A Noite das Bruxas

Agatha Christie · Capítulo 27 de 30

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A Noite das Bruxas

Capítulo III

– Quer dizer que encontraram um corpo no poço?

– Não adianta manter a reserva. A notícia já se espalhou.

– Quem é? A au pair girl?

– Parece que sim.

– Pobre moça – disse Elspeth. – Ela se teria jogado no poço ou o quê?

– Não foi suicídio. Foi apunhalada. Assassinato de verdade.

 

III

Miranda esperou um ou dois minutos, depois que a mãe saiu do lavatório. Em seguida abriu a porta, esgueirou-se cuidadosamente, abriu a porta lateral que dava para o jardim e saiu correndo para o fundo na direção do que outrora fora uma pousada de carruagens e hoje era uma garagem. Passou por uma pequena porta que dava acesso a uma passagem de pedestre para uma pista exterior. Um pouco mais adiante, na pista, um carro estava estacionado. Um homem de sobrancelhas hirsutas e grisalhas e barba cinza estava sentado no banco dianteiro, lendo um jornal. Miranda abriu a porta e sentou-se ao lado do motorista. Ela sorria.

– Você está alegre.

– Sim, muito alegre.

Nada para detê-lo. O carro partiu, desceu a estrada, virou à direita, virou à esquerda, virou à direita novamente e entrou numa estrada secundária. – Estamos com bastante tempo – disse o homem de barba grisalha. – No momento exato você verá o machado duplo como deve ser visto. E Kilterbury Down, também. Uma vista maravilhosa.

Um carro enlameado passou tão perto deles que foram quase imprensados contra a cerca.

– Idiotas – disse o homem de barba cinza. Um dos jovens tinha os cabelos tão compridos que lhe cobriam os ombros e trazia óculos grandes e arredondados. O outro tinha a aparência mais espanhola, com costeletas.

– Você não acha que mamãe vai ficar preocupada comigo?

– Ela não terá tempo para pensar em você. Enquanto se preocupa, você chegará aonde quer ir.

 

IV

Em Londres, Hercule Poirot atendeu o telefone. A voz era da Sra. Oliver. – Perdemos Miranda.

– O que está dizendo? Perderam?

– Estávamos almoçando no The Black Boy. Ela foi ao lavatório e não voltou. Alguém disse que a viu saindo num carro com um senhor idoso. Mas não poderia ter sido ela. Deve ter sido outra pessoa. E...

– Alguém devia ter ficado com ela. Não deveriam tê-la perdido de vista. A Sra. Butler está muito preocupada?

– Naturalmente. O que é que o senhor acha? Ela está desvairada. Insiste em avisar a polícia.

– Está certa. É o que se deve fazer. Eu também vou telefonar.

– Mas por que Miranda estaria em perigo?

– A senhora não sabe? A esta altura já devia saber – e acrescentou: O corpo foi encontrado. Acabo de ser informado.

– Que corpo?

– Um corpo no poço.