Talvez Não

Colleen Hoover · Capítulo 2 de 14

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Talvez Não

Capítulo 2

— O que você está fazendo? — Ridge sinaliza.

Volto para o quarto de Bridgette com outro copo de água. Um a vez que eu coloco-o cuidadosam ente no chão com todos os outros, eu volto para a sala de estar. — Ela vive aqui há duas sem anas. — eu digo ao Ridge. — Se ela quer ser um a colega de quarto, ela tem que conviver com os trotes. É a regra.

Ridge balança a cabeça em desaprovação.

— O que? — eu digo defensivam ente.

Ele suspira pesadam ente. — Ela dificilm ente parece ser o tipo que adere a trotes. Isso vai se voltar contra você. Ela nem sequer falou conosco desde que se m udou.

Eu discordo com um aceno de cabeça. — Ela não falou com você, porque você é surdo e ela não conhece a linguagem de sinais. Ela não falou com igo, porque eu tenho certeza que eu a intim ido.

— Você a irrita. — Ridge sinaliza. — Eu não acho que sej a possível intim idar essa garota.

Eu balanço a m inha cabeça. — Eu não a irrito. Eu acho que ela pode estar atraída por m im e é por isso que está m e evitando. Porque ela sabe que não é um a boa ideia colegas de quarto ficarem j untos.

Ridge aponta para o quarto dela. — Então por que você está fazendo um esforço para brincar com ela? Você quer que ela fale com você? Porque se você acha que colegas de quarto não devem ficar j untos, então você provavelm ente não deveria estar...

Eu o interrom po. — Eu não disse que eu acho que colegas de quarto não devem ficar j untos. Eu disse que eu acho que é por isso que ela está m e evitando.

— Então você quer ficar com ela?

Eu reviro m eus olhos. — Você não entende. Não, eu não quero ficar com ela. Sim , eu gosto de olhar fixam ente para a bunda dela. E eu estou apenas brincando, porque se ela vai m orar aqui, ela precisa se acostum ar com isso. Quando em Rom a...

Ridge j oga as m ãos para cim a em derrota e vai em direção ao seu quarto, assim que a porta da frente com eça a abrir. Eu corro para o m eu quarto e fecho a porta antes que ela m e vej a.

Sento-m e na cam a e espero.

E espero.

E eu espero um pouco m ais.

Deito-m e na cam a. Espero um pouco m ais.

Ela nunca faz um som . Eu não a ouço ficar com raiva por eu ter enchido m ais de cinquenta copos de água e colocado estrategicam ente ao redor de todo o quarto. Eu não a ouço andando até a cozinha para derram á-los. Eu não a ouço bater na m inha porta para j ogar os copos de água na m inha cara em retaliação.

Eu estou tão confuso.

Eu m e levanto e saio do m eu quarto, m as ela não está na cozinha ou sala de estar. Seus sapatos de trabalho estão na porta da frente, onde ela os m antém , então eu sei que ela chegou a casa. Eu sei que ela entrou no seu quarto.

Que decepção. Sua falta de resposta m e faz sentir com o se o m eu trote fosse um fracasso, quando eu sei que não foi. Foi épico. Não há nenhum a m aneira dela ter colocado um pé em seu quarto sem ter que m exer todos os copos de água.

Eu volto para o m eu quarto e deito na cam a. Quero ficar chateado com ela. Eu quero odiá-la por estragar o troco do trote.

Mas eu não odeio. Eu não consigo parar de sorrir, porque eu am o que essa sua resposta tenha m e pegado desprevenido. Ela é inesperada, e eu gosto disso.

• • •

— Warren.

Sua voz soa tão doce. Eu devo estar sonhando.

— Warren, acorde.

Assim , tão doce. Angelical, m esm o.

Eu m e dou alguns segundos para aj ustar a sua voz, para o fato de que ela está m e acordando, para a aleatoriedade do seu ser na porta do m eu quarto, cham ando m eu nom e. Eu lentam ente abro m eus olhos e rolo sobre m inhas costas. Eu levanto em m eus cotovelos e olho para ela. Ela está de pé na porta entre o quarto e o banheiro. Ela está usando um a cam iseta do Sounds and Cedar e parece até que ela não está usando nada por baixo.

— O que está acontecendo? — eu pergunto.

Ela me quer. Ela totalmente me quer.

Ela cruza os braços com força sobre o peito. Inclina a cabeça para o lado, e eu vej o quando seus olhos estreitam até m inúsculas fendas irritadas. — Nunca pise dentro do m eu quarto novam ente. Idiota. — ela se endireita e vai para o banheiro, batendo a porta.

Eu olho para o relógio, e são duas da m anhã. Essa foi um a reação extrem am ente atrasada do m eu trote. Ela estava apenas esperando que eu dorm isse para que pudesse m e acordar e gritar com igo? Essa é sua ideia de vingança?

Ela é tão amadora.

Eu sorrio para m im m esm o e rolo, m exendo na cam a. Eu suspiro quando um a torrente de água escorre em cim a de m im .

Que porra é essa?

Eu olho para cim a, quando um copo vazio cai da beirada da cabeceira e bate diretam ente entre os m eus olhos.

Eu fecho m eus olhos, envergonhado por não ter previsto isso. Estou m uito decepcionado com igo m esm o. E agora eu vou ter que dorm ir em cim a de toalhas, porque m eu colchão está encharcado.

Eu tiro as cobertas e balanço as pernas sobre a cam a, só para que m eus pés encontrem ainda m ais copos de água. Eu bato em vários deles na m inha tentativa de levantar e isso cria um a espécie de efeito dom inó. Curvo-m e e tento im pedi-los de cair, m as eu apenas deixo pior. Ela colocou-os tão próxim os, por todo chão do m eu quarto, que e eu não consigo encontrar um local seguro para pisar.

Eu tento chegar ao criado-m udo e, ao m esm o tem po levantar a m inha perna direita, de m odo que ela não bata em quaisquer copos m ais, m as eu perco o equilíbrio no processo e... sim. Eu caio. Sobre a pilha restante de copos que estão cheios de água. A água que está agora sobre todo o m eu tapete.

Touché, Bridgette.

• • •

Eu estou levando os copos de água do m eu quarto para a cozinha, para lá e para cá, para lá e para cá. Ridge sentado à m esa, olhando para m im . Eu sei que ele quer perguntar por que os copos estão agora no m eu quarto, m as é m elhor não. Tenho certeza que ele pode ver pelo olhar no m eu rosto que eu não preciso do seu, “eu avisei”.

A porta do quarto de Bridgette abre e ela sai com a m ochila pendurada no om bro. Faço um a pausa e olho para ela por alguns segundos. Seu cabelo está puxado para trás em um rabo de cavalo. Ela está em um par de j eans e um a blusa azul. Ela geralm ente veste seu uniform e do Hooters, que, não m e interpretem m al, é fantástico. Mas isso? Vê-la vestida com seus chinelos e sem m aquiagem é apenas... Pare de olhar para ela.

— Bom dia, Warren. — ela diz, atirando punhais em m inha direção. Ela olha para os copos em m inhas m ãos. — Dorm iu bem ?

Eu sorrio para ela com vingança. — Foda-se, Bridgette.

Ela enruga o nariz e dá um a sacudida rápida com a cabeça. — Não, obrigada. — ela diz, indo em direção à porta da frente. — Oh, por sinal. Estam os sem papel higiênico. Além disso, eu não consegui encontrar a m inha lâm ina, então eu espero que você não se im porte que eu tenha usado a sua. — ela abre a porta da frente e se vira para m im . — E... — ela enruga o nariz novam ente. — Eu acidentalm ente derrubei sua escova de dente no banheiro. Desculpe. Lavei para você, apesar de tudo.

Ela fecha a porta bem na hora que um dos copos de água voa da m inha m ão e atinge a parte de trás da porta.

Ela é um a vadia.

Ridge calm am ente passa por m im , direto para o seu quarto. Ele nem sequer olha para m im , porque ele m e conhece m elhor do que ninguém , e, portanto, ele sabe que não deve falar com igo agora.

Desej o que Brennan m e conhecesse tão bem , porque ele está rindo, indo para a cozinha. Toda vez que ele olha para m im , ele ri ainda m ais forte. — Eu sei que ela é m alvada, m as Cristo, Warren. Ela te odeia. — ele ainda está rindo enquanto abre a m áquina de lavar louça para descarregá-la. — Eu quero dizer, realm ente te odeia.

Eu term ino a cam inhada pela sala de estar e coloco os copos vazios ao lado da pia. — Eu não posso m ais fazer isso. — eu digo a ele. — Eu não posso viver com um a garota.

Brennan olha para m im , divertido. Ele não acha que estou falando sério.

— Esta noite. Eu quero que ela saia esta noite. Ela pode m orar com um am igo, ou com a irm ã que ela está sem pre ao telefone. Eu quero que ela vá, Brennan.

Ele pode ver que eu não estou brincando. Ele se endireita e aperta as m ãos sobre o balcão atrás dele, olhando-m e. Ele balança a cabeça. — Ela não vai em bora.

Ele se abaixa e fecha a m áquina de lavar louça e aperta o botão para iniciá-la. Ele com eça a se afastar, então eu o sigo. — Você não pode ter a palavra final em quem m ora aqui. Eu tentei por duas sem anas m e dar bem com ela, e ela é im possível pra caralho.

Brennan olha para todos os copos que revestem a bancada. — Você acha que dar trote nela é fazer um esforço para se dar bem com ela? — ele olha para m im . — Você tem coisa para caram ba para aprender sobre as m ulheres, Warren. — ele se afasta de m im e cam inha de volta, em direção ao seu quarto. — Ela não vai em bora. Ela é nossa colega de quarto agora, então lide com isso.

Ele bate à porta, e isso m e irrita ainda m ais porque eu estou realm ente cansado de todo m undo batendo portas recentem ente. Eu piso duro por toda a sala de estar e abro a porta. — Ou ela vai ou eu vou!

Assim que eu digo isso, m e arrependo. Na verdade, eu não vou. Eu não vou a lugar nenhum , m as talvez a am eaça o faça m udar de ideia. Ele dá de om bros.

— A gente se vê. — ele diz casualm ente.

Eu m e viro e soco a porta. — Sério, Brennan? Você m e deixaria ir em bora por ela?

Ele se levanta e cam inha para m im , não para até que ficam os olho no olho. — Sim , Warren. Eu deixaria. Então vá pensar sobre isso e m e fale quando você vai se m udar. — sua m ão aperta a porta e ele tenta fechar na m inha cara, m as eu bato a palm a da m inha m ão contra ela e em purro-a de volta para abrir.

— Você está transando com ela. — eu digo.

— Pare com isso, j á! Eu não estou transando com ela.

Meu m axilar está cerrado com força e eu estou balançando a cabeça lentam ente. Essa é a única explicação para ele estar defendendo-a infinitam ente. — Eu não sei por que você apenas não adm ite isso, Brennan. Tudo bem . Você está apaixonado por Bridgette e você não quer que ela se m ude. Se você pudesse apenas adm itir isso, eu pararia.

O m axilar de Brennan fica tenso e ele solta um a respiração rápida, frustrada. Ele passa as m ãos pelo cabelo e é aí que eu vej o. Eu vej o escrito em todo o seu rosto.

Brennan é apaixonado por Bridgette.

Eu não sei com o m e sinto sobre isso, o que não faz sentido, j á que eu estou tentando expulsá-la.

— Warren. — ele diz com calm a. Ele volta para o quarto e gesticula para eu entrar. Eu não sei por que ele acha que precisa de privacidade, quando a única outra pessoa no apartam ento é Ridge. Ele fecha a porta atrás de m im quando eu estou dentro do seu quarto. Ele coloca as m ãos nos quadris e olha para o chão por alguns segundos. Quando seus olhos finalm ente encontram os m eus novam ente, estão cheios de derrota.

Eu sabia.

— Eu não estou apaixonado por Bridgette. — ele diz com calm a. — Ela é m inha irm ã.