Arte de Louceiro
Explicaçaõ das Figuras.
Estampa I.
Figura 1. B, tonel, em que está a agua, para cortar o barro, e o diluir, a estampa A, o barro C, que se corta, o instrumento D, que serve para cortar este barro.
Figura 2. D, instrumento, com que se corta o barro.
Figura 3. H, molde para fazer tijolos de seis faces G, fig. 5.
Figura 4. meza para moldar, ab, sustida pelos pés ee, g, urquain, que he huma pedra dura, sobre que se põem o molde dd, e, vaso cheio de agua, f, plano, k, obras postas humas sobre as outras, h, barro amassado para encher o molde, i, monte de area para se espalhar sobre o urquain.
Figura 5. na vinheta, monte de barro prestes para se trabalhar.
Figura 6. cutelo curvo para cercear os tijolos.
Figuras 7. 8. e 9. representaõ o forno, de que se servem quasi todos os oleiros, maiormente para cozer os tijolos.
Figura 7. representa o plano do forno ao nivel do terreno. A, entrada da fornalha. AB, onde se faz o fogo, como se mostra pelas mesmas letras fig. 8. K, I, separações dos ladrilhos, entre os quaes ha espaços vasios, para que o ar quente se communique ao forno. Esta separaçaõ, que divide a fornalha do interior do forno, se chama la-fausse-tire. F, hum vaõ, ou buraco da porta, chamado tetin. Por este lugar se entra no forno para lhe arranjar a louça: e em estando cheio, se fecha este tetin com hum muro de tijolos, a que chamaõ la Languete, em baixo desta, ha duas portas, ou aberturas L, fig. 8. que se chama creneaux, ou, como dizem os Louceiros carneaux: por estas aberturas passa a fumaça para o tubo do chaminé CD, fig. 8. que representa a vista do forno pela longitude. AB, he a fornalha: KL, assoalho do forno. Vê-se acima do K, la fausse-tire. A, E, M, he a abobada do forno; em LM, está a lingueta, abaixo de C, os creneaux, e CD, tubo da chaminé para descarga da fumaça. Vê-se em a, os tijolos da fornalha postos em carreira, para sustentar os tijolos, de que se enche o forno.
Figura 9. he huma vista do mesmo forno transversal pela linha GH, da fig. 7. por baixo em AB, estaõ tijolos de assoalhar, ou vasilhas de commodidades, sobre que se arranjaõ as louças, com que se enche o forno.
Figura 10. T, caldeirinha quadrada, feita a maõ, e sobre a meza de aperfeiçoar.
Figura 11. alguidar, ou gamela commum de louça.
Figura 12. especie de fogareiro chamado toupine.
Figura 13. escalfador.
Figura 14. pequena cassarola.
Figura 15. roda dos oleiros vista em golpe.
Figura 16. roda dos Oleiros, vista de perfil.
Fig. 17. roda dos Oleiros, vista em plano aa, meio da roda ff, arvore da roda, que víra em huma peça de madeira, que se acha acima de g, a qual se conserva segura pela cruz hh, e as prisões ii, acima do meio aa, está o prato bb, em que anda a obra cc, que se trabalha. Os raios da roda se assignalaõ em dd, e as peças da roda volteadas em ee, K, as taboletas sobre que se põem as louças n, que se querem trabalhar sustentadas tambem como o assento l, que he inclinado pelos montantes pp. Avista-se pela parte de dentro as peças entalhadas, que servem de assento ao trabalhador.
Figura 18. A, trabalhador que faz hum vaso na roda de fazer louça fina.
Figura 19. hum mealheiro, que tambem bem chamaõ cache-maille.
Figura 20. A, B, C, D, E, serve para fazer ver como se fazem ao torno as vasilhas para as decentes commodidades, como estes potes se ajustaõ huns com os outros pelas bocas, como se fazem os potes de duas bocas E, C.