Atuação pública em arranjos produtivos locais
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Agnaldo de Souza Barbosa
Agnaldo de Sousa Barbosa possui graduação (1995) e mestrado (1998) em História e doutorado (2004) em Sociologia, todos pela Unesp. Foi bolsista de pós-doutorado do programa Jovem Pesquisador da Fapesp entre 2005 e 2007. Desde 2009 é professor de Sociologia do Departamento de Educação, Ciências Sociais e Políticas Públicas da Unesp/Campus de Franca, onde também é coordenador do Programa de Pós-Graduação em Planejamento e Análise de Políticas Públicas (Mestrado Profissional Interdisciplinar) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social. É autor e/ou coautor de cinco livros e cerca de quatro dezenas de artigos e capítulos de livros, produção científica na qual se destacam temas pertinentes à sociologia do desenvolvimento, sociologia do direito, sociologia política e políticas públicas.
Notas
Notas apresentação
1. Esses trabalhos são: O desemprego na juventude: um estudo
sobre o sentido do desemprego para jovens que residem em cidades de sub-regiões produtivas da indústria do calçado, nas regiões Sul e Sudeste do país, de Marilu Diez Lisboa, vigência: out. de 2007 a set. de 2010; Caracterização de tipologias e do manejo de resíduos e rejeitos gerados na microindústria de calçados de couro do polo de Franca-SP, de Elias Antonio Vieira vigência: maio de 2010 a abr. de 2013);Permanências e metamorfoses do trabalho no universo produtivo do calçado: um estudo do polo industrial de Franca-SP, de Alexandre Marques Mendes, vigência: maio de 2011 a jun. de 2013); Estratégias de mobilidade social no surgimento do polo industrial de Franca (SP): de imigrantes pobres a industriais no interior paulista (1900-1960), de Marco Antonio Brandão, vigência: nov. de 2011 a out. de 2014); e Construção de indicadores para aferição do processo de desenvolvimento urbano e sustentabilidade no município de Franca-SP, de Mauro Ferreira, vigência: fev. de 2012 a jan. de 2015.
↩
2. Desses projetos, os beneficiados com auxílio financeiro da
PROEX/UNESP, foram: Observatório do Desenvolvimento Regional e Sustentabilidade (vigência: fev. de 2011 a dez. de 2012) e ADREx – Agência de Desenvolvimento Regional Experimental (vigência: fev. de 2012 a dez. de 2012).
↩
Notas capítulo 1
1. Essa discussão acerca da revalorização da dimensão do "local"
como lócus privilegiado das estratégias de desenvolvimento
baseia-se em artigo publicado pelo autor deste livro em período recente (Barbosa, 2008).
↩
2. A noção de "território produtivo" é desenvolvida por Giuseppe
Cocco e outros pesquisadores organizados sob sua liderança no âmbito do Laboratório Território e Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LABTeC/ UFRJ), tendo os chamados "distritos industriais" italianos como referenciais para a reflexão sobre a aglomeração geográfica de empresas (em especial micro e pequenos empreendimentos). Essa noção serviu de substrato para políticas públicas de desenvolvimento local implementadas por instituições, como o Sebrae e a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro. Para uma visão abrangente da noção de "território produtivo" – e aspectos dela derivados – ver, especialmente, Cocco, Urani e Galvão (1999) e Silva e Cocco (2006).
↩
3. O IDS é um instituto de pesquisa vinculado à Universidade de
Sussex do Reino Unido, e seus estudos têm se destacado pela análise dos processos de "clusterização" e estabelecimento de redes interfirmas em diversos lugares do mundo. Um balanço acerca da produção do IDS no que diz respeito a essa temática é realizado por Keller (2008).
↩
4. Este trabalho é considerado uma das principais referências da
chamada "Nova sociologia Econômica" e foi publicado originalmente em 1985.
↩
5. Diferentes versões dessa discussão foram realizadas em
Barbosa e Souza (2011) e Barbosa e Braga Filho (2006).
↩
6. Perroux chama também a atenção para a ideia de "polo de
desenvolvimento", reflexão associada à concepção de que o crescimento econômico pode levar a transformações estruturais – vinculadas à mudança social e institucional – que engendram modificações econômico-sociais de caráter duradouro e
"sustentável" – e não apenas uma expansão da atividade produtiva.
↩
7. Concebido originalmente pelo sociólogo Arnaldo Bagnasco no
final dos anos 1970, o termo "Terceira Itália" serve para designar uma macrorregião que abrange parte das regiões Central e Nordeste da península. Quando criada, a expressão tinha também o propósito de designar uma parte da Itália que não estaria contemplada no tradicional dualismo Norte (industrializado, mas em crise naquele momento histórico) e Sul (agrícola e economicamente atrasado) – que representavam, respectivamente, a primeira e a segunda Itália.
↩
8. Na ciência econômica o termo cluster é amplamente utilizado
para designar concentração geográfica e setorial de empresas – o que coaduna com a acepção da expressão na língua inglesa ("agrupamento", "aglomeração" etc.).
↩
9. Ao comentar a experiência dos distritos industriais europeus,
Schmitz (1997) ressalta que os mesmos não foram resultado de uma ação planejada. O papel desempenhado pelas instituições foi fundamental na sua consolidação e crescimento, mas seu surgimento foi espontâneo.
↩
10. No mesmo artigo Wade (2004) ressalta a natureza paradoxal da
agenda neoliberal dos países do Ocidente, ao mesmo tempo aderente a temas como liberalização, privatização e flexibilização, mas não "com a eliminação das subvenções agrícolas nem com a suspensão das restrições à mobilidade transfronteiriça dos trabalhadores" (p.146-147, tradução nossa).
↩
11. Evans (1993) observa que Estados bem-sucedidos na
construção de instituições para a indução do desenvolvimento industrial também se mostraram igualmente eficazes na execução de ajustes estruturais.
↩
12. Peres (2006, p.82, tradução nossa) salienta que é prática
recorrente na região a apresentação de políticas baseadas na máxima "primeiro decidimos e depois vemos o que fazer e com quais recursos".
↩
13. De acordo com Peres (2006, p.82, tradução nossa), "o
problema se torna ainda mais agudo porque na região normalmente estão separadas as instâncias de formulação e as de implementação das políticas".
↩
Notas capítulo 2
1. Em estudo sobre as aglomerações industriais do estado de São
Paulo, Suzigan et al. (2001) argumentam que "Franca constitui um exemplo praticamente perfeito de cluster industrial".
↩
2. Entenda-se aqui produção manufatureira no sentido concebido
por Karl Marx nos capítulos "Divisão do trabalho e manufatura" e "A maquinaria e a indústria moderna" de O Capital. Resumidamente, Marx (1996) entende como manufatura a produção realizada manualmente a partir da divisão do trabalho – podendo ainda haver a combinação de trabalho manual com máquinas simples, utilizadas individualmente. Grosso modo, a manufatura seria o estágio tecnológico intermediário entre o artesanato e a produção mecanizada.
↩
3. Deixe-se bem claro que a influência do toyotismo na indústria
calçadista de Franca se restringiu predominantemente a duas de suas dimensões principais: a subcontratação da produção (a principal e mais disseminada delas) e o estabelecimento da multivariedade de funções, que estimula a polivalência do trabalhador (esta, apenas nas empresas que adotaram a produção por células). Outros dos demais traços básicos do toyotismo, como produção vinculada à demanda, just in time, kanban e os círculos de controle de qualidade, praticamente inexistiram ou apenas marginalmente foram implementados
pelas empresas calçadistas locais. Para um rápido balanço das principais transformações impressas no universo produtivo com a emergência do toyotismo, veja-se Antunes (2003), em especial os capítulos III e IV.
↩
4. Salvo outra indicação, todas as informações acerca do número
de empresas e o total de trabalhadores têm essa fonte. É importante ressaltar que os números aqui apresentados se referem apenas às empresas fabricantes de calçados, estando excluídas as prestadoras de serviços – das quais se falará adiante.
↩
5. Para a classificação das empresas utilizou-se aqui os mesmos
critérios empregados pelo SindiFranca: microempresa (até 19 funcionários); pequena (20 a 99 funcionários); média (100 a 499 funcionários); e grande (mais de 500 funcionários).
↩
6. Dados de 2005 referentes ao mesmo cadastro.
↩
7. Novos empreendedores na indústria do calçado: formação
social e ação empresarial. Projeto de Pesquisa, Programa Jovem Pesquisador – Fapesp, Proc.: 2003/13963-0. 2008.
↩
8. Foram utilizados aqui nomes fictícios a fim de preservar a
identidade dos entrevistados.
↩
9. Depoimento concedido a Barbosa em 5 de julho de 2006,
presente no trabalho Novos empreendedores na indústria do calçado: formação social e ação empresarial (2008).
↩
10. O empresário em questão era, em 2006, proprietário de
microempresa com 9 funcionários e produção de 300 pares/dia.
↩
11. Depoimento concedido a Barbosa em 15 de agosto de 2006,
presente no trabalho Novos empreendedores na indústria do calçado: formação social e ação empresarial (2008).
↩
12. Ver, sobretudo, o tópico 8 do Capítulo XIII (Livro I, Vol. I), que
trata do trabalho domiciliar.
↩
13. À época em que escreveram, Sengenberger e Pike ocupavam,
respectivamente, os postos de diretor e pesquisador do Programa Nova Organização do Trabalho do Instituto Internacional de Estudos do Trabalho, entidade autônoma vinculada a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
↩
14. Segundo dados do CAGED/MTE, em dezembro de 2008
Franca foi a terceira cidade do país com maior saldo de desemprego no país em números absolutos. Com saldo negativo de 11.101 empregos, Franca ficou atrás apenas de São Paulo (- 37.286) e Manaus (- 11.938), sendo que estas duas são metrópoles com respectivamente 10,9 milhões e 1,7 milhões de habitantes.
↩
15. A pesquisa parece ter sido realizada sobre bases bastante
consistentes. De acordo com informações do documento no qual a investigação está inserida (SindiFranca, 2001), o universo de empresas selecionadas para responder as entrevistas em profundidade alcançou o total de 300 estabelecimentos, sendo estes responsáveis por 83% da produção do polo.
↩
16. Pesquisa realizada por Barbosa (2008), em meados da década
de 2000, inferiu resultados bastante próximos a essa porcentagem (60%).
↩
Notas capítulo 3
1. O APL de Franca ficou de fora dos arranjos produtivos
indicados no estado de São Paulo. Os APLs indicados foram: APL de Calçados de Jaú; APL da Indústria da Cerâmica de Tatuí e região; APL de Cerâmica Vermelha de Itu e região; APL de Cerâmica Vermelha de Tambaú; APL de Cerâmica Vermelha
de Vargem Grande do Sul; APL de Enxovais de Bordados de Mesa, Cama e Banho de Ibitinga; APL de Móveis de Mirassol e região; APL de Móveis de Votuporanga; APL de Plástico da Região do Grande ABC; APL Aeroespacial de São José dos Campos.
↩
2. A Resolução n. 7, de 13 de julho de 2007, da Secretaria
Estadual de Desenvolvimento foi instrumento de formalização da rede.
↩
3. Os quinze APLs selecionados foram os APLs de Calçados (de
Birigui, Franca e Jaú), de Têxteis e Confecções (de Americana, Cerquilho e Ibitinga), de Móveis (de Mirassol e Região Metropolitana de São Paulo), de Cerâmica Vermelha (de Itu, Tambaú, Tatuí e Vargem Grande do Sul), de Plásticos (do Grande ABC), de Equipamentos médico-odontológicos (de Ribeirão Preto) e de Álcool/etanol (de Piracicaba).
↩
4. Constituem o Comitê Gestor do APL de Franca as seguintes
instituições e entidades de classe: SindiFranca – Sindicato da Indústria de Calçados de Franca; Abicalçados – Associação Brasileira da Indústria de Calçados; Assintecal – Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos; ACIF – Associação do Comércio e Indústria de Franca; IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo; Unesp – Universidade Estadual Paulista; Unifran – Universidade de Franca; Uni-FACEF – Centro Universitário de Franca; Fatec – Faculdade de Tecnologia de São Paulo; Fiesp – Federação das Indústrias de São Paulo; Ciesp – Centro das Indústrias de São Paulo; Prefeitura Municipal de Franca; SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial; Senac – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial e Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. O autor do presente livro participa do Comitê Gestor como representante convidado do Grupo de Apoio ao Planejamento Estratégico do SindiFranca.
↩
5. A parceria firmada entre a Secretaria de Desenvolvimento
Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação de São Paulo e o SindiFranca, entidade coordenadora do Comitê Gestor do APL de Franca, resultou em recursos da ordem de R$ 409.069,84 para a implantação do NICC. Informações detalhadas acerca dessa iniciativa estão disponíveis no site da Secretaria (para mais informações consulte o site da Secretaria).
↩
6. Originalmente, quando de sua criação, o curso denominava-se
Gestão da Produção de Calçados.
↩
7. A grade curricular do curso de Gestão da Produção Industrial
pode ser consultada em:
http://www.fatecfranca.edu.br/index.php/2-fatec-franca/15-
grade-curricular-gestao-da-producao-industrial
↩
8. Informações sobre o anúncio de criação do curso superior de
Tecnologia e Design de Calçado podem ser consultadas em:
http://www.fiesp.com.br/noticias/senai-de-franca-ganhara-curso-
superior-de-tecnologia-e-design-em-calcado/
↩
9. Informações oficiais acerca do Fórum Permanente de
Desenvolvimento podem ser consultadas em:
http://www.franca.sp.gov.br/portal/prefeitura/desenvolvimento/for
um-do-desenvolvimento.html
↩
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Agnaldo de Sousa Barbosa
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A reinvenção do desenvolvimento
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Empreendedorismo no semiárido
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Cooperativismo e coletivização no campo
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Programa de Aceleração do Crescimento (PAC): Neodesenvolvimentismo?
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Da casa à praça pública: a espetacularização das festas juninas
Depois do livro
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