Adolpho Lutz: Primeiros trabalhos: Alemanha, Suíça e Brasil (1878-1883)

Nota dos Editores/Editors note

Nota dos Editores/Editors’ Notes

 

Abreviações/Abbreviations:

[+] lacuna/gap

< > complemento do editor/editor's complement

[-] uma palavra ilegível/one word illegible

[--] duas palavras ilegíveis/two words illegible

[---] três ou mais palavras ilegíveis/three or more words illegible

--- unfinished sentence

 

Adolpho Lutz: obra completa

 

… fazer livros, meu filho, é um trabalho sem fim…

Eclesiastes 12:12

Adolpho Lutz (1855-1940) foi um dos mais importantes cientistas que o Brasil já teve. Apesar disso, é um dos menos estudados entre os que integram o panteão de nossas ciências. Legou-nos bagagem considerável de descobertas e trabalhos de grande relevância em diversas áreas das ciências da vida, o que levou Arthur Neiva a classificá-lo como “naturalista genuíno da velha escola darwiniana”. Sua obra conecta as realizações da chamada Escola Tropicalista Bahiana, que floresceu nas décadas de 1850 e 1860 em Salvador, a primeira capital brasileira, com a medicina revolucionada por Louis Pasteur, Robert Koch e Patrick Manson. Com o estudo que publicou em Leipzig, em 1885, sobre o Ancylostoma duodenale, Lutz pôs a agenda de pesquisa helmintológica, inaugurada por Otto Wucherer, em sintonia com o arsenal teórico e metodológico dos microbiologistas e parasitologistas alemães, franceses, italianos e ingleses. Já havia publicado, então, trabalhos sobre zoologia, clínica e terapêutica durante os anos de formação na Suíça, Alemanha, França e Inglaterra. Iniciou sua carreira médica em Limeira, interior de São Paulo, inaugurando aí os estudos sobre doenças animais, até então inexistentes em nosso país.

Em 1885 e 1886, Adolpho Lutz viajou para Hamburgo para estudar microrganismos relacionados a doenças de pele com Paul Gerson Unna, um dos mais renomados dermatologistas da época. Em 1889, este indicou seu discípulo e amigo para chefiar o serviço médico do leprosário criado na ilha de Molokai, no Havaí. Lutz trabalhou nove meses aí. Clinicou por mais de um ano em Honolulu, já casado com a enfermeira inglesa Amy Fowler, e viveu ainda alguns meses na Califórnia, antes de regressar ao Brasil.

O período em que esteve à frente do Instituto Bacteriológico de São Paulo (1893-1908) foi de intensas atividades de pesquisa em laboratório combinadas com ações de grande envergadura na saúde pública: campanhas sanitárias, estudos epidemiológicos e duras controvérsias com os médicos paulistas envolvendo, sobretudo, o cólera, a febre tifóide, a peste bubônica e a febre amarela.

Em 1908, aos 53 anos, Adolpho Lutz transferiu-se para o Instituto Oswaldo Cruz – IOC. A bagagem extraordinária de conhecimentos zoológicos que levou para lá foi decisiva para a construção das coleções biológicas da instituição e para o adestramento dos jovens médicos recrutados por seu diretor, todos na casa dos 20 anos. Com Lutz, aprenderam a usar muitas das ferramentas necessárias à investigação dos complexos ciclos de microrganismos e parasitos em seus hospedeiros humanos e animais. Durante os 32 anos em que trabalhou em Manguinhos, Adolpho Lutz produziu abundantemente sobre temas de interesse médico, como a esquistossomose, ou de interesse puramente biológico, como os anfíbios anuros.

Ao longo de sua fecunda vida científica, percorreu diversos espaços geográficos – Brasil, Europa, Estados Unidos, Oceania e, na América do Sul, Uruguai, Argentina e especialmente Venezuela, em cuja universidade organizou, em 1925, o departamento de parasitologia. Lutz percorreu, também, diversos territórios das ciências da vida: clínica médica, helmintologia, bacteriologia, terapêutica, veterinária, dermatologia, protozoologia, malacologia, micologia e entomologia. Deixou marcas duradouras de sua passagem nos estudos sobre o mormo, mal das cadeiras, osteoporose dos cavalos, plasmodiose das vacas, parasitoses de animais silvestres e domésticos, ancilostomose, lepra, doenças de pele, tuberculose, febre amarela urbana e silvestre (que anteviu), malária das zonas paludosas e também a das florestas serranas, que foi o primeiro a descrever.

Tal polivalência torna-o personagem chave para o estudo da evolução e entrelaçamento das problemáticas científicas no âmbito da biologia e medicina do último quarto do século XIX até meados do século XX. A obra de Adolpho Lutz e a teia de relações conceituais e institucionais subjacente a ela constituem ótima pedra de toque para compreendermos como nosso país interagiu com os que estiveram na vanguarda da medicina tropical, especialmente a Alemanha, cuja influência sobre a biologia e medicina brasileiras são mal dimensionadas, por dificuldades idiomáticas e pela excessiva francofilia que tinge nosso olhar sobre o período.

Na década de 1950, por ocasião da celebração do centenário de nascimento do cientista, as Memórias do Instituto Oswaldo Cruz e a Revista do Instituto Adolfo Lutz veicularam trabalhos focalizando aspectos de sua trajetória, escritos por especialistas das áreas em que atuou e por seus filhos – Bertha e Gualter Adolpho Lutz. Mais recentemente, o cientista foi objeto de estudos parciais no livro

comemorativo do centenário do Instituto Adolfo Lutz. 1 De resto, o que há são referências mais ou menos passageiras em teses, livros e artigos que tratam de instituições, personalidades e políticas médicas e científicas, pouco acrescentando aos conhecimentos sobre Adolpho Lutz reunidos nos estudos citados.

Nas últimas décadas, a história das ciências e, em particular, a das ciências da vida, experimentou verdadeiro boom acadêmico. A publicação dos trabalhos dispersos de Adolpho Lutz proporcionará aos investigadores desta área insumos muito valiosos para o estudo da história de doenças, de especialidades médicas, de políticas e instituições de saúde. Aí encontrarão fartos materiais para desenvolver linhas de pesquisa ainda incipientes entre nós, como a história da parasitologia, veterinária, entomologia e de outras vertentes da zoologia médica.

Especialistas das áreas de medicina, saúde pública, biologia e meio ambiente encontrarão nos trabalhos e na correspondência do cientista – em grande parte inacessíveis até agora – valiosos subsídios para a curadoria de coleções biológicas, para o estudo de espécies que Lutz coletou em ambientes hoje degradados, para a prevenção e tratamento de doenças reemergentes e a compreensão dos complexos ciclos de micróbios e parasitos em seus hospedeiros humanos e animais.

 

Acervos do cientista

Com a publicação da Obra Completa de Adolpho Lutz, colocamos ao alcance desses e de outros públicos fração significativa dos três principais acervos de documentos concernentes ao cientista, onde se encontram outros vestígios de seu labor, em estágios mais incipientes, informais ou fragmentários de elaboração.

No Instituto Adolfo Lutz encontra-se o acervo do Instituto Bacteriológico de São Paulo correspondente ao período em que Adolpho Lutz foi seu diretor. São cerca de 44 volumes com documentação produzida entre 1893 e 1908, constituída basicamente por dois subconjuntos. O primeiro, de caráter técnico e científico, consiste em manuscritos, muitos deles inéditos, sobre doenças e outras questões médico-sanitárias investigadas por Lutz e seus auxiliares em laboratório e em campo. O segundo subconjunto é constituído pela documentação de natureza administrativa.

De modo geral, as epidemias e endemias reinantes no Estado de São Paulo ditavam o ritmo das atividades de Lutz, sendo possível observar seu curso pela simples leitura das capas dos maços encadernados de documentos que formam livros sobre cólera (1893-1895), peste bubônica (1900; 1905-1906), febres tifóide (1894-1899) e amarela, varíola (1892) e ainda crupe, tuberculose, disenterias, doenças de pele etc.

Os assistentes de Lutz ocupam lugar de destaque nessa documentação, como autores ou co-autores de numerosos testes de laboratório, investigações necroscópicas, inquéritos epidemiológicos e experiências com germes confirmada ou supostamente patogênicos. Mas os documentos não eram produzidos somente pelos técnicos do Instituto: médicos, profissionais liberais, comerciantes, dirigentes e funcionários de instituições e empresas do interior e da capital participavam de vasta rede e de intensa troca de informações concernentes aos graves problemas de saúde vivenciados pela população de São Paulo.

Os livros que tratam das referidas doenças contêm, assim, relatórios escritos por autoridades de cidades interioranas ou pelos médicos e inspetores do Serviço Sanitário do Estado, anotações sobre doentes, autos cadavéricos, exames de águas, objetos e animais suspeitos de serem veiculadores de doenças etc.

Por sua vez, os registros administrativos revelam o modo como Adolpho Lutz conduzia esses assuntos e as atividades emergenciais e de rotina de sua equipe. Nos livros desse subconjunto encontram-se anotações diárias e resumidas dos médicos do Instituto sobre suas experiências e estudos, pedidos e expedição de materiais, registros de vacinas, ofícios e outros documentos concernentes a orçamento, viagens, recepção de autoridades, autópsias, exames bacteriológicos, atos administrativos do diretor e correspondência com outros institutos e com autoridades. Nos relatórios de atividades escritos por Lutz, mais freqüentes a partir de 1897, observamos maior preocupação com a estrutura técnica e profissional do Instituto do que com sua projeção política. Os incontáveis aborrecimentos administrativos não agradavam Lutz, que, em compensação, entregava-se com entusiasmo à pesquisa e resolução de complexas questões médicas e biológicas. Eram em geral muito controvertidas, e assim, naqueles anos, Lutz teve de enfrentar pressões oriundas de incontáveis interesses feridos pelas medidas sanitárias que implementava ou que respaldava com seus pareceres técnicos.

É importante ressaltar que muitos maços encadernados de documentos encontram-se em mau estado de conservação: a tinta evanescente torna quase impossível a leitura, e as folhas frágeis ou mutiladas desmancham-se se as manipularmos.

O acervo inclui, ainda, artigos de Adolpho Lutz fotocopiados e encadernados e publicações que compunham a biblioteca do Instituto Bacteriológico, hoje conservadas na biblioteca do Instituto Adolfo Lutz: além de livros, há coleções completas de periódicos nacionais e estrangeiros como O Brazil-Medico, Centralblatt für Bakteriologie und Parasitenkunde, Tropical Diseases Bulletin e outros de igual importância.

No Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz, na Fundação Oswaldo Cruz, a documentação textual e iconográfica concernente a Adolpho Lutz está disseminada por diversos fundos. No fundo IOC há, especificamente, uma série reunida por ele, onde se encontram, entre outras preciosidades, os diários das viagens que fez ao rio São Francisco e seus afluentes em 1912, e aos rios Paraná e Asunción, em 1918, a primeira com Astrogildo Machado, a segunda com Heráclides Cesar de Souza Araújo e Olympio de Fonseca Filho. O Setor Iconográfico, séries “personalidades” e “atividades científicas”, possui muitas fotografias tiradas durante essas expedições e aquela que Lutz fez ao norte do Brasil, com Oswino Penna, em 1918, também para estudar a esquistossomose. O Setor de Arquivos Pessoais, “série correspondência”, armazena diversas cartas trocadas entre Oswaldo Cruz e Adolpho Lutz entre 1906 e 1908. Dizem respeito ao envio de soros e vacinas fabricados em Manguinhos para São Paulo; à visita de Lutz ao Rio de Janeiro para tratar de febre amarela, por sinal com os integrantes da missão enviada pelo Instituto Pasteur. Os diretores dos institutos Soroterápico de Manguinhos e Bacteriológico de São Paulo trocam informações sobre insetos, parasitos e doenças humanas e animais encontrados em suas respectivas jurisdições; Lutz é chamado a classificar dípteros e a colaborar nas campanhas contra a febre amarela, no Rio de Janeiro, e contra o paludismo nos canteiros de obra da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, na Amazônia; Oswaldo Cruz oferece a colaboração de sua equipe aos estudos que Lutz deseja fazer sobre os Argas (gênero de ácaros da família dos ixodídeos), e o felicita pela homenagem prestada por Frederick Theobald (1901-

1910) no quarto volume de sua monumental obra sobre mosquitos. 2

Os livros de minutas e de cópias de ofícios documentam muitos aspectos do cotidiano de Lutz durante o tempo em que foi chefe de serviço no Instituto Oswaldo Cruz: os seus vencimentos e gratificações; os passes livres que obtinha junto às companhias de estrada de ferro e navegação para fazer expedições científicas; os despachos de malas e caixotes contendo material de laboratório usado na pesquisa de campo; a aquisição de vidraria, aparelhos, livros e outros materiais de pesquisa… Ofícios expedidos pelos diretores do Instituto Oswaldo Cruz ou recebidos por eles dizem respeito, também, a laudos emitidos por Lutz quando solicitado a analisar materiais orgânicos ou a classificar moscas, mosquitos e mais espécimes capturados no Brasil e às vezes em outros países.

Antes de darmos início à preparação dos originais da Obra Completa de Adolpho Lutz, tivemos de cuidar de seu acervo principal, que se encontra no Museu Nacional do Rio de Janeiro, em razão de iniciativas de Bertha que examinaremos adiante. Como estivesse misturado com o arquivo dela, materiais concernentes ao pai foram extraídos de dentro de gavetas que continham documentação da filha. O acervo de Lutz cientista foi então higienizado e arrumado em caixas, pastas e maços, efetuando-se a descrição de seu conteúdo. Recuperamos e expandimos a ordenação, essencialmente temática, adotada por Bertha Lutz, com ênfase nas áreas em que o pai atuou e nas doenças que estudou. Outros temas são métodos e técnicas de pesquisa e diagnóstico laboratorial, e de captura e tratamento de espécimes destinados a coleções e estudos zoológicos; viagens científicas; relação com colecionadores e leigos que capturavam espécimes para ele, e com profissionais que produziam desenhos e gravuras de animais que estudava; correspondência com sociedades e instituições científicas nacionais e estrangeiras e, ainda, documentação relativa ao centenário de seu nascimento e a outras celebrações e homenagens.

Os artigos de Adolpho Lutz – sob a forma de separatas, opúsculos, recortes de jornal ou cópias fotostáticas e xerográficas – foram armazenados em caixas segundo uma ordenação cronológica. Nas pastas do acervo encontram-se os insumos que deram origem a esses artigos, como manuscritos e provas revistas pelo autor.

O Acervo do Museu Nacional inclui separatas e publicações que pertenceram à biblioteca do cientista e que se achavam, provavelmente, em seu laboratório, no Instituto Oswaldo Cruz.

Paralelamente ao tratamento e à descrição desses materiais, providenciávamos o registro, em banco de dados, peça a peça, da volumosa correspondência de Adolpho Lutz, predominantemente passiva. Nossos esforços para ampliar a correspondência ativa deram, até o presente, resultados que ficaram aquém do esperado. Em Londres, obtivemos as cartas que Lutz escreveu a Frederick Theobald, completando a série que possuíamos do entomologista do Museu Britânico. Completamos, também, a correspondência com Jorge Clarke Bleyer, médico e naturalista originário de Hannover que implantou o sistema de saúde pública em Santa Catarina. Em Cuba, localizamos as cartas escritas a Wilhelm H. Hoffmann, complementares à longa série deste médico e zoólogo de origem alemã. Em Washington, obtivemos a correspondência de Adolpho e Bertha Lutz com Doris Cochrane, conhecida herpetologista do Museu de História Natural da Smithsonian Institution. Alguns outros materiais foram encontrados em Berna, Hamburgo e Frankfurt, mas os bombardeios que as cidades alemãs sofreram durante a Segunda Guerra Mundial parecem ter destruído os vestígios da ligação de Lutz com seus cientistas.

A dra. Charlotte Emmerich, que conviveu com Bertha, cedeu-nos as cartas escritas por ela, seu irmão Gualter e sua mãe Amy a Adolpho Lutz durante a Primeira Guerra Mundial, quando viveram em Paris, e Margareta Luce, sobrinha do cientista, colocou à nossa disposição valiosa documentação familiar, mas ainda assim escassa em comparação com os materiais concernentes às atividades científicas e médicas de Adolpho Lutz. Nunca encontramos o maço que Bertha disse ter conseguido com uma parente do Sul contendo as cartas que o pai escreveu a seus familiares, no Brasil, durante os dezessete anos em que viveu afastado deles, na Europa.

Em bibliotecas e arquivos do Rio de Janeiro e de São Paulo, localizamos artigos de Lutz que não constavam de sua bibliografia e escassa documentação iconográfica relacionada ao cientista. Ulisses Caramaschi e José Perez Pombal, do laboratório de herpetologia do Museu Nacional, colocaram à nossa disposição fotos e originais de desenhos de anfíbios, em bico de pena e aquarela, feitos por desenhistas do Instituto Oswaldo Cruz para Lutz.

Importante tem sido a coleta de informações sobre seus correspondentes e interlocutores, e sobre as instituições, sociedades e periódicos que conformavam a rede a que ele pertenceu, rede que mudou consideravelmente ao longo das sete décadas de sua vida profissional. A pesquisa é relativamente fácil para personagens que desfrutam de notoriedade no Brasil ou no exterior, e bem mais difícil para gente de estatura “normal”, como nós, leitores, que dificilmente figuraremos em dicionários, enciclopédias ou mesmo “sítios” acessíveis por computador, ainda que o fruto de nosso trabalho seja valioso. Um agravante é que as obras de referência em língua inglesa e francesa – e, por conseqüência, em língua portuguesa – dão muito mais destaque aos cientistas que atuaram nos países francófonos e anglo-saxões do que aos do mundo germânico, presentes em grande número na correspondência e em artigos de Lutz.

Insumos importantes para a realização de nossas metas editoriais foram as entrevistas com cientistas, familiares e pessoas que conheceram Adolpho Lutz ou que puderam fornecer informações sobre seu acervo. Recolhemos valiosas informações em depoimentos pertencentes ao acervo de história oral da Casa de Oswaldo Cruz. Caramaschi e Pombal, do laboratório de herpetologia do Museu Nacional, têm sob sua guarda gravações da própria Bertha Lutz, em antigos rolos magnéticos. A maioria contém registros sonoros de sapos, rãs e pererecas, gravações ao vivo de palestras ou roteiros de palestras sobre feminismo. Mas uma fita revelou-se preciosa para nós: em Lutziana, ela consignou fatos interessantes sobre a história da família e sobre a vida do pai, enunciando, de viva voz, o roteiro de uma biografia que não chegou a escrever.

Para vencer o principal obstáculo – o idioma alemão, em que é vazada a fração majoritária do acervo, com numerosos documentos manuscritos em gótico ou em escrita cursiva de leitura às vezes muito difícil –, foi preciso reunir tradutores com a qualificação necessária para enfrentar esses textos, ademais repletos de nomenclatura zoológica, botânica ou médica historicamente datada, portanto nem sempre disponível nos dicionários de termos técnicos correntes.

 

A gênese do acervo e da memória

No decorrer dos trabalhos de organização desse acervo principal, no Museu Nacional do Rio de Janeiro, deparamos com grande número de objetos de pesquisa possíveis e interessantes. O esforço de decifrar o complexo “quebra-cabeça” formado por tantos papéis amarelecidos pelo tempo levou-nos a perceber que entre os quadros sugeridos por eles havia um que extrapolava o tempo de vida e a obra do personagem que entrecruza e dá sentido aos fios do novelo documental. Esse quadro inclui com igual, se não com maior relevo, sua filha, e emoldura outros atores arregimentados por ela no afã de concretizar um projeto que perseguiu a vida toda: imortalizar a memória de Adolpho Lutz.

Bertha Lutz é conhecida, sobretudo, como pioneira do feminismo. 3 Cremos que não é exagero dizer que a memória de Adolpho Lutz foi para ela uma causa a que se dedicou com obstinação comparável àquela dedicada à militância feminista.

Bertha Maria Júlia Lutz nasceu em São Paulo, em 2 de agosto de 1894, pouco tempo depois de seus pais se terem instalado naquela cidade. Adolpho Lutz exercia, havia pouco mais de um ano, a função de diretor interino do Instituto Bacteriológico. Amy Fowler daria à luz o segundo filho, Gualter Adolpho, nove anos mais tarde, em 3 de maio de 1903. Em 1908, a família transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde Lutz iniciou a terceira fase de sua trajetória profissional, no Instituto que passou a chamar-se Oswaldo Cruz naquele mesmo ano.

Bertha fez os estudos superiores em Paris, onde viveu com sua mãe e seu irmão, Amy Fowler e Gualter Adolpho, num apartamento alugado, na avenue de Suffren, 137. Separado da família durante a Primeira Guerra Mundial, Adolpho Lutz enclausurou-se no castelo de Manguinhos e entregou-se completamente à leitura, aos trabalhos de laboratório e a ocasionais excursões para coletar materiais para suas coleções. A impressão que nos dão as cartas que Bertha escreveu nesse período – sempre na língua da mãe, o inglês – a seu “darling Doc” é que ela se preparava para ser a auxiliar do pai, e assim que as circunstâncias o permitiram, dedicou-se de corpo e alma a essa missão. De Paris, em 30 de janeiro de 1916, para dar um exemplo, deu notícias de como iam os estudos de música e biologia e, preocupada com os sinais de cansaço que percebia nas cartas do pai, comentou:

Estou certa de que suas coleções são muito interessantes, e eu

adoraria estar aí para ajudar. Você não gostaria que eu voltasse

agora? … Não gosto que esteja tão sozinho, e, além disso,

tenho certeza de que aprenderia muito mais com você, na

prática, do que na Sorbonne. Se cogita em se aposentar dentro

de alguns anos, parece-me conveniente que eu o auxilie agora

e faça com você a parte prática de minha aprendizagem,

sabendo que sempre terei a chance de estudar pelos livros. Um

diploma não é absolutamente necessário. Depois de termos

trabalhado por algum tempo, eu poderia coletar suficiente

material para preparar uma tese … É uma pena você trabalhar

sozinho quando poderia ajudá-lo … pense no assunto e decida.

E não caia na ilusão de supor que não poderia regressar

sozinha, porque posso… 4

Quando pôde, enfim, assumir a condição de assistente de Adolpho Lutz, após a guerra, este já era um homem de mais de sessenta anos, tratado por seus pares com reverência, como uma espécie de ícone da ciência. As “Reminiscências dermatológicas”, publicadas em 1922 no Segundo Congresso Sul-Americano de Dermatologia e Sifilografia em Montevidéu; as “Reminiscências sobre a febre amarela”, submetidas à 4a Conferência Sul-Americana de Higiene, Patologia e Microbiologia, em 1929; e as “Reminiscências da febre tifóide”, publicadas em 1936, baseavam-se em documentação que Bertha já compilava e arquivava, e refletiam a preocupação de

ambos em zelar pelo vultoso patrimônio científico de Adolpho Lutz.5

Formada em ciências naturais pela Faculdade de Ciências da Universidade de Paris (Sorbonne), em 1918, Bertha ingressou, nesse mesmo ano, na Seção de Zoologia do Instituto Oswaldo Cruz – IOC, mas como tradutora, e de forma apenas oficiosa, a única que encontrou para se colocar ao lado do pai. Participou, em abril do ano seguinte, de um polêmico concurso para o cargo de secretária do Museu Nacional, em que foi classificada em primeiro lugar.

No final dos anos 30, quando Adolpho Lutz já apresentava dificuldades de locomoção e visão, Bertha assumiu a correspondência com seus interlocutores, a condução de algumas de suas pesquisas e parte das cansativas atividades de preparação e publicação de seus derradeiros trabalhos científicos, que versavam sobre a lepra e os anfíbios. “Os olhos de papai deterioraram-se a ponto de não ser mais capaz de ler” – escreveria depois – “e todo o meu tempo livre foi destinado a preencher as lacunas deixadas pelos outros leitores, quando não podiam estar

com ele. Não lamento este tempo precioso que compartilhamos.” 6

Adolpho Lutz faleceu em 6 de outubro de 1940, em conseqüência de uma pneumonia. Numerosos necrológios publicados no Brasil e no exterior exaltaram os feitos do “mais completo homem de ciência

que, no domínio da biologia, já possuiu o Brasil”. 7 Três semanas depois, o Instituto Bacteriológico de São Paulo, que fechara as portas entre 1925 e 1931, foi reinaugurado, solenemente, em nova sede, com o nome de Instituto Adolfo Lutz, por força de um decreto do interventor federal Adhemar de Barros, que o unificou ao Instituto de Análises Químicas (Decreto no 11.526, de 27.10.1940). Bertha escreveu:

A morte de papai foi um golpe terrível para mim. Fiquei tão

atordoada que até hoje há brancos e lacunas em minha

memória e pensamento consciente. A coisa toda ainda está

impregnada de um sentimento de irrealidade. Por um longo

tempo, e ainda agora, sinto-me, a intervalos, como um

fantasma entre os seres humanos que me rodeiam. Somente a

natureza e os interesses que tínhamos em comum faziam-me

viver. Com freqüência, desejava que esta lúgubre guerra

terminasse e que pudéssemos partir numa longa viagem para

coletar nas regiões mais selvagens do Brasil.8

Bertha começou a escrever esta carta em 15 de dezembro de 1940, em Petrópolis, onde tencionava passar as férias, e concluiu-a no Rio de Janeiro, para onde teve de regressar, logo em seguida, em virtude de outra tragédia familiar: a prima que costumava ler para Lutz foi acometida por doença grave e dolorosa, e faleceu, deixando apenas a irmã mais velha, quase inválida, para tomar conta da mãe, Maria Elizabeth Lutz, de noventa anos, a única irmã ainda viva de Adolpho Lutz.

Em 6 de janeiro de 1941, Bertha escreveu a uma amiga, do movimento feminista norte-americano:

Somente agora começo a tomar pé e a retomar o controle de

minha vida … Então decidi ocupar a sede da Federação

Brasileira para o Progresso Feminino durante as férias de verão

… Este me pareceu o melhor arranjo enquanto organizo a

grande confusão de papéis deixados pela Federação e por Doc

(papai).9

Em carta à “Dear President Blunt”,10 escrita na mesma data, Bertha explicava que o pai havia deixado

grandes coleções de material zoológico, e mesmo botânico, e

muitos livros, valiosas notas e velhos artigos que bem poderiam

ser reimpressos depois de todos estes anos, já que são de

interesse para a história da medicina no Brasil e também para a

medicina tropical.

Tem-se a impressão de que, após a morte do pai, Bertha passou a dedicar o tempo que desfrutava com ele a cultivar sua memória, conservando neste plano a relação simbiótica que mantinham, e que se converteria, daí em diante, num apego muito forte aos resíduos materiais e à rememoração histórica e afetiva da vida de Adolpho Lutz. De 1941 a meados da década de 1960, aproveitaria todas as oportunidades para criar e renovar relações com instituições, políticos e intelectuais que pudessem viabilizar a exposição e publicação de sua vasta obra.

Ao longo de 1941 e 1942, percorreu os arquivos e bibliotecas do Rio de Janeiro e manteve intensa correspondência com o objetivo de recolher ao arquivo que organizava cartas e trabalhos de Adolpho Lutz que se achavam em poder de outros pesquisadores, e de

instituições nacionais e estrangeiras.11 Em carta a Carl Rudolf Fischer, coletor e amigo do cientista, explicava:

Estou me dedicando à grande tarefa de organizar o arquivo de

meu pai, tão completo quanto possível … Tenho em vista a

conservação, catálogo das coleções e a publicação de uma

biografia e, se possível for, de uma edição completa dos

trabalhos do professor Lutz e sua correspondência científica.12

Enquanto perseguia essas metas, providenciava a publicação de alguns trabalhos sobre Adolpho Lutz com o apoio do diretor do Instituto Oswaldo Cruz, Henrique Aragão, e a ajuda do irmão. Nove anos mais moço que Bertha, o discreto Gualter cursou medicina e chegou a publicar um artigo com o pai, em 1928, sobre esquistossomose, mas especializou-se num ramo bem diferente, a medicina legal, tornando-se catedrático da disciplina na Escola Nacional de Medicina. Introspectivo, praticava a fotografia e amava a música, tendo recebido vários prêmios como violinista. No início da década de 1930, uniu-se à engenheira e feminista Carmem

Portinho, mas o casamento durou pouco. 13

Nas 14 Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, saiu o primeiro artigo da série que Bertha e Gualter intitularam Contribuição à História da Medicina no Brasil. Baseando-se em relatórios escritos por Adolpho Lutz como diretor do Instituto Bacteriológico de São Paulo, historiaram a campanha que moveu contra o cólera na década de 1890, e suas pesquisas sobre a disenteria, iniciadas na década anterior. A Hildebrando Portugal (1944), Bertha encomendou outro artigo da série sobre as nodosidades justarticulares, enfermidade

descrita pioneiramente por Lutz quando de sua estada no Havaí.15

 

Um museu para Adolpho Lutz

Nesses anos, a memória de Adolpho Lutz esteve perto de se corporificar num ambicioso empreendimento cultural na cidade do Rio de Janeiro, que evoluiu das sondagens preliminares até um projeto muito sofisticado, antes de retroceder para o limbo das idéias abortadas.

Isso aconteceu no governo de Henrique de Toledo Dodsworth Filho (19371945), que retomou a tradição haussmaniana das grandes reformas urbanísticas na capital da República. Interventor desde julho de 1937, Dodsworth tornou-se prefeito com a decretação do Estado Novo, em 10 de novembro, e permaneceu no cargo até o final do regime (29 de outubro de 1945). Com base nos planos que o urbanista francês Alfred Agache produzira em 1927, a municipalidade concluiu o desmonte do morro do Castelo e construiu as avenidas Brasil e Presidente Vargas. Novas linhas de bonde foram conectadas à estação terminal edificada no Largo da Carioca – o famoso Tabuleiro da Baiana, que tantos sambistas cantaram. O corte do Cantagalo ligou Copacabana à lagoa Rodrigo de Freitas. Começaram a ser construídos o estádio do Maracanã e a estrada Grajaú-Jacarepaguá. Ao mesmo tempo, eram criadas importantes áreas de lazer: a floresta da Tijuca (remodelada); o Jardim de Alá, o Jardim Zoológico Municipal e o Parque da Cidade, na Gávea, em terreno que o milionário Guilherme Guinle vendeu à

Prefeitura para pagar dívidas de jogo. 16

Em outubro de 1940, logo em seguida à morte de Adolpho Lutz, o dr. Oswino Penna, pesquisador do IOC que acabara de assumir a Secretaria Geral de Saúde e Assistência, comunicou a Bertha que o prefeito estava interessado em criar um museu de história natural em homenagem a seu pai, no Parque da Cidade. Bertha visitou o local com Dodsworth, entregou-lhe o esboço do projeto do museu, que foi oficiosamente aprovado pelo prefeito e, a seu pedido, encaminhou a Penna a relação das providências mais urgentes a serem tomadas para que o “Instituto Municipal de História Natural Dr. Adolpho Lutz” fosse inaugurado, simbolicamente, em 18 de

dezembro, aniversário natalício do homenageado. 17

Bertha Lutz estava bem preparada para tirar proveito daquela oportunidade. As vivências profissionais que já havia acumulado no campo da museologia permitiram-lhe dar rapidamente contornos avançados ao projeto. Em 1922, ano da celebração do centenário da Independência do Brasil, viajara para os Estados Unidos para desempenhar comissão do Ministério de Agricultura relacionada ao ensino agrícola, e para representar o Museu Nacional no Congresso

de Museus Americanos, em Buffalo.18 Era o início de uma colaboração mais ampla entre os museus de ambos os países, tornando-se Bertha mediadora importante dessa colaboração. Em março de 1932, o embaixador norteamericano convidou-a a visitar novamente os Estados Unidos, em nome da American Association

of Museums.33 Estes vinham adotando orientação que diferia do

molde europeu tradicional, 19 orientação mais democrática porque almejava tornar os museus um instrumento de cultura ao alcance do grande público, dando ênfase a seu papel didático e à interação com as escolas.

No trabalho que escreveu após a viagem aos Estados Unidos,20 Bertha registrou os métodos desenvolvidos pelos museus norte-americanos para cativar e instruir a população escolar: conferências diárias; passeios guiados por ambientes preparados especialmente para as crianças; bibliotecas infantis de história natural e jogos destinados ao ensino dessa matéria. Num documento em que sintetizou o desenrolar do projeto submetido ao prefeito Dodsworth, Bertha escreveu:

Os museus modernos não são meros depósitos de espécimes,

mas sim estabelecimentos dinâmicos onde se procede a

estudos científicos sobre problemas práticos relacionados com

a vida humana e onde se proporcionam conhecimentos úteis ao

leigo por métodos visuais amenos.

O Rio é dotado de uma formosura e riquezas naturais

extraordinárias. Melhor do que qualquer outra cidade do mundo

se presta à organização e manutenção de um museu da

natureza. Este não seria apenas ornamental, mas útil, tanto do

ponto de vista da proteção dessa natureza, necessária ao

regime das chuvas, clima etc.; do ponto de vista sanitário, pelo

estudo da biologia das numerosas espécies hematófagas e

parasitárias que transmitem doenças e que só podem ser

exterminadas depois de bem conhecidos os seus modos de

vida normal; assim no aproveitamento da beleza natural para

estímulo ao turismo … Dar ao museu o nome do saudoso

cientista Adolpho Lutz seria justo, pois além de ter ele

conquistado renome universal, é o único carioca dos grandes

nomes da medicina e zoologia nacionais, e foi quem começou o

estudo sistemático da natureza carioca do ponto de vista

médico e zoológico, e, portanto, de suas relações com a vida

humana.21

O projeto de Bertha experimentou um salto de qualidade quando ela recrutou um dos expoentes da museologia norte-americana para desenvolvê-lo: Philip Newell Youtz (1895-1972). Como diretor do Brooklyn Museum of Art (1933 a 1938), implementara importantes inovações inspiradas em “um novo ideal”, segundo o qual a arte devia deixar de ser um “luxo para a minoria privilegiada” para se

tornar “parte da vida diária dos cidadãos honrados”.22 De 1939 a 1941, Youtz viajou pela América do Sul, e foi nesse intervalo que projetou a instituição imaginada por Bertha. Quando esteve no Rio de Janeiro com a esposa, Frances, em janeiro de 1941, recebeu calorosa acolhida da naturalista e de seu irmão. Visitaram o Parque da Gávea, mas o arquiteto norte-americano considerou-o inadequado em virtude de seu afastamento do centro urbano. Em sua opinião, o museu devia ser edificado numa artéria importante, de preferência a nova avenida Getulio Vargas, que começava a ser aberta.

Da interação de Bertha e Youtz resultou um projeto muito mais ambicioso do que aquele apresentado originalmente a Dodsworth. O Museu Adolpho Lutz proposto por Bertha na primeira conversa com o prefeito logo se transformou em Instituto ou Museu Municipal de História Natural Dr. Adolpho Lutz. Ao entrar em cena o arquiteto, passou a chamar-se Museum of Life -Proposed Memorial to Adolpho Lutz, que Bertha traduziu para Museu da Natureza In Memoriam a Adolpho Lutz. Enquanto debatiam o perfil da instituição, ela refletiu acerca de outras denominações: Museum of Life and Disease,

Museum of Life and Health e até Museum of Tropical Medicine.23 Em 25 de janeiro de 1941, Youtz pôs no papel as especificações gerais do prédio de cinco andares a ser edificado numa avenida importante por onde transitassem multidões. Desenhou a planta baixa do pavimento térreo ainda no Rio de Janeiro. A elevação da fachada, feita com caneta-tinteiro, por falta de material de desenho adequado, foi enviada de Recife, em 8 de fevereiro de 1941. Em carta de Salvador, em 4 de fevereiro, Youtz deu instruções a Bertha sobre como proceder para completar o projeto e conquistar adesões que o viabilizassem: “Ficarei feliz de atuar gratuitamente como seu arquiteto consultor, se você julgar que um nome estrangeiro é de

alguma ajuda para ele”. 24

A documentação em nosso poder não esclarece as circunstâncias em que se deu o sepultamento do projeto, e as razões disso. Talvez a magnitude e o custo tenham contribuído. É provável que representasse uma ameaça tanto ao Museu Nacional como a Manguinhos, já que absorveria atribuições de ambos, sob a autoridade de Bertha Lutz, numa localização mais central, portanto mais “visível” da capital brasileira.

Folhas datilografadas do Gabinete do Prefeito do Distrito Federal, sem data, indicam que foram cogitadas várias alternativas para a inserção do museu no organograma da municipalidade. Essa indefinição mostra que faltou legitimidade ao projeto de exibição em escala monumental da obra científica de Adolpho Lutz, e à intenção que se discerne, claramente, na documentação de sua filha: criar um espaço sob medida para que fosse a guardiã das coleções biológicas do pai, e que lhe proporcionasse os recursos de laboratório e pessoal para dar continuidade a linhas de pesquisa inauguradas por ele.

Dodsworth encerrou seu mandato de prefeito sem que o museu deixasse de ser uma quimera da perseverante Bertha Lutz, já então internacionalmente conhecida como líder feminista e, em menor medida, como zoóloga, com importantes trabalhos de interesse puramente biológico num domínio específico da história natural, o dos anfíbios anuros.

O centenário de nascimento de Adolpho Lutz

Na década de 1950, foram mais bem-sucedidas as suas iniciativas concernentes à memória do pai. Na celebração do cinqüentenário do Instituto Oswaldo Cruz, Bertha preparou uma exposição de seus trabalhos, ressaltando sua primazia entre os pioneiros da medicina tropical e da zoologia médica no Brasil. Colocou em relevo, sobretudo, seus estudos sobre o Schistosoma mansoni, a diferenciação entre a forma amebiana e bacilar da disenteria, as nodosidades justarticulares e as modalidades silvestres da malária e

da febre amarela. 25

No relatório das atividades de 1951 (p.4), apresentado à diretora do Museu Nacional, Bertha declarava que o centenário de nascimento de Adolpho Lutz era o item mais importante entre seus “planos futuros”, e que o primeiro passo seria a obtenção de auxiliares e a

organização de uma “comissão preparatória”.26 No Arquivo de Bertha Lutz encontram-se numerosas cartas e ofícios expedidos por Heloísa Alberto Torres (1895-1977) [diretora do Museu Nacional] com o objetivo de viabilizar aqueles planos. Em outubro de 1952, convidou o almirante e engenheiro Álvaro Alberto da Motta e Silva, presidente da Academia Brasileira de Ciências e do recém-criado Conselho Nacional de Pesquisas, a presidir a comissão que organizaria as comemorações. Seu presidente de honra foi o ministro da Saúde, o malariologista Mario Pinotti. Da comissão participaram também o diretor do Instituto Adolfo Lutz, Ariosto Büller de Souto, o do Instituto Oswaldo Cruz, Olympio da Fonseca Filho, logo substituído pelo cardiologista Francisco da Silva Laranja Filho, 64 o entomologista Ângelo Moreira da Costa Lima, o médico Arthur Moses65 e, ainda, Carlos Alberto Seabra, herdeiro de grande fortuna originária da indústria têxtil e de patrimônio imobiliário, apaixonado pelos estudos entomológicos e generoso patrocinador de incontáveis pesquisadores. “O dr. Bruno Rangel Pestana, antigo assistente de Lutz em São Paulo (há cinqüenta anos) e eu somos

auxiliares sem designação”, escreveu Bertha Lutz.27

Em 17 de junho de 1953, a Comissão criada pelo Conselho Nacional de Pesquisas fixou as seguintes metas:

a) preparo de um volume contendo a bibliografia completa do

homenageado, na qual o título de cada obra será acompanhado

de um resumo e comentários;

b) reimpressão dos trabalhos mais importantes, cuja obtenção

seja hoje muito difícil;

c) publicação de uma biografia elaborada por moderna técnica

com utilização dos trabalhos, dos apontamentos da viagem, da

correspondência de Adolpho Lutz e de entrevista com pessoas,

que conheceram de perto o homenageado;

d) cunhagem de medalhas em vermeil para distribuição a

instituições científicas;

e) ereção defronte ao Instituto Adolfo Lutz (São Paulo) do busto

do cientista que lhe deu o nome;

f) colocação, em cinco grandes institutos científicos brasileiros,

de suas obras completas (microfilmadas);

g) impressão de um selo postal com sua efígie;

h) publicação do álbum sobre fauna anura brasileira, iniciado

pelo homenageado e continuado por sua filha, a doutora Bertha

Lutz;

i) realização de duas grandes sessões – uma na Academia

Brasileira de Ciências (Rio de Janeiro) e outra em S. Paulo –

com a participação de todas as entidades científicas dessas

cidades.28

Os primeiros itens desse ambicioso plano seriam impensáveis sem os esforços envidados por Bertha para localizar os textos dispersos publicados pelo pai. Outros personagens participaram da atualização de sua bibliografia. O ponto de partida foi a detalhada listagem organizada por Herman Lent, em 1935, corrigida por Arthur Neiva e Assuerus Hippolytus Owermeer, bibliotecário de Manguinhos, e publicada nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz (t. 36, fasc. 1, p.i-xxiii), em 1941, como apêndice do necrológio escrito por Neiva.

Em meados de 1953, Heloísa Torres solicitava à Biblioteca Nacional artigos de Lutz publicados em jornais, e no começo de 1954, enviava ao professor B. Spielhoff, de Leipzig, uma lista de títulos publicados no Dermatologische Wochenschrift, desde 1885, pedindo-lhe que providenciasse cópias e, se possível, também, informações sobre a herança de Paul Gerson Unna, que poderia

conter correspondência do cientista brasileiro.29

Em carta à diretora do Museu Nacional, de 28 de novembro de 1953, Bruno Rangel Pestana aludia a títulos não incluídos na bibliografia de 1941, e estimava os custos do trabalho de completá-la e de microfilmar ou copiar o que já estivesse disponível. Ao que

parece, a microfilmagem foi concluída em dezembro de 1954.30 Dois anos antes, Bertha fora autorizada a pagar bibliofilmes com recursos

do Museu durante uma viagem à Inglaterra. 31 Em carta escrita em 18 de agosto de 1954 ao dr. E. G. Vogelsang, decano da Facultad de Medicina Veterinaria em Maracy (Aragua, Venezuela), Bertha comentou que o Conselho Nacional de Pesquisas lhe dera “os meios pecuniários necessários para a organização do arquivo do dr. Lutz e das Coleções e catalogação destas para eventual publicação. Ambos os trabalhos estão muito adiantados”.

Já vimos que a organização do arquivo era uma tarefa a que Bertha vinha se dedicando desde a morte do pai. O mesmo aconteceu com as coleções científicas e, neste caso, por razões que não se restringiam à rememoração. Além de constituírem lugar ou suporte importante de memória, as coleções serviram de lastro ao início da carreira independente de Bertha como zoóloga oficialmente ligada ao Museu Nacional e, oficiosamente, ao laboratório de Adolpho Lutz no Instituto Oswaldo Cruz.

Entre os derradeiros trabalhos do cientista sobressaem três sobre novas espécies de uma família de anfíbios denominada hilídeos, e sobre mosquitos que picam anuros. Foram publicados em 1938-1939, em co-autoria com Bertha Lutz, nos Annais da Academia

Brasileira Scientífica 32 . Em 10 de maio de 1939, em carta a Thomas Barbour, diretor do Museum of Comparative Zoology do Harvard College (Cambridge, Mass.), Bertha falou sobre o estado precário de saúde do pai e comunicou que os estudos dele sobre anfíbios

anuros estavam agora sob sua responsabilidade.33

A organização e curadoria das coleções que Lutz havia formado no IOC foi objeto de copiosa correspondência nas décadas de 1940 e 1950, e nesse terreno também Bertha encontrou uma grande aliada em Heloísa Alberto Torres. Em 1941, ela a autorizou a “estudar ou promover o estudo” do material coligido por Adolpho Lutz. Bertha obteve também o apoio de Lauro Travassos, chefe da Divisão de Zoologia Médica do IOC, que “receoso de que as coleções Lutz ficassem perdidas, obteve do Museu Nacional e da Universidade do Brasil a colaboração da filha do dr. Lutz, a 'título gracioso' para

cuidar das coleções”.34

Nos anos que precederam as comemorações do centenário de nascimento de Adolpho Lutz, ela esteve à frente de uma pequena e laboriosa equipe, inteiramente dedicada à catalogação das coleções e à tarefa de completar o arquivo com publicações, manuscritos, correspondência e outros documentos do pai. Em 1962, seria obrigada a desocupar o laboratório que pertencera a ele em Manguinhos. Na ocasião, foi nomeada uma comissão técnica para arrolar o material existente no laboratório e proceder à divisão dos espécimes pertencentes a Manguinhos e ao Museu Nacional. Decorreram algumas reuniões tensas até acordarem os seus membros que a coleção de vertebrados ficaria sob a guarda do Museu, sendo a sua transferência oficializada em 17 de junho de

1963. 35

 

Publicação dos trabalhos de Adolpho Lutz Entre as metas fixadas pela Comissão do Centenário, figuravam o preparo de um volume com a bibliografia completa do homenageado, a elaboração de uma biografia e a reimpressão de seus trabalhos mais importantes. Em novembro de 1954, Bertha informou Heloisa Alberto Torres de que Francisco Laranja, diretor do Instituto Oswaldo Cruz, concordara em publicar um volume de quinhentas páginas com parte dos trabalhos de Lutz não publicados nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz: “Perguntou se a sra. não se interessaria em publicar um pelo Museu (seja o Atlas ou os trabalhos de zoologia, botânica, viagens etc.)”. Bertha entregou a Laranja uma lista de títulos que perfaziam 598 páginas, 15 pranchas e cerca de 78 desenhos, sugerindo a publicação, também, de parte

da correspondência de Adolpho Lutz.36 Em janeiro de 1955, referiu-se à tentativa de obter a publicação em São Paulo dos trabalhos que Lutz produzira como diretor do Instituto Bacteriológico. Com o Museu Nacional, negociava, então, a reedição dos trabalhos de biologia e a publicação dos catálogos das coleções, à medida que ficassem prontos. Esse projeto editorial recebeu a adesão do ministro da Educação e Cultura, que prometeu apoiar a publicação de dois livros com os trabalhos pouco conhecidos de Lutz, de difícil

acesso para os médicos brasileiros.37

Nada disso aconteceu. As únicas publicações que vieram a lume foram as da Revista do Instituto Adolfo Lutz com artigos de terceiros

sobre a vida e obra do cientista.38 Bertha pôs à disposição dos autores o “vasto arquivo do dr. Lutz, arrumado, ao menos grosso modo”, e chamou a atenção para as informações inéditas contidas na correspondência do pai com Eberth, Theobald, Bancroft e Oswaldo Cruz, entre outros. Propôs que fossem analisadas as diversas frentes em que atuara, e sugeriu a publicação bilíngüe de relatórios e documentos escritos por Lutz em São Paulo. Somente uma “concatenação planejada”, afirmava, poderia revelar sua personalidade científica, “dentro das linhas austeras que o

caracterizavam”. 39

No arquivo de Bertha encontram-se diversos rascunhos concernentes às exposições para o grande público que foram realizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Esta, de maior porte, organizada no Museu Nacional, destacava como traço mais característico da personalidade de Adolpho Lutz a combinação da cultura médica com a vocação de naturalista, e o papel pioneiro que desempenhara ao aplicar os saberes destas diferentes províncias à

medicina tropical. 40

O tema entomologia mereceu grande destaque no planejamento das exposições. Desde os anos 40, estavam em curso campanhas contra os transmissores da malária no Brasil, envolvendo, até

mesmo, ampla destruição de bromélias no sul do Brasil.41 Com

Billings, presidente da Light & Power, 42 Bertha conseguiu fotos e plantas da área na serra de Cubatão onde estivera seu pai durante os trabalhos de prolongamento da estrada de ferro entre São Paulo e Santos, em 1897. Desenhos e fotos de bromélias foram usados para ilustrar as investigações que o tinham levado a descobrir nessas plantas o transmissor da malária silvestre –, denominado Anopheles lutzii por Theobald, atual Kerteszia cruzii – quase ao mesmo tempo em que Ronald Ross demonstrava a transmissão da malária tradicional, dos pântanos e planícies, por outros membros das família dos anofelinos.

À época do centenário de nascimento de Adolpho Lutz, aproximava-se do fim a campanha de erradicação do Aedes aegypti, o transmissor da febre amarela urbana, combinada ao uso maciço da vacina contra a febre amarela silvestre, identificada em 1932 no interior do Espírito Santo pela equipe liderada por Fred Soper, da

Fundação Rockefeller.43 Bertha Lutz procurou reunir evidências para convencer a comunidade científica nacional e estrangeira de que fora, na realidade, seu pai o primeiro a reconhecer a existência de uma modalidade de febre amarela nas matas, cujo transmissor não era o Aedes aegpty. No começo de 1889, Lutz estivera em Campinas combatendo gravíssima epidemia de febre amarela. Em matas próximas, que circundavam o canteiro de obras da ferrovia que interligaria esse município e o de Funil, observara casos da doença e ausência do mosquito doméstico que o atazanava em Campinas. Não estabeleceu, explicitamente, nenhuma relação de causa e efeito entre o mosquito e a doença, e nada publicou a esse respeito então. Registraria o fato como sugestivo da ocorrência de febre amarela sem Stegomyia fasciata (Aedes aegypti) muito tempo depois da demonstração da teoria de Finlay, nas “Reminiscências” (1930, p.127-42) escritas durante a epidemia que grassou no Rio de Janeiro em 1928, quando já eram debatidas as anomalias epidemiológicas que levariam, quatro anos depois, à descoberta da febre amarela silvestre.

Inauguradas oficialmente em 15 de dezembro de 1955, as

comemorações do centenário 44 de nascimento de Adolpho Lutz ficaram aquém do que havia sido planejado pela comissão organizadora em junho de 1953. Foi publicado o opúsculo com a bibliografia do cientista, mais completa que a de 1941, mas sem resumos nem comentários. O texto introdutório, bem sintético, sobre sua vida e obra estava longe de constituir “biografia elaborada por moderna técnica”, com utilização, até mesmo, de entrevistas “com

pessoas que conheceram de perto o homenageado”. 45 Foi impresso o selo postal com sua efígie, mas o busto defronte ao Instituto Adolfo Lutz seria inaugurado somente na década de 1960, por ocasião das comemorações do Jubileu de Prata da instituição. Não chegaram a ser cunhadas as medalhas que seriam distribuídas a instituições científicas. As obras de Adolpho Lutz foram microfilmadas, depositando-se conjuntos impressos em papel fotográfico nos institutos Adolfo Lutz e Oswaldo Cruz. Resta apenas o do instituto paulista, encadernado em couro, em vários volumes, sendo que lá se encontram, também, rolos de microfilme que serviram de matrizes para as cópias em papel. O arquivo de Adolpho Lutz, organizado por Bertha, contém outro conjunto de fotocópias, mas desagregadas. Não foram publicados os trabalhos mais importantes ou inacessíveis do cientista, nem o álbum sobre fauna anura brasileira, iniciado por ele e continuado por Bertha.

Na verdade, os episódios culminantes do Centenário foram as sessões solenes promovidas no Rio de Janeiro, em São Paulo e Belo Horizonte pela Sociedade Brasileira de Biologia, a Academia de Medicina de Minas Gerais, a Academia Brasileira de Ciências, o Instituto Adolfo Lutz, a Academia Paulista de Medicina, a Associação Médica de São Paulo e, por último, o Museu Nacional, no período compreendido entre 15 de dezembro de 1955 e 4 de janeiro de 1956.

Passadas as homenagens, Bertha continuou empenhada em publicar os trabalhos científicos de Adolpho Lutz. Recorreu até a Fred L. Soper, então diretor da Oficina Sanitária Pan-Americana, que lamentou não poder cooperar, já que eram limitados os fundos

para publicações. 46

A celebração do Jubileu de Prata do Instituto Adolfo Lutz, de 25 a 27 de outubro de 1965, por iniciativa de uma Comissão Executiva de Homenagens ao patrono da instituição, representou mais uma oportunidade para viabilizar aquele projeto editorial. Bertha propôs a “re-edição total ou parcial da obra de Lutz” ao governador de São

Paulo, Adhemar Pereira de Barros, que fora aluno de seu pai.47 Este limitou-se a encaminhar o pedido à Editora da Universidade de São Paulo, alegando que a obra tinha caráter científico e não literário, o que deixou Bertha bastante decepcionada. Ela escreveu a Carlos da Silva Lacaz, membro do conselho da Editora e diretor do Instituto de Medicina Tropical ligado à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Procurou explicar-lhe a dimensão do material a editar:

Trata-se de trabalhos que foram feitos no decorrer de 61 anos

de pesquisas, aproximando-se de um total de duzentos

trabalhos, embora em geral não muito longos. Foram versados

em várias línguas, além de português: uns em alemão, outros

em inglês, francês ou castelhano. Abrangem vários ramos da

medicina como sejam, a lepra, micologia, doenças tropicais,

clínica etc. Também abrangem a parasitologia e a zoologia

médica, por exemplo a helmintologia, vários ramos de

entomologia médica e, ultimamente, a zoologia não aplicada

(serpentes e anfíbios).48

Lacaz comprometeu-se a ajudar Bertha a concretizar “tão bela,

nobre e patriótica idéia”. 49 Em carta a Mário Guimarães Ferri, presidente da Comissão Editorial da USP, aventou a possibilidade de que o Instituto Adolfo Lutz pudesse cooperar, apesar de “não possuir dotação suficiente para publicar toda a Opera ommia do consagrado pesquisador brasileiro”. Sugeriu também que a editora pedisse auxílios à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de

São Paulo e ao Conselho Nacional de Pesquisas.50

Bertha recebeu uma injeção de ânimo com a carta de Ferri: interessado na proposta, pedia dados mais precisos sobre os trabalhos de Adolpho Lutz. Ela então enviou-lhe a biobibliografia publicada na ocasião do centenário, e observou:

A maioria dos trabalhos clássicos de Lutz foi publicada na

Alemanha antes de haver revistas especializadas entre nós.

São estes precisamente os … mais originais e significativos, e

também os menos conhecidos no Brasil e nos países de língua

inglesa. Uma tradução seria talvez de interesse maior.51

A concisa resposta de Ferri caiu como uma ducha de água fria sobre o entusiasmo de Bertha Lutz: esgotados os recursos da Universidade para publicações, “poderia V. Sa., desde já, procurar uma editora particular que se interesse pela publicação do mencionado trabalho, recebendo a colaboração habitual da Editora … Quanto à tradução ou não dos trabalhos, creio que V. Sa. melhor

poderá dizer que nós”. 52

A Edusp não fechava as portas ao projeto, mas delegava a Bertha o ônus de buscar parcerias com editoras privadas que dificilmente apoiariam empreendimento editorial daquele vulto e de tão pouco valor de mercado. Seu arquivo não contém mais registro que indique se fez novas incursões nesse terreno. E quando faleceu Bertha Maria Júlia Lutz no Rio de Janeiro, em 16 de setembro de 1976, o próprio arquivo sucumbiu àquela fatídica engrenagem que com tanta freqüência opera nas instituições culturais e científicas do Brasil, relegando ao esquecimento, às poeiras e traças do descaso os trabalhos de toda uma vida e, por acumulação, as realizações de gerações inteiras de seus melhores cérebros.

Esgotada por anos de incessante luta, Bertha delegou aos pósteros a incumbência de materializar seu projeto. Em testamento lavrado no cartório do 24° Ofício de Notas, em 21 de setembro de 1972, deixou verba específica “na Carteira Copeg” para custear a publicação da obra completa e de uma biografia do pai, e ainda um atlas ilustrado com fotografias do irmão sobre os “Anfíbios anuros do Brasil” e uma história do movimento feminista no país.

Ao iniciarmos nossa jornada, tendo como herança o que restou dos esforços de Bertha, ainda não tínhamos consciência de que nosso projeto era, em larga medida, a retomada do que havia sido tentado por ela, com êxito apenas parcial.

 

O projeto

O projeto que deu origem à presente publicação teve início em agosto de 2000. Os resultados ora alcançados devem-se a recursos oriundos de diversas fontes: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, Programa Estratégico de Pesquisa – PEP da Casa Oswaldo Cruz e Programa de Apoio à Pesquisa, ambos da Fundação Oswaldo Cruz; Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro e Instituto Adolfo Lutz. Num segundo momento, o respaldo financeiro proveio principalmente de emendas ao orçamento da União de autoria de parlamentares da bancada fluminense. Mais recentemente, recorremos à Lei de Incentivo a Cultura, Programa Nacional de Apoio à Cultura, Lei 8.313, de 23.12.1991.

As ações do projeto estão organizadas em torno de metas articuladas: a publicação da obra de Adolpho Lutz pressupôs a reorganização de seu acervo principal, localizado no Museu Nacional do Rio de Janeiro, e o mapeamento daqueles existentes na Casa de Oswaldo Cruz e no Instituto Adolfo Lutz. Estas dinâmicas de trabalho viabilizaram a criação de uma biblioteca virtual similar às que foram feitas para Carlos Chagas

(www.prossiga.br/chagas/), Oswaldo Cruz

(www.prossiga.br/oswaldocruz/) e Vital Brazil

(www.prossiga.br/vitalbrazil/). Estas resultaram de uma parceria entre a Casa de Oswaldo Cruz e o Prossiga, utilíssimo programa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. A Biblioteca Virtual Adolpho Lutz, em elaboração, é uma iniciativa conjunta de equipes da Casa de Oswaldo Cruz e da Bireme – Centro Latinoamericano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde. A implementação destas metas coloca em nosso horizonte outras iniciativas destinadas a divulgar a obra do grande cientista brasileiro a público mais amplo: documentário, exposição, seminário… – planos, enfim, que esperamos executar em futuro próximo.

A publicação da Obra Completa de Adolpho Lutz é a espinha dorsal do projeto. Tínhamos planejado, inicialmente, três grossos volumes, divididos em partes, algo que ficaria parecido com um tratado de medicina, de difícil manipulação e, dada a quantidade de textos, de difícil finalização também. Quando a experiente editora Maria Apparecida Faria Marcondes Bussolotti associou-se à equipe, como consultora, decidimos segmentar o conjunto em livros menores, independentes, acondicionando em caixas as partes de que se comporiam os volumes do projeto original.

Cada livro enfeixa a produção do cientista relativa a um ou mais temas, com prefácios de autoria de especialistas das áreas em questão, que analisam a relevância daquele conjunto de trabalhos para a ciência hodierna, e apresentações escritas por integrantes do projeto que os contextualizam historicamente. No âmbito de cada livro, os trabalhos de Lutz são ordenados cronologicamente.

Cada caixa – que consideramos o equivalente a um volume – contém de três a cinco livros e, ainda, um opúsculo com resumos, em português e inglês, dos trabalhos reunidos nesses livros, índices remissivos específicos para os três idiomas principais em que eles são apresentados – alemão, português e inglês -e, ainda, glossário bilíngüe de termos técnicos e de nomes citados por Lutz, com verbetes em que procuramos combinar definições atuais com explicações a respeito do que tinham os termos à época em que o cientista os empregou.

Os trabalhos que publicou em alemão assim como os manuscritos inéditos nesse idioma foram traduzidos para o português, reproduzindo-se as versões fac-similares dos textos de origem. Quando não se prestavam à digitalização, publicamos versão digitada do texto em alemão.

Os originais em inglês, francês, italiano e espanhol foram mantidos nestes idiomas. Havia, no arquivo de Adolpho Lutz, traduções inéditas para o inglês de alguns trabalhos fundamentais do cientista, encomendadas por Bertha Lutz ou executadas por Gualter, seu irmão. Em geral, encontram-se no arquivo diferentes traduções ou um mesmo texto datilografado com diferentes correções à mão. Em todos os casos, as traduções foram revistas e, com freqüência, modificadas pelos editores da presente obra.

Os textos em língua estrangeira são apresentados primeiramente. Os trabalhos publicados originalmente em português por Adolpho Lutz sofreram edição de leitura contemporânea, de acordo com as normas lingüísticas vigentes, e tendo em vista os benefícios que isso traria aos diferentes públicos-alvo de sua Obra Completa.

Nomes científicos permaneceram inalterados, mas com freqüência substituímos a grafia latinizada com que Lutz designava doenças – por exemplo, Lichen ruber, favus, Ankylostomiasis – pelos nomes em uso corrente hoje: líquen rubro, favo, ancilostomíase. Os nomes de espécies de microrganismos, animais e plantas, em geral escritos em versalete, foram enquadrados nas regras atuais de nomenclatura zoológica e botânica.

É com grande satisfação que entregamos aos leitores o primeiro volume da Obra Completa de Adolpho Lutz, contendo os livros concernentes aos Primeiros trabalhos: Alemanha, Suíça e Brasil (1878-1885); aos numerosos artigos e comunicações que escreveu a respeito de Hanseníase; e a duas outras áreas em que se notabilizou, como médico e cientista: Dermatologia & Micologia.

O plano geral da Obra compreende mais cinco volumes, não necessariamente na seqüência apresentada a seguir.

O segundo abrangerá quatro livros: um com os trabalhos de Lutz sobre Febre amarela & malária; o segundo com parte de sua produção relativa à Entomologia, uma das áreas em que mais se destacou. Como é muito grande o volume de trabalhos publicados a esse respeito, reuniremos em livro à parte aqueles relacionados aos Tabanídeos; o quarto livro desse tomo diz respeito à Protozoologia, que, obviamente, guarda estreita relação com os estudos sobre malária e mosquitos.

O terceiro volume será constituído por três livros: um reunirá os textos escritos por Adolpho Lutz no Instituto Bacteriológico de São Paulo, muitos deles inéditos; o segundo livro versará sobre Métodos terapêuticos e de pesquisa e o terceiro, sobre Veterinária.

O grosso da produção em zoologia de Adolpho Lutz será 'encaixada' no quarto volume. Um livro tratará da área que mais sobressai no relevo geral da obra do cientista: a Helmintologia; o livro dois versará sobre Aracnídeos, répteis, crustáceos e moluscos; o livro três, sobre Anfíbios; e o último será a reedição de um volume publicado em 1955 em Caracas, pela Universidad Central de Venezuela, com o título Estudios de zoologia y parasitologia venezolanas.

A coleção prevê, ainda, o volume cinco, com cinco livros. Dois são relatos das já referidas viagens que Lutz fez na década de 1910, publicados originalmente nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz: com Astrogildo Machado, Viagem pelo rio S. Francisco e por alguns dos seus afluentes entre Pirapora e Joazeiro; e em colaboração com Heráclides Cesar de Souza Araujo e Olympio da Fonseca Filho, Viagem scientifica ao rio Paraná e a Asunción com volta por Buenos Aires, Montevideo e Rio Grande. O terceiro livro, intitulado Coleções científicas de Adolpho Lutz, reunirá textos de curadores de coleções zoológicas e botânicas que contêm, em maior ou menor medida, materiais coletados pelo cientista na Fundação Oswaldo Cruz, no Museu Nacional e em algumas instituições dos Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Suíça. Prevêem-se ainda dois livros nessa caixa, cujos títulos prováveis são Adolpho Lutz: uma biografia, elaborada pela equipe responsável pela edição da obra, e Medicina tropical: uma história com muitas faces, coletânea de ensaios de autores brasileiros e estrangeiros que ajudarão a colocar em perspectiva histórica e em quadro mais abrangente as realizações de Lutz nos diversos domínios em que atuou.

Falta falar de uma caixa que não será necessariamente a última mas, certamente, é a mais trabalhosa, pois reunirá grande parte da correspondência do cientista. Adotamos a cronologia como critério predominante para ordená-la. Resultam, então, três livros correspondentes aos períodos 1878-1892 (desde a conclusão dos estudos universitários até a direção do Instituto Bacteriológico de São Paulo); 1893-1908 (até a transferência para o Instituto Oswaldo Cruz) e, finalmente, 1908-1940. A correspondência familiar e a correspondência administrativa produzida no Instituto Bacteriológico serão agrupadas em livros independentes. Índices gerais ao volume e específicos a cada livro oferecerão ao leitor percursos alternativos para a recuperação da correspondência por séries ordenadas por assuntos ou missivistas.

 

Equipe e colaboradores

Os livros que o leitor tem em mãos, e os que logo terá, são fruto do trabalho de uma equipe e de uma rede de colaboradores que sofreram mudanças até chegar à composição atual.

Inicialmente, a equipe foi constituída por bolsistas de iniciação científica e de aperfeiçoamento técnico mantidos pelo CNPq, todos com formação em história. Deram importante contribuição, durante o tempo em que trabalharam conosco: Michel Gherman, até outubro de 2001; Morgana Barison, até março de 2002; Paulo Cesar Gil Ferreira Junior e Victor Leandro Chaves Gomes, até agosto do mesmo ano. Tatiana da Silva Bulhões permanece na equipe, e Márcio Magalhães de Andrade deixou-a recentemente, ao ingressar no mestrado da Casa de Oswaldo Cruz, onde desenvolve dissertação sobre hanseníase a partir da experiência de trabalho com os textos de Lutz. Continua, assim, a manter estreita ligação com o projeto. Talita Gross foi bolsista até graduar-se em literatura alemã. Hoje é uma das peças-chave da equipe: metódica, rigorosa, adquiriu grande competência no trato dos textos impressos e manuscritos em alemão. A historiadora Mônica de Souza Alves da Cruz, que ingressou em março em 2002, é nossa diligente meio-de-campo: comanda os fluxos de digitação, tradução e revisão assim como as complicadas ramificações do arquivo físico de Adolpho Lutz e dos arquivos digitais que geramos sem cessar.

Desde maio de 2002, Irene Fachin Souza vem se dedicando à digitação dos documentos para publicação ou pesquisa. Os trabalhos de secretaria do projeto ficaram a cargo de Marilene Lima Figueiredo em 2003 e, desde janeiro de 2004, estão sob a responsabilidade de Célia Primo de Souza Silva.

O acervo de Adolpho Lutz foi higienizado por Fernando Raymundo Cunha, técnico da Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz. Em sua organização trabalharam, inicialmente, o historiador Francisco dos Santos Lourenço e a arquivista Renata da Silva Borges, ambos ligados ao projeto “Coleções Científicas da Fiocruz”, coordenado por Magali Romero Sá (COC) e Delir Corrêa Gomes Maués da Serra Freire (IOC). A organização do acervo prosseguiu com Anne Caroline de Carvalho Nunes, Bruno Perrone da Rocha e Marcelo Assunção. A bibliotecária Erica Nunes Portela está concluindo a descrição detalhada de seu conteúdo, e colabora na introdução dos dados na base criada para a Biblioteca Virtual Adolpho Lutz, de cuja construção participam, também, Mônica Cruz, Sarah Tavares Pimenta, bibliotecária especializada em metodologia Lilacs, e Isis Francisco de Paula, digitadora. Quando finalizada a descrição do acervo de Adolpho Lutz, Maria José Veloso da Costa, chefe do Arquivo do Museu Nacional, e sua equipe, dedicados parceiros do projeto, atribuirão códigos de catálogo às pastas e maços.

Enquanto Tatiana Bulhões mapeava os documentos concernentes a Lutz nos fundos da Casa de Oswaldo Cruz, a historiadora Alinnie Silvestre Moreira descrevia a documentação do Instituto Bacteriológico que se encontra no Instituto Adolfo Lutz, e providenciava a digitalização de grande parte dela, além de efetuar levantamentos de dados em arquivos públicos e privados de São Paulo.

Uma vez alcançado certo patamar de organização e reconhecimento desses acervos, puderam ser intensificados os trabalhos de preparação dos originais da obra de Adolpho Lutz e a pesquisa visando à sua contextualização histórica. Em maio de 2003, a Profa Maria Apparecida Bussolotti – criadora da Universidade do Livro, da Fundação Editora da Unesp – começou a prestar consultoria ao projeto editorial, dando-lhe sua conformação atual.

A equipe foi divida em frentes de trabalho. O grupo de pesquisa foi fortalecido com o ingresso dos historiadores Luís Octavio Gomes de Souza, Jacqueline Ribeiro Cabral e Tatiana Bukowitz. Além de levantarem fontes e dados, iniciaram a redação de textos para a Biblioteca Virtual e para os glossários que acompanham a obra de Adolpho Lutz, sem deixarem de colaborar na edição dos artigos e da correspondência do cientista. Os bolsistas do CNPq, Tatiana da Silva Bulhões e Demian Bezerra de Melo (no projeto desde abril de 2003), participaram do levantamento de fontes escritas, e ultimamente têm feito o levantamento iconográfico.

Os historiadores Vicente Saul Moreira dos Santos e Giselle Sanglard colaboraram no levantamento de dados. Giselle colocou à nossa disposição informações usadas em sua tese de mestrado sobre a imigração suíça para o Brasil. O biólogo Vinicius Ribeiro Cabral ajudou-nos a refletir sobre as idéias de Lutz a respeito do microrganismo da lepra.

A frente “Biblioteca Virtual” recebeu grande impulso a partir de outubro de 2003, com a adesão dos drs. Jorge Walters, Nádia Hommerding e equipe da área de Desenvolvimento de Tecnologias de Informação da Bireme, assim como de duas competentes profissionais da Casa de Oswaldo Cruz, Paula Xavier dos Santos, coordenadora do Núcleo de Informação em História das Ciências Biomédicas e da Saúde, e Aline da Silva Alves, responsável pelo suporte e desenvolvimento de ferramentas ISIS no Núcleo de Informática da COC.

Os trabalhos de edição de textos foram subdivididos no segundo semestre de 2003. Irene Ernst Dias, competentíssima revisora e tradutora, cuidou, de junho a dezembro de 2003, da preparação de originais destinados ao volume da correspondência passiva de Adolpho Lutz, sob orientação de Maria Apparecida Bussolotti, contando ainda com a ajuda de Jacqueline Ribeiro Cabral. Durante esse período, assumiram o controle dos fluxos de digitação, tradução e revisão de textos, assim como a pesquisa e redação de verbetes concernentes aos correspondentes de Adolpho Lutz. Dois profissionais da área de literatura alemã – Gean Nunes Damulakis e Tania Cristina Soeiro Simões – foram contratados para redigir sumários de cartas escritas nesse idioma.

Por sua vez, Maria Elizabeth Rossignol Cobra, que integrou a equipe de junho de 2002 a outubro de 2003, em tempo parcial, cuidava da primeira revisão dos originais de artigos científicos de Adolpho Lutz, com a ajuda de Maria Alzira Brum Lemos. Beth Cobra e Mônica Cruz geriram os fluxos de traduções, digitalizações e digitação de originais e supervisionaram o cotejamento dos textos traduzidos e digitados com seus originais, trabalho que foi executado por Julia Nogueira de Sousa Pechman e, no seu auge, por Nerval Mendes Gonçalves, e outros integrantes da equipe. Concomitantemente, as estudantes de letras Nathalia Coutinho Pereira e Miriam de Andrade Levy redigiam resumos de artigos científicos de Adolpho Lutz destinados tanto à edição em papel de sua obra como à Biblioteca Virtual.

Até meados de 2003, a preparação de originais visou ao conjunto da obra de Lutz. Assim, traduziu-se e digitou-se quase toda sua produção científica e parte da correspondência. Depois que o projeto gráfico foi modificado, os esforços foram direcionados para os trabalhos que compõem os três primeiros livros da Obra Completa de Adolpho Lutz, assim como o opúsculo que reúne índices, glossário e outras informações sobre esses livros. Irene Ernst Dias, Talita Gross e Miriam Elvira Junghans, que ingressou na equipe em outubro de 2003, desempenharam papel fundamental no árduo trabalho de revisão de muitas traduções do alemão para o português, com problemas. Talita, Miriam e, mais recentemente, Elisa Maria Ramalho Ortigão contribuíram, também, na pesquisa que deu origem aos textos de apresentação histórica ora publicados, traduzindo ou resumindo fontes primárias e secundárias obtidas na Alemanha e concernentes a instituições, processos e personagens que tiveram a ver com a trajetória do cientista brasileiro.

A revisão final e, em alguns casos, a segunda revisão dos textos ora publicados foi feita, com muita segurança, por Armando Olivetti Ferreira, de São Paulo, sempre em contato, no que concerne à normalização, com nossa consultora Maria Apparecida Bussolotti.

Diversos tradutores prestaram serviços ao projeto, vertendo para o português artigos e cartas publicadas ou escritas em alemão e, neste último caso, convertendo, também, os manuscritos num alemão digitado legível. A lista inclui, no começo do projeto, Gastão R. Friedmann, Lore Patzak, Valburga Huber, Luis Montez e, especialmente, Saulo Cruz Gomes. As dras. Charlotte e Margarete Emmerich fizeram trabalho notável com fração muito difícil da correspondência. Numa segunda fase, obtivemos traduções de Álvaro Bragança, Jutta I. Gruetzmacher e, muito especialmente, Theodora Breitkopf Fay e Ana Lúcia Ferreira Portilho. Sonia Lepore Gibelli traduziu cartas do italiano para o português. Fernanda de Padua Schnoor, Liv Rebecca Sovik, Diane Rose Grosklau, Lisa Earl Castillo e Terrence Edward Hill verteram para o inglês os textos prefaciais e partes complementares dos livros ora lançados.

Na revisão técnica, destacamos a doutora Ortrud Monika Barth Schatzmayr (virologista) e os professores Nelson Papavero e Johann Becker (zoólogos). Becker traduziu, também, cartas e artigos, e foi um parceiro nesta empreitada editorial a cujo serviço pôs seus conhecimentos profundos de biologia e sua vasta cultura. Seu falecimento, em abril de 2004, representou para nós duríssimo golpe. Contamos com a preciosa colaboração de Jutta Aurelie Ebeling, por muitos anos bibliotecária do Instituto Goethe, na tradução de cartas e na decifração de manuscritos difíceis, com muitas lacunas deixadas por outros tradutores. A leprologista Euzenir Nunes Sarnos, vice-presidente da Fundação Oswaldo Cruz, e os dermatologistas Adaucto H. Elian e Renata A. Joffe solucionaram muitas dúvidas nossas. Um muito obrigado também ao laboratório de ficologia do Museu Nacional.

Por último, mas não menos importante, referimos o excelente trabalho do programador visual Fernando Vasconcellos, que elaborou o projeto gráfico, tratou as imagens, fez a editoração eletrônica dos textos e prestou grande ajuda na preparação de materiais usados na divulgação do projeto.

Não podemos deixar de agradecer às diversas pessoas que nos ajudaram a transpor os obstáculos desta jornada. Laura Maria Gayer Takchi acolheu-nos generosamente no espaço da biblioteca do Museu Nacional, que chefia, colocando à nossa disposição todas as facilidades para trabalharmos; a bibliotecária Vera de Figueiredo Barbosa e os assistentes Antônio Carlos Gomes Lima e Marcelo Francisco de Souza sempre nos trataram com grande solicitude. Alexandre Correia, Fátima Duarte de Almeida, José Ricardo Pinheiro, Marieta Oliveira de Paula, Conceição Mendes, Rose Tenório de Oliveyra, bibliotecários da Fundação Oswaldo Cruz, e Rosalynn Leite, da Biblioteca da Sociedade Brasileira de Dermatologia, não pouparam esforços para nos facilitar a consulta aos acervos sob seus cuidados. A mesma recepção tivemos no Instituto Adolfo Lutz de parte de Aquila Maria Lourenço Gomes e sua equipe, na Divisão de Serviços Básicos, e de Sislei Bernardes Jorge, então responsável pela biblioteca.

Fernando Alves Pires, vice-diretor da Casa de Oswaldo Cruz, viabilizou a parceria com a Bireme e o convênio entre a COC e o Museu Nacional, este em colaboração com Lisabel Espelet Klein, atualmente assessora de Paulo Ernani Gadelha Vieira, vice-presidente de Desenvolvimento Institucional, Informação e Comunicação da Fiocruz, a quem também somos muito gratos pelo apoio que nos tem dado. O diretor do Museu Nacional, à época, Luiz Fernando Dias Duarte, e o coordenador do convênio nessa instituição, Gustavo Alves Nunan, ictiólogo do departamento de vertebrados, não pouparam esforços para que o projeto vingasse. O sr. Jorge Alves de Oliveira, do setor de ictiologia, ajudou-nos, por diversas vezes, a resolver problemas de logística. Nesse terreno, temos uma dívida impagável de gratidão para com Marcello de Campos Santana, Carolina Christina do Sacramento Santana e equipe, do Núcleo de Informática da Casa de Oswaldo Cruz, que incontáveis vezes venceram a longa distância que os separa da Quinta da Boa Vista, para socorrer-nos em emergências com os computadores.

Diversas pessoas ajudaram a enriquecer o acervo de Adolpho Lutz e a viabilizar a publicação de sua obra. As dras. Charlotte e Margarete Emmerich, que conviveram com Bertha Lutz, cederam-nos as cartas que ela, a mãe e o irmão escreveram ao cientista durante a Primeira Guerra Mundial. O herpetólogo José Perez Pombal, do Museu Nacional, colocou à nossa disposição as fitas gravadas por Bertha com a história de seu pai. O dr. Marcelo Alvares Corrêa, médico e pesquisador do Instituto Adolfo Lutz, um dos maiores estudiosos da vida do patrono dessa instituição, doou ao Museu Nacional preciosa documentação concernente a ele. O dr. Marcelo e sua amável esposa, dra. Lucia de Lacerda Corrêa, bióloga e pesquisadora, também, do Instituto Adolfo Lutz, franquearam seu arquivo pessoal à equipe e a receberam, por diversas vezes, com conversa e acepipes deliciosos. Somos gratos a William Roberto Lutz e Margareta Luce, sobrinhos de Adolpho Lutz, que forneceram valiosas informações e materiais sobre o cientista e sua família. Margareta ajudou-nos de todas as formas possíveis, até mesmo em traduções de textos usados na pesquisa. Agradecemos a Esmeraldino Augusto de Souza, ex-auxiliar de Bertha Lutz, e ao dr. José de Barros Ramalho Ortigão Junior, ex-aluno das irmãs de Adolpho Lutz, pelos ricos depoimentos que nos deram.

Anwey Skinsnes Law, apaixonada militante dos movimentos em defesa das vítimas da doença de Hansen, cedeu-nos documentos e anotações inéditas sobre a presença de Adolpho e Amy Lutz no Havaí, coligidos para uma pesquisa que ela vem fazendo sobre a história da hanseníase naquele arquipélago. Agradecemos a Jo Robertson, pesquisadora da Wellcome Unit for the History of Medicine (Oxford) e coordenadora do ILA Global Project on the History of Leprosy, por nos ter proporcionado os meios de interagir com pesquisadores de diversos países que se dedicam à história da hanseníase.

Não podemos deixar de declarar aqui que o sonho de Bertha Lutz de ver a obra de seu pai publicada só se tornou realidade graças ao apoio da Editora Fiocruz, chefiada pelo competente João Canossa, e das instituições que nos forneceram os recursos para trabalhar: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – Faperj, Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Adolfo Lutz e Museu Nacional. Não foi menos importante a contribuição do dr. Sidney Bittencourt, consultor de orçamento e fiscalização financeira da Câmara dos Deputados, e dos ilustrados parlamentares da bancada fluminense, Jandira Feghali, Jorge Bittar, Fernando Gabeira, Alexandre Cardoso e Miro Teixeira e, ainda, do Dr. Luiz Pinguelli Rosa, presidente da Eletrobrás – Centrais Elétricas Brasileiras S.A.

Encerramos os agradecimentos com um, muito especial, a Teresinha de Jesus Thibes Bleyer Martins Costa, neta de um importante interlocutor de Adolpho Lutz, o dr. Jorge Clarke Bleyer. Foram as cartas de Lutz a Bleyer que nos levaram a Teresinha e a seu marido, Taliarbas Silva Martins Costa, nossos anjos da guarda ao longo de todo o percurso até os livros que agora temos o prazer de depositar em suas mãos, leitor, esperando que seja tão útil e prazerosa quanto foi para nós a sua jornada pelas páginas que se seguem.

 

Notas

1 José Leopoldo Ferreira Antunes et al. (Org.), Instituto Adolfo Lutz. 100 anos do Laboratório de Saúde Pública. Ed. Letras e Letras, 1992.

2 Trata-se de A monograph of the Culiciidae or mosquitoes: mainly compiled from the collections received at the British Museum from various parts of the world in connection with the investigation into the cause of malaria conducted by the Colonial Office and Royal Society. London, printed by order of the Trustees of the Museum, 5 v. il. + atlas, 1901-10.

3 A esse respeito, ver Abreu e Beloch (1984); Rachel Soihet, “A pedagogia da conquista do espaço público pelas mulheres e a militância feminista de Bertha Lutz”, Revista Brasileira de Educação ANPED, n.15, número especial, Rio de Janeiro, Ed. Autores Associados, 2000; Érico Vital Brazil e Shuma Schumaher (Org.) Dicionário Mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2000; e Jaime L. Benchimol, Magali Romero Sá, Márcio Magalhâes de Andrade e Victor Leandro Chaves Gomes, “Bertha Lutz e a construção da memória de Adolpho Lutz”, História, Ciências, Saúde — Manguinhos, v.10, n.1, p.203-50, jan.-abr. 2003.

4 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 249 (correspondência familiar).

5 Reminiscências dermatológicas. Segundo Congresso Sul-Americano de Dermatologia y Siflografa. Tip. San José 938, El Siglo Ilustrado, Montevideo, 1922 é reeditado com o mesmo título no livro 3 deste primeiro tomo da Obra Completa de Adolpho Lutz. O livro 1 do segundo tomo trará “Reminiscencias sobre a febre amarella no estado de São Paulo”, Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, t. XXIV, fasc. 3, p.127-42, out. 1930. Trabalho originalmente publicado nos anais da 4a Conferência Sul-americana de Hygiene, Pathologia e Microbiologia, v. 1, 2a parte, p.803-18; “Reminiscências da febre typhoide”, Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, v.31, n.4, p.851-68, 1936 será reeditado no livro 1 do terceiro tomo da presente edição da Obra Completa de Lutz.

6 Carta ao dr. Thomas Barbour. Director. Museum of Comparative Zoology of Harvard College, Cambridge, Mass, em 6.1.1941. BR. MN. Fundo Bertha Lutz.

7 Necrológio de Guillermo B. Schouten (13.4.1941) publicado na Revista de la Sociedad Científica del Paraguay de 15.8.1941, p.132-3. Ver, também, discurso de Mello Leitão na Academia Brasileira de Ciências, em 10.12.1940, publicado em Medicina Social. Sanatórios e Hospitais – Assistência Social no Brasil, mar. 1941, p.3-8 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 179, maço 1; pasta 255, maço 2; e pasta 198, maço 2).

8 th Carta a Mr. Alston, “Rio. Begun at Petropolis Dec. 15 Finished here, Jan. 3d. 1941” (BR. MN. Fundo Bertha Lutz).

9 Esta carta a “Dear Friends” (Rio, 6.1.1941, do Edifício Santa Branca, 81, 1p. dat.) parece ser endereçada à mulher do prof. Sharp, que lhe tinha enviado exemplar de seu livro sobre política internacional. BR. MN. Fundo Bertha Lutz.

10 Rio, 6.1.1941, 1p. dat. Mesmas indicações de local. BR. MN. Fundo Bertha Lutz.

11 A esse respeito ver BR. MN. Arquivo. Fundo Adolpho Lutz, pasta 238, maço 1; pasta 184, maço 1; pasta 209, maço 4; pasta 255, maço 1.

12 Rascunho de carta escrita, provavelmente, em julho de 1942 (BR. MN. Adolpho Lutz, pasta 238, maço 1; ver também pasta 238, maço 1).

13 Gualter era também cirurgião dentista formado pela Faculdade Nacional de Odontologia. Ao concluir o curso médico com tese sobre a etiopatogenia da elefantíase vulvar, recebeu o prêmio Visconde de Sabóia e o Prêmio Berchon des Essaerts, além de viagem ao exterior. Trabalhou como tradutor no IOC de 1922 a 1927. O artigo que publicou como colaborador de Adolpho Lutz foi Bilharziazis oder Schistosomum infektionen. Jena, Gustav Fischer und Berlin und Wien, Urban & Schwarzenberg, 1928, p.873-906. Originalmente cap. XXIII de W. Kolle (Frankfurt a. M.), R. Kraus (Wien), P. Uhlenhuth (Freiburg i. Br.), Handbuch derpathogenen Mikroorganismen. Begründet von W. Kolle und A. V. Wassermann. Iena, Gustav Fischer/Berlim e Viena, Urban & Schwarzenberg, dritte Auflage, 3.ed., v.6, n.27, p.873-906. Gualter escreveu vários artigos sobre psiquiatria forense. Faleceu aos 66 anos, em 5.6.1969. Ver Gualter Adolpho Lutz, Relação sistematizada de documentos para a inscrição no concurso para professor catedrático de higiene e odontologia legal da Faculdade Nacional de Odontologia da Universidade do Brasil. Rio de Janeiro, Gráfica C. Mendes Junior, 1939; Hygino de Carvalho Hercules, Extrato do discurso de posse do prof. Hygino de Carvalho Hercules na cadeira de medicina legal da Faculdade de Medicina da UFRJ em 9.12.1987. Coleção Charlotte Emmerich. Quanto a Carmem Portinho, terceira mulher a obter diploma de engenheira civil no Brasil, diretora do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro por mais de 15 anos e fundadora da Escola Superior de Desenho Industrial, ver verbetes biográficos em Brazil e Schumaher (2000, p.135-7); e Cientistas do Brasil, Depoimentos, São Paulo, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência -SBPC, 1998, p.653-60.

14 “Contribuição à história da medicina no Brasil segundo os relatórios do dr. Adolpho Lutz, diretor do Instituto Bacteriológico do Estado de São Paulo, 1893-1908. Apresentação – introdução – coléra asiático em São Paulo – disenteria”, Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, t. 39, fasc. 2, ano 1943.

15 Hildebrando Portugal, 'Contribuição à historia da medicina brasileira segundo os trabalhos antigos do professor Adolpho Lutz: a história definitiva das Nodosidades de Lutz-Jeanselme', Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v.41, n.3, p.525-8, dez. 1944.

16 A esse respeito ver Memória da destruição: Rio – uma história que se perdeu (1889-1965). Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria das Culturas, Arquivo da Cidade, 2002, p.39-43; Alzira Alves de Abreu e Israel Beloch (Org.). Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, Cpdoc/Fundação Getúlio Vargas, 1984; 2.ed., 2001.

17 BR. MN. Fundo Bertha Lutz. Memória.

18 BR. MN. Biblioteca. Relatório de Atividades do ano de 1922, p.47.

19 A esse respeito ver Maria Margaret Lopes, O Brasil descobre a pesquisa científica: os museus e as ciências naturais no século XIX. São Paulo, Hucitec. 1977.

20 BR. MN. Fundo Bertha Lutz.

21 Resumo das providências e do projeto para viabilizar o Museu Lutz, destinado provavelmente ao Prefeito, em texto datilografado em papel do Museu Nacional, sem título e sem data, 3p. (BR. MN. Fundo Bertha Lutz. Memória).

22 Brooklyn Museum of Art Archives. Records of the Office of the Director. Series: Philip Newell Youtz. Inclusive dates: 1933-1938 (bulk); 1928-38 (inclusive). Extent: 16.25 linear ft. Database Access: ARCH/DIR. Mais dados sobre Youtz e sua relação com Bertha Lutz em Benchimol, Sá, Andrade & Chaves, 2003, p.203-50.

23 “Questions submitted in regard to the suggestion that the Memorial be a Museum of Life” em folha datilografada, com emendas a lápis, e em folha manuscrita a lápis: “Questions as to the Building”. Em outra pasta, há rascunho a lápis dessas questões, especificando-se aí que eram “submitted by Bertha Lutz to mr. Philip N. Youtz in regard to his suggestion of a Museum of Life”. BR. MN. Arquivo. Fundo Bertha Lutz. Memória.

24 Carta de Philip N. Youtz, de Salvador, Bahia, Palace Hotel, de 4.2.1941. Também Carta de Philip N. Youtz, de Recife (Grand Hotel), em 8.2.1941, para Bertha Lutz, endereçada ao Edifício Santa Branca, av. Apparicio Borges, 130A, ap. 81, RJ. “Museum of Life – Proposed Memorial to Adolpho Lutz”, 25.1.1941. Texto datilografado em papel com timbre de “Philip N. Youtz, A. I. A. Architect – New York”, 2p. BR. MN. Arquivo. Fundo Bertha Lutz. Memória.

25 Esboço redigido para o evento. BR. MN. Arquivo. Fundo Adolpho Lutz, pasta 181, maço 1. Cartas de 7 e 8.7.1950.

26 “Relatório de 1951 da naturalista Bertha M. J. Lutz”, 6p. Ver BR. MN. Arquivo. Fundo Bertha Lutz. Memória.

27 Minuta de carta a E. G. Vogelsang, decano da Facultad de Medicina Veterinaria em Maracy (Aragua, Venezuela). BR. MN. Arquivo. Fundo Bertha Lutz. Memória. 18.8.1954. Ver também BR. MN. Arquivo. Diretoria, caixa 69 e Ofícios Expedidos.

28 BR. MN. Arquivo. Diretoria. Carta n. 285.

29 BR. MN. Fundo Bertha Lutz. Memória. Ofícios 341 e 377, de julho de 1953 e carta de 27.2.1954.

30 BR. MN. Fundo Bertha Lutz. Memória.

31 Carta de Heloísa Alberto Torres a Bertha Lutz aos cuidados de H. W. Parker, do British Museum (Natural History), em 14.6.1952. BR. MN. Fundo Bertha Lutz. Memória.

32 'Hylideos novos do Brasil' (1937 [1939], v. 11, n.1, p.67-89); “On Hyla aurantiaca Daudinand Sphoenochynchus Tschudi and on two allid Hylae from South-Eastern Brazil” (1938, t. 10, n.2, June 1938, p.175-94); “I – Notes on the genus Phyllomedusa Wagler … II – Mosquitos biting batrachians and phragmosis in casque-headed frogs” (v. 11, n.3, p.219-63). Ver também Bertha Lutz, “Anfíbios anuros da coleção Adolpho Lutz do Instituto Oswaldo Cruz”, Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, t. 46, fasc. I, 1948, p.295-313. Rio de Janeiro, Dep. de Imprensa Nacional, 1949.

33 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 70, maço 2.

34 BR. MN. Fundo Bertha Lutz. Carta de 2.4.1963 enviada por Bertha Lutz ao diretor do Conselho Nacional de Pesquisa.

35 BR. MN. Fundo Bertha Lutz. Memória. Cópia do ofício 301 do diretor do Instituto Oswaldo Cruz, Joaquim Travassos da Rosa.

36 BR. MN. Fundo Bertha Lutz. Memória. Cartas de Bertha Lutz a Heloísa Alberto Torres, em 20.11.1954; de Bertha Lutz a Francisco Laranja, em 9.12.1954.

37 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 238, maço 1.

38 Maria Sabina de Albuquerque, “Dr. Adolpho Lutz”, Revista do Instituto Adolfo Lutz, v.10, número único, p.9-30. 1950; Fernando Cerqueira Lemos, “Contribuição à história do Instituto Bacteriológico – 1892-1940”, Revista do Instituto Adolfo Lutz, v.14, número especial, p.5-161, 1954; e ainda os artigos de John Lane, Afrânio Amaral e outros autores em Revista do Instituto Adolfo Lutz, São Paulo, v.15, p.57-62, número especial, 1955.

39 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 238, maço 1.

40 BR. MN. Fundo Bertha Lutz. Memória.

41 A esse respeito ver Gilberto Hochman, Maria Teresa Bandeira de Mello e Paulo Roberto Elian dos Santos, “A malária em foto: imagens de campanhas e ações no Brasil da primeira metade do século XX”, História, Ciências, Saúde—Manguinhos, v.9, suplemento, p.233-73, 2002.

42 BR. MN. Fundo Bertha Lutz. Memória.

43 A esse respeito ver Jaime Larry Benchimol (Coord.). Febre amarela: a doença e a vacina, uma história inacabada. Rio de Janeiro, Ed. Fiocruz, 2001.

44 Ver, entre outros jornais, a Folha da Manhã (18.12.1955), O Globo (19.12.1955) e Jornal do Commercio (18-25.12.1955, e 5.2.1956).

45 Conselho Nacional de Pesquisas. Comissão do Centenário de Adolpho Lutz. Adolpho Lutz (1855-1955): vida e obra do grande cientista brasileiro. Rio de Janeiro, Jornal do Commercio, Rodrigues & Cia., 55p. 1956. Contém introdução; dados biográficos; apresentação da obra; lista bibliográfica de Lutz; resumo biográfico (em inglês); artigos sobre Lutz (com apontamentos biográficos); lista de publicações a respeito do centenário; cobertura dos fatos noticiados pelos principais jornais em 1955-1956.

46 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 238, maço 1.

47 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 238, maço 1. Carta de 11.4.1966. Ver verbete “Barros, Adhemar de”, em Abreu & Beloch (1984).

48 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 238, maço 1. Carta de 17.5.1966.

49 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 238, maço 1. Carta de 20.5.1966.

50 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 238, maço 1. Carta de 11.6.1966.

51 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 238, maço 1. Carta de 1.9.1966.

52 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 238, maço 1. Carta de 12.10.1966.