Visões da Morte

Gary Braver · Capítulo 7 de 10 · parte 2/2

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Visões da Morte

– Não sei o que dizer –…

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 2 partes.

– Doutora Luria, o que quer que eu faça?

– Eu quero que você se subm eta a outra sessão – disse ela, com o

corpo em pertigado, a voz firm e, sem inflexão, os olhos úm idos. – Eu quero

confirm ar que existe vida após a m orte. Eu quero a confirm ação de que

m eu filho possa estar vivo de algum a form a.

Depois de um longo tem po, ele disse:

– Com todo o respeito, eu não sou um m édium ou um swam i.

– Não, m as você é a única pessoa que tecnicam ente m orreu e voltou

com provas de que a nossa essência continua.

– Que provas?

– Os padrões cerebrais, a atividade elétrica, o exam e de sangue, tudo

atesta que a sua m ente se separou ativam ente de seu cérebro, que a sua

senciência continuou, m esm o em estado de quase m orte. Que você teve

um a experiência de quase m orte diferente de tudo que j á vim os antes.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Do nada, surgiu a im agem do rosto destruído do hom em , sob as m ãos

de Zack.

– Esta pode ser a m aior descoberta de todos os tem pos: que não

m orrem os, m as continuam os em algum a form a consciente. Pense na

esperança que essa ideia daria às pessoas.

– Vocês não podem usar outro voluntário?

– Nenhum dos outros se aproxim a de seus resultados.

– Quer dizer que eu sou o seu único voluntário?

– No m om ento, sim .

As lágrim as com eçaram a escorrer pelo rosto de Elizabeth, e ela as

conteve com um guardanapo. Droga. Ele sentiu que estava com eçando a

am olecer.

– Não tenho palavras para lhe explicar o grau de dor e culpa que eu

experim entei. Nem desej o ou espero sua piedade. – Então, o rosto dela

endureceu. – Você teve outra experiência desagradável na últim a sessão?

– Não vale a pena falarm os nisso.

Ela olhou para Zack com o se estivesse tentando ler sua m ente. Em

seguida, abriu a bolsa e puxou um talão de cheques.

– Se você não quer conversar sobre isso, tudo bem . Mas eu estou

disposta a pagar pelo seu tem po, conhecendo m uito bem suas outras

responsabilidades.

E, com um a bela caligrafia e tinta azul, ela preencheu um cheque e

entregou a ele.

– Espero que isso o convença de com o é im portante que possam os

testá-lo novam ente.

Zack olhou incrédulo para o cheque nom inal: 10 m il dólares.

Seu prim eiro pensam ento foi que aquele era o m aior cheque que ele

j á tinha visto com seu nom e. O segundo pensam ento foi que ele poderia

saldar todas as suas dívidas e teria dinheiro de sobra para dar à m ãe. O

terceiro pensam ento foi que, por 10 m il, ele poderia arriscar outra sessão

de três m inutos.

– Isso é m uito dinheiro.

– Você não tem de tom ar um a decisão agora. Tudo que peço é que

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

você pense um pouco no assunto antes de dizer não. Você faz isso por

m im ?

– O que quer que eu faça?

– Que concorde em nos deixar testá-lo m ais algum as vezes.

– Para m e colocarem em estado de quase m orte.

– Sim .

– Quantas vezes é ‚m ais algum as vezes'?

– Até obterm os certa confirm ação.

– Mas você j á disse que vocês têm a confirm ação.

Seu rosto endureceu e ela sim plesm ente disse:

– Precisam os de m ais dados.

– E com o vocês saberão que j á têm o que querem ?

– A análise m atem ática é com plicada. Tem a ver com probabilidades,

que Morris pode lhe explicar m elhor.

Ela estava sendo propositadam ente vaga novam ente. Entretanto, ele

não via sentido em deixá-la ‚cozinhando' por m ais tem po, sem um a

resposta.

– Faço, com um a condição: eu decido quando ‚m ais um a sessão' for

dem ais.

– Tudo bem – disse ela. Seus olhos caíram sobre a fotografia do filho e

se encheram de água novam ente. Pouco depois, as lágrim as rolavam pelo

seu rosto. – Eu sei que nunca terei o m eu filho ou m eu m arido de volta. –

Ela enxugou o rosto com um guardanapo. – Mas seria um grande consolo

saber que existe algo além da vida e a possibilidade de que eu possa um

dia m e reunir a eles novam ente.

– Ok.

– Entrarei em contato – disse ela, e agradeceu. Antes de partir,

acrescentou: – O nom e dele era Kevin. Kevin Luria.

Então, ela se virou e foi em bora, deixando Zack olhando para a

fotografia e o cheque, pensando em com o ela queria que ele lhe desse

esperança de algo em que ele próprio não acreditava, algo que talvez

devesse perm anecer para sem pre além do alcance hum ano.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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Roman Pace baixou o jornal estudantil e observou a mulher ir embora.

Não sabia quem ela era; talvez fosse a m ãe do rapaz. Talvez, um a

professora sua. Ela lhe entregara um envelope, que poderia ser um a lição

de casa ou um a carta de recom endação. Qualquer coisa. Mas parecia um

negócio sério. Não um bate-papo à toa.

Quando ela se levantou para sair, Rom an ficou tentado a segui-la, m as

decidiu ficar com o rapaz. Entretanto, tirou algum as fotos dela com seu

celular.

Quanto àquela j ovem bonita da Grafton Street, os dois pareciam ser

m ais do que am igos. Ele tinha passado a noite na casa dela, na sem ana

anterior.

Quem quer que ela fosse, ele descobriria.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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Tetrodotoxina é um a potente neurotoxina encontrada no baiacu, 10 m il

vezes m ais letal do que o cianeto – 25 m iligram as poderiam m atar um

hom em de 75 quilos. Não existem antídotos conhecidos para a toxina, que

m ata por insuficiência respiratória. Para 70% das vítim as, a m orte

acontece dentro de quatro a 24 horas. A toxina age bloqueando a

sinalização elétrica nos nervos. Doses não letais podem produzir tonturas,

dores de cabeça e efeitos alucinatórios.

As duas últimas palavras saltaram aos olhos de Zack, enquanto ele

pesquisava em seu laptop, m ais tarde, naquela noite.

Estava contem plando três opções:

Atrás da porta núm ero um : ele estava com um a lesão cerebral e tivera

alucinações com cenas de assassinato. Porta núm ero dois: ele era um

verdadeiro assassino que m atara dois estranhos enquanto estava em transe.

Porta núm ero três: ele tinha atravessado e fundira-se com um a psique

hom icida.

Apesar dos fundam entos de Elizabeth Luria, até m esm o da concessão

de Morris Stern de que ele pudesse ter tido experiências extracorpóreas, Zack não acreditava no sobrenatural, não im portava o que a cara m áquina

de ressonância m agnética houvesse gravado. Ele não acreditava em

fantasm as. E não achava que estivesse louco.

Sobrava apenas a toxina do baiacu.

E lá estava: doses não letais podem produzir tonturas, dores de cabeça

e efeitos alucinatórios.

Surgiram quase 470 m il resultados no Google quando ele digitou

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

‚tetrodotoxina'. Além de todas as inform ações sobre a toxina ser,

provavelm ente, a substância m ais letal na natureza, ele descobriu que a

principal fonte, o baiacu, apesar de ser proibida na culinária am ericana,

era um a iguaria j aponesa cobiçada cham ada fugo que, quando preparada

por um chefe de sushi especializado, apresentava um efeito psicodélico

para o com ensal. ‚Nas m ãos hábeis de um chefe perito em fugo, apenas

um a pequena quantidade de tetrodotoxina é deixada na preparação do

baiacu, suficiente apenas para deixar o cliente com um a agradável

sensação de form igam ento nos lábios e um a leve alteração da m ente.'

‚Em oção forte sem m orte', proclam ava um blog sobre fugo.

Antes de desconectar, ele notou um link para o The Boston Globe.

Datada de quatro m eses antes, a m atéria era sobre um sem -teto assassinado por outro, com um taco de beisebol, na Ponte Harvard.

Segundo um a testem unha, o assassinato pareceu ter sido um bizarro gesto

de m isericórdia. O Laboratório de Crim inalística de Massachusetts

encontrou vestígios de tetrodotoxina em seu sangue. Ou o cara tinha

gostos exóticos e um cozinheiro ruim ou um a nova droga havia chegado às

ruas. No entanto, um porta-voz do Departam ento de Polícia de Boston

disse: ‚Eu não sei com o um sem -teto acabou com toxina de baiacu no

fígado. É um fato inédito para nós'.

De acordo com outro site, um a dose não letal era capaz de baixar a

tem peratura e a pressão sanguínea a ponto de provocar um com a

profundo. Em alguns casos de intoxicação alim entar acidental pelo

consum o de baiacu no Japão, as vítim as se recuperaram dias depois de

terem sido declaradas m ortas. No Haiti, a tetrodotoxina era conhecida

com o a droga zum bi, usada por sacerdotes vodus para sim ular as m ortes de

vítim as que eram revividas horas m ais tarde, causando im pacto.

Nos Estados Unidos, a tetrodotoxina estava na lista de ‚agentes

biológicos' do Departam ento de Saúde e Serviços Hum anos, o que

significa que a droga poderia ser utilizada apenas por cientistas e

pesquisadores registrados.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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Mitch pegou a Interstate 84 e seguiu para o norte, para a saída de Vernon. Era

sábado à noite, e ele tinha estado no Outback em Manchester,

com em orando sua prom oção a gerente na Buckland Hills Sears. E, claro,

havia bebido algum as cervej as, estava um bagaço e m orrendo de vontade

de ir para a cam a.

Dirigia um Mitsubishi 3000 VR-4 1992 – um dos poucos carros

esporte com tração nas quatro rodas na estrada e um dos m ais bonitos. Ele

o tinha com prado usado, quatro anos antes, e o repintara e restaurara.

Agora, estava com o novo, em bora tivesse rodado 260 m il quilôm etros. Ele

adorava o design escultural do carro, a grande distância entre os eixos, o

rebaixam ento que dava ao carro um a aparência ‚viril'. E, com trezentos

cavalos sob o capô, o Mitsu era m esm o valente.

Ele estava a uns três quilôm etros da saída quando ouviu um estrondo

forte.

– Que droga! – gritou e bateu a m ão no volante. Seu silencioso havia

explodido. O carro seguia pela rodovia roncando, soando com o se houvesse

saído de um a corrida da NASCAR. Rodara uns oitocentos m etros quando

escutou o escapam ento batendo e arrastando-se no asfalto, sem dúvida

deixando um rastro de faíscas. – Merda! O carro com eçou a se encher de

fum aça.

Ele abriu a j anela e pegou a saída m ais próxim a, na Bolton Road,

chegando a um a clareira entre as árvores. Não havia postes de ilum inação

naquela área, m as ele tinha um a lanterna e um pedaço de corda no porta-m alas para am arrar o cano de escape. Felizm ente aquilo acontecera a

poucos quilôm etros de casa.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Ele tirou a lanterna e um a faca de pesca do porta-luvas e desceu.

Olhou debaixo do carro. O silencioso ainda estava intacto, m as o cano

estava no chão. Ele abriu o porta-m alas, pegou o m acaco e ergueu o carro

cerca de trinta centím etros para que pudesse deslizar para baixo.

Os ganchos que seguravam o cano no silencioso haviam se soltado.

Mas o escapam ento tinha arrefecido o suficiente para ser am arrado a um a

abertura. Infelizm ente, o cano havia oxidado e teria de ser substituído.

Assim que levasse o carro para a oficina, viriam com um a conversa para

cim a dele de que o m elhor seria trocar todo o sistem a de escape por um

novo, que custaria no m ínim o uns m il dólares. E, devido ao ano do carro,

poderia dem orar um a sem ana para as peças chegarem , o que significava

que teria de alugar um carro. Que inferno, ele não precisava de m ais

aquela.

Em bora fizesse frio, debaixo do carro estava quente e apertado, e seus

braços se cansaram pelo esforço de am arrar a corda. Pior, estava exausto e

louco para cair na cam a.

Estivera trabalhando naquilo m ais ou m enos por uns vinte m inutos quando ouviu algo. Não sabia se era o vento ou o tráfego, m as soava com o

se alguém estivesse se aproxim ando do carro. Olhou na direção dos seus

pés, depois para a direita e para a esquerda. Nada. Ele se contorceu para

olhar a outra extrem idade do carro, m anobrando a lanterna naquele espaço

exíguo. De novo, nada. Apenas vegetação rasteira e som bras.

No entanto, tinha a sensação de que não estava m ais sozinho.

Após alguns instantes, descartou a sensação e continuou a am arrar o

cano debaixo do carro.

Um m inuto depois, novam ente pensou ter ouvido algo. E novam ente

olhou em volta, m eio que esperando ver os pés de alguém . Nada.

Provavelm ente, o som do arrefecim ento do m otor, a contração do m etal no

ar frio da noite.

Estava term inando o últim o gancho im provisado com a corda quando

ouviu um a agitação à sua direita.

– Quem está aí?

Nada.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Mitch esperou até ter certeza de que havia sido só um a im pressão. E

continuou a prender o cano com a corda.

– Mitchell.

Seu nom e. Alguém havia sussurrado o seu nom e. Mas fora tão suave

que poderia ter sido o vento nas árvores.

No m om ento seguinte, ouviu o m acaco ceder. O som o atravessou

com o um a bala.

O carro havia baixado sobre ele.

Virou a lanterna para o m acaco, esperando ver um par de pés, m as o

facho só ilum inou o m acaco. Antes que conseguisse se esprem er para fora,

outro estalo de m etal, e a parte inferior do carro desceu um centím etro

m ais perto de seu rosto. Podia sentir o calor do m otor. Podia sentir o

cheiro de óleo e ferrugem . Podia sentir o terror.

Antes que o carro baixasse m ais, ele se contorceu e saiu de debaixo

dele. Ilum inou o entorno com a lanterna, m as não havia ninguém ali.

Apenas árvores e arbustos, proj etando som bras contra a luz. Pôs-se em pé

e, em seguida, foi até o outro lado do carro. Pela j anela do passageiro,

alcançou o porta-luvas, onde m antinha um a Sm ith & Wesson calibre 38

carregada.

– Ok, seu filho da m ãe. – Girou um círculo com pleto, apontando a

arm a para a frente.

Nada. Ninguém estava lá. Avistou faróis se aproxim ando pela estrada

e abaixou a arm a para não cham ar atenção.

Os carros passaram e ele ficou parado ali, na escuridão silenciosa,

com a lanterna em um a das m ãos, a pistola na outra. O único som era o

dos grilos. Vasculhou as árvores novam ente com a luz. Nada.

Sua im aginação, disse a si m esm o. Estava nervoso e cansado de um dia longo, dolorido e chateado por ter de rastej ar na lam a para consertar o

cano do escapam ento.

Mas não havia im aginado que o carro tinha baixado sobre ele.

Inspecionou o m acaco. Perm anecia ainda no m esm o local, m as a

chave de roda havia sum ido. Ele a usara para erguer o carro e achava que a

tinha deixado no chão, perto do m acaco. Mas não estava lá. Talvez ele a

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

tivesse levado com ele quando deslizou para baixo do carro. Aj oelhou-se e

ilum inou em baixo do carro. Nada da chave.

Ao se levantar, ouviu aquela voz sussurrante de novo:

– Mitchell.

Por reflexo, atirou na direção do som . O estam pido encheu o ar da

noite, e, no clarão do tiro, ele viu um a figura encapuzada, sem elhante ao

Ceifeiro que sim bolizava a m orte.

– Q… quem é você?

– Vá para o inferno, idiota.

Num lam pej o, a som bria figura ergueu a chave de roda. Antes que

Mitch pudesse gritar, o obj eto desceu violentam ente sobre a sua cabeça.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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– Ok, hora de acordar.

– É isso aí. Abra os olhos.

– Você pode m e dizer o seu nom e?

Vozes sem corpo através do nevoeiro.

Ele não conseguia responder. Abriu os olhos contra as brilhantes luzes

do teto. Rolou a cabeça para o lado e viu pilhas de equipam entos

eletrônicos, m onitores de com putador, m esas, estantes de livros. Os rostos

dos cientistas e dos técnicos do laboratório. Mas por sua m ente

passavam flashes de um a alavanca negra esm agando a cabeça de um cara

sem rosto, nas som bras.

Em raj adas de im agens desconexas, viu o aço curvo atingir o topo da

cabeça do hom em e, novam ente, a parte de trás do pescoço, fazendo-o

desabar no chão com o um a m arionete quebrada.

Alguém disse algum a coisa para ele, e Zack se inclinou sobre o corpo

do hom em e atingiu-o outra vez, no om bro e na caixa torácica, até que ele

parou de se m exer.

– Zack, você está bem ?

Ele não respondeu, m as chutou o hom em para que rolasse; um j oelho

dobrado na altura do peito, a outra perna quebrada em um ângulo estranho

no chão.

– Você gostaria de se sentar?

Ele balançou a cabeça e pisou no peito do cara... vezes seguidas, até

sentir as costelas do hom em quebrarem , perfurando-lhe os pulm ões, e o

sangue com eçar a j orrar de sua boca e de seu nariz.

– Eu acho que você ainda está um pouco confuso por causa da droga.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Ele tocou o lado do corpo por onde a bala havia entrado. A região do

fígado ainda estava dolorida. Mas – o que era incrível – não havia sangue.

– Dói onde você tocou?

Ele não respondeu, m as o som do tiro ecoava em sua cabeça.

Alguém lhe deu um a garrafa de água. A m ulher bonita com o cabelo

castanho curto. Ele bebeu da garrafa e olhou ao redor da sala, apatetado,

todos os equipam entos e as quatro pessoas o encarando.

Outra m ulher perguntou-lhe o nom e. Ele não conseguia se lem brar.

Estava m uito concentrado na intenção de fugir.

Novam ente, ele ouviu a m ulher m ais velha dizer:

– Você se lem bra de seu nom e?

E ouviu-se sussurrar:

– Eu não sei.

– Seu nom e é Zachary Kashian. Lem bra-se?

Zack. Zachary Kashian.

Por cerca de um m inuto, em tem po real, ele ficou olhando para o

vazio. As im agens da agressão estavam desaparecendo. Ele bebeu m ais

água, na esperança de lavar por com pleto a lem brança.

Então, o m om ento presente voltou para ele.

Sim , Zack Kashian.

A sala ilum inada – as pessoas, os com putadores, m onitores bipando, o

soro na veia, tanques de oxigênio, arm ários, desfibriladores, arm ários de

m edicações, estantes. Olhou para aquilo tudo, as im agens que aos poucos

desapareciam da lem brança o haviam deixado esgotado e trêm ulo.

– Você estava em estado de quase m orte, lem bra? – disse Sarah. Sarah

Wy m an.

Ele balançou a cabeça, concordando.

Eles o haviam apagado outra vez. Eles o haviam apagado e m andado

para algum lugar terrível que deixara sua m ente envenenada e um lado de

seu corpo dolorido.

– Quero ir para casa. – Sua voz era um sussurro irregular.

– Claro, m as nós gostaríam os de lhe fazer algum as perguntas antes. A

m ulher m ais velha. Doutora Luria.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Pode m e cham ar de Elizabeth. Aquela com o garoto m orto que ela

queria que ele encontrasse. Perguntas. Ela sem pre o bom bardeava com

aquelas m alditas perguntas.

– Som ente porque a experiência ainda pode estar fresca em sua

m ente.

Sarah trouxe-lhe um travesseiro, e Zack se deitou sobre ele. Sentia-se

cansado dem ais para protestar.

A doutora Luria puxou um a cadeira para o lado da m aca, enquanto o

doutor Cates ligava a câm era de vídeo.

– Zack, você se lem bra de algum a coisa que aconteceu enquanto

estava apagado? Qualquer coisa? Onde você estava? O que você estava

fazendo? Quem estava com você?

– Não.

– Você se lem bra de onde você estava? Qualquer noção de lugar?

– Não.

– Ou o que você pode ter feito?

Vá para o inferno, idiota. Ele ainda podia sentir a aspereza daquelas

palavras.

Ele balançou a cabeça. Dava para ver, pela expressão no rosto da

doutora Luria, que ela não estava satisfeita com as suas respostas.

– Não precisa se apressar, m as procure se lem brar. Eu sei que você

ainda está um pouco atordoado. Mas relaxe e busque em sua m em ória.

Ele fechou os olhos com o se estivesse vasculhando os bancos de sua

m em ória. Na verdade, era a últim a coisa que ele queria fazer – voltar para aquela estrada à noite. Tudo o que queria era que aquilo acabasse para

que pudesse sair e nunca m ais voltar. Eles estavam destruindo o seu

cérebro.

Sarah percebeu que Zack estava em conflito e sugeriu que ele fosse ao

banheiro para trocar de roupa e refrescar-se. Ela o aj udou a se levantar da

m aca, e ele foi para o banheiro com as roupas.

Quando voltou, sentia-se m elhor, sua m ente estava m ais lim pa.

Decidiu bancar o bobo para que o deixassem ir. Mas Luria e Morris Stern

estavam esperando por ele com o abutres gêm eos em um galho de árvore.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Sarah entregou-lhe um a caneca de café.

Luria sentou-se a sua m esa, e Stern, perto dela, ao lado do m onitor do

com putador. Os outros estavam em pé, m ais afastados. Zack sentou-se em

um a cadeira para enfrentá-los.

– Sente-se m elhor? – Luria perguntou.

Ele apenas resm ungou.

Ela assentiu com a cabeça e, em seguida, entrou no ‚m odo

interrogatório'.

– Zack, deixe-m e voltar atrás e com eçar de novo. Você se lem bra de

qualquer senso de localização?

– Não. – Algo passou pelo rosto de Luria, com o se ela soubesse que

ele estava m entindo.

– Você estava ao ar livre? Em um a praia? Em um a sala? Em um a

floresta? Algum a noção do cenário?

Ele balançou a cabeça e sentiu um a pontada no seu lado direito.

– Ok. Qualquer noção da presença de outras pessoas?

– Não. – Ele podia ouvir o vazio de sua própria resposta.

– Não se apresse em suas respostas. Pense, tente relaxar e relem brar a

experiência.

Ele olhou para Sarah, cuj os olhos estavam ligeiram ente arregalados e

fixos nele. O m esm o acontecia com os outros. A sala toda parecia estar

prendendo a respiração. Ele fez um sinal, indicando os com putadores.

– O que eles m ostraram ?

Stern e Cates olharam para Luria, para que ela respondesse.

– Mostraram um aum ento da estim ulação sensorial que vem de fora.

– Com o da últim a vez – acrescentou Stern. – A atividade na área

lím bica foi intensa.

– Eu não m e lem bro.

A sobrancelha de Luria disparou com o um a agulha de polígrafo.

– Você não se lem bra. Bem , francam ente, acho difícil de acreditar.

Sua quím ica do sangue estava repleta de cortisol e adrenalina. Seu cérebro

estava m obilizado para a luta ou a fuga. Com o você pode não se lem brar

de nada?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

O coração de Zack batia tão forte que o seu diafragm a pulsava

visivelm ente. Aquilo era com o um striptease psíquico. Eles sabiam que

estava m entindo.

– Vou perguntar de novo – Luria disse, com seus olhos negros e

intensos. – Você se lem bra de algum a coisa da experiência? Qualquer

noção de atividade, de em oções, m edo, raiva? Da presença de alguém ?

A dor que sentia em um lado de seu corpo continuava a castigá-lo.

Mais um a vez, ele colocou a m ão no ponto para conferir.

– Você está bem ? – Sarah perguntou.

Ele balançou a cabeça. A pele não fora rom pida, nada de contusões.

Mas era com o se a bala estivesse aloj ada lá dentro.

Antes que Luria partisse para cim a dele novam ente, Morris Stern

lim pou a garganta e disse:

– Zack, algum as sem anas atrás, nós lhe explicam os com o a m áquina

pode detectar assinaturas neuroelétricas individuais. Você está lem brado?

Bem , seu cérebro contém 100 bilhões de neurônios, por isso, é com o ouvir

as conversas de cada pessoa no planeta quinze vezes. De todas essas

conversas, algoritm os com plexos nos aj udam a elim inar aquelas que são

com uns a todas as outras pessoas da sua própria e distinta assinatura.

Entendeu?

Zack não respondeu, m as Stern continuou com o se ele o tivesse feito.

Ele virou o m onitor do com putador para que Zack pudesse ver padrões

e cintilações m ulticoloridas.

– Isto pode não significar coisa algum a para você, m as esta é a

atividade axonal elétrica em um a região do lobo parietal. Pouco antes de

você acordar, nós gravam os um a súbita m udança de padrões. Precisam os

analisar m ais dados, m as os resultados prelim inares indicam um a

anom alia.

Os padrões piscavam e m udavam de cor, m as não significavam nada

para Zack.

– Estas m anchas brilhantes em todo o seu hipocam po indicam que o

córtex visual e os centros sensoriais estavam sendo inundados com

inform ações do exterior. Em sum a, você não estava fabricando um a

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

experiência de quase m orte, você estava tendo um a.

– Vocês disseram isso na últim a vez.

– Não eu, porque não estava convencido, m as agora estou. Sua m ente

deixou o seu cérebro e teve um a experiência própria. Há m ais dados para

analisarm os, m as j á tem os o suficiente para a confirm ação.

– Confirm ação de quê?

Stern endireitou os óculos no nariz e olhou diretam ente para ele.

– De que você se fundiu com outra m ente.

– O quê?

– Com o na últim a vez. Term inam os aquelas análises e encontram os

um a assinatura que não é a sua, que pertence a outra entidade.

Francam ente, isso é fenom enal.

– Além disso – disse Elizabeth –, a análise de sangue m ostra picos de

adrenalina com patíveis com atividade intensa no centro de raiva do seu

cérebro. O que você experim entou foi violência, com o nas duas últim as

vezes.

Parecia que um rato corria pelo intestino de Zack. Eu não engulo isso,

disse para ele m esm o. Fora apenas um a bad trip, um pesadelo em 3D.

Aquela porcaria da tetrodotoxina causava alucinações. Com o Stern havia

dito outro dia, seu cérebro unira pedaços de m em ória, desej os do dia, e

produzira outro film e de assassino dentro de sua cabeça.

– Se eu conseguir m e lem brar de algum a coisa, conto para vocês.

– Você está m entindo – disse Luria. – Você está m entindo

descaradam ente. Posso ver em seu rosto. Diga a verdade, que diabos! O

que você experim entou?

Os outros congelaram no lugar, m as Zack podia ver um a careta de

expectativa no rosto de Sarah.

– Eu m atei um hom em .

– O quê?

– Eu m atei um hom em . Eu o espanquei até a m orte com um a chave de roda, enquanto ele consertava o seu carro.

Sarah parecia horrorizada. O rosto de Luria estava lívido e atônito.

– Você m atou um hom em ?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Ele estava fazendo um conserto debaixo do carro. Esperei até que

ele se arrastasse para fora e, em seguida, arrebentei-lhe o crânio. E, da

últim a vez, estrangulei um cara que levantava pesos. E, antes disso, passei

por cim a de um a m ulher com o carro. – Ele se levantou para sair.

– Espere, por favor – im plorou Luria. – Conhecia essas pessoas ou

sabe por que você as atacou?

– Não. E nem quero. Vocês arruinaram a m inha cabeça, enchendo-a

de coisas ruins.

– Por favor, não vá ainda – ela im plorou.

– Minha senhora, eu posso estar com um a lesão cerebral perm anente.

Entendeu? Eu estou caindo fora, porra!

– Tudo bem , tudo bem – disse Morris Stern. – Você j á aguentou

m uita coisa.

Sarah concordou. A doutora Luria olhou para os outros e disse:

– Ok. – Ela segurou o braço de Zack. Ele podia sentir um trem or, m as

não conseguiu distinguir se era ele ou ela. – Por que você não nos disse

antes?

Ele soltou o braço, m as não respondeu.

– Sinto m uito. Podem os lhe receitar algum a coisa para aj udá-lo a

dorm ir em paz. Eu prom eto. Mas você fez um a descoberta extraordinária.

Você...

Ele foi em direção à porta. Sarah correu para alcançá-lo.

– Sinto m uito, Zack.

Ele puxou a carteira e colocou o cheque de 10 m il dólares de Luria

em sua m esa e, em seguida, saiu pela porta.

Luria correu atrás dele, im plorando para que o aceitasse de volta.

– Por favor, Zack. Tire um a sem ana de folga para descansar. Mas, por

favor, deixe-nos continuar. Por favor. Estam os quase lá.

Ele não sabia o que ela queria dizer e não se im portava.

– Me deixe em paz.

– Mas você fez contato com outra senciência.

– Fiz contato com o inferno e não vou voltar.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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60

Roman passou o vídeo de Warren G ladstone pela terceira vez.

O cara tinha um rosto de desenho anim ado grande e feliz, e estava fazendo afirm ações sobre o Dia do Júbilo, com o se fosse a segunda vinda

do Messias. E prosseguia, falando de um a nova form a de vida para o

m undo, um a form a de vida que iria unir as pessoas de todas as religiões e

as sem fé – um dia em que não haveria m ais m edo da m orte. Nem m edo

do fogo do inferno.

Um dia de regozij o. Um dia que viverá para sem pre e sem pre, um

m undo sem fim .

O cara parecia bastante convincente, tanto que Rom an sentiu-se até

um pouquinho inspirado.

Mas havia os dissidentes – blogueiros descascando-o por ‚pegar leve

com o pecado' e reduzir o evangelho a baboseiras de esquerda e de

autoaj uda.

Fazer de Deus um a extensão dos desej os da Nova Era banaliza a sua

soberania divina e não perm ite explicar o lugar do bem e do m al em seu

plano divino. Ele ensina as pessoas a acreditar que com Deus você pode

conseguir o que quiser. Deus aj uda a ganhar na loteria, a conseguir um

em prego, a com prar um carro novo. Mas isso banaliza Deus.

O que cham ou a atenção de Rom an foi o que um com entarista disse

sobre as experiências de quase m orte:

Alguns afirm am que se encontraram com um ser de luz que era Jesus.

Por m ais atraente que isso possa parecer, esse é um falso Jesus que ensina

que a m orte é boa, que o pecado não é um problem a. Que não há inferno

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

com que nos preocuparm os j á que todas as pessoas vão para o céu,

independentem ente de a pessoa ter fé em Cristo... que todas as religiões

são igualm ente válidas...

A única conclusão é que esse Jesus é o espírito de m entira contra o

qual nos adverte o Evangelho de João. E aqueles que creem são

m arionetes do dem ônio.

Lem brem -se de que Satanás pode aparecer com o um anj o de luz e

servo da j ustiça (II Coríntios 11:14-15). Seu obj etivo é im itar Jesus e

afastar as pessoas do verdadeiro Cristo das escrituras.

Cuidado! Tais testem unhos de túneis de luz conduzindo ao além são

obra dos capangas de Satanás...

E no final de vários blogs vinha o nom e da m esm a organização, da

qual ele nunca tinha ouvido falar: a Fraternidade de Jesus.

Ele desconectou, m as aquelas palavras continuaram m artelando em

sua cabeça: m arionetes do dem ônio, capangas de Satanás.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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61

No momento em que Sarah deixou Zack em casa, ele tremia

incontrolavelm ente. Pouca coisa foi dita durante o traj eto. Ela se

desculpou várias vezes, e ele aceitou as desculpas, apenas balançando a

cabeça. Mas não era culpa dela.

Tam pouco havia ressentim ento, raiva ou decepção na m ente de Zack.

Ele queria dizer algo conciliador, sabendo que ela se sentia culpada. Mas

não conseguiu, constrangido pela em oção singular que fazia seu peito

latej ar, seus ouvidos estalarem e a boca ressecar de m edo. Ele m urm urou

um boa-noite e saltou fora do carro.

E ele sabia por quê.

E, com o a força da gravidade, tal consciência puxou-o para fora do

carro e o fez subir as escadas até seu apartam ento.

Ele tentou protelar, bebendo um copo de leite m orno e m etendo-se na

cam a. Ainda por cim a, tateou no escuro procurando o que restava de

Lunesta e de Haldol, sentindo com o se o seu corpo houvesse se

transform ado

em

um

órgão

cardíaco

gigante,

pulsando

descontroladam ente.

Por que você está protelando? Levante-se e acabe logo com isso.

Afastou aquele pensam ento e engoliu os com prim idos com o leite.

Então, ele se virou e tentou bloquear a m ente.

Im possível.

Tentou se concentrar em coisas absurdas com o flutuar no ar,

cruzando Boston. Recorreu ao núm ero pi, recitando m entalm ente

cinquenta casas decim ais, duas vezes. Nada. Aquilo ainda estava lá,

puxando seu cérebro com o um a corda elástica. E ele sentiu que não teria

sossego até saber com certeza.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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Meu Deus, eu não quero isso, pensou. Eu não quero saber.

Mas seria naquele dia ou no dia seguinte, ou no outro. Ou pode ser

tam bém que acabe de um a vez com isso, disse a si m esm o. Pode até estar

enganado.

Afastou as cobertas, saiu do quarto arrastando os pés, foi até a sala,

onde tropeçou até a m esa e deixou-se cair na cadeira.

Anos antes, quando tirara a carteira de m otorista, sua m ãe lhe pedira

para levá-la ao Mount Auburn Hospital para um procedim ento. Ele

pressionou e pressionou até que ela revelou que tinha um caroço no seio.

Durante dias, ele rezou para que não fosse m aligno. Sentado ali no escuro,

tudo aquilo voltou.

Não perm ita que sej a verdade, disse ele à escuridão. Então, ligou o

laptop.

Trem endo, clicou no Google e digitou o nom e. Retornaram um as duas

dezenas de resultados. Mas logo no topo da lista apareceu um artigo no

j ornal Hartford Courant que ele leu com o se j á soubesse do que se tratava

por prem onição:

O corpo de Mitchell Gretch, 34 anos, de Cedar Road, Manchester,

foi enterrado ontem , no Cedar Hill Cem etery , em Manchester. Espancado

até a m orte, foi encontrado em um a poça de sangue, quatro dias atrás, em

Bolton Road. Aparentem ente, foi atacado com um a chave de roda,

enquanto consertava um cano de escapam ento quebrado em seu

autom óvel...

Os pelos do corpo de Zack se arrepiaram do tórax ao couro cabeludo.

Treze anos atrás, Gretch foi acusado do assassinato de Jacob Kashian,

de Carleton, MA, m as o caso foi indeferido pelo j uiz por insuficiência de

provas.

Coincidentem ente, seu suposto cúm plice no hom icídio, William

Volker, m orreu na sem ana passada em um acidente em sua casa, em

Waltham , Massachusetts. A polícia local descartou a hipótese de

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

assassinato.

A polícia de Manchester acredita que Gretch foi assassinado por um

assaltante desconhecido que utilizou a chave de roda do próprio carro

esporte de Gretch, um Mitsubishi 1992.

A polícia ainda não tem um suspeito, m as diz que vai continuar a

investigar as circunstâncias da m orte de Gretch...

Com o se estivesse no piloto autom ático, Zack digitou o nom e William

Volker no Google. Instantaneam ente, um a dúzia de resultados apareceu,

no topo dos quais se encontrava um artigo do The Boston Globe:

‚Estranho acidente de halterofilism o tira a vida de hom em em Waltham '.

O cérebro de Zack m al conseguia registrar o que estava lendo. O outro

assassino de Jake. Ele não precisava pesquisar sobre a m ulher atropelada.

Ele sabia quem era.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.