Arte de Louceiro

Nicolas-Christiern de Thy, conde de Milly · Capítulo 12 de 36

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Arte de Louceiro

Como se fazem no torno vasos grandes de jardim.

Como se fazem no torno vasos grandes de

jardim.

 

96 Quasi todos os vasos grandes de jardim se fazem por moldes; com tudo elles se podem tambem fazer no torno, com hum calibre grande ee, entalhado nos lugares, que devem sobresahir no vaso, e formar os salientes nas partes onde os contornos do mesmo vaso devem ser ocas, ou cavadas. Supponhamos, que se quer fazer, o

vaso Est. I, fig. 21; faz-se de tres pedaços; hum faz o pé, outro o corpo l, e outro o testo m, ao qual se ajuntaõ alguns ornatos, como hum globo, huma pinha, pomo, etc. Vou agora explicar como se faz

o corpo L, sobre a mesa B, Est. I, fig. 21. O calibre, que anda em roda se forma de hum páo vertical hh, cuja ponta debaixo ou piaõ, se introdus em hum buraco, feito no meio da mesa aa, que deve ser forte, e por cima he sustida por hum cachimbo de páo g, que fica preza a huma peça tambem de páo, quadrada bb, assim he preciso conhecer que o páo vertical hh, vira livremente sobre si mesmo. Este páo deve ser bem forte para poder sustentar com firmeza a potencia ii, que deve puxar o calibre ee, que algumas vezes forceja muito pela impressaõ que faz no barro, que excede do corpo do vaso. Tambem se ajuda a fazer firme o calibre segurando-o por baixo com a maõ, que vai sobre a mesa em o, e com a outra maõ tirando o barro, quando se vê que o calibre tem muito barro para levar. Percebe-se, que as peças de páo quadradas bb, assim como a mesa aa, devem estar bem firmes; mas como se fará por differentes modos, segundo o lugar, em que se levantar o torno, eu me contento só em mostrallo. O oleiro põe o seu barro sobre a mesa aa, e tendo huma maõ dentro do vaso, e outra fóra lhe fará tomar pouco mais, ou menos a figura, que elle projecta dar ao vaso; digo, pouco mais, ou menos; porque o calibre ee, he o que deve aperfeiçoar a figura do vaso. Este calibre ee, he huma taboa pouco grossa, cujas bordas terminaõ em chanfro, e saõ talhadas de modo, que o contorno das bordas faz, por assim dizer, a contra prova do vaso que se quer fazer. Deve-se segurar bem com parafusos em huma peça de páo quadrada ii, que fórma huma potencia; para se adiantar, ou recuar este calibre, segundo a grossura, que se quer dar ao vaso, a potencia ii, he fendida, e tem hum grande encaixe; de sorte que afroxando o parafuso, o calibre ee, se pode chegar-se para diante, ou recuar, e se segura apertando o parafuso. Estando tudo assim disposto, se faz virar á maõ o calibre ee, que leva diante de si o barro, que há de mais, e o oleiro o accrescenta nos lugares aonde falta; ao mesmo tempo põe o vaso, quasi igual na grossura com hum calibre por dentro, tirando o barro, que ha de mais aonde he muito grosso. Finalmente, quando o corpo do vaso está bem formado, se deixa hum par de dias sobre a mesa, para que o barro se faça mais duro; depois se despega da mesa, com hum arame; tira-se o pedaço de páo g, e tendo tirado o páo hh; como tambem o calibre ee, pega-se no vaso com ambas as maõs, depois de tirado o páo hh, que o atravessa em seu eixo; e se põe o vaso a seccar. Entaõ se faz o testo com outro calibre, e o pé tambem com hum calibre proprio a figura que se lhe deve dar. Depois de terem estado as peças algum tempo a seccar, viraõ-se sobre a mesa, em que se aperfeiçoaõ, para se alimparem por dentro com hum instrumento