

Eu olho em volta, de volta para onde eu estava sentada nas m alas, então procuro em volta do m eu corpo, com o se a m inha bolsa fosse aparecer m agicam ente em m eu om bro. Mas eu sei exatam ente onde está a m inha bolsa. A tirei pelo m eu om bro e a deixei cair no chão logo antes de eu socar Tori em seu caríssim o nariz de Cam eron Diaz.

Eu suspiro. E rio. Claro que eu deixei m inha bolsa. Meu prim eiro dia sendo sem -teto teria sido m uito fácil se eu tivesse um a bolsa com igo.

“Sinto m uito”, eu digo para o m otorista de táxi, que agora está carregando a m inha segunda peça de bagagem . “Eu m udei de ideia. Eu não preciso de um táxi no m om ento.”

Eu sei que há um hotel cerca de algum as quadras daqui. Se eu apenas pudesse criar a coragem para voltar lá dentro e pegar m inha bolsa, eu iria cam inhando até lá e conseguiria um quarto até eu descobrir o que fazer. Não é com o se eu pudesse ficar m ais m olhada.

O m otorista leva as m alas de volta para fora do porta-m alas, as coloca na calçada em frente a m im , e cam inha de volta para o lado do m otorista, sem nunca fazer contato visual. Ele apenas entra em seu carro e vai em bora, com o se o m eu cancelam ento fosse um alívio.

Eu pareço assim tão patética?

Eu pego m inhas m alas e cam inho de volta para onde eu estava sentada antes de eu perceber que estava sem bolsa. Eu olho para m eu apartam ento e m e pergunto o que aconteceria se eu voltasse lá para pegar m inha carteira. Eu m eio que deixei as coisas em um a confusão quando eu saí pela porta. Eu acho que eu prefiro ser sem -teto na chuva do que voltar a subir lá.

Sento-m e na m inha bagagem de novo e contem plo a m inha situação. Eu poderia pagar alguém para ir lá em cim a pra m im . Mas quem ? Ninguém está aqui fora, e quem disse que Hunter ou Tori iria m esm o dar a pessoa a m inha bolsa?

Isso realm ente é um a m erda. Eu sei que eu vou ter que acabar cham ando um dos m eus am igos, m as agora, eu estou com vergonha de dizer a alguém o quão sem noção estive nos últim os dois anos. Eu fui com pletam ente pega de surpresa.

Eu j á odeio ter vinte e dois anos, e eu ainda tenho m ais 364 dias pela frente. É um a m erda m aior ainda que eu estej a... Chorando?

Ótim o. Estou chorando agora. Eu sou um a sem bolsa, chorona, violenta, garota sem -teto. E por m ais que eu não queira adm itir, eu acho que poderia ser tam bém um a garota de coração partido.

Isso aí. Soluçando agora. Certeza que isso deve ser o que se sente ao ter seu coração partido.

“Está chovendo. Apresse-se.”

Eu olho para cim a para ver um a m enina pairando sobre m im . Ela está segurando um guarda-chuva sobre a cabeça e olha pra m im com agitação, enquanto ela pula de um pé para o outro, esperando que eu faça algum a coisa.

"Estou ficando encharcada. Anda logo.”

Sua voz é um pouco exigente, com o se ela estivesse m e fazendo algum tipo de favor e estou sendo ingrata. Eu arqueio um a sobrancelha quando eu olho para ela, protegendo da chuva os m eus olhos com m inha m ão. Eu não sei por que ela está reclam ando de se m olhar, quando não há m uita roupa para se molhar. Ela está usando algo perto do nada. Eu olho para sua cam isa, que está faltando toda a m etade inferior, e percebo que ela está em um a roupa de Hooters.

Poderia este dia ficar m ais estranho? Estou sentada em quase tudo o que tenho em um a chuva torrencial, sendo m andada por um a vadia garçonete Hooters.

Eu ainda estou olhando para sua cam isa quando ela pega a m inha m ão e m e puxa para cim a num acesso de raiva. “Ridge disse que você faria isso. Eu tenho que com eçar a trabalhar. Siga-m e, e eu vou lhe m ostrar onde é o apartam ento.” Ela agarrou um a das m inhas m alas, tirou a alça pra fora, e a em purrou pra m im . Ela pegou a outra e cam inhou rapidam ente para fora do pátio. Eu a segui, por nenhum a outra razão do que o fato de que ela levou um a das m inhas m alas de viagem com ela e eu quero ela de volta.

Ela gritou por cim a do om bro enquanto ela com eçou a subir a escada. “Eu não sei quanto tem po você pretende ficar, m as eu só tenho um a regra. Fique o inferno fora de m eu quarto.”

Ela chegou a um apartam ento e abriu a porta, nem sequer olhou para trás para ver se eu a estava seguindo.

Assim que eu cheguei ao topo da escada, fiz um a pausa fora do apartam ento e olhei para baixo para um a sam am baia não afetada pelo calor em um vaso do lado de fora da porta. Suas folhas estavam verdes e exuberantes, com o se elas estivessem m ostrando ao verão o dedo m édio com a sua recusa em sucum bir ao calor. Sorrio para a planta, um pouco orgulhosa disso. Então eu franzo a testa com a percepção de que eu estava com invej a da resiliência de um a planta.

Balanço a cabeça, olho para longe, em seguida, dou um passo hesitante para dentro do apartam ento desconhecido. A layout é sem elhante ao m eu próprio apartam ento, só que este é um quarto duplo dividido com quatro quartos ao total. O m eu apartam ento e da Tori só tinha dois quartos, m as as salas são do m esm o tam anho.

A única outra diferença notável é que eu não vej o nenhum a vadia m entirosa, traidora, sangrando pelo nariz de pé nesse aqui. Tam bém não vej o qualquer um dos pratos suj os ou lavanderia de Tori m entindo por aí.

A m enina deixa a m inha m ala ao lado da porta, em seguida, fica de lado e espera por m im ... bem , eu não sei o que ela está esperando que eu faça.

Ela revira os olhos e agarra o m eu braço, m e puxando para fora da porta e ainda m ais para o apartam ento.

“O que diabos tem de errado com você? Você ao m enos fala?” Ela com eça a fechar a porta atrás de si, m as para e vira-se, com os olhos arregalados. Ela segura o dedo no ar. “Espere”, diz ela. “Você não é...” Ela revira os olhos e se bate na testa. “Oh, m eu Deus, você é surda.”

Hã? O que diabos está errado com essa garota? Balanço a cabeça e com eço a respondê-la, m as ela m e interrom pe.

“Deus, Bridgette,” ela m urm ura para si m esm a. Ela esfrega as m ãos pelo seu rosto e gem e, ignorando com pletam ente o fato de que estou balançando m inha cabeça. “Você é um a grande vadia insensível às vezes.”

Uau. Esta m enina tem alguns problem as sérios no departam ento de habilidade social. Ela é um a espécie de vadia, m esm o que ela estej a fazendo um esforço para não ser um a. Agora que ela pensa que eu sou surda. Eu nem sei com o responder. Ela balança a cabeça com o se tivesse decepcionada com ela m esm a, em seguida, olha diretam ente para m im .

“EU... TENHO... QUE... IR... PARA... O... TRABALHO... AGORA”, ela grita m uito alto e dolorosam ente lento. Eu faço careta e dou um passo para trás, o que deve ser um grande indício de que eu posso ouvi-la praticam ente gritando: m as ela não percebe. Ela aponta para um a porta no fim do corredor. “RIDGE... ESTÁ... NO... SEU... QUARTO!”

Antes de eu ter a chance de dizer a ela que ela pode parar de gritar, ela deixa o apartam ento e fecha a porta atrás dela.

Eu não tenho ideia do que pensar. Ou o que fazer agora. Eu estou de pé, toda m olhada, no m eio de um apartam ento desconhecido, e a única pessoa além de Hunter e Tori por quem eu sinto vontade de socar está agora a poucos m etros de distância em outro quarto. E por falar em Ridge, por que diabos ele enviou sua nam orada Hooters psicopata para m e buscar? Eu peguei m eu celular e com ecei a digitar um a m ensagem pra ele quando a porta do quarto abriu.

Ele saiu para o corredor com os braços cheios com cobertores e um travesseiro. Assim que ele fez contato visual com igo, eu suspirei. Eu espero que não sej a um suspiro perceptível. É só que eu nunca o tinha realm ente visto de perto antes, e ele é ainda m ais bonito a alguns passos de distância, do que ele é do outro lado de um pátio de apartam entos.

Eu acho que nunca vi olhos que pudessem realm ente falar. Eu não tenho certeza do que quero dizer com isso. Só parece que ele poderia atirar em m im o olhar m ais ínfim o com aqueles olhos escuros dele, e eu sei exatam ente o que eles precisam que eu faça. Eles estão penetrantes e intenso e oh, m eu Deus, eu estou encarando.

O canto de sua boca se inclina em um sorriso quando ele passa por m im e vai direto para o sofá.

Apesar de seu rosto atraente e um pouco de aparência inocente, eu quero gritar com ele por ser tão falso. Ele não deveria ter esperado m ais de duas sem anas para m e dizer. Eu teria tido a oportunidade de planej ar tudo isso um pouco m elhor. Eu não entendo com o é que poderia ter tido duas sem anas de conversas sem ele sentir a necessidade de m e dizer que o m eu nam orado e m inha m elhor am iga estavam transando.

Ridge j ogou os cobertores e travesseiro no sofá.

“Eu não vou ficar aqui, Ridge,” Eu digo, tentando fazê-lo parar de perder seu tem po com sua hospitalidade. Eu sei que ele se sente m al por m im , m as eu m al conheço ele, e eu m e sentiria m uito m ais confortável em um quarto de hotel do que dorm indo no sofá de um estranho.

Então, novam ente, quartos de hotel exigem dinheiro. Algo que eu não tenho com igo no m om ento.

Algo que está dentro da m inha bolsa, do outro lado do pátio, em um apartam ento com as duas únicas pessoas no m undo que eu não quero ver agora.

Talvez um sofá não é um a ideia tão ruim , afinal.

Ele deixa o sofá arrum ado e se vira, baixando os olhos para m inhas roupas encharcadas. Eu olho para baixo, para a poça de água que estou criando no m eio de seu chão.

“Oh, desculpe,” eu m urm uro. Meu cabelo está em aranhado na m inha cara; m inha cam iseta está agora um transparente patético com o um a barreira entre o m undo exterior e m eu sutiã, m uito rosa e m uito visível. “Onde é o seu banheiro?”

Ele acena com a cabeça em direção à porta do banheiro.

Eu m e viro, abro um a m ala, e com eço a vasculhar enquanto Ridge cam inha de volta para o seu quarto. Fico feliz que ele não m e faça perguntas sobre o que aconteceu depois da nossa conversa anterior.

Não estou com vontade de falar sobre isso.

Eu selecionei um par de calças de ioga e um a regata, em seguida, peguei o m eu saco de produtos de higiene e fui para o banheiro. Me incom oda que tudo sobre este apartam ento m e faça lem brar do m eu, com apenas algum as sutis diferenças. Este é o m esm o banheiro com as portas duplas na esquerda e na direita, que conduz à dois quartos que utilizam ele. Um a delas é do Ridge, obviam ente. Estou curiosa sobre a quem o outro quarto pertence, m as não curiosa o suficiente para abri-la. Um a regra da garota Hooters era ficar o inferno fora do quarto dela, e ela não parece o tipo de brincadeiras.

Eu fechei a porta que leva à sala de estar e a tranquei, em seguida, verifiquei as travas em am bas as portas dos quartos para m e certificar de que ninguém poderia entrar. Eu não tenho ideia se alguém m ais vive neste apartam ento que não sej a Ridge e a garota Hooters, m as eu não quero arriscar.

Eu tirei m inhas roupas encharcadas e as j oguei na pia para evitar m olhar o chão. Eu ligo o chuveiro e espero até que a água fique quente, em seguida, entro. Eu estou sob a corrente de água e fecho m eus olhos, grata que eu não estou m ais sentada do lado de fora na chuva. Ao m esm o tem po, eu não estou m uito feliz por estar onde estou, tam bém .

Eu nunca esperei que m eu vigésim o segundo aniversário acabaria com igo tom ando banho em um apartam ento estranho e dorm indo em um sofá que pertence a um cara que eu m al conheci à duas sem anas, tudo por culpa das duas pessoas que eu m ais m e im portava e confiava.

1.

DUAS SEMANAS ANTES

Sydney

Eu deslizo a porta da m inha varanda aberta e saio, grata que o sol j á m ergulhou por trás do prédio ao lado, resfriando o ar a um a tem peratura perfeita. Quase na hora, o som do seu violão flutua através do pátio enquanto eu m e sento e m e inclino para trás na espreguiçadeira do pátio. Eu digo a Tori que eu saio aqui para fazer os trabalhos da faculdade, porque não quero adm itir que o violão é a única razão por eu estar aqui fora todas as noites às oito, com o um relógio.

Há sem anas, o cara no apartam ento do outro lado do pátio se sentou em sua varanda e tocou por pelo m enos um a hora. Todas as noites, eu sento e escuto.

Tenho notado alguns outros vizinhos saírem para suas varandas quando ele está tocando, m as ninguém é tão leal com o eu sou. Eu não entendo com o alguém pode ouvir essas m úsicas e não anseia-las dia após dia. Então, novam ente, a m úsica sem pre foi um a paixão m inha, por isso talvez eu sou apenas um pouco m ais apaixonada pela m úsica dele do que outras pessoas. Eu toco piano desde que consigo m e lem bro, e em bora nunca com partilhei com ninguém , eu adoro escrever m úsica. Até m udei m eu curso para Educação em Música há dois anos. Meu plano é ser um a professora de m úsica elem entar, m as se m eu pai tivesse escolha, eu ainda estaria no Direito.

“A vida de m ediocridade é um desperdício para um a vida”, disse ele quando eu o inform ei que eu estava m udando de curso.

Uma vida de mediocridade. Acho isso m ais divertido do que um insulto, j á que ele parece ser a pessoa m ais insatisfeita que eu j á conheci. E ele é um advogado. Vai entender.

Um a das m úsicas conhecidas term ina e o cara com o violão com eça a tocar algo que nunca o vi tocar antes. Eu cresci acostum ada a sua lista não oficial, pois ele parece praticar as m esm as m úsicas na m esm a ordem , noite após noite. No entanto, eu nunca o ouvi tocar essa m úsica em particular antes. A m aneira com o ele está repetindo os m esm os acordes m e faz pensar que ele está criando a m úsica aqui no local. Eu gosto que eu estou testem unhando isso, especialm ente porque depois de apenas alguns acordes, j á é a m inha nova favorita. Todas as suas canções soam com o originais. Eu m e pergunto se ele as toca localm ente ou se ele apenas as escreve por diversão.

Eu m e inclino para a frente na cadeira, descanso os braços na beira da varanda, e assisto ele. Sua varanda é do outro lado do pátio, longe o suficiente para que eu não m e sinta estranha quando eu o assisto, m as perto o suficiente para eu m e certificar de que nunca o assista enquanto Hunter estiver em volta. Eu não acho que Hunter iria gostar do fato de que eu desenvolvi um a pequena queda pelo talento desse cara.

Eu não posso negar isso, no entanto. Qualquer um que observe com o apaixonadam ente esse cara toca cairia por seus talentos. A m aneira com o ele m antém os olhos fechados o tem po todo, focando intensam ente em cada golpe contra cada corda do violão. Eu gosto m ais quando ele se senta de pernas cruzadas com a guitarra em cim a das pernas. Ele a puxa contra o peito e a toca com o um baixo, m antendo os olhos fechados o tem po todo. É tão fascinante assistir a ele que às vezes eu m e pego prendendo a respiração, e eu nem sequer percebo. Eu prendo até estar buscando por ar.

Tam bém não aj uda que ele é bonito. Pelo m enos, ele parece bonito daqui. Seu cabelo castanho claro é indisciplinado e m ove-se com ele, caindo sobre a testa a cada vez que ele olha para sua guitarra. Ele está m uito longe para distinguir a cor dos olhos ou características distintas, m as os detalhes não im portam quando com binada com a paixão que ele tem por sua m úsica. Há um a confiança nele que eu acho hipnotizante. Eu sem pre adm irei m úsicos que são capazes de esquecer tudo e todos ao seu redor e derram ar todo o seu foco em sua m úsica. Ser capaz de deixar o m undo fora e perm itir com pletam ente se deixar levar é algo que eu sem pre quis ter a confiança para fazer, m as eu sim plesm ente não tenho.

Esse cara tem . Ele é confiante e talentoso. Eu sem pre fui um a louca por m úsicos, m as m ais de um a form a fantasiosa. Eles são um a raça diferente. Um a raça que raram ente são bons nam orados.

Ele olha para m im com o se ele pudesse ouvir os m eus pensam entos, e, em seguida, um lento sorriso aparece em seu rosto. Ele nenhum a vez interrom peu sua m úsica enquanto continuava a m e assistir. O contato com seus olhos m e fez corar, então eu abaixei os braços e puxei o m eu caderno de volta para o m eu colo e olhei para ele. Eu odeio que ele tenha m e pego olhando tanto. Não que eu estivesse fazendo nada de errado; Só parece estranho ele saber que eu estava o assistindo. Olho para cim a novam ente, e ele ainda está m e observando, m as ele não está m ais sorrindo. A m aneira com o ele está olhando faz com que o m eu coração acelere, então eu olho para longe e m e concentro no m eu caderno.

Maneira certa de ser uma estranha, Sydney.

“Ai está a m inha garota”, um a voz reconfortante diz por trás de m im . Eu inclino a cabeça para trás e viro m eus olhos pra cim a para ver Hunter enquanto ele faz o seu cam inho até a varanda. Eu tento esconder o fato de que eu estou chocada em vê-lo, porque eu tenho certeza que eu deveria lem brar que ele estava vindo.

Com a chance do cara do violão ainda estar assistindo, eu faço questão de parecer m uito afim do beij o de olá de Hunter para que talvez eu pareça m enos com o um a perseguidora assustadora e m ais com o alguém que está apenas casualm ente relaxando em seu pátio. Eu corro m inha m ão até o pescoço de Hunter enquanto ele se inclina sobre as costas da m inha cadeira e m e beij a de cabeça para baixo.

“Afasta um pouco”, diz Hunter, em purrando m eus om bros. Eu faço o que ele pede e deslizo para a frente no banco enquanto ele levanta a perna por cim a da cadeira e desliza por trás de m im . Ele puxa m inhas costas contra seu peito e envolve seus braços em m im .

Meus olhos m e traem quando o som da guitarra para abruptam ente, e eu olho para outro lado do pátio m ais um a vez. O cara do violão está nos olhando duro enquanto ele se levanta, então volta pra dentro de seu apartam ento. Sua expressão é estranha. Quase com raiva.

“Com o foi a faculdade?” Hunter pergunta.

“Muito chato para falar. E você? Com o foi o trabalho?”

“Interessante”, diz ele, escovando m eu cabelo longe do m eu pescoço com a m ão. Ele aperta os lábios no m eu pescoço e beij a seu cam inho até m inha clavícula.

“O que foi tão interessante?”

Ele j oga seu poder sobre m im , então repousa o queixo no m eu om bro e m e puxa para trás na cadeira com ele. “A coisa m ais estranha aconteceu na hora do alm oço”, diz ele. “Eu estava com um dos caras neste restaurante italiano. Estávam os com endo no pátio, e eu acabara de pedir ao garçom o que ele recom endava para sobrem esa, quando um carro da polícia virou a esquina. Eles pararam em frente ao restaurante, e dois oficiais saíram com suas arm as em punho. Eles com eçaram a dar ordens em relação a nós quando o nosso garçom m urm urou, “Merda”. Ele lentam ente ergueu as m ãos, e a polícia saltou a barreira para o pátio, correu até ele, j ogou-o ao chão, e o algem aram bem aos nossos pés. Depois de ler os direitos dele, eles o puxaram de volta de pé e escoltaram em direção ao carro policial. O garçom olhou para m im e gritou: ‘O tiram isu é m uito bom !’ Em seguida, eles colocaram ele no carro e foram em bora.”

Eu inclino m inha cabeça para trás e olho para ele. “Sério? Isso realm ente aconteceu?”

Ele balança a cabeça, rindo. “Eu j uro, Sy d. Foi um a loucura.” “Bem ? Você experim entou o tiram isu?”

“Claro que sim , nós provam os. Foi o m elhor tiram isu que eu j á com i.” Ele m e beij ou na bochecha e m e em purrou para frente. “Por falar em com ida, eu estou m orrendo de fom e.” Ele se levanta e estende a m ão para m im . “Você cozinha hoj e à noite?”

Eu pego a m ão dele e o deixo m e levantar. “Nós só tem os salada, m as eu posso te fazer um a.”

Um a vez que estam os dentro, Hunter pegar um assento no sofá ao lado de Tori. Ela tem um livro aberto em seu colo enquanto se concentra na lição de casa e TV ao m esm o tem po. Eu tiro os recipientes da geladeira e faço sua salada. Eu m e sinto um pouco culpada que eu esqueci que essa noite era um a das noites que ele disse que estava vindo. Eu costum o ter algo pronto, quando eu sei que ele vai estar aqui.

Estam os nam orando há quase dois anos. Eu o conheci durante m eu segundo ano na faculdade, quando ele estava no últim o ano. Ele e Tori tinham sido am igos durante anos. Depois que ela se m udou para o m eu dorm itório e nós nos tornam os am igas, ela insistiu para que eu conhecesse ele. Ela disse que nós daríam os certo, e ela estava certa. Isso se tornou oficial depois de apenas dois encontros, e as coisas têm sido m aravilhosas desde então.

Claro, tem os nossos altos e baixos, especialm ente desde que ele se m udou para m ais de um a hora de distância. Quando conseguiu o em prego no escritório de contabilidade no sem estre passado, sugeriu que eu m e m udasse com ele. Eu disse que não, que eu realm ente queria term inar m inha graduação antes de tom ar um passo tão grande. Para ser honesta, eu estava apenas com m edo.

A ideia de ir m orar com ele parece tão final, com o se eu estivesse selando o m eu destino. Eu sei que um a vez que der esse passo, o próxim o passo é o casam ento, e então eu estaria olhando para a chance de nunca m orar sozinha. Eu sem pre tive um a colega de quarto, e até que eu possa pagar m inha própria casa, eu vou estar com partilhando um apartam ento com Tori. Eu não disse a Hunter, m as eu realm ente quero viver sozinha por um ano. É algo que prom eti a m im m esm a que eu faria antes de m e casar. Eu nem ao m enos fiz vinte e dois que é daqui a um par de sem anas, então não é com o se eu estivesse com qualquer pressa.

Eu levei a com ida de Hunter para ele na sala.

“Por que você assisti isso?”, ele diz para Tori. “Tudo que essas m ulheres fazem é falar m erda sobre os outros e virar m esas.”

“É exatam ente por isso que eu assisto”, diz Tori, sem tirar os olhos da TV.

Hunter pisca para m im e pega sua com ida, então coloca os pés em cim a da m esa de café. “Obrigado, querida.”

Ele se volta para a TV e com eça a com er. “Você pode m e trazer um a cervej a?”

Concordo com a cabeça e cam inho de volta para a cozinha. Abro a porta da geladeira e olho na prateleira onde ele m antém sem pre a sua cervej a extra. Eu percebo que eu estou olhando para a "sua" prateleira que provavelm ente é assim que com eça.

Prim eiro, ele tem um a prateleira na geladeira. Em seguida, ele vai ter um a escova de dentes no banheiro, um a gaveta na m inha côm oda, e eventualm ente, suas coisas vão se infiltrar nas m inhas de tantas m aneiras que vai ser im possível para eu estar por conta própria.

Eu corro m inhas m ãos pelos m eus braços, esfregando o aparecim ento súbito do desconforto sobre m im . Sinto-m e com o se estivesse assistindo m eu futuro sendo j ogado na m inha frente. Eu não tenho certeza de que gosto do que estou im aginando.

Eu estou pronta para isso?

Estou pronta para esse cara ser o cara que eu levarei o j antar todas as noites, quando chega em casa do trabalho?

Estou pronta para cair nessa vida confortável com ele? Um onde eu ensino durante todo o dia e ele cobra im posto das pessoas, e, em seguida, voltam os para casa e eu cozinho o j antar e eu “pego pra ele cervej as”, enquanto ele coloca seus pés para cim a e m e cham a de querida, e depois vam os para a nossa cam a e fazem os am or em aproxim adam ente nove da noite, assim não vam os estar cansados para o dia seguinte, para acordar e se vestir e ir trabalhar e fazer tudo de novo?

“Terra para Sy dney ”, diz Hunter. Ouço ele estalar os dedos duas vezes. “Cervej a? Por favor, querida?”

Eu rapidam ente pego sua cervej a, dou a ele, então vou direto para o m eu banheiro. Eu ligo a água do chuveiro, m as eu não entro. Ao invés disso, eu tranco a porta e sento no chão.

Nós tem os um bom relacionam ento. Ele é bom para m im , e eu sei que ele m e am a. Eu só não entendo porque que cada vez que eu penso sobre um futuro com ele, não é um pensam ento em ocionante.

Ridge

Maggie se inclina e beij a m inha testa. “Eu preciso ir.”

Eu estou apoiado de costas com a cabeça e os om bros parcialm ente contra a m inha cabeceira. Ela está sentada no m eu colo e olhando para m im com pesar. Eu odeio que vivem os tão distantes agora, m as faz com que o tem po que passam os j untos sej a m uito m ais significativo. Tom o suas m ãos para que ela calhe a boca, e eu a puxo para m im , na esperança de convencê-la a não m e deixar ainda.

Ela ri e balança a cabeça. Ela m e beij a, m as apenas brevem ente, e então se afasta novam ente.

Ela desliza do m eu colo, m as eu não a deixo ir m uito longe antes que eu a puxe para a frente e a prenda ao colchão. Eu aponto para o peito.

“Você”, eu m e inclino e beij o a ponta de seu nariz “tem que ficar m ais um a noite.”

“Eu não posso. Eu tenho aula.”

Agarro-lhe os pulsos e prendo seus braços acim a de sua cabeça, em seguida, pressiono m eus lábios nos dela. Eu sei que ela não vai ficar m ais um a noite. Ela nunca perdeu um dia de aula em sua vida, a m enos que ela estivesse doente dem ais para se m over. Eu tipo desej o que ela estivesse se sentindo um pouco doente, agora, para que eu pudesse fazê-la ficar na cam a com igo.

Eu deslizo m inhas m ãos de seus pulsos delicadam ente pelos braços até que eu estou tocando seu rosto. Então eu lhe dou um últim o beij o antes de relutantem ente m e afastar dela. “Vá. E tenha cuidado. Deixe-m e saber quando você chegar em casa.”

Ela acena com a cabeça e se em purra para fora da cam a. Ela atravessa e pega sua cam isa, em seguida, a puxa sobre sua cabeça. Eu a assisto enquanto ela anda ao redor do quarto e reúne as roupas que eu tirei dela com pressa.

Após cinco anos de nam oro, a m aioria dos casais estaria m orando j untos a esse ponto. No entanto, a m aioria das pessoas não são Maggie. Ela é tão ferozm ente independente é quase intim idante. Mas é com preensível, considerando com o sua vida foi. Ela está cuidando de seu avô desde que eu a conheci. Antes disso, ela passou a m aior parte de sua adolescência o aj udando a cuidar de sua avó, que m orreu quando Maggie tinha dezesseis anos. Agora que seu avô está em um a casa de repouso, ela finalm ente tem um a chance de viver em paz enquanto term ina a faculdade, e, tanto quanto eu a quero aqui com igo, eu tam bém sei o quão im portante este estágio é para ela. Então pelo próxim o ano, eu vou ter que aguentar enquanto ela está em San Antônio e eu aqui em Austin. Eu estarei condenado se sair de Austin, especialm ente para San Antônio.

A m enos que ela peça, é claro.

“Diga ao seu irm ão que eu lhe desej o boa sorte.” Ela está em pé na porta do m eu quarto, pronta para sair.

"E você tem que parar de se culpar, Ridge. Os m úsicos têm bloqueios, assim com o os escritores tem . Você vai encontrar sua m usa novam ente. Eu te am o.”

“Eu tam bém te am o.”

Ela sorri e sai pra fora do m eu quarto. Eu gem o, sabendo que ela está tentando ser positiva com toda essa coisa de bloqueio de escritor, m as eu não consigo parar de m e estressar com isso. Eu não sei se é porque Brennan está investindo tudo nessas m úsicas agora ou se é porque eu estou com pletam ente abatido, m as as palavras apenas não estão vindo. Sem letras que m e deixem confiante, é difícil se sentir bem sobre o aspecto m usical de escrever.

Meu telefone vibra... É um texto de Brennan, que só m e faz sentir pior sobre o fato de que estou em pacado.

Brennan: Já passaram semanas. Por favor, me diga que você tem alguma coisa.

Eu: Estou trabalhando nisso. Como está a turnê?

Brennan: Bom, mas me lembre de não permitir que Warren agende tantos shows para a próxima etapa.

Eu: Shows é o que faz o seu nome lá fora.

Brennan: O nosso nome. Eu não vou te dizer de novo pra parar de agir como se você não fosse parte disso.

Eu: Eu não serei parte se eu não consigo trabalhar com este bloqueio maldito.

Brennan: Talvez você devesse sair mais. Causar algum drama desnecessário em sua vida. Termina com a Maggie em prol da arte. Ela vai entender. Coração partido ajuda com inspiração lírica. Você nunca ouviu country* (estilo musical)?

Eu: Boa ideia. Vou dizer a Maggie que você sugeriu isso.

Brennan: Nada do que eu diga ou faça poderia fazer a Maggie me odiar. Dê a ela um beijo por mim e comesse a escrever. Nossas carreiras estão descansando totalmente em seus ombros.

Eu: Babaca.

Brennan: Ah! É a raiva o que eu detectei no seu texto? Use isso. Vai escrever uma música com raiva sobre o quanto você odeia o seu irmão mais novo, e então, a envie para mim. ;)

Eu: Sim. Eu vou dar para você assim que finalmente tire suas merdas pra fora de seu antigo quarto. A irmã de Bridgette talvez se mude pra cá no próximo mês.

Brennan: Você já conheceu Brandi?

Eu: Não. Eu quero?

Brennan: Só se você quiser viver com duas Bridgettes.

Eu: Oh, merda.

Brennan: Exatamente. TTYL* (Abreviação de ‘Talk To You Later’ (Falo com você depois)).

Eu fechei as m ensagens de Brennan e abri um a m ensagem para Warren.

Eu: Estamos prontos para ir em busca de um colega de quarto. Brennan disse que de jeito nenhum a Brandi. Eu vou deixar você dar a notícia a Bridgette, uma vez que os dois se dão tão bem .

Warren: Certo, filho da puta.

Eu rio e salto para fora da cam a, então cam inho para o pátio com a m inha guitarra. É quase oito, e eu sei que ela estará em sua varanda. Eu não sei o quão estranha m inhas ações são em relação de ver ela, m as tudo que posso fazer é tentar. Eu não tenho nada a perder.