Visões da Morte
m ovim ento de corpo que lhe…
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 2 partes.
Mais um a vez, Zack e Dam ian foram separados. Zack acom panhou
Sarah Wy m an e a doutora Luria; Dam ian, os outros. Atravessaram o
corredor até um pequeno espaço ilum inado, com prateleiras de livros e
periódicos e um a m esa com dois alentados m onitores de com putador. Em
frente a essa havia outra m esa, m enor, onde se sentou Luria. Zack
acom odou-se na cadeira diante dela. Em um m óvel atrás da doutora havia
um a fotografia de estúdio em oldurada m ostrando um garotinho sorridente.
– Exam inam os o seu histórico m édico, e tudo parece bem – disse
Luria. – Mas aqui em seu questionário você diz que tinha sonhos
recorrentes com entes queridos falecidos.
– Alguns sonhos com m eu pai. Ele m orreu há três anos, m as m eus
pais se separaram quando eu tinha 10, e eu não o via m uito.
– Sinto m uito por ouvir isso – disse Luria. – Pode falar um pouco
sobre esses sonhos?
– Às vezes, são coisas que fizem os no passado. Outras vezes, ele
aparece na porta.
– Se você não se im porta de eu perguntar, com o ele m orreu
exatam ente?
Zack não conseguia ver com o isso era relevante para um proj eto de
distúrbio do sono.
– Ataque cardíaco.
Sarah disse:
– Lam ento m uito. Você sonha com todos os outros parentes falecidos?
– Não, e eu pensei que isto fosse um estudo do sono.
A m arca de nascença de Luria flam ej ou novam ente.
– É, e um dos com ponentes básicos é a neurofisiologia dos sonhos, a
atividade elétrica que ocorre quando eles acontecem . Portanto,
gostaríam os de obter um m apeam ento do seu cérebro.
– Serei colocado para dorm ir?
– Não, você estará com pletam ente acordado – disse Sarah. – Nós
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
vam os colocar em você um capacete com eletrodos do lado de dentro,
criando um cam po m agnético fraco para estim ular diversos setores de seu
cérebro.
– Sentirei algum a coisa?
– Não fisicam ente.
– Então, vou sentir algum a coisa.
– Isso é o que nós gostaríam os de determ inar.
Ela estava sendo vaga, para não influenciar a sua reação.
– Mas m eu cérebro não vai fritar.
– Dificilm ente. O cam po m agnético não é m ais forte do que o de um
barbeador elétrico.
– Antes de com eçarm os – Luria disse –, gostaríam os que você
assinasse um term o de confidencialidade e consentim ento. Além disso,
um a perm issão de uso de im agem , porque gravarem os em vídeo cada
sessão, no caso de usarm os as fitas em futuros estudos ou em publicações.
Zack leu os term os e a perm issão e depois os assinou.
– Se você sentir o m ais leve desconforto, avise-nos e nós param os.
– Ok.
Em seguida, Sarah o levou para um pequeno recinto ilum inado
tenuem ente, com um a j anela de observação. No espaço havia um a cadeira estofada m acia e um travesseiro. Ele tirou a cam isa e Sarah conectou seu
peito a um aparelho de ECG na sala de observação. Em sua cabeça, ela
colocou um capacete com o o de m otociclista, com fios ligados a m onitores
e um com putador na outra sala. Ele estava grato por seu cabelo haver
crescido e cobrir a cicatriz do furo que haviam feito em seu crânio para
aliviar a pressão.
– Este sistem a eletroencefalográfico é m ais sensível do que o
dispositivo padrão – explicou ela. – Há tam bém um sensor sem fio que se
com unica diretam ente com o com putador, para analisar dados e produzir
um perfil elétrico em tem po real.
– Está bem . – Ele observou-a checar as conexões, adm irando sua boa
aparência.
– Vam os colocar um a m áscara de dorm ir em você para evitar
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
distrações visuais. Repito: se você sentir o m enor desconforto, avise-nos.
Um m icrofone está ligado ao capacete para que nos diga tudo que
experim entar.
– Com o o quê?
Da cabine de observação, Luria respondeu:
– Nós estarem os aplicando a estim ulação m agnética em áreas associadas a diferentes em oções e percepções. Sendo assim , pode ser que
você não experim ente nada ou tenha algum as sensações. Então, apenas
relaxe e narre qualquer m udança que experim entar, não im porta que sej a
sutil.
– Ok.
– Você vai ficar bem – disse Sarah, e tocou o braço dele.
– Quanto tem po isso vai levar? – Zack perguntou.
– Menos de um a hora.
Quando Zack estava pronto, Sarah deslizou um a m áscara sobre os
olhos dele, aj ustou-lhe o capacete, apagou a luz e deixou o recinto. Vários
m inutos se passaram enquanto Zack ficou ali sentado, naquele silêncio
negro. Tinham -lhe dito que, com o com eçariam do nível m ínim o de
estím ulo, ele provavelm ente não registraria qualquer coisa por um tem po.
Talvez não registrasse nada até o fim da sessão. Na cadeira escura e
silenciosa com o um útero, passou por sua cabeça que aquilo era o m ais
próxim o que ele j á havia chegado da total privação dos sentidos.
Por um tem po, não detectou coisa algum a, apenas o pulsar do próprio
coração. Contou as batidas, tentando se concentrar em algum a coisa –
qualquer coisa. Então, recitou o núm ero pi até quinze casas decim ais. No
colégio, ele havia m em orizado até cinquenta. Depois de m ais alguns
m inutos, am ebas am arelas com eçaram a flutuar pelo interior de suas
pálpebras – o tipo de ruído branco visual que o cérebro produz na
escuridão. Mas logo as bolhas adquiriram auras alaranj adas e azuis e
com eçaram a girar em torno um a das outras.
– Estou vendo m anchas coloridas.
– Tudo bem – disse a doutora Luria.
Quando era pequeno, seus pais costum avam alternar-se deitando ao
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
lado dele para colocá-lo para dorm ir. Um a noite, Zack perguntou ao pai o
que eram aquelas pequenas m anchas que ele via quando estava com os
olhos fechados. O pai brincou dizendo que eram pequenos OVNIs. Zack
pôs-se a acom panhar um a delas e sentiu-se flutuando até que teve certeza
de que havia se separado da cadeira, com o se estivesse cheio de gás hélio.
– Parece que eu estou subindo.
– Ok.
O ‚O' da resposta dela tornou-se um anel brilhante que se expandiu
rapidam ente. Montou-o enquanto se expandia em um vazio inexpressivo.
De repente, tudo ficou escuro.
Alguém estava no recinto com ele.
Seu prim eiro pensam ento foi que Sarah havia entrado para verificar
um a conexão. Pensou em retirar a m áscara, m as suas m ãos não
obedeciam . – Quem está aí? – ele sussurrou.
– O que foi? – indagou a doutora Luria.
– Alguém está aqui com igo.
– Quem está aí com você?
Ele hesitou por um instante, tentando identificar a sensação, que
sum ia e retornava. De repente, ela ficou m uito forte, e ele virou a cabeça
com o se estivesse tentando rastrear o invasor. Não sentia m edo ou prazer,
apenas a consciência de um a presença – com o entrar em um a floresta e
sentir que está sendo vigiado. No m om ento seguinte, subiu a um a grande
altura, com o um a ave planadora aproveitando um a corrente térm ica.
Queria narrar, m as não conseguia. Então, com eçou a m ergulhar na
penum bra – indo para baixo em alta velocidade em direção a um pontinho
de luz. À m edida que ele se aproxim ava, o pontinho tom ava form a.
Quando ele deslizou para m ais perto, o local tom ou form a: um garoto no
topo de um lance de escada vestindo um a cam isa verm elha e segurando
um a luva de beisebol – ele m esm o. E um hom em subindo em sua direção
com os braços abertos.
– E aí, atleta, quer j ogar?
– Papai.
O som de sua própria voz assustou-o e trouxe-o de volta para o
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
presente, sentado com os olhos vendados, conectado a fios e com um a
engenhoca na cabeça. Ele tirou a venda dos olhos quando um a luz se
acendeu.
Um a voz fem inina sem corpo disse:
– Você está bem ?
Ele podia vê-la em pé diante dele, e por um a fração de segundo não
tinha ideia de quem ela era ou por que ele estava em um a cadeira em um a
cabine. Então, tudo retornou à consciência. E a alegria de ver seu pai tão
real e cheio de vida de repente escureceu, com o um film e exposto à luz.
Sarah Wy m an perguntou com o ele estava. Ele balançou a cabeça, m as
não conseguia falar. O sentim ento de pesar tornara seu peito um a
cavidade vazia.
Soltaram -no e o levaram para o escritório, onde ele se sentou. Tinha
estado na cabine por pouco m enos de um a hora, m as parecera-lhe um a
eternidade. Sarah lhe trouxe um a garrafa de água, e ele a bebeu enquanto
recuperava seu equilíbrio novam ente. Então, forçou um sorriso.
– O que vocês fizeram ? Senti com o se estivesse em um a viagem de
ácido.
– Estim ulam os seções de seus lobos tem porais e frontais.
A doutora Luria entrou.
– Você disse ter sentido que havia alguém no recinto com você.
Ele confirm ou com a cabeça.
– Reconheceu quem era?
Ele supôs que os vários m onitores haviam captado um a alteração
em ocional, elevação da pressão arterial, aceleração no ECG ou o que quer
que fosse, então, não faria sentido negar.
– Meu pai.
Luria lançou-lhe um olhar penetrante.
– Seu pai? Você consegue lem brar m ais? Onde você estava? O que ele
estava fazendo?
Ele descreveu a im agem do pai, subindo a escada em direção a ele.
– E com o seu pai parecia? Com o ele estava vestido? – Luria
perguntou.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
Zack não sabia por que isso era im portante.
– Feliz em m e ver. Não m e lem bro de com o ele estava vestido. Mas
norm al, creio eu: cam isa e calças.
E ele estava vivo.
– Com o você se sentiu ao vê-lo?
Ele respirou fundo para se equilibrar.
– A princípio, feliz. – Zack sentiu a pressão das lágrim as por trás de
seus olhos. – Fiquei contente em vê-lo. Então, tive a sensação de que ele
desapareceu ao chegar m ais perto.
– Mais perto de você. E depois?
– E então eu estava ali parado sozinho. – Sentia a garganta cada vez
m ais constrita com a em oção. Respirou fundo e com eçou a recitar m entalm ente as casas decim ais do núm ero pi para não desabar.
– Você está bem ?
Ele balançou a cabeça, m as seus olhos se encheram de lágrim as
enquanto a m elancolia devastava seu peito. Melancolia, não: pesar – que
sem pre sentia quando sonhava com o pai, deixando-o arrasado e soluçante,
com um a dor na alm a. Os sonhos eram todos sem elhantes – seu pai
regressando de surpresa, ou aparecendo na saída da escola, ou subindo as
escadas, onde Zack esperava por ele.
– E aí, atleta, quer j ogar um pouco?
– Sinto m uito por term os colocado você nessa situação – disse a
doutora Luria, com seus olhos negros inquiridores. Ela parecia fascinada
com os resultados.
Um cansaço repentino pesou sobre ele.
– Acho que estou pronto para ir para casa – disse ele, tentando soar
neutro.
– Claro. Mas, se estiver tudo bem , gostaríam os de executar m ais
alguns testes em você. Com a m esm a rem uneração, é claro.
Zack assentiu. Só se você puder m e colocar de volta naquela escada.
– Qual é o m elhor horário para você?
– Terças e quintas.
Ela lhe entregou um cheque e o levou até a porta. Dam ian j á estava no
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
carro com o m otorista.
– Então, com o foi? – Dam ian perguntou, quando o carro se pôs em
m ovim ento.
Eles haviam assinado um term o de confidencialidade e j urado não
com entar sobre suas experiências nem m esm o um com o outro. Por isso,
tudo que Zack disse foi:
– Eu m al consegui ficar acordado.
– Está m e dizendo que não sentiu nada?
– Fiquei apenas um pouco tonto. – Zack não queria falar. Ele só
queria m ergulhar em um sono profundo. – E você?
– Nada, zero – disse Dam ian. – Mas estou 250 dólares m elhor.
Zack assentiu. No m om ento, estava m uito extenuado para pensar em
dinheiro. O que havia ocorrido o deixara com um a tristeza que não sentia
fazia anos. E outra coisa: um a sensação estranha e perturbadora da
presença do pai, que ia além dos sonhos.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
26
“Q uando homens pequenos projetam sombras longas sabemos que o sol está se pondo.'
Norm an Babcock não conseguia se lem brar de onde ouvira isso, m as
caía com o um a luva em Warren Gladstone, cuj o sem blante gordo e
m alvado enchia a tela de seu laptop. Norm an estava pilotando o Dori-
Anne, seu barco a m otor de 46 pés, que deixava tardiam ente o retiro de
inverno em Newport, Rhode Island. Era um dia glorioso de m aio, e ele
estava experim entando a potência da em barcação.
Norm navegava desde os 11 anos; aprendera a velej ar no colégio St.
Andrews. Mas o que ele am ava eram os barcos a m otor. Aquele era o seu
terceiro. Ao seu lado sentava-se o padre Tim othy Callahan, recém -
nom eado da Igrej a de São Pio. Tim tinha a m etade da idade de Norm e era
quinze quilos m ais leve. Tinha fartos cabelos castanhos, enquanto Norm
Babcock era tão careca com o um a bola de bilhar. Naquele dia, o padre
Tim traj ava cam isa polo verde e short. Seu traj e habitual era todo negro
com um colarinho branco. Ou as vestes sacerdotais, que algum as sem anas
antes Norm havia vestido para ‚ouvir a confissão' de Rom an Pace.
– Esse cara é um a m aldita cobra – disse Babcock, olhando para o
m onitor.
– É – respondeu o padre Tim , com a voz fraca, quase inaudível.
Enquanto Gladstone pregava em seu púlpito com a m ais perfeita
veem ência evangélica, Norm aum entou o volum e de form a que o serm ão
suplantasse o ronco do m otor.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
– O dia do Senhor está chegando, eu lhes digo. Aleluia. Aleluia. Não,
eu não estou falando sobre o assim cham ado Fim , o Dia do Juízo Final.
Estou falando sobre o Dia do Júbilo. Um dia que todos celebrarão. Um dia
de luz eterna.
Norm desviou em direção à Peddocks Island enquanto entravam em
m ar aberto. Ele sabia tudo sobre Gladstone – um caipira do Tennessee
que seguira os passos do pai para se tornar um pregador interiorano. Com
o tem po, o clero estabelecido – outros protestantes e católicos tam bém –
cham ou-o de fraude: apenas m ais um aproveitador usando a Bíblia para
engordar e arrancar dinheiro dos pobres fam intos por esperança. Seus
seguidores no início eram poucos, porque ele estava com petindo com
dezenas de outros pastores televisivos em todo o país e não tinha nada que
o distinguisse deles, nenhum gancho.
– O dia da grandeza está chegando, e vocês e eu estarem os lá para
testem unhar.
Mas, então, seus serm ões passaram a enveredar pelo oculto – as
experiências de quase m orte. Centenas de livros sobre o assunto haviam
sido escritos ao longo das décadas e todos basicam ente m artelavam a
m esm a coisa. Alguém é declarado m orto por ataque cardíaco, acidente,
tiro, o que for. A vítim a flutua para fora do corpo e se vê deslocando-se por
um túnel em direção a um a luz celestial, onde encontra os espíritos dos parentes m ortos e ‚seres de luz'. Para reforçar a ‚autenticidade',
Gladstone alegava ter sofrido um ataque de asm a quase fatal; então,
enquanto os param édicos o socorriam , ele encontrou-se atravessando um
túnel que desem bocava em um j ardim onde o próprio Senhor Jesus Cristo
o acolheu no Paraíso. Ele acordou em um hospital, alerta para as gloriosas
possibilidades, e escreveu um livro, um a publicação independente, é claro,
e o vendia para a sua congregação, com o prova da existência de Deus, por
apenas 9,99 dólares. O tipo bem conhecido de charlatão, m as revestido de
perigosa espiritualidade.
– Estou falando que acontecerá em breve, dentro de algum as
sem anas. Não posso ser m ais específico, m as, quando esse dia chegar,
vocês verão com seus próprios olhos, ouvirão com seus próprios ouvidos o
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
testem unho vivo da presença de Deus na Terra. Nesse dia, todos se
alegrarão. Todo cristão, j udeu, m uçulm ano, hindu... todo ser hum ano,
crente ou não.
– Aí está – disse Norm , espetando o dedo na tela. – Blasfêm ia do
diabo, à queim a-roupa. Filho da m ãe.
O padre Tim assentiu com a cabeça, m as seu rosto tinha um a
expressão desanim ada.
– Continuo não aprovando, Norm . Som os cúm plices de assassinato.
– Tim , o que ele está fazendo é um a abom inação. Você ouviu com
seus próprios ouvidos.
– Sim , m as a contratação de um m atador profissional nos torna
assassinos aos olhos da lei e de Deus.
– Deixe-m e lem brá-lo de que o Jesus Cristo que ele encontrou com os
braços abertos não era o Senhor Jesus Cristo. Era um farsante, o m esm o
falso Cristo abraçado por todos os que experim entaram a quase m orte. Era
o avatar de Satanás, porque o verdadeiro Jesus não ensina que tanto os
pecadores redim idos quanto os não redim idos vão para o céu. O Paraíso
não é a casa da m ãe Joana.
– Eu não posso ser m ais específico, m as terem os a prova, a prova
gloriosa do Espírito Santo. Pedro diz no versículo 11 que todos os
verdadeiros crentes testem unharão a luz sagrada. O grande dia do Senhor
está chegando.
– Agora o desgraçado usa a Santa Palavra a serviço de Lúcifer –
vociferou Norm . – Luz sagrada. Não vam os nos esquecer de que o próprio
nom e Lúcifer é um a m entira, significa Portador da Luz.
– Mas eu ainda não estou confortável com essa coisa toda.
– Olhe, essas pessoas estão levando isso para o laboratório. Ele e seus
am igos cientistas estão tentando fazer o que ninguém ousou antes ou tinha
os m eios necessários. E quando ele tiver a sua assim cham ada prova, ele
irá para a TV para m ostrá-la ao m undo. E depois, o que será? O próprio
Arm agedom , isso, sim .
– Mas... m atar?
Norm pausou o vídeo. – Releia o Evangelho de Mateus, m eu am igo:
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
todos os pecados e as blasfêm ias serão perdoados, m enos a blasfêm ia
contra o Espírito Santo. Precisa de m ais consolo? Então, considere o
Eclesiastes: ‚Para tudo há um a ocasião, e um tem po para cada propósito
debaixo do céu', inclusive ‚um tem po de m atar'. Esse hom em é m au, e o
que ele prom ete é um a abom inação contra Deus e o Espírito Santo.
– Você vai m andar esse tal de Pace atrás dele, tam bém ?
– Isso iria atrair m uita atenção. Apenas aqueles que estão a serviço
dele. E então todos os seus seguidores verão que o rei está nu.
Tim havia deixado o sem inário apenas dois anos antes e ainda não
tinha m uita experiência. Mas não era por isso que Norm , que tinha
considerável influência j unto aos conservadores da com unidade católica
local, falava com tal liberdade com ele. Norm era seu tio. Quando ainda
cursava a Universidade de Boston, Norm havia considerado a ideia de
entrar para o sem inário e se tornar um padre j esuíta, m as engrenou um a
pós-graduação. Sábios investim entos im obiliários fizeram sua fortuna,
perm itindo-lhe
apoiar
generosam ente
organizações
católicas
conservadoras, escolas e em presas que necessitavam de proteção legal
contra m ovim entos sociais liberais e a União Am ericana pelas Liberdades
Civis. Tam bém era diretor da ultraconservadora Fraternidade de Jesus,
dedicada a preservar a ortodoxia católica pré-Vaticano e prom over a
infalibilidade da Bíblia e do Evangelho de Jesus Cristo com o o único m eio
para a vida eterna. Essa pequena – m as poderosa – fraternidade não era
reconhecida pelo Vaticano. O que não constituía um problem a para Norm
e seus colegas, porque eles tam bém não reconheciam o atual papa nem
seus últim os antecessores.
O padre Tim balançou a cabeça concordando. E Babcock aum entou o
volum e.
– Mas não podem os fazer isso sem a parceria de vocês – Gladstone
continuava. – Não podem os trazer-lhes a Palavra de Deus sem a sua aj uda.
A nossa capacidade de operação depende da parceria com vocês, nossos
telespectadores. Com seu apoio, o Canal Luz Divina chega aos lares
através da televisão, do cabo, do satélite e agora da Internet, e estará
praticam ente em todo o m undo...
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
– Prim eiro, o veneno, depois, a arm adilha. – Enquanto Gladstone
explicava com o as contribuições poderiam ser efetuadas por m eio de todos
os principais cartões de crédito, e assim por diante, Norm tirou o som do
vídeo. – Estam os lutando para salvar a própria Igrej a desse filho da m ãe
m entiroso. Ele está im itando a verdadeira Palavra de Deus para conduzir o
rebanho para longe do verdadeiro Jesus, o verdadeiro Espírito Santo, e a
verdadeira autoridade da Igrej a. Ele é m au e deve ser detido. Ponto final. E
tem os o hom em certo para o serviço: um m estre da furtividade, um São
Miguel dos dias de hoj e. E esse dragão será lançado fora, esta serpente de
língua prateada e seu m aldito núm ero 0800.
– Não posso dizer m ais nada neste m om ento. Mas chegará o dia... o
dia da verdade do Senhor. E todos hão de contem plar com os próprios
olhos a prova da sua glória. – A câm era fechou no rosto de Gladstone, seus
olhos erguidos para o céu e as palm as das m ãos viradas para o alto.
– Ele está virando do avesso a Santa Palavra – Norm continuou. –
Jesus ensina que a m orte deve ser tem ida, e eles pregam que a m orte deve
ser abraçada. Jesus diz que Deus odeia os pecados, e eles alegam que o
pecado não é problem a: qualquer um pode ir para o céu. Jesus diz para
tem erm os o inferno, e eles pregam que não há inferno, só a luz divina no
fim do túnel. Jesus diz que som ente aqueles que abraçarem a Palavra de
Deus verão o céu, e eles pregam que todos são bem -vindos, cristãos,
m uçulm anos, j udeus ou ateus. Isso nada m ais é do que a grande
enganação de Satanás.
Enquanto Gladstone continuava solicitando doações, o padre Tim
disse:
– Mas se você quiser deter a cobra, tem de lhe cortar a cabeça, não é?
– Não, assim só se consegue lhe calar a boca. Tem os de ir atrás
daqueles que atuam nos bastidores, os cientistas descabelados e seus
program as de com putador e suas m áquinas extravagantes, os porteiros de
Satanás. É aí que reside o perigo. Se detiverm os a eles e suas
m aquinações, este hom enzinho não terá som bra algum a para proj etar.
– Am ém .
Então, Norm pressionou alguns botões no laptop e um a fotografia
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
com um nom e apareceu.
– Quem é?
– O próxim o porteiro.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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27
Zack pegou o trem na Copley Square até a estação Alewife, onde sua mãe o apanhou de carro. Ele não a tinha visitado desde que deixara o hospital.
Todos os encontros haviam sido na cidade, em restaurantes ou
cam inhadas pelas ruas, num prim eiro m om ento, com a bengala, depois,
sem ela. Tinham assistido a alguns film es e passado um a tarde no Museu
de Belas Artes, com o se recuperassem o tem po perdido. E ele sentia que
um vínculo com eçava a se renovar.
Cerca de vinte m inutos depois, eles chegaram à casa branca em estilo
colonial na Hutchinson Road, em Carleton, onde ele e seu irm ão haviam
nascido e ele m orara até com eçar a faculdade.
– Parece estranho estar aqui. – Ele não passava a noite lá desde as
férias do Natal anterior.
– É bom ter você de volta, m esm o que por um a noite só.
Nos últim os seis anos, ele vivera em dorm itórios e apartam entos;
então, entrar em seu próprio quarto era com o escorregar em um túnel do
tem po. Nada havia m udado – os m esm os cartazes de film es; as m esm as
fotos dele, de am igos da escola, de tim es de futebol; a m esm a coleção de
livros de bolso, o cantil de viagem , troféus de luta livre do ensino m édio.
Tam bém um a foto de Am anda, sua prim eira nam orada. Eles se
conheceram durante o segundo ano e nam oraram por quatro anos. Mas,
infelizm ente, no ano anterior, aquilo tudo term inara quando ela e a fam ília
se m udaram para a Inglaterra. Mantiveram -se em contato por telefone e e-
m ail, m as, no final, a distância im pediu que as coisas continuassem com o
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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antes. Eles rom peram , e Zack foi deixado com outro vazio. Sua vida estava
coalhada deles.
Maggie tinha preparado o j antar favorito dele, frango à parm egiana
com salada m ista ao m olho de gorgonzola, baguete fresca, e torta de nozes
com sorvete de café. Ela tam bém estava fazendo tudo o que podia para
fortalecer aquele vínculo. Certa vez, por acaso, Zack a ouvira com entar
com um a am iga que ele nunca com partilhava coisas com ela; as outras
m ães eram ‚boas com panheiras' de seus filhos de vinte e poucos anos, e
faziam coisas j untos. Ela se sentia traída; suas conversas se resum iam a ela
fazer perguntas e ele responder com m onossílabos. Ela tinha razão, é claro.
E o afastam ento dos dois estava enraizado na culpa irracional que ele lhe
atribuíra, quando criança, por ela não ter im pedido o pai de ir em bora. As
m ães, ele supunha, tinham a obrigação de tornar as coisas m elhores para
os filhos. Claro, não era culpa dela, m as o distanciam ento da parte dele
tornou-se habitual. Sua vida pós-com a seria a hora da virada.
Para aum entar ainda m ais a sua culpa, ela lhe entregou um cheque de
500 dólares para que ele pagasse suas contas. Ele lhe deu um abraço,
pensando em com o ela não fazia ideia do tam anho do buraco que ele
cavara para si m esm o.
– Você vai ficar feliz em saber que m e candidatei a um em prego de
m eio expediente.
O rosto de Maggie se ilum inou.
– É m esm o? Que beleza! O que é?
– Não quero falar m uito até ter certeza de que consegui. Mas é em
um laboratório aqui da região.
– Que bom para você. Avise-m e se conseguir.
Depois do j antar, eles se acom odaram na sala de estar. Ele bebeu um
pouco de suco; ela, um copo do Cabernet que ele levara. Enquanto
conversavam , o olhar dele foi direcionado para a lareira e a singela urna
azul e branca com as cinzas do pai. Perto dela, havia um punhado de
fotografias em olduradas: um retrato da fam ília diante da casa, fotos suas
com Jake, um a de Zack com o pai em Sagam ore Beach. Zack radiante
segurando um enorm e robalo, seu pai sorrindo com orgulho ao seu lado.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Atrás deles, o quebra-m ar que form ava o flanco ocidental do Canal de
Cape Cod. Durante duas sem anas, todos os verões, eles alugavam a
m esm a casa sobre as dunas com vista para a baía, o canal, a leste, a m enos
de um quilôm etro pela praia, as falésias Manom et a um quilôm etro e m eio
à esquerda, a vastidão azul do Atlântico espalhada diante deles.
– Tenho saudade daqueles dias.
– Tenho certeza que sim .
Ele podia ver que a m ãe queria evitar aquelas lem branças. Seus olhos
deslizaram para a urna que os beneditinos lhes haviam trazido.
– O que aconteceu com ele?
Ela olhou-o perplexa.
– Com quem ?
– Papai.
– Você sabe o que aconteceu.
– Quero dizer, depois que Jake m orreu. Ele m udou.
– Por que você está perguntando? Isso aconteceu há m ui- to tem po.
– Talvez porque sej a o fim de sem ana do Mem orial Day . Além disso,
ele era m eu pai, e eu gostaria de saber.
– Que diferença isso faz? – Ela tom ou um gole de vinho. – Ele
m udou. Todos nós m udam os.
– Ele se tornou diferente, reservado. Eu costum ava pensar que ele
preferiria que eu tivesse m orrido no lugar de Jake.
– Isso é ridículo. Ele am ava vocês dois igualm ente... Eu acho que ele
se sentia culpado.
– Culpado por quê?
Ela hesitou por um m om ento.
– Francam ente, ele culpava a si m esm o por Jake ser gay .
– O quê? Isso é ridículo.
– Claro, m as ele achava que deveria ter sido um m odelo m asculino
m ais forte, feito coisas m ais m asculinas com ele, com vocês dois. Então,
ele não teria sido gay , e não teria ido àquele bar.
– O fato de ele não ser um atleta não fez de Jake um gay , pelo am or de
Deus! É genético!
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– Eu sei, m as acho que era o que ele pensava. Além disso, a Igrej a via
a hom ossexualidade com o um pecado. E ainda vê assim .
– A Igrej a. A m aldita Igrej a.
Ela fez um gesto de im paciência com a m ão.
– Por favor, não com ece com isso. Fizem os o m elhor que podíam os.
Fom os a conselheiros fam iliares e grupos de apoio... – Ela parou de falar.
– Em vez disso, ele se tornou um cristão renascido e sum iu da face da
Terra.
– Não adianta viver am argurado.
– É difícil não viver.
– Ele passou m aus bocados – disse ela. – A absolvição dos culpados só
piorou a situação. Nem m edicação aj udou. Só a religião. Goste ou não, ele
encontrou consolo nela.
– Sim , abandonando a esposa e o filho para se tornar um m onge.
Belos valores religiosos.
– Acho que foi m elhor do que um a vida de luto e acessos de ira.
– Mas é exatam ente o tipo de hipocrisia que m e exaspera nas pessoas religiosas. Elas se fortalecem com abstrações piedosas, m as não estão
presentes para fazer as coisas im portantes.
– Vam os m udar de assunto, por favor.
Mas Zack não deu ouvidos à m ãe.
– Será que os pais dele lhe deram um a criação religiosa?
– Sim .
– E quando vocês se casaram ?
– Por que está tão interessado na form ação religiosa de seu pai?
– Porque estou. Porque eu nunca o conheci realm ente bem . Porque
eu estou m e perguntando por que diabos ele desistiu da fam ília por um
m aldito m osteiro.
Porque algum a coisa aconteceu naquela cabine do laboratório na
outra noite.
Zack pôde sentir a m ãe escolhendo as palavras com cuidado.
– Ele era um a pessoa m uito espiritualizada. Eu não era, então, acho
que não tínham os com o nos identificar. Aos dom ingos, ele ia à Igrej a de
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
Santa Agnes, e eu ia para a Igrej a Unitarista no centro. Ele não gostava
dela, por causa da m entalidade secularista-hum anista. Eles não falavam de
Deus.
– Quer dizer que ele estava m ais interessado no céu do que na Terra.
– Será que podem os m udar de assunto?
Ficaram em silêncio por alguns instantes, enquanto Zack olhava para
as fotos dele com Jake.
– Eles ainda estão respirando e vivendo a vida deles – disse ela.
– Quem ?
– Aqueles m alditos filhos da m ãe. Volker é vendedor de tapetes em
Waltham . O outro se m udou para Connecticut. Não posso nem dirigir
para aqueles lados, que o m eu estôm ago com eça a doer. – Ela com eçou a
chorar. Zack andou até ela e abraçou-a. – Sinto m uito – disse Maggie, com
os lábios trêm ulos. – É tão inj usto. Tão inj usto.
Ele a beij ou na testa.
– Eu sei. – E ele sentiu o calor da raiva subir nele, com o sem pre
acontecia quando pensava sobre os assassinos de Jake. Eles tinham batido
nele com um a chave de roda.
– Ele não tinha feito nada a eles.
Enquanto Zack a consolava, seus olhos pousaram sobre a urna.
Quando o m onge a entregou, disse que o irm ão Nicholas m orrera
dorm indo, segurando seu crucifixo. Poucas sem anas depois, os cheques do
seguro com eçaram a chegar regularm ente pelo correio.
– Ele escolheu a saída dos covardes.
A m ãe sobressaltou-se.
– Quem ?
– O papai. É com o dizia um a daquelas m anchetes dos tabloides:
HOMEM PERDE FILHO GAY ASSASSINADO, DEIXA FAMÍLIA,
ENTRA PARA O MOSTEIRO, ENCONTRA DEUS E MORRE.
Eles assistiram ao noticiário da noite até que Zack se cansou e
anunciou que estava indo para a cam a. Deu um abraço e um beij o de boa-
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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noite na m ãe, depois tom ou um banho e se deitou. Havia lido em algum
lugar que um adulto leva em m édia cerca de oito m inutos para adorm ecer.
Ele caiu no sono provavelm ente em m enos de dois. Dorm iu
profundam ente e sem sonhos até pouco depois da m eia-noite, quando
acordou. Por algum a razão, seu quarto estava totalm ente escuro: nenhum a
luz penetrava através das cortinas da j anela, seu rádio-relógio não brilhava.
Não havia nem m esm o a faixa de luz debaixo da porta produzida pela
lâm pada que a m ãe ainda deixava acesa no hall durante a noite. Mais
estranho ainda, ele podia sentir o ar salgado e carregado do oceano. Dava
até para ouvir o suave ruído das ondas na praia no escuro.
Tentou se m over, m as seus braços e suas pernas não respondiam . Fez
um grande esforço retesando os m úsculos para em purrar o cobertor, m as
não conseguiu. O que há de errado? Então, um pensam ento lhe
ocorreu: tive um derram e... ou um aneurism a. Achou que seu cérebro
estivesse tão ferrado que, enquanto dorm ia, tivesse sofrido algum tipo de colapso neurológico que o houvesse deixado cego e paralítico. Tentou
cham ar a m ãe, m as apenas um fraco grasnado lhe escapou. Que diabos
está acontecendo com igo?
Esperou um pouco e, então, tentou gritar, m as não conseguiu fazer
seus pulm ões responderem . Tudo que saiu foi um patético estalo. Tentou
novam ente e dessa vez não conseguiu inspirar. Não conseguiu encher os
pulm ões.
Um pensam ento cortou a sua m ente com o um a navalha: estou m orto.
Não. Se você estivesse m orto, com o poderia form ular este
pensam ento? Estar m orto era o com pleto nada. Pior do que o com a, no
qual ainda podia ouvir vozes distantes. Estar m orto excluiria aquela
consciência que se tem , no sono, de estar dorm indo. Ele não estava m orto,
porque, de repente, as coisas m udaram .
E não era um sonho.
Frio. Calafrios. O núcleo de seu corpo transform ara-se em gelo. Um
cheiro de peixe no ar da noite que enchia o seu peito. Ventosas de
eletrodos. Mas aquela não era um a realidade que ele reconhecia. Um a
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
um idade que lhe era com pletam ente estranha o preenchia.
De repente, o total silêncio no qual se encontrava im erso foi quebrado por um a intensa explosão.
Mãos sobre ele. Mãos o carregando. Deitando-o. Em um buraco.
Então, algo cobriu o seu rosto.
Areia.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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