Arte de Louceiro
ARTIGO I. Trabalho da louça, segundo o uso de París.
ARTIGO I.
Trabalho da louça, segundo o uso de París.
27 Os oleiros de París tiraõ o seu barro, de Gentillis, ou Areueil os que o cavaõ, seguindo as veias do barro bom, o tiraõ em pedaços quasi cubicos, e vai para casa dos oleiros em carros, como vem o cascalho, ou pedras.
28 Quando os oleiros o recebem, lançaõ-no em covas, onde fica mais, ou menos tempo para invernar ou apodrecer, como se diz em outros lugares; de sorte, que o barro, que foi cavado no Outono, fica na cova todo o Inverno, e he tanto mais facil de trabalhar, quanto mais tempo está na cova. Em alguns lugares, os oleiros deixaõ ao ar o seu barro, e o movem com enxadas todo o Inverno, por este meio o fazem mais ductivel.
29 Este he o mesmo barro que serve para fazer ladrilhos, e obras de louça. Com tudo elle he mais preto, ou mais branco, conforme a profundeza, de que foi tirado: há alguns, que vem misturados com estas duas côres, e este se julga hum pouco melhor que os outros, porém todos se gastaõ sem distincçaõ em louça, e em ladrilhos. Começo agora a explicar o que respeita aos ladrilhos.