Atuação pública em arranjos produtivos locais

Agnaldo de Sousa Barbosa · Capítulo 13 de 14

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Atuação pública em arranjos produtivos locais

4 Conclusões

 

Com base na discussão realizada ao longo deste livro pode-se inferir que a atuação de atores governamentais teve pouco ou nenhum impacto para a eficiência coletiva do arranjo produtivo de Franca. Houve ações por parte do poder público com o intuito de promoção do desenvolvimento, todavia, sua efetividade foi bastante reduzida. A natureza assumida por esse apoio ora demonstrou carência de enraizamento entre as especificidades da estrutura produtiva local e necessidades reais dos agentes econômicos que a sustentam, ora não obteve êxito na interpretação dos sinais que ofereceu ao empresariado. O perfil sociocultural do empresariado oferece subsídios para o entendimento desse último aspecto.

Por outra parte, é possível falar em eficiência coletiva no polo industrial estudado, porém, de forma desconectada da perspectiva de atuação pública. A eficiência coletiva em Franca expressa-se de modo predominante nos arranjos espontâneos, nas "vantagens passivas" advindas da hipertrofia da rede de prestadores de serviços, na abundância da mão de obra concentrada territorialmente e no fluxo irrestrito do conhecimento consubstanciado no "saber-fazer" da fabricação do calçado. Esses elementos diminuem os chamados "custos de transação", facilitam a emergência de novas empresas, criam redes informais de colaboração e confiança entre agentes econômicos interdependentes e dissolvem barreiras cognitivas no processo de produção. Por outro lado, ampliam irrestritamente o número de competidores, criando uma dinâmica de concorrência não raro predatória, e engendram de maneira naturalizada uma "cultura da cópia".

Certamente, a hiperconcorrência entre os atores sociais desse polo é um elemento de entrave às possibilidades de cooperação entre firmas, de atuação coletiva no domínio da inovação e da política, assim como no aprendizado conjunto em matéria de comércio exterior, marketing e logística. Uma atuação política que queira abrir caminhos para a eficiência coletiva em sentido mais denso que o apresentado deve, necessariamente, impulsionar a diversificação da produção, a prospecção de novos nichos de mercado e, inclusive, a exploração de mercados ainda não existentes. Sem isso, os obstáculos à ação coletiva dos atores persistirão em razão da situação de disputarem o mesmo mercado, em vivenciarem no âmbito do mercado uma condição de "todos contra todos".