Visões da Morte

Gary Braver · Capítulo 10 de 10 · parte 2/2

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Visões da Morte

conta pra vê se os anim ais…

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 2 partes.

Colum bus Avenue; de sua form atura no ensino m édio, nas quais aparecia

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

recebendo do diretor o cheque referente à bolsa de estudos; Zack

dom inando os adversários nas com petições de luta livre do colégio; fotos da Liga Infantil, apanhando um a bola aérea m uito alta. Havia dezenas

delas; todos os eventos da vida do j ovem Zack registrados em fotografias

feitas de longe. Seu pai tinha estado lá, invisível.

– Você m e deixou orgulhoso – o pai sussurrou.

– Por que não m e deixou saber?

– Eu não fazia parte da sua vida.

– Isso é ridículo. Você era m eu pai. Eu precisava de você. Nós

precisávam os de você.

– Não fui o hom em que deveria ter sido. – Lágrim as brotaram dos

cantos de seus olhos. – Não consegui lidar com as coisas. A m orte de seu

irm ão... criar você, ser casado. Eu era m uito fraco. Muito fraco. Não era

digno de ser seu pai.

– Você era digno.

Ele balançou a cabeça e, num sussurro falhado, m urm urou:

– Não conseguia viver em um m undo que eu não entendia.

– Então, você foi para o m osteiro.

– Para que Deus m e perdoasse, m e aj udasse a entender... Minha

penitência.

– Por quê?

– Pela m orte de Jake, por ser um pai ruim , um m arido ruim . Por toda

a m inha fraqueza.

– Por que você não respondeu às m inhas cartas, pelo m enos?

– Eu respondi. – Ele apontou para um a caixa de charuto de m adeira

na prateleira j unto aos livros e cartuchos de espingarda. – Eu guardei todas elas. E outras coisas.

Sarah foi até a prateleira e pegou a caixa para Zack. Seus olhos

estavam m olhados.

Lá dentro estavam todas as cartas de Zack enviadas a partir do

m om ento em que ele soube onde o m osteiro ficava. Estavam am arradas

com barbante. Tam bém cartas de seu pai dirigidas a ele, m as não enviadas.

Não havia selos nos envelopes. Tam bém um pequeno diário, parecendo

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

um livro-caixa. Quando Zack o pegou, o pai sussurrou:

– Não. Depois...

Dentro tam bém havia um envelope de papel pardo grosso endereçado

a Adam Krueger, em Boston.

– Adam Krueger. Eu conheço esse nom e. Ele é um vendedor de

seguros.

Nick balançou a cabeça negativam ente.

– Advogado.

– O cara que assina todos os cheques para a m am ãe. Nós pensam os

que era dinheiro do seguro depois que disseram que você havia m orrido. –

Eles recebiam pagam entos regularm ente de duas fontes distintas, e sua

m ãe presum ira que eram de duas apólices de seguro de vida diferentes. –

De onde o dinheiro vem ?

– Luria – o pai sussurrou. – Eu queria encontrar Jake. Eles

continuaram m e pagando.

– E você dava o dinheiro para a m am ãe.

Ele balançou a cabeça confirm ando.

– Além disso, quando eu m orrer... onde m e colocar. Está tudo aí. –

Ele m al conseguia falar e se encolhia de dor.

Zack se aproxim ou do ouvido do pai.

– Pai, eu vi a m orte de Volker e Gretch.

O pai virou a cabeça um pouco, m as nada disse.

– Eu os vi sendo m ortos.

Ainda nenhum a reação.

– Foi você?

Após um m om ento, ele confirm ou com a cabeça.

– Na carta para Adam . Ele saberá o que fazer.

– Você os m atou.

– A vingança é o pior dos m ales – ele sussurrou. – Por isso eu m e

tornei um irm ão.

– Você entrou para o convento por causa deles?

– Queria encontrar a paz. Perdão. Mas não pude m e proteger de m im

m esm o. Talvez ele estivesse zangado por eu ter abandonado você e a

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a

m am ãe.

– Quem ?

– Deus.

– Por que...

– Talvez eu os tenha m atado com o penitência por não ter sido um pai

para você. – Então, ele acrescentou: – Não estou culpando Deus. Eu

deveria tê-los perdoado. Mas não consegui. Tam bém não pude m e

perdoar... por abandoná-lo.

– Eu perdoo você.

Ele balançou a cabeça em sinal de aprovação, enquanto as lágrim as

corriam dos cantos de seus olhos.

– Você é um hom em m elhor do que eu j am ais fui. – Ele lutou para

recuperar o fôlego. Com o pouco de força que lhe restava, apertou a m ão

de Zack.

Zack beij ou-o na testa.

– Eu am o você, atleta.

– Eu am o você, papai.

– Cuide bem de sua m ãe. É um a boa m ulher.

Então, ele indicou a caixa de charuto no colo de Sarah. Queria que

Zack fosse passando as fotografias, m ostrando-as. Zack obedeceu. Quando

chegou a um a determ inada foto, Nick o interrom peu. Mostrava um

afloram ento de granito na floresta. Zack o reconheceu: um lugar que ele visitara com o irm ão e o pai, havia m uitos anos. O m esm o que vislum brara

na sessão de EQM.

– Quando chegar a hora, leve-m e para lá.

Nick novam ente sinalizou para Sarah procurar outra foto. Quando ela

chegou à correta, ele pegou-a da m ão dela. Era um a cópia da que estava

presa à parede da cabana, em cim a de sua cam a; um a foto tirada na frente

da casa em Carleton. Os quatro j untos, radiantes: Nick, Maggie, Jake e

Zack, que devia ter uns 8 anos na ocasião – um a época feliz. Com dedos

trêm ulos, ele guardou a foto no bolso da cam isa para ser enterrado com

ela.

Zack beij ou a testa do pai, com um a dor enorm e dilacerando seu

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a

coração.

Mais ou m enos um a hora se passou enquanto a respiração de Nick foi

se tornando m ais curta, e ele fechou os olhos pela últim a vez, lutando por

ar.

Sentaram -se com ele em silêncio, segurando suas m ãos. Zack de um

lado, Sarah de outro. E, depois de vários m inutos, ele caiu em um sono

profundo.

Cerca de um a hora antes do am anhecer, tudo estava acabado. Seu últim o suspiro foi um suave Ahhhh, com o se tivesse encontrado algo que

um dia perdera. Em seguida, seu peito deixou de se m over, o coração

silenciou e o pulso caiu para zero.

Zack esperou m ais alguns m inutos, ainda segurando a m ão do pai.

Logo ele perdeu o calor, e seu corpo se tornou algo cerim onial.

Então, Sarah foi para o outro lado da sala, enquanto Zack lavava o

corpo do pai com um a toalha e água do reservatório. Eles o vestiram

novam ente e o envolveram em um cobertor. Sarah leu as instruções de

enterro m ais um a vez.

Depois, abriram a porta da cabana para o ar frio e cinzento.

Em algum lugar ao longe, um m ergulhão gritou.

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a

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Q uando saíram, Zack estava entorpecido.

Não era apenas tristeza. Em algum nível inexprim ível, sentia-se

abandonado. Todos os vislum bres sobrenaturais pareciam ter evaporado no

frio da m anhã. Seu pai havia m orrido, e algo havia deixado a alm a de Zack:

um a pequena incandescência, que havia queim ado no fundo da sua

consciência com o um filam ento.

Lá no alto, por trás da negra silhueta das árvores, um a lum inosidade cinzenta com eçava a se infiltrar no céu.

Zack carregava o corpo do pai, agora um fardo em brulhado, através da

floresta, seguindo Sarah com a lanterna. Nick perdera tanto peso em

consequência da desidratação que pareceu a Zack estar com um a criança

nos braços. Provavelm ente, a m esm a sensação que seu pai sentira tantas

vezes ao levá-lo para a cam a, quando Zack adorm ecia no sofá da sala.

Deslocavam -se por um cam inho vagam ente gasto por entre o m ato e

os galhos de árvores caídos, guiados pela lanterna de Sarah. O ar estava

pesado com a um idade da m adrugada e o cheiro de m ofo do solo

encharcado. Da lam a e do hum o, nasciam novos brotos.

Após uns dez m inutos de cam inhada, chegaram a um enorm e

afloram ento de granito que se erguia a um a altura de cerca de sete m etros

e m eio do solo, term inando em um pico cônico que lem brava um a figura

encapuzada debruçada para fora do m atagal. Ele conhecia aquele

m onólito. Ele o escalara com seus tênis de criança. Pedra do tabernáculo.

O nom e lhe veio do nada. Não sabia se quem batizara a rocha assim foram

os prim eiros colonos ou foi o seu pai. Mas ele levara Zack e Jake ali,

quando eram pequenos.

Na base da rocha havia um a pilha de folhas e ram os m ortos. Ao lado

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

dela, um m onte de terra coberto por um a lona plástica. Zack deitou o

corpo de seu pai no chão e, então, ele e Sarah rem overam a cobertura.

Debaixo dela estava o buraco da sepultura que seu pai havia cavado, cerca

de 1m 80 de com prim ento, uns sessenta centím etros de largura e m ais ou

m enos noventa de profundidade. Havia sido cavada para ser funcional: ele

deixara os lados m ais ou m enos retos, m as não se preocupara em revesti-la

com pedras nem arrancara raízes perdidas.

Zack rem oveu a lona de plástico, revelando a cam ada de terra, bem

com o um a pá m ilitar de cabo curto. Com um pequeno choque, Zack

percebeu que seu pai – um hom em que não tinha am igos, que havia se

tornado um erm itão no m eio do nada – havia cavado sua própria cova com

o único propósito de aliviar Zack da tarefa desagradável. Mais do que isso,

seu cuidadoso planej am ento antecipara a j ornada de Zack até ali, talvez até

m esm o o tivesse convocado. Havia tantas incógnitas, tantas coisas

invisíveis.

Antes de eles baixarem o corpo no buraco, Zack afastou o cobertor do

rosto do pai para contem plá-lo m ais um a vez. Talvez fosse só sua

im aginação, m as ele lhe pareceu estar em paz.

Beij ou-lhe a testa de novo.

– Adeus, pai.

Então, com lágrim as em baçando-lhe os olhos, cobriu-o com o cobertor

novam ente. Sarah puxou-o para si e deu-lhe um abraço apertado. Am bos

estavam chorando agora. Por um longo m om ento, aj oelharam -se ao lado do

corpo do pai de Zack, j untos um do outro.

Algum tem po depois, Zack pegou a pá e com eçou a enterrar o pai.

Sarah ficou ao lado dele, segurando a lanterna. Lá no alto, as aves

despertavam para o am anhecer. Ele podia ouvir seus trinados e gorj eios

enquanto cobria os pés e as pernas de seu pai, parte incrédulo, parte

estranham ente pleno.

Estava quase term inando quando ele se virou para o cam inho, m eio

que esperando ver algo em ergir dentre as árvores.

– O que foi? – perguntou Sarah.

– Nada. – As árvores form avam um paredão escuro e inerte. – Só um

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a

veado.

Zack voltou para a pá.

Enterrou o pai, enquanto Sarah sentou-se silenciosam ente sobre a

lona, com os j oelhos pressionados contra o peito, observando-o. Nenhum

deles disse nada. A luz cinzenta da aurora tornava-se cada vez m ais

brilhante.

Quando term inou, Zack cobriu o m onte com pedras, fazendo um

pequeno dólm en. De acordo com a vontade do pai, ele não colocou um a

cruz de gravetos nele. Em vez disso, com Sarah ao seu lado, com o braço

em volta dele, Zack fez um a prece silenciosa.

– Adeus, pai. Que você encontre a paz onde quer que estej a.

– Que tocante!

Sarah gritou.

Das árvores atrás deles, saiu um hom em com um a arm a.

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a

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– Q uem é você?

O hom em em ergiu das som bras, com um a pistola apontada para Zack.

– A verdadeira pergunta é ‚Quem é você?'

Estava vestido com j aqueta, calças e chapéu cam uflados. No om bro,

trazia um a m ochila com algum a coisa saindo dela, term inada por um cabo

preto. E, apontada para o peito de Zack, um a pistola de cano longo,

exagerado por aquilo que parecia ser um silenciador. Ninguém sai para

caçar com um silenciador.

O hom em cam inhou para a clareira, com os olhos arregalados.

– Então, é você o hom em m ilagroso.

Ele parecia vagam ente fam iliar.

– O que você quer?

– Disseram -m e que você tinha fugido. Mas Morris teve a gentileza de

m e m ostrar seus vídeos. Que foi com o eu o encontrei. Magog Woods... não é propriam ente um local turístico.

– O que você fez com Morris? – perguntou Sarah.

– Morris? Você quer dizer o falecido Morris, grande capanga de

Satanás? Digam os apenas que eu o aliviei de sua vida de blasfêm ia.

– Seu filho da m ãe!

Ele a ignorou e olhou para Zack.

– Alguns dizem que você pode fazer m ilagres. Outros dizem que você

é o diabo disfarçado. Eu só estou querendo saber qual é a verdade.

– Eu não sei do que você está falando.

– Você recita as palavras de Jesus na língua antiga. Você vê coisas que

não estão lá. Talvez sej a Deus falando por seu interm édio. Isso é bastante

im pressionante. Pode ser tam bém que você sej a o Anticristo.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

De repente, Zack se lem brou de onde tinha visto aquele rosto. O cara

no bar do Grafton Street Pub & Grill, na Harvard Square. Ele os estava

seguindo.

– O que você quer?

O hom em se aproxim ou.

– O que eu quero é saber se você é um anj o ou um dem ônio.

A expressão em seu rosto dizia que sua pergunta era m ortalm ente séria. Ele olhava para Zack com o m esm o olhar de expectativa m aravilhada

que ele im aginava que ilum inava os rostos daqueles que haviam se reunido

em torno de seu leito no hospital. Só que aquele cara tinha um a arm a,

para o caso de Zack ser a coisa errada ou nenhum a das duas.

– Você vai ter que decidir isso sozinho. – Zack podia sentir que Sarah

olhava para ele horrorizada, perguntando-se por que ele estava provocando

o cara.

– Dem ônio ou anj o, você pode fazer coisas que o resto de nós não

pode. Não é m esm o?

Zack não respondeu.

– Quero dizer, talvez você tenha alguns poderes extraordinários.

Então, ou você trabalha para o hom em lá de cim a ou para o cara lá de

baixo. Para qual, afinal?

– Se é dinheiro que você quer, podem os ir ao banco m ais próxim o.

– Você vale m ais para m im do que qualquer quantia que possa tirar de

um banco.

– O que isso quer dizer? – Zack perguntou.

– Quer dizer que há pessoas que vão pagar m uita grana por você, vivo

ou m orto. – Ele chegou m ais perto. – Vam os lá, m ostre-m e o que pode

fazer. – Ele se abaixou e apanhou um a pedra do túm ulo. Sopesou-a e, em

seguida, atirou-a aos pés de Zack. – Transform e isso em um pedaço de

pão.

Zack olhou para a pedra.

– Fala sério.

O hom em se alterou e encostou a pistola em Zack.

– Eu estou falando sério. Não poderia estar falando m ais sério. Se

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Jesus está em você, faça!

– Eu não posso.

– Não? – Então, ele pegou um galho do chão e j ogou-o aos pés de

Zack. – Que tal um a serpente?

– Eu não faço truques de m agia.

– Eu não estou pedindo truques. Eu quero coisas verdadeiras. Dizem

que você tem poderes sobrenaturais. Eu quero que você m e m ostre. Eu

quero ver um m ilagre.

Zack não disse nada.

– Vam os! – exigiu ele. – Faça o céu nublar. Faça a névoa subir. Faça

algo acontecer, um m aldito pilar de fogo ou algo assim . Mostre-m e o que

você é e por que todo m undo está atrás de você, disposto a pagar m ilhões.

– Eu não posso... – com eçou Zack.

O hom em virou a arm a para Sarah e atirou.

Ela gritou e agarrou o próprio braço. A bala atravessou seu m oletom

um pouco acim a do cotovelo. Ela levantou a m anga, revelando um filete de

sangue.

– Vam os lá, hom em m ilagroso, cure-a. Você pode fazer isso. Você tem

o cérebro de Deus ou sej a lá com o cham am . Faça!

– Seu filho da puta – disse Zack, partindo para cim a dele.

Mas o cara o parou com a arm a.

– Você quer viver? Então, cure-a. Faça isso. Você canaliza os poderes

de Deus, então faça, porra! Mostre-m e que você é Deus.

Sarah gem ia de dor enquanto o sangue escorria por entre os seus

dedos. Sem dizer nada, Zack tirou a j aqueta, fez um buraco na m anga de

sua cam isa com os dentes e rasgou-a fora do braço. Ele am assou o pano

para estancar o sangue. Só havia acertado a carne, em bora o sangram ento

fosse constante.

– Acha que isso é um a piada? – o hom em gritou. – Eu quero que você

faça o ferim ento desaparecer, e não um a bandagem de m erda.

Com o cinto, Zack fez um torniquete no braço de Sarah.

– Desculpe – ele sussurrou.

– Eu estou dizendo para você curar a porra do ferim ento dela.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Eu não posso.

O hom em apontou a arm a para a sepultura e disparou duas vezes no

m onte de terra.

– E quanto a ressuscitar os m ortos, hein? Jesus fez isso com não sei

quem ... Lázaro. Vam os, ressuscite o seu velho. – A intensidade em seus

olhos era feroz. – Traga-o de volta.

– Você é louco.

– Louco, eu? Sim , talvez eu sej a. – Ele olhou para Sarah com o se

pensasse em atirar nela para m atar.

– Que diabos você quer de m im ?

Ele virou a arm a para Zack.

– Eu quero que m e m ostre que você é de verdade, não um m aldito

boato. Mas isso é o que eu acho que você é: um m aldito boato. – Ele

atirou em um ponto entre os pés de Zack. Sarah gritou.

– Um a m aldita m entira, com o todo o resto. E Deus é a m aior m entira

de todas. Pode-se m uito bem acreditar em Papai Noel. Porque, sabe de

um a coisa? Nada existe. – Ele ergueu a pistola para o céu e disparou. –

Não tem nada no m aldito céu! – gritou, pulverizando saliva. – É tudo

m entira. São todos uns m alditos m entirosos: a porra do padre Infantino, os

santos, o papa. Tudo m entira. A m erda do céu não existe. Não existe porra

nenhum a de salvação. Nem Deus, nem Jesus. Tudo não passa de um a

m aldita fraude.

Ele apontou a arm a para Zack e disparou outro buraco no chão diante

dele.

– Este é o verdadeiro inferno – continuou. – Estam os vivendo nele.

Não há m ais nada. E quando acabar, acabou. Um buraco negro na terra

para sem pre.

Com um a só m ão, alcançou o om bro, agarrou o cabo preto que saía da

m ochila e puxou um facão. Então, apontou a arm a para o peito de Zack.

– Para m im , você vale m ais m orto.

– Não. Não! – gritou Sarah.

O hom em ergueu o facão, a lâm ina longa e brilhante parecia um

grande facho de luz apertado em sua m ão.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Quem o contratou? – Zack disse.

– Um idiota que pensa que você é o diabo. Mas você não pode nem

acender um m aldito fósforo.

– Diga-m e o nom e dele.

O cara olhou para ele com os olhos vazios de expressão.

– Norm an Babcock.

– Você m atou Tom Pom eroy – disse Sarah.

– Sim , e agora você, sua m aldita fraude. – Ele ergueu a arm a para o

peito de Zack.

– Não! – Sarah gritou.

O atirador, de repente, virou-se para o paredão de árvores. Seu rosto

estava tenso, os olhos, arregalados de choque. Ele largou o facão e segurou

a arm a com as duas m ãos, m irando algum a coisa logo atrás do paredão escuro. Moveu a arm a de um lado para o outro, tentando localizar o seu

alvo, apontando-a para a esquerda e depois para a direita, depois para

cim a, para as copas das árvores. De repente, ele congelou os braços

estendidos e disparou três tiros em rápida sucessão.

Pequenos galhos e folhas explodiram em todas as direções. Mas Zack

não conseguiu ver ninguém , só o m ato, as árvores e passarinhos fugindo

assustados. Ainda segurando a arm a com as duas m ãos, o hom em virou

para outra direção, esvaziou o pente e, em seguida, pegou outro novo em

seu bolso, para recarregar a arm a.

Zack puxou Sarah para perto de si.

– No que ele está atirando? – perguntou ela.

Zack não tinha ideia. O cara estava rastreando algo invisível nas

árvores, balançando para lá e para cá. Disparou m ais, esvaziou o pente e

recarregou a arm a, em seguida. Mais galhos e folhas explodiram , e o único

som era o de pássaros assustados. Se houvesse caçadores ou até m esm o a

polícia, eles teriam se revelado ou revidado os tiros.

Com a últim a saraivada, ouviu-se um guincho. E, do nada, um grande

falcão cortou o céu, com as asas abertas em toda a extensão.

Por reflexo, o atirador m irou e disparou.

A ave despencou do céu desaj eitadam ente e bateu no chão com um

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

baque surdo, a uns seis m etros de distância. Um a asa estava esticada de

m aneira não natural, a outra, dobrada debaixo do corpo, talvez quebrada, a

cabeça em um ângulo estranho. Zack vislum brou um a m ancha verm elha,

m as não sabia se era sangue ou penas da cauda. Daquele pequeno m onte

desconj untado, um olho aberto olhava para Zack.

Sem pensar, ele ergueu as m ãos em direção à ave:

– Avvon d-bish-m aiy a, nith-qaddash shim -m ukh.

– O quê?

– Tih-teh m al-chootukh. Nih-weh çiw-y anukh...

– Que diabos ele está dizendo?

– ei-chana d’bish-m aiy a: ap b’ar-ah.

– Ele... ele está... – Sarah tentou falar.

– Haw lan lakh-m a d’soonqa-nan y oo-m ana.

– É Jesus – ela sussurrou.

– O quê?

– É Jesus. Ele está falando por interm édio dele.

– O’shwooq lan kho-bein: ei-chana d’ap kh’nan shwiq-qan l’khay a-

ween.

– Pare com essa m erda!

– Oo’la te-ellan l’niss-y oona: il-la paç-çan m in beesha.

– Não, é sério... – disse ela. – Jesus está falando por interm édio dele.

Essas são suas palavras. É Jesus.

Zack ouvia as sílabas saírem de sua boca, sem saber de onde vinham ou com o ele poderia pronunciar os sons estranhos, m as continuou a recitar

o encantam ento, enquanto o atirador parou diante dele atordoado, com a

pistola na m ão ainda m irando o coração de Zack.

Com o as palavras continuaram fluindo de Zack, o hom em olhou para

ele com os olhos arregalados de espanto, com o tam bém fazia Sarah. Talvez

para testá-lo, o atirador ergueu a arm a a poucos centím etros do rosto de

Zack e cutucou o ar diante de seus olhos. Mas Zack não vacilou, não

gritou. Ele continuou a recitar a antiga prece.

– Mid-til de-di-lukh hai m al-choota.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Eu não sei se ele está em um transe ou está fingindo. – Então, ele

apontou a arm a para Sarah. – Isso é algum tipo de truque m entiroso.

– Oo khai-la oo tush-bookh-ta l’alam al-m ein. Aa-m een.

– Filho da puta! – Ele encostou a arm a no coração de Zack.

– Não! – gritou Sarah.

De repente, saindo do chão, o gavião esvoaçou na direção do hom em .

Por reflexo, ele girou na direção da ave e disparou. Ele errou, e o gavião

voou. Mas, antes que pudesse se virar para eles, Zack pulou para apanhar

o facão, ergueu-o e, com toda a sua força, golpeou-o. A lâm ina am putou a

m ão do hom em que em punhava a arm a. Sem acreditar, ele gritou, enquanto o sangue j orrava do coto; a m ão decepada ficou caída no m ato,

ainda segurando a arm a.

Zack pisou na arm a e enfrentou o hom em com o facão. Segurando seu

coto, ele cam baleou em direção à cabana, urrando de dor.

Zack aj udou Sarah a se levantar e eles foram atrás dele. Trilharam o

cam inho ainda escuro. Por causa da vegetação espessa e da roupa

cam uflada do hom em , eles não podiam ver para onde ele tinha ido. Nem

podiam ouvi-lo.

E tudo era silêncio.

Logo chegaram à clareira da cabana. Nenhum vento nas árvores.

Nenhum canto m atinal de pássaros. Nenhum zum bido de insetos. O lugar

parecia um a natureza m orta. Nada se m ovia.

Nada além do gotej ar de sangue.

Sarah gritou assustada, e dem orou um pouco para a m ente de Zack se

dar conta do que a assustara. O atirador estava caído sobre o toco de cortar

lenha do pai de Zack. Seus braços estavam esparram ados pelos lados, suas

pernas estavam abertas, o sangue que escorria da m ão decepada form ava

um a poça no chão.

Ao que parecia, ele havia tropeçado no toco e ficou em palado no

esporão exposto do m achado do pai de Zack.

Por vários m inutos, eles vasculharam a área onde ele havia

descarregado os pentes de bala. Descobriram cicatrizes brancas nas

árvores e galhos quebrados pelas balas. Mas não havia pegadas. Nem

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

brotos pisoteados. Nenhum sinal de qualquer outra presença. Pelo que

podiam perceber, o hom em atirara em nada.

Nada visível.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

 

a

Sete sem anas depois

– A Zack, pela aprovação de sua dissertação – Maggie disse, levantando uma

taça de cham panhe. – Parabéns!

– A Zack.

E seis taças se tocaram levem ente sobre a m esa.

Era um a am ena noite de agosto, e eles estavam sentados a um a m esa

externa no Daisy Buchanan’s, um restaurante da m oda na Newbury Street.

Zack havia recebido a boa notícia de seu orientador, dois dias antes. E

celebrando com ele estavam sua m ãe, Sarah, Anthony , Geoff e Dam ian.

– Então, você com pleta o m estrado em dezem bro e depois vai fazer o

quê? – Anthony perguntou.

– Depois, eu vou procurar um em prego de professor – disse Zack.

– Eu brindo a isso tam bém – disse Maggie.

Ele sabia que iria fazê-la feliz, um a vez que ela própria dedicara-se por

vinte anos ao ensino. Em bora seu orientador o incentivasse a obter o

doutorado, ele decidiu candidatar-se a um a vaga de professor em colégios

e faculdades de Boston ou nas cercanias, para ficar perto de sua m ãe e de

Sarah.

Fazia quase dois m eses que ele e Sarah vinham se encontrando

regularm ente, e nesse tem po Zack acalentou a possibilidade de tornar as

coisas m ais sérias entre eles. O fato de Maggie haver se afeiçoado a Sarah

aj udou na decisão.

– À educação e um a vida de pobreza – disse Zack.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Bem , há de se levar isso em conta – disse Maggie, com um a risada.

– Pelo m enos, algum as coisas não vão m udar – acrescentou Dam ian.

– Mas m e livrei dos credores na m inha cola.

– E você não precisa m ais vender o seu sangue e a sua alm a para pagar

o cartão de crédito.

Tanta coisa havia acontecido desde os eventos em Magog Woods...

Elizabeth Luria não deixou um bilhete de suicídio form al, apenas o exam e de sangue e a atividade neuroelétrica registrada durante a sua

sessão autoconduzida. Em bora ela j am ais fosse conhecer os resultados do

diagnóstico, as análises dos dados indicaram que ela experim entara

transcendência m om entânea. Com o um ato de redenção por todo o m al

feito aos outros, ela deixou a m aior parte de seus bens para um abrigo de

m oradores de rua em Boston. Ela tam bém destinara a Zack um cheque de

10 m il dólares. Ele esperava que ela finalm ente houvesse encontrado o

que buscara por tanto tem po.

Com o By ron Cates e Sarah haviam se filiado ao laboratório após as

m ortes dos m oradores de rua, eles não foram incrim inados na investigação

policial que se seguiu.

Quanto a Norm an Babcock, ele foi preso com o cúm plice de

assassinato. As evidências contra ele eram esm agadoras, pois seu m atador

de aluguel, Rom an Pace, havia gravado as conversas em que os dois

discutiram o assassinato de cientistas do proj eto, com o segurança contra

um a possível traição. A quantia elevada encontrada no carro alugado de

Pace com binava com os saques em dinheiro efetuados por Babcock.

A polícia ainda investigava a Fraternidade de Jesus para determ inar se

outros m em bros eram cúm plices no levantam ento de fundos para a

contratação de Pace. Essa investigação ainda estava em curso. As

autoridades haviam interrogado Tim othy Callahan, pastor da Igrej a de São

Pio, em Providence, e sobrinho de Babcock. Em entrevista à m ídia local,

Callahan negou saber qualquer coisa sobre as atividades crim inosas de

Babcock, alegando que seu tio era um solitário equivocado, cuj as críticas violentas na Internet contra Warren Gladstone e cuj a pesquisa sobre

experiências de quase m orte eram obsessões particulares, que não

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

deveriam ser levadas a sério. De acordo com o bispo da arquidiocese de

Boston, a Fraternidade de Jesus era um grupo dissidente

perturbadoram ente reacionário de sedevacantistas que rej eitavam a

política de ecum enism o e tolerância religiosa da atual Igrej a, bem com o

dos últim os oito papas – portanto, eles não eram reconhecidos pela

arquidiocese ou pelo Vaticano.

Maggie, é claro, ficara chocada ao saber que, até pouco tem po antes,

Nick estava vivo e m orando em Magog Woods. E duplam ente chocada por

ele ter m atado quatro pessoas para vingar a m orte de Jake. A carta em que

Nick se desculpava fora enviada a ela pelo advogado, explicando que ele

não conseguira derrotar as trevas e que entrara para o m osteiro em parte

para resguardar Maggie e Zack de seu próprio e corrosivo desespero. Ele

pedia perdão e afirm ava que o seu consolo era acalentar o seu breve

vínculo com Zack. Maggie não entendeu essa últim a declaração, e Zack

não tentou explicá-la.

A garçonete e dois auxiliares chegaram com os pratos. Desde que a

j ovem anotara os pedidos, Zack havia percebido sua atenção. Na verdade, ele a notara assim que a hostess os levou até a m esa. Enquanto esperavam

pelo cham panhe, sentiu sobre si os olhos da equipe de garçons e de alguns

clientes.

Quando ela o serviu, não pôde deixar de perguntar:

– Se não se im porta que eu pergunte, o seu nom e é Zachary Kashian?

– Sim .

Os olhos dela se ilum inaram .

– Quando vi o nom e na reserva, achei m esm o que fosse. Eu li sobre

você no j ornal. – Ela sorriu nervosam ente. – É bom ver você, e aproveite o

seu j antar.

– Obrigado – disse Zack, notando um crucifixo de ouro no pescoço da

m oça. E, antes de se retirar, ela reposicionou o prato de salm ão, roçando

os dedos contra as costas da m ão dele. Não foi por acidente.

Durante a entrevista que havia concedido a um repórter do Boston

Phoenix, Zack adm itira que ele não entendia com pletam ente com o havia

recitado as frases em aram aico enquanto estava em com a. Ele achava que

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

o pai havia ensinado a ele quando era criança e que, de algum m odo,

aquilo tivesse vindo à tona quando ele bateu a cabeça no poste. Mas ele

não acreditava que estava canalizando Jesus. E não, ele ainda não poderia dizer que acreditava em Deus, pelo m enos não no Deus dos textos

religiosos. Mas disse que acreditava que havia algo m aior do que a

hum anidade, um a essência espiritual que podia ser sentida na vida

hum ana.

Apesar dos testes de EQM, ele ainda não sabia se havia vida após a

m orte. Mas achava que, provavelm ente, era m elhor acreditar do que não

acreditar. Quando lhe pediram para explicar, disse que crer não só nos

aj uda a atravessar as fases difíceis da vida, m as torna m ais fácil enfrentar

tragédias com algo m ais do que m era resignação. Se você vê a vida através

de um a lente de esperança, tem m enos m edo das crises, m enos m edo da

m orte. Isso é o que m otivava Elizabeth Luria, o assassino profissional e um

m onte de gente. Todos nós ansiam os pela eternidade.

Quando perguntaram se agarrar-se à esperança de um a vida após a

m orte tornava as pessoas m ais em penhadas em aj udar os outros, ele disse

que dependia da pessoa. Sua m ãe não acreditava, m as ela era um a pessoa

boa e am orosa que aj udava os outros por pura bondade, não pela

esperança de ser recom pensada na vida após a m orte.

Quanto ao proj eto de Luria, ele lem brou ao repórter a m ensagem

de Frankenstein: Não m exa com as forças naturais. Tudo bem acreditar na

vida após a m orte, m as tentar provar sua existência pode significar nos

m eter onde não devem os.

Zack não contou à im prensa que, às vezes, enquanto estava deitado na

cam a, ele agradecia por sua m ãe, Sarah, seus am igos e sua própria vida a

qualquer divindade fantasm a que pudesse estar escutando. Nunca poderia dizer com certeza se o que aconteceu naquela floresta foi um acidente ou

algo m aior, m as ele tam bém agradecia ao pai, por via das dúvidas.

Talvez acreditar fizesse as coisas acontecerem . Talvez querer acreditar

fosse a essência da fé.

E, com esse pensam ento, Zack olhou por cim a da m esa para Dam ian,

que, por um m om ento, fechou os olhos para dar graças. Quando olhou

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

para cim a, Zack cham ou sua atenção e assentiu com a cabeça:

– Eu tam bém . – E Dam ian sorriu.

– Ok – Anthony disse, engolindo o resto de seu cham panhe. – Os

j ornais e a TV j á deixaram você de lado. Então, eu tenho de perguntar: o

que realm ente aconteceu lá no Maine?

– O que você quer dizer?

– Quero saber com o você conseguiu pegar o cara. Ele era um

assassino profissional que treinava tiro ao alvo toda sem ana. De acordo

com os j ornais, o cara era Annie Oakley [25].

[25]. Nom e artístico de Phoebe Ann Mosey (1860-1926), exím ia atiradora do velho oeste que se apresentava exibindo sua destreza com as

arm as. (N. da T.)

– Não sei o que aconteceu – disse Zack. – Acho que ele apenas

‚bobeou'.

– Os policiais encontraram cartuchos por todos os lugares. Então, no

que ele estava atirando?

– Eu não tenho ideia. Talvez estivesse tendo alucinações.

– Ele parecia estar drogado ou algo assim ? – Anthony perguntou para

Sarah.

– Não, ele parecia enlouquecido.

– Então, você está dizendo que ele se distraiu com o falcão que voava

baixo.

– Mais ou m enos isso.

Meio que inconscientem ente, Zack tocou a corrente de prata em seu

pescoço. Não era o crucifixo de seu pai. Tinha sido enterrado com ele.

Havia sido adquirida em um a loj a local, que executava serviços

personalizados; e pendurada nela havia um a pequena pena de cauda

verm elha. Apenas Sarah sabia que ele a usava. Se alguém perguntasse, era

apenas um am uleto de boa sorte.

Ele e Sarah haviam exam inado longam ente os acontecim entos daquela

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

m anhã, analisando cada m om ento e todos os m ovim entos para entender o

que realm ente tinha acontecido. Mesm o depois, e apesar de sua boa

m em ória, Zack não conseguia recitar de cabeça m ais do que as prim eiras sílabas da prece em aram aico que deixara o assassino estupefato. De onde

aquelas palavras haviam saído, ele não sabia explicar, em bora o raciocínio

rápido de Sarah houvesse distraído o assassino. Tam pouco sabia explicar

com o aquela ave que parecia m orta revivera. Nenhum a conclusão racional

que lhe ocorrera fora totalm ente satisfatória.

– Eu não sei, cara – disse Anthony , balançando a cabeça. – Ou você

nasceu virado pra Lua, ou alguém lá em cim a gosta de você.

Todos concordaram e voltaram para os seus pratos.

Todos m enos Sarah. Ela e Zack se entreolharam . Foi um m ovim ento

rápido, para não cham ar a atenção dos dem ais, m as ele entendeu m uito

bem o que ela estava dizendo com os olhos.

– Talvez sim – disse ele, e sentiu a m ão dela deslizar por baixo da

m esa e apertar a dele. – Talvez sim .

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

Você terminou Visões da Morte

Gary Braver

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