Cavalo de Tróia 2: Massada
O diário ⠀猀攀最甀渀搀愀 瀀愀爀琀攀)
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 9 partes.
66 Ainda que me repugne recordar uma história tão louca, eis aqui, muito resumidos, alguns dos informes da Operação Rapto
de Europa:
As datas mais propícias para o ataque a Israel foram fixadas inicialmente para três momentos de 1973: na segunda quinzena de
maio, em setembro e em outubro. De fato, em janeiro desse ano Sadat ordenaria ao chefe do Estado-Maior egípcio, General
Shazli, a “prontidão” do cruzamento do canal de Suez. Com o passar dos dias, os russos escolheriam a terceira data. E o dia
foi fixado para 6 desse mês de outubro. O ódio cego dos árabes aos judeus os impeliria a escolher essa data, não só porque o
estado da maré no canal era mais favorável, mas, muito especialmente, porque a data coincidia com o décimo dia do Ramadã.
(Nesse dia, no ano de 624, o profeta Maomé iniciou os preparativos para a batalha do Badr, que seria o prelúdio de sua
triunfal entrada em Meca e do início da expansão do Islã.) Para cúmulo das coincidências, esse 6 de outubro era o Dia do
Perdão dos israelitas: uma solene celebração religiosa na qual todo judeu é obrigado a reconciliar-se e pedir desculpas a todos
a quem quer que haja ofendido no decurso do ano. Durante o Yom Kippur, ou Dia do Perdão, tudo em Israel paralisa. O
maquiavelismo árabe – por que negá-lo? –, russo e norte-americano chegou a estes repugnantes extremos. “Um ataque
maciço naquela dia” – previa o plano – “teria um resultado vantajoso para os exércitos atacantes: egípcios, sírios e
jordanianos. Eram esses – segundo o Rapto de Europa – os países árabes que suportariam o peso da nova guerra. Outras
nações do Oriente Médio figuravam como “forças de apoio e reserva” tanto no envio de tropas quanto de armamento em
geral. Na hora da verdade, o prudente rei jordaniano não cairia na trama, limitando-se a enviar a Brigada 40 quando a guerra
já ia pelo sétimo dia e as pressões sobre si se tornaram insuportáveis.
“A duração máxima” – permitida! – “das hostilidades” – assim rezava o plano secreto – “será de 40 dias.” (Efetivamente, o
acordo final de cessar-fogo egípcio-israelense foi firmado no domingo, 11 de novembro, pelo general Aron Yariv, então chefe
do Serviço de Informação Militar israelense, e pelo também general Ismail Jamsi, chefe de operações do Exército. Haviam
transcorrido 35 dias desde 6 de outubro.)
O plano geral de ataque – batizado com o nome em código de Chispa – baseava-se em duas fases: a primeira, a travessia do
canal de Suez e a consolidação dos exércitos egípcios no Sinai; a segunda, uma invasão maciça e simultânea das colinas do
Golan pelas forças sírio-jordanianas. Com o mais glacial pragmatismo, os “artífices” da guerra haviam previsto até mesmo o
número de baixas em soldados, blindados e aviões, em especial na frente do canal, a mais virulenta. Em sua totalidade, a
operação de cruzamento poderia custar cerca de 30 mil baixas para os egípcios, incluindo 10 mil mortos. O minucioso estudo
russo-norte-americano especificava qual podia ser o contingente de forças de ambos os lados antes da guerra. Israel disporia
de 30 mil homens, ainda que fosse exeqüível uma mobilização de 300 mil reservistas em 72 horas. Quanto ao potencial bélico
dos egípcios, sírios e jordanianos, Rapto de Europa o estimava em uns 500 mil homens (298 mil egípcios, 132 mil sírios e ao
redor de 70 mil jordanianos). Israel contava com 1.700 carros de combate, de tipo médio, contra uns 4 mil de seus inimigos. A
temida e eficiente Força Aérea israelense dispunha, por sua vez, de 488 aviões de combate (12 bombardeiros ligeiros, 9 caças
F-4, 36 Mirage, 165 caça-bombardeiros Skyhawks do tipo A-4, 24 caças Baraks, 18 Super-Mystères, entre outros). Os
atacantes somavam mais de 1.200 aparelhos, sem contar os 200 aviões egípcios “de reserva”.
Essa esmagadora desproporção de forças e o fator surpresa (os árabes dispunham de dezesseis preciosos minutos até que
soassem os alarmes israelenses) inclinavam a balança da guerra para o lado atacante. Todavia, segundo o documento de
Curtiss, a “vitória seria parcial”. Quer dizer, as batalhas teriam um objetivo duplo: reconquistar as colinas de Golan e parte do
Sinai e descarregar um “golpe moral” sobre Israel. Os suprimentos de munição e equipamentos militares aos contendores –
tanto no caso russo como no norte-americano – eram estimados em um máximo de 100 mil toneladas, com uma inversão em
armas (antes do conflito) limitada a 1,5 bilhão de dólares, respectivamente. O obstáculo representado pela “não presença de
assessores soviéticos no Egito” – expulsos que haviam sido em julho de 1972 – foi contornado com o compromisso de
sucessivas reuniões russo-egípcias e, durante a guerra, com uma “ponte” aérea através da Iugoslávia. (Em janeiro deste ano,
Sadat visitou o marechal Tito, consolidando o direito de trânsito da União Soviética sobre território iugoslavo.) (N. do M.)
67 Entre os atentados e operações terroristas ocorridos nos meses que antecederam a guerra do Yom Kippur, cabe destacar –
como simples amostra – o assalto, em 29 de setembro, a um trem que conduzia emigrantes judeus de Moscou a Viena. No
momento em que o comboio deixou a fronteira entre a Checoslováquia e a Áustria, dois guerrilheiros palestinos apoderaram-
se de cinco judeus e um funcionário aduaneiro austríaco. No decorrer das tensas negociações, o então primeiro-ministro
austríaco, Bruno Kreisky, propôs que em troca da liberdade dos reféns se fechasse o acampamento de trânsito para os
emigrantes judeus da Rússia, instalado no castelo de Schönau, nos arredores de Viena. A medida causou indignação em
Israel, forçando até uma viagem relâmpago de Golda Meir a Viena. (N. do M.)
68 Entre as mistificações árabes lembro-me de um estranho informe aparecido na imprensa britânica sobre o “pobre estado de
manutenção dos mísseis antiaéreos no Egito”. As “fontes” informantes – soviéticas, certamente – asseguravam que tais
armas eram praticamente imprestáveis. Depois da quarta guerra, Sadat declararia, com evidente regozijo, que os “israelenses
haviam chegado a morder a isca...” (N. do M.)
69 A grande crise do petróleo – da qual o mundo ainda não se recuperou – foi, sem dúvida, o resultado de um confronto de 6,5
milhões de árabes contra 650 milhões de europeus e japoneses. Em 8 de novembro desse ano de 1973, a Arábia Saudita,
maior produtora de petróleo do mundo, reduziria sua produção em 31,7% em relação à produção de setembro. O governo
saudita planejava para esse novembro de 1973 uma produção global de 9,1 milhões de barris/dia. Esta cota, pois, seria
reduzida a 3,44 milhões/dia. O exemplo da Arábia seria secundado pelo resto dos países do Oriente Médio, caindo, desse
modo, na cilada soviético-norte-americano. Em 13 de novembro, por exemplo, o primeiro-ministro líbio, Abdel Saiam Jallud,
declararia que o embargo de petróleo para a Europa e o Japão continuaria enquanto persistissem na negativa de facilitar o
fornecimento de armas modernas ao mundo árabe. A Europa veio abaixo e os países do Golfo Pérsico aproveitaram a
“anemia e as disputas” do Ocidente para intensificar a pior das guerras: a da energia. Excetuando o Irã, os países do Golfo,
representando 60% da produção mundial de petróleo, estabeleceram três “frentes de batalha”: uma, aumentando os preços do
petróleo em 17%; duas, Abu Dhabi, inicialmente, e o resto dos países árabes, depois, decidindo suspender o envio do ouro
negro para qualquer nação que se declarasse partidária de Israel. Além disso, reduzindo sua produção em 10% e, mais tarde,
em mais 5%; e três: inclinando-se à nacionalização de seus recursos e indústrias derivadas. Houvesse ocorrido a
nacionalização completa e a medida haver-se-ia voltado contra os Estados Unidos. Mas isso, obviamente, não chegaria jamais
a concretizar-se... (N. do M.)
70 GRU: Glavnoie Razviedivatelnoie Upravlenie. (N. do M.)
71 Os serviços secretos norte-americanos multiplicaram-se no Egito como resultado da expulsão dos assessores russos.
Substanciosos créditos americanos e um paciente trabalho da CIA, intoxicando o Mukhabarat el Kharbeiyah e o Mukhabar
Elasma (serviço secreto de contraespionagem egípcio), “convenceram” Sadat de que Moscou poderia arrebatar-lhe o poder.
Daí a expulsão: entre outros argumentos, a CIA jogou, perante os egípcios, com a alegação – totalmente falsa – de que os
serviços de informação soviéticos haviam entrado em conluio com o partido comunista no Cairo com o fim de levar a cabo
um plano que culminaria com a colocação do partido no poder. Para isso contaram os americanos com a ajuda de um falso
agente chinês que, no Quênia, fez contato com um membro do serviço secreto do Egito e o informou sobre as aspirações de
hegemonia russa no Egito. (N. do M.)
72 Estes espiões russos – o primeiro, Krojin, foi terceiro secretário da embaixada russa em Paris e chefe de treinamento da
KGB na França; o segundo, adido de imprensa, e o terceiro, membro dos serviços de segurança da embaixada – foram
expulsos da França no final de 1972, graças a uma denúncia de um quarto agente soviético – Fedosseief –, que se passou
para os serviços secretos da OTAN na Inglaterra. (N. do M.)
73 Pouco depois da chegada dos Mirage ao território líbio, e exatamente como esperavam os responsáveis pelo Rapto de
Europa, o Mossad de Israel descobriu a presença dos caças na Líbia. E em 21 de março um avião de transporte norte-
americano C-130, preparado para espionagem eletrônica e pilotado por pessoal israelense, esteve a ponto de ser abatido por
dois caças líbios. O C-130, baseado em Atenas, pretendia confirmar as suspeitas do Serviço Secreto de Israel; e, ao ser
atacado, ao sul da ilha de Malta, teve de fugir precipitadamente. Na ocasião, a imprensa internacional associou esse novo
incidente à derrubada do Boeing líbio no Sinai. O governo de Golda Meir denunciou a presença dos Mirage franceses na
Líbia, mas a França, cinicamente, negou a acusação. E, como previam os militares israelenses, os caças foram repassados ao
Egito. As insistentes reclamações israelenses, porém, foram sistematicamente desatendidas. Em 26 de abril de 1973, o
Conselho de Ministros francês, sob a presidência de George Pompidou, chegou a veicular uma nota afirmando que até então
“não havia confirmação dos rumores que corriam sobre o tema”. Horas depois, o comentarista Yves Cau, de Le Figaro,
punha em xeque o governo francês, revelando que, de fato, os Mirage vendidos pela França à Líbia se encontravam em bases
egípcias próximas ao canal de Suez. Dezoito dos caças saíram na primeira semana de abril de Trípoli. O traslado definitivo
começou dias depois, gradualmente, com vôos entre Tobruk e a base egípcia de Nasr. Dali passaram para as bases de
Benisueif e Fayum. (N. do M.)
74 Os amplificadores maser da estação, como creio já haver dito antes, processavam os dados com uma extraordinária pureza.
Esses sofisticados equipamentos requerem uma temperatura permanente de 269 ºC abaixo de zero. (Vale dizer, apenas 5
graus acima do zero absoluto.) Para isso, deviam ser submersos em hélio 60 previamente liquefeito em um criogênio que fazia
parte do instrumental. Este criogênio, ou coldbox, havia sido comprado de uma multinacional suíça. Com a ajuda de turbinas
de expansão, gradientes ou etapas de gás e intercambiadores térmicos de placas, alcançava-se a temperatura requerida: -269
ºC (4,2 K), e com isso a liquefação do heliogás. Logicamente, sem essas reservas de hélio, o criogênio e os maser não
poderiam funcionar. (N. do M.)
75 O consumo médio de hélio calculado pelos experts na liquefação do gás era de 5 litros por hora. (De cada bujão de 9,3 m3
obtinha-se aproximadamente esse mesmo volume de gás.) (N. do M.)
76 O novo combustível – tetróxido de nitrogênio (oxidante) e uma mescla de 50% de hidrazina e dimetil-hidrazina assimétrica –
havia sido calculado para um período global de 5 horas e 14 minutos, com uma disponibilidade máxima de 16.400 quilos. (N.
do M.)
77 H2O < 0,7. Ne < 0,6. N2 < 0,6. O2 < 0,16. H2 < 0,08 e CH4 < 0,01. (Sempre “ppm”.) (N. do M.)
78 Um importante parâmetro para a classificação desse tipo de explosões consiste na determinação da latitude e longitude do
fenômeno. A posição se estabelece registrando os tempos de chegada das ondas “P” de período curto a várias estações
sismográficas distribuídas pelo mundo. Segundo Lynn R. Sykes e J. F. Everden, “o tempo que levam as ondas ‘P’ a chegar a
cada estação é função da distância e profundidade do foco. A partir dos tempos de chegada, precisa-se a localização da fonte
com uma margem de erro inferior a 10 ou 25 quilômetros, se os dados sísmicos forem de alta qualidade”. (N. do M.)
79 As atuais redes de instrumentos estão perfeitamente capacitadas para diferenciar um sismo provocado por terremoto do
provocado por explosão subterrânea, mesmo que esta libere uma energia equivalente a um quiloton apenas. (Um quiloton é a
energia irradiada por uma detonação de mil toneladas de trinitrotolueno ou TNT.) Uma explosão nuclear subterrânea é uma
fonte quase pura de ondas “P” ou primárias, porque aplica uma pressão uniforme às paredes da cavidade que origina. Um
terremoto, ao invés, se produz ao deslizarem rapidamente dois blocos da crosta terrestre do largo de uma área de falha.
Devido a esse movimento em “tesoura”, um sismo natural emite, sobretudo, ondas do tipo “S” ou secundárias. Além disso,
uma explosão gera outro tipo de ondas sísmicas – as chamadas Rayleigh –, que procedem de complexas reflexões de parte
da energia que conduzem as ondas dos estratos superiores da crosta terrestre. Diversamente dos terremotos, as explosões
subterrâneas quase não geram ondas do tipo Love. Também a localização da profundidade do foco permite distinguir uma
explosão de um sismo normal. De 55 a 60% dos terremotos que se registram na Terra se produzem a profundidades
superiores a 30 quilômetros. Até hoje ninguém foi capaz de perfurar a crosta terrestre além dos 10. As explosões nucleares
mais profundas de que se tem notícia têm sido detonadas a não mais que 2 mil metros. (N. do M.)
80 De acordo com a escala de intensidade Mercalli – modificada e abreviada –, em um movimento sísmico de grau VII, “todo
mundo corre para o exterior. Registram-se danos de pouca monta nos edifícios de boa arquitetura e leves ou moderados em
estruturas comuns mais bem construídas. Os danos, ao invés, são consideráveis em estruturas pobremente construídas, ou mal
desenhadas. Rompem-se algumas chaminés e o fenômeno é percebido por pessoas que conduzem automóveis (VIII da
escala Rossi-Forel)”. (N. do M.)
81 Está demonstrado que o corpo dos mamíferos, inclusive o homem, contém em seus tecidos células que envelhecem e outras
que, ao contrário, conservam seu aspecto juvenil, até mesmo em seres idosos. Um exemplo das primeiras são os neurônios do
cérebro e as que se alojam nas criptas de Lieberkuhn, no duodeno. As segundas – amebóides – têm uma capacidade
inexaurível de crescimento. (N. do M.)
82 Em minha qualidade de médico, e movido por esse fatal achado, consultei as mais avançadas hipóteses em torno do obscuro
problema do envelhecimento humano. Em especial, as formuladas por homens como Harman, da Universidade de Nebraska
(pai da teoria dos radicais livres); Warburg, Prêmio Nobel que identificou o oxigênio como o grande responsável pela
diferenciação celular; J. Miquel, chefe da Seção de Patologia Experimental do Ames Research Center da NASA; Imre Zs-
Nagy; e mais um amplo et cetera. Todos, à sua maneira, coincidiam no fato de que o calcanhar-de-aquiles do envelhecimento
não está nas células que gozam da capacidade de divisão, mas nas que, como o neurônio, perderam a virtude da proliferação
e, devido a seu elevado consumo de oxigênio nas mitocôndrias, sofrem uma desorganização perioxidativa. Miquel, que pôs à
prova a teoria do doutor Harman, explica isso quando diz: “Nossa hipótese é que o genoma mitocondrial é a chave. Sua
vulnerabilidade abre caminho à involução senil. O envelhecimento celular é o resultado da toxidez do oxigênio, ou melhor, dos
radicais livres (R-OH). Estes radicais surgem durante a redução univalente do oxigênio na cadeia respiratória mitocondrial”.
(N. do M.)
83 Dentro da programação genética da duração da vida, como assinala o doutor A. Hosta, a teoria de sua limitação pela
toxicidade dos radicais livres ao nível celular está em linha coerente com os conhecimentos e experiências dos últimos anos.
A escassa divulgação do conceito de R-OH impele-me a considerar, aqui e agora, o que são e como agem. Com isso, o leitor
poderá captar melhor a natureza da nossa tragédia. Os R-OH são compostos químicos de gênese plural, com uma grande
capacidade de reação e alto poder oxidante. Digo “gênese plural” porque podem originar-se tanto ao nível celular, resultado
forçoso da respiração aeróbica da célula, como pela ação direta ou induzida da contaminação provinda do meio ambiente,
radiações, alimentação etc. Os R-OH agem interferindo, com sua capacidade reativo-oxidante, nos esquemas de
funcionamento metabólico preestabelecidos. São eles os responsáveis pela peroxidação dos ácidos graxos insaturados dos
fosfolipídios componentes das membranas biológicas. Ao desorganizar as membranas celulares e seus pequenos órgãos,
acumulam lipopigmentos e (fundamentalmente no coração e no cérebro) incrementam o cross-linking de macrocélulas
(especialmente colágenos e elastina), geram a fibrose arteríolo-capilar e degradam os mucopolissacarídeos. O microscópio
eletrônico mostra as mutações morfológicas que a ação dos R-OH introduz na célula, sobretudo quanto à perda de estrutura
(membranas), diminuição do número de mitocôndrias (fonte de energia celular ou ATP) e inclusões no citoplasma de
lipopigmentos inertes (lipofucsina etc.).
Do ponto de vista funcional, o panorama anterior inclui uma perda de funcionalidade da célula, que, com a destruição da
mitocôndria, alcança o clímax da involução celular, já que não pode responder sequer à demanda de energia normal (90% da
energia celular provém da mitocôndria), quanto mais ao incremento de consumo que o organismo do paciente passará a exigir
numerosas vezes.
A farmacologia experimental pode quantificar, em ensaios adequados, a perda de funcionalidade (capacidade de aparelhamento,
coordenação neuromuscular, rigidez, elasticidade etc.) que esta queda do tônus vital implica. Mas será que o organismo não
se defende? A lógica da biologia nos diria que sim. Existe toda uma prevenção bioquímica para a degradação oxidativa, cuja
eficácia nos é provada pelo retardamento da aparição da involução senil. O aporte exógeno de antioxidantes pela dieta, por
exemplo, pode ser a explicação do mecanismo de proteção de que o homem necessita para contrapor-se ao efeito tóxico dos
R-OH, e hoje mais do que nunca, graças ao incremento de fontes de radicais livres que o quadro atual possibilita. A presença
do α-tocoferol na dieta (acumulado no tecido graxo e circulando no sangue), como antioxidante biológico, tem sido
indispensável no caminhar evolutivo da espécie, para assegurar uma proteção eficaz diante da toxidez dos inevitáveis R-OH,
consubstanciais à respiração celular. Isso explicaria o aparente contra-senso entre a existência de uma vitamina tão
amplamente distribuída e o fato de que não se possa atribuir-lhe claramente uma síndrome carencial. (N. do M.)
84 O hipocampo é uma saliência alongada que ocupa a parede externa do divertículo esfenoidal de cada ventrículo lateral do
cérebro. (N. do M.)
85 Com o objetivo de despertar a memória do leitor – se bem que esses acontecimentos aos quais se refere o Major fossem
detalhados em minha obra anterior (Cavalo de Tróia 1 a partir da página 340), pensei ser oportuno rememorá-los neste
momento. Uma vez terminada a “última ceia”, a narração do Major transcorria nos seguintes termos: “... Os onze, ao menos
naquele momento, estavam bem mais descontraídos do que pela manhã. Despedimo-nos todos da família Marcos e
empreendemos o caminho de volta ao acampamento. “Enquanto cruzávamos as solitárias ruas do bairro baixo, em direção à
porta das Fontes, ao sul de Jerusalém, fiz o que pude para separar André do resto do grupo. Perguntei-lhe como se
desenrolara a ceia. O chefe dos apóstolos começou dizendo que tanto ele como seus companheiros estavam intrigados com a
súbita desaparição de Judas e, muito especialmente, com o fato de que ele não voltara ao cenáculo. ‘No início, quando o
vimos sair, todos pensamos que ele se dirigia ao andar de baixo em busca de alguns víveres para a ceia. Outros pensaram que
o Mestre lhe havia dado algum encargo...’
“Os pensamentos dos discípulos estavam corretos, já que nenhum deles dispunha de informação verdadeira sobre a trama.
Além disso, com exceção de Davi Zebedeu, que não havia participado da ceia pascal, os discípulos ignoravam que o dinheiro
comum estava desde aquela mesma tarde em poder do chefe dos emissários.
“E André continuou com o relato, dando ênfase a um fato acontecido logo que eles adentraram o piso superior da casa dos
Marcos, fato que, do meu ponto de vista, esclarecia perfeitamente por que o Nazareno decidira lavar os pés dos discípulos.
Os evangelistas haviam dado uma versão acertada: Jesus praticou esse gesto para realçar a honrosíssima virtude da
humildade. No entanto, qual teria sido a ‘faísca’ ou a causa imediata desse ato? Será que tudo obedecera a uma simples e
pura iniciativa de Jesus? Sim e não...
“Ao visitar o recinto onde iria ser celebrada a ceia pascal, eu havia reparado nos lavatórios, bacias e ‘toalhas’ dispostos para as
obrigatórias lavagens de pés e mãos. O costume judeu mandava que, antes de se sentar à mesa, os comensais deviam ser
lavados pelos criados ou pelos próprios anfitriões. Essa era a tradição. Todavia, as ordens do Mestre haviam sido taxativas:
não haveria criados no cenáculo. E a prova é que, quando foi preciso, os gêmeos haviam descido para pegar o cordeiro
assado. Pois bem, aí surgiu a polêmica entre os doze...
“– Quando entramos no cenáculo – continuou André –, todos notamos as bacias e a água para a lavagem de pés e mãos. Mas,
se o rabi havia ordenado que não houvesse criadagem presente, quem se encarregaria da lavagem obrigatória? Devo
confessar humildemente que tanto eu como os demais tivemos o mesmo pensamento. ‘Eu não desceria tanto, a ponto de me
prestar a lavar os pés dos demais. Isso era missão para criados...’
“‘E todos, em silêncio, procuramos dissimular o constrangimento, evitando qualquer comentário sobre o assunto. “‘A atmosfera começou a se carregar perigosamente e, para cúmulo do azar, o aborrecido assunto do asseio pessoal foi
envenenado por outro fato que nos fez explodir e nos enredou em uma áspera polêmica. O Mestre não se resolvia a subir e,
enquanto isso, cada um se ocupou de inspecionar os divãs. Saltava aos olhos que o lugar de honra correspondia ao divã mais
alto – o do centro – e novamente caímos na tentação. Quem ocuparia os lugares próximos a Jesus? Suponho que quase todos
voltamos a pensar o mesmo: ‘O Mestre é quem vai escolher os discípulos prediletos’. E estávamos nesse pensamento
quando, inesperadamente, Judas aproximou-se do assento colocado à esquerda do principal, manifestando com isso sua
intenção de acomodar-se nele como ‘convidado preferido’. Essa atitude de Iscariotes nos revoltou a todos, gerando uma
desagradável discussão. Mas Judas já se havia instalado no divã e João, em um de seus ímpetos, o imitou, apoderando-se do
divã da direita.
“‘Como podes imaginar, a irritação foi geral. Mas as ameaças e os protestos de nada serviram. Judas e João não estavam
dispostos a ceder. Talvez o mais aborrecido fosse meu irmão Simão, que se sentiu ferido e fraudado pelo que chamou
‘orgulho indecente’ de seus companheiros. E, visivelmente alterado, deu uma volta ao redor da mesa e escolheu o último
lugar, justamente o do divã mais baixo. A partir desse momento, os demais foram-se instalando onde puderam. Tu sabes que
Pedro é bom e ama intensamente o Mestre, mas, nessa ocasião, sua debilidade foi grande. Conheço meu irmão e sei por que
fez aquilo...’
“– Por quê? – animei-o a se abrir comigo.
“André tinha necessidade de confidenciar a alguém e descarregou isso sobre mim: “– Perturbado pelo ciúme e pela impertinente iniciativa de Judas e João, Pedro não hesitou em se acomodar no último dos
lugares da mesa com uma esperança secreta: de que o Mestre, ao entrar, pedisse publicamente a ele para que deixasse
aquele divã e ocupasse o de Judas ou o do próprio João. Dessa forma, ele se veria honrado e deixaria mal seus ‘orgulhosos’
companheiros.
“‘Quando o rabi apareceu à porta do cenáculo, os doze nos achávamos ainda em plena batalha dialética, recriminando-nos
mutuamente. A sua entrada fez-se um brusco silêncio.
“‘Jesus permaneceu no umbral por alguns instantes. Seu rosto foi-se tornando paulatinamente sério. Era evidente que havia
percebido a situação, mas, sem nenhum comentário, dirigiu-se para o seu lugar, ante o desolado olhar de meu irmão.
“‘Foram minutos tensos. Mas Jesus foi recobrando sua habitual e característica doçura, e todos nos sentimos um pouco mais
descontraídos. Mais um pouco e a conversa foi retomada, embora alguns de meus companheiros continuassem empenhados
em jogar na cara uns dos outros o incidente da escolha dos divãs, assim como a aparente falta de consideração da família
Marcos por não haver providenciado um ou mais criados que lavassem os pés dos convidados.
“‘Jesus desviou então seu olhar para os lavatórios, assegurando-se de que eles não haviam sido ainda utilizados. Mas nada
disse.
“‘Tadeu (o gêmeo Tiago) começou a servir o primeiro copo de vinho, enquanto o rabi escutava e observava em silêncio. “‘Como sabes, uma vez esvaziado o primeiro copo, manda a tradição que os comensais se levantem e lavem as mãos. Nós
sabíamos que o Mestre não era muito amante dessas formalidades e aguardamos com interesse. ‘Mas, ante a surpresa geral,
o rabi levantou-se e caminhou silenciosamente para as jarras de água. Surpresos, ficamos olhando uns para os outros quando
ele, sem mais delongas, despiu a túnica e cingiu a cintura com um dos lenços. Depois, carregando uma bacia e a água, deu
uma volta completa em torno da mesa, chegando até o lugar menos honorífico: o que meu irmão ocupava. Aí, ajoelhando-se
com grande humildade e mansidão, dispôs-se a lavar os pés de Pedro. Diante da cena, os doze nos levantamos como um só
homem, e do estupor passamos à vergonha. Jesus havia arcado com o trabalho de um criado qualquer, recriminando assim
nossa mútua falta de consideração e caridade. Judas e João baixaram os olhos, aparentemente mais mortificados do que os
outros...’
“– Também Judas? – interrompi com certa incredulidade.
“– Sim.
“André parou e, olhando-me fixamente, perguntou:
“– Jasão, tu sabes algo... Que acontece com Judas?
“Encolhi os ombros, procurando esquivar-me da pergunta. Mas o chefe dos apóstolos insistiu e, dada a iminência da prisão do
Mestre, confessei-lhe que, de fato, eu também duvidava da lealdade de Iscariotes. Prosseguimos e, ao cruzar o Cedron, meu
acompanhante saiu do seu sombrio mutismo. Supliquei-lhe que continuasse seu relato e André atendeu meu pedido:
“– Quando Pedro viu Jesus ajoelhado diante dele, seu coração se incendiou e de novo protestou energicamente. Como eu te
disse, meu irmão ama o Mestre acima de tudo e de todos. Suponho que, ao vê-lo assim, como um insignificante criado e
disposto a fazer aquilo que nós todos havíamos recusado, compreendeu seu erro e quis dissuadir o Mestre. Mas a decisão do
rabi era irrevogável e Pedro teve de resignar-se. Um a um, como eu te dizia, Jesus nos foi lavando os pés. Depois das
palavras de Pedro, nenhum de nós se animou a protestar. E, dentro de um silêncio dramático, o Mestre foi contornando a
mesa até chegar ao último dos comensais. Depois vestiu a túnica e retomou ao seu lugar à mesa.
“– João e Judas continuavam à direita e à esquerda do Mestre? “– Sim, ninguém saiu do lugar, com exceção de Judas, que saiu da sala pouco antes de ser servido o terceiro copo de vinho: o
das bênçãos...
“A aproximação do acampamento obrigou-me a suspender aquele esclarecedor relato. No entanto, em minha mente se
acumulavam ainda muitas interrogações. Como havia sido a revelação de Jesus a João sobre a identidade do traidor? Como
foi possível que os demais apóstolos não o tivessem ouvido? E foi assim, sem dúvida, pois ninguém estava a par das manobras
de Judas. Só havia suspeitas...” (N. de J. J. Benítez.)
86 Esse sofisticado microfone, de pouco mais de 10 gramas de peso, media 20 mm de altura por 12 de largura e 6 de
espessura, com uma antena de 25 cm de comprimento e um fio de 2 mm de diâmetro. (A pequena antena, do mesmo modo
que o emissor multidirecional, havia sido perfeitamente camuflada entre uns pendentes que ornavam o lampião.) Os
especialistas do Cavalo de Tróia haviam feito um excelente trabalho ao incorporar ao microemissor um conversor A/D
(analógico-digital) miniaturizado, que eliminava qualquer ruído estranho. Dado que o som devia cruzar vários muros antes de
propagar-se até o cimo do monte das Oliveiras, dividindo assim por dois seu alcance máximo (calculado em uns dois
quilômetros), a transmissão havia sido apoiada por um telemicrofone, do tipo unidirecional, montado sobre o “berço” e
apontando diretamente para o pavimento superior da casa de Elias Marcos. Esta espécie de teleobjetiva sonora – sincronizada
na mesma freqüência do micromultidirecional (130 Mhz) – atuava como um zoom, “enganchando” e facilitando o “transporte”
do som emitido pelo “microespião”. Um excepcionalmente sensível receptor Sony, alimentado pela pilha SNAP-10A, fazia o
resto. (N. do M.)
87 Ao reler essas frases no Diário do meu amigo, o Major, não resisto à tentação de recordar ao leitor um dos meus últimos
livros – A Rebelião de Lúcifer –, no qual, do meu ponto de vista, se encontra uma apreciável informação sobre esses
“universos” e “esferas do alto” a que se refere Jesus. (N. de J. J. Benítez.)
88 João Marcos, o filho de Elias Marcos, em cuja casa se celebrou a última ceia. No Evangelho de Marcos (14, 51-53)
oferece-se uma sutil pista sobre sua própria identidade: “Um jovem o seguia coberto apenas com um lençol; e o detém. Mas
ele, deixando o lençol, escapou desnudo”. (N. do M.)
89 Por simples comparação dos textos verifica-se que em Lucas há 350 versículos comuns a Marcos e Mateus (tradição
tríplice) e uns 50 em comum com Marcos (tradição dupla). (N. do M.)
90 Sobre estas insólitas revelações em torno do “Universo particular de Jesus” e ao “Universo dos Universos” do Pai, atrevo-
me a sugerir ao leitor que se aventure em meu livro: A Rebelião de Lúcifer. (N. de J. J. Benítez.)
91 Eis aqui os textos evangélicos que nos serviram de suporte inicial. Mateus, no capítulo 28, versículos 1 a 11, escreve:
“Passado o sábado, ao alvorecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
Subitamente, produziu-se um grande terremoto, pois o Anjo do Senhor baixou do céu e, acercando-se, fez rodar a pedra e
sentou-se sobre ela.
“Seu aspecto era como de um relâmpago e sua veste, branca como a neve. Os guardas, atemorizados diante dele, puseram-se a
tremer e ficaram como mortos. O Anjo dirigiu-se às mulheres e lhes disse: ‘Não temais, pois sei que buscais Jesus, o
Crucificado; não está aqui, ressuscitou, como o havia dito. Vinde ver o lugar em que estava. E agora ide dizer a seus
discípulos: ‘Ressuscitou de entre os mortos e irá diante de vós à Galiléia; ali o vereis. Já vos disse.’ Elas partiram a toda
pressa do sepulcro, com medo e grande júbilo, e correram a dar a notícia a seus discípulos.
“Nisto, Jesus saiu-lhes ao encontro e lhes disse: ‘Deus vos guarde!’ E elas, aproximando-se, atiraram-se ao seus pés e o
adoraram. Então disse-lhes Jesus: ‘Não temais. Ide e avisai a meus irmãos para irem à Galiléia; ali me verão”.
Mais adiante (versículos 16 a 18), se diz: “Por sua parte, os onze discípulos foram para a Galiléia, ao monte que Jesus lhes havia
indicado. E ao vê-lo o adoraram; alguns, todavia, duvidaram”.
Quanto a Marcos (16, 1-19), eis sua versão: “Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram
aromas para ir embalsamá-Lo. E, madrugada alta, no primeiro dia da semana, ao sair do Sol, vão ao sepulcro. Diziam-se umas
às outras: ‘Quem nos há de retirar a pedra da porta do sepulcro?’. E, levantando os olhos, vêem que a pedra já estava
retirada, e era muito grande. E entrando no sepulcro viram um jovem sentado ao lado direito, vestido com uma túnica branca e
se assustaram. Mas ele disse-lhes: ‘Não vos assusteis. Buscais a Jesus de Nazaré, o Crucificado; ressuscitou, não está aqui.
Vede o lugar onde o puseram. Mas ide dizer a seus discípulos e a Pedro que Ele irá diante de vós à Galiléia; ali O vereis,
como vos disse’. Elas saíram fugindo do sepulcro, pois um grande tremor e espanto se havia apoderado delas, e nada
disseram a ninguém porque tinham medo...
“Jesus ressuscitou de madrugada, no primeiro dia da semana, e apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual já havia tirado
sete demônios. Ela foi dar a notícia aos que haviam vivido com Ele e que estavam tristes e chorosos. Ao ouvirem que vivia e
que havia sido visto por ela, não acreditaram. Depois disso, apareceu, debaixo de outra figura, a dois deles quando estavam a
caminho de uma aldeia. Eles voltaram e o comunicaram aos demais; mas estes tampouco acreditaram.
“Por último, estando à mesa os onze discípulos, Ele apareceu-lhes e reprovou-lhes a incredulidade e dureza de coração, por não
haverem dado crédito aos que o haviam visto ressuscitado. E disse-lhes: ‘Ide pelo mundo todo e proclamai a Boa-Nova a toda
a criação. O que crer e for batizado, salvar-se-á; o que não crer, condenar-se-á. Estes são os sinais que acompanharão os
que crerem: em meu nome expulsarão demônios, falarão em línguas novas, agarrarão serpentes com suas mãos e, mesmo que
bebam veneno, não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão’.
“Com isso, o Senhor Jesus, depois de falar-lhes, foi elevado aos céus e se sentou à direita de Deus.” Lucas dedica o último capítulo de seu evangelho, o 24, a relatar os acontecimentos nos seguintes termos: “No primeiro dia da semana, muito cedo, foram ao sepulcro levando os aromas que haviam preparado. Mas viram que a pedra
havia sido retirada do sepulcro e entraram, mas não acharam o corpo de Jesus. Não sabiam o que pensar disso quando se
apresentaram diante delas dois homens com vestes resplandecentes. Como elas temessem e inclinassem o rosto para a terra,
eles lhes disseram: ‘Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui, ressuscitou. Recordai como vos
falou quando estava ainda na Galiléia: ‘É necessário que o Filho do Homem seja entregue em mãos dos pecadores e seja
crucificado, e ao terceiro dia ressuscite’. E elas recordaram suas palavras.
“Regressando do sepulcro, anunciaram todas essas coisas aos onze e a todos os demais. As que diziam estas coisas aos
apóstolos eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as demais que estavam com elas. Mas todas essas palavras
lhes pareciam como desatinos e não acreditavam nelas.
“Pedro ergueu-se e correu ao sepulcro. Inclinou-se e só viu os panos e voltou para casa assombrado pelo acontecido. “Naquele mesmo dia iam dois deles a um povoado chamado Emaús, distante pouco mais de 60 estádios de Jerusalém, e
conversavam sobre tudo que se havia passado. E aconteceu que, enquanto eles conversavam e discutiam, o próprio Jesus
aproximou-se e caminhou com eles; mas seus olhos estavam semicerrados para que não o reconhecessem. Disse-lhes Ele:
‘De que falais entre vós enquanto estais andando?’ Eles pararam com um ar entristecido.
“Um deles chamado Cleofás lhe respondeu; ‘És tu o único morador de Jerusalém que não sabe as coisas que estes dias têm
ocorrido nela?’ Ele perguntou: ‘Que coisas?’. Eles disseram: ‘Sobre Jesus o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras
e palavras diante de Deus e de todo o povo; como nossos sumos sacerdotes e magistrados o condenaram à morte e o
crucificaram. Esperávamos que seria ele quem iria livrar Israel; mas, com todas essas coisas, levamos já três dias desde que
isso se passou. O caso é que algumas das nossas mulheres nos sobressaltaram porque foram de madrugada ao sepulcro e, ao
não achar o corpo, vieram dizendo que até haviam visto uma aparição de anjos que diziam que ele vivia. Foram também
alguns dos nossos ao sepulcro e o acharam tal qual as mulheres haviam dito, mas a Ele não viram’.
“Ele disse-lhes: ‘Oh! insensatos e tardos de coração para crer em tudo que disseram os profetas! Não era necessário que o
Cristo padecesse isso e entrasse assim em sua glória?’. E, começando por Moisés e continuando por todos os profetas,
explicou-lhes o que havia sobre Ele em todas as escrituras.
“Ao se aproximarem do povoado para onde iam, Ele fez um gesto de seguir adiante. Mas eles o retiveram dizendo-lhe: ‘Fica
conosco, porque se faz tarde e o dia já declinou’. E entrou para ficar com eles. E sucedeu que, quando se pôs à mesa com
eles, pegou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e começou a distribuí-lo. Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram,
mas ele desapareceu de seu lado. Então disseram-se um para o outro: ‘Não estava ardendo nosso coração dentro de nós
quando nos falava no caminho e nos explicava as Escrituras?’. E, levantando-se, voltaram a Jerusalém e encontraram
reunidos os onze e os que com eles estavam e que diziam: ‘É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!’. Eles, por
sua parte, contaram o que se havia passado no caminho e como haviam reconhecido a partilha do pão. Estavam falando
dessas coisas quando Ele se apresentou no meio deles e lhes disse: ‘A paz seja convosco’. Surpreendidos e assustados,
acreditavam ver um espírito. Mas Ele lhes disse: ‘Por que vos perturbais e por que se suscitam dúvidas em vosso coração?
Olhai minhas mãos e meus pés; sou eu mesmo. Apalpai-me e vede que um espírito não tem carne e ossos como vedes que eu
tenho’. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. Como eles não conseguissem acreditar de tanta alegria e se
mostrassem assombrados, disse-lhes: ‘Tendes algo de comer?’. Eles lhe ofereceram parte de um peixe assado. Tomou-o e
comeu-o diante deles...
“Levou-os até as proximidades de Betânia e, elevando as mãos, os abençoou. E sucedeu que, enquanto os benzia, separou-se
deles e foi levado para o céu. Eles, depois de prostrar-se diante dEle, voltaram a Jerusalém com grande gáudio, e estavam
sempre no Templo bendizendo a Deus.”
Por último, João Evangelista (20, 1-31 e 21, 1-25) fala de quatro aparições: “No primeiro dia da semana vai Maria Madalena ao sepulcro quando ainda estava escuro e vê a pedra deslocada do sepulcro.
Começa a correr e chega até Simão Pedro e outro discípulo a quem Jesus amava e lhes disse: ‘Levaram o Senhor do
sepulcro e não sabemos onde terá sido posto’. Saíram Pedro e o outro discípulo e se encaminharam ao sepulcro. Corriam os
dois juntos, mas o outro discípulo correu na frente, mais rápido que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. Inclinou-se e viu os
lençóis no chão, mas não entrou. Chega também Simão Pedro seguindo-o, entra no sepulcro e vê os lençóis no chão e o pano
que cobrira sua cabeça, não junto aos lençóis, mas dobrado em um lugar à parte. Aí entrou também o outro discípulo, o que
havia chegado primeiro ao sepulcro; viu e acreditou, pois até então não havia compreendido que, segundo a Escritura, Jesus
devia ressuscitar de entre os mortos. Os discípulos, então, voltaram a casa”.
Quanto à aparição de Madalena, diz João:
“Estava Maria junto ao sepulcro, fora, chorando. E enquanto chorava inclinou-se para o sepulcro e viu dois anjos de branco,
sentados onde havia estado o corpo de Jesus, um à cabeceira, outro aos pés. Dizem eles: ‘Mulher, por que choras?’ Ela
respondeu-lhes: ‘Porque levaram meu Senhor e não sei onde o puseram’. Dito isso, voltou-se e viu Jesus, de pé, mas não
sabia que era Jesus. Disse-lhe Jesus: ‘Mulher, por que choras? A quem buscas?’ Ela, pensando que era o encarregado do
horto, disse-lhe: ‘Senhor, se tu o levaste, diz-me para onde e eu o levarei comigo.’ Jesus lhe disse: ‘Maria’. Ela volta-se e diz
em hebraico: Rabbuni – que quer dizer Mestre. – Disse-lhe Jesus: ‘Não me toques, que ainda não subi ao Pai. Mas vai a
meus irmãos e diz-lhes: subo a meu Pai e vosso Pai, a meu Deus e vosso Deus.’ Foi Maria Madalena e disse aos discípulos
que havia visto o Senhor e que havia dito essas palavras.
“Ao entardecer daquele dia, o primeiro da semana, estando cerradas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde se
encontravam os discípulos, apresentou-se Jesus no meio deles e lhes disse: ‘A paz seja convosco’. Dito que lhes mostrou as
mãos e o flanco. Os discípulos alegraram-se de ver o Senhor. Disse-lhes Jesus de novo: ‘A paz seja convosco. Como o Pai
me enviou, também eu vos envio.’ Dito isso, soprou sobre eles e lhes disse: ‘Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem
perdoardes os pecados ficarão perdoados; os que não perdoardes ficarão suspensos’.”
Tomé, um dos doze, chamado o Dídimo, estava ausente quando Jesus chegou. Os outros discípulos disseram-lhe: ‘Vimos o
Senhor’. Mas ele respondeu: ‘Se eu não vejo em suas mãos o sinal dos cravos e não meto meu dedo em seu flanco não
crerei’. Oito dias depois, estavam outra vez seus discípulos dentro e Tomé com eles. Apresentou-se Jesus no meio deles
estando as portas fechadas e disse: ‘A paz seja convosco’. Logo disse a Tomé: ‘Aproxima aqui teu dedo e olha minhas mãos;
traz tua mão e mete-a em meu flanco, e não sejas incrédulo, mas crente’. Tomé respondeu-lhe: ‘Senhor meu e Deus meu’.
Disse-lhe Jesus: ‘Porque me viste me creste. Felizes os que não viram e creram’.”
Finalmente, após afirmar que Jesus realizou outros muitos sinais na presença de seus discípulos, João relatou a aparição às
margens do lago de Tiberíades:
“Depois disso manifestou-se Jesus outra vez a seus discípulos às margens do mar de Tiberíades. Manifestou-se dessa maneira.
Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado o Dídimo, Natanael, o de Caná de Galiléia, os de Zebedeu e outros dois
discípulos. Simão Pedro disse-lhes: ‘Vou pescar’. Respondem-lhe eles: ‘Também nós vamos contigo’. Foram e subiram na
barca, mas naquela noite nada pescaram. Quando amanheceu, estava Jesus na margem; mas os discípulos não sabiam que
era Jesus. Disse-lhes Jesus: ‘Rapazes, não pescastes?’ Responderam: ‘Não’. Ele lhes disse: ‘Jogai a rede à direita da barca e
encontrareis’. Jogaram-na, pois, e já não podiam arrastá-la tal a abundância de peixes. O discípulo a quem Jesus amava disse
então a Pedro: ‘É o Senhor’. Quando Simão Pedro ouviu ‘É o Senhor’, vestiu sua roupa – pois estava nu – e lançou-se ao
mar. Os demais vieram na barca, arrastando a rede com os peixes; pois não estavam afastados muito da terra, quase uns 200
côvados. Chegados à terra, vêem preparadas umas brasas e um peixe sobre elas e pão. Disse-lhes Jesus: ‘Trazei alguns dos
peixes que acabais de pescar’. Simão Pedro subiu e arrastou a rede para a terra, cheia de grandes peixes: 153. E, mesmo
sendo tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: ‘Vinde e comei’. Nenhum dos discípulos atrevia-se a perguntar-lhe:
‘Quem és tu?’, sabendo que era o Senhor. Vem então, Jesus, toma o pão e o dá e de igual modo o peixe. Esta foi a terceira
vez que Jesus se manifestou aos discípulos depois de ressuscitar de entre os mortos...”. (N. do M.)
92 A lista de alimentos ricos em vitaminas abarcava os sete grandes grupos essenciais: I: verduras e hortaliças; II: frutos
cítricos (laranjas, tangerinas e limões); III: batatas e frutas diversas; IV: leite e derivados; V: carne, pescado e ovos; VI: pão,
patê, cereais e seus derivados; e VII: manteiga, margarina enriquecida com vitamina A e azeites vegetais. (N. do M.)
93 Tais espelhos, de vidro revestido de prata, mediam 29,3 cm de diâmetro. Na parte posterior levavam diversas películas de
cobre, podendo ser fixados a um estribo de ferro, em disposição azimutal biaxial. Idealizado pelo professor israelense Tabor, o
sistema, graças à fórmula especular assimétrica e o deslocamento do eixo de giro horizontal no centro da curvatura da
imagem, permitia que toda a radiação refletida incidisse em um único ponto. Conquanto a capacidade de reflexão do vidro
revestido de prata fosse alta – 88% –, Cavalo de Tróia abasteceu-nos também de outras pranchas de reposição, à base de
aço maleável prateado e metal eletroprateado, com índices de reflexão de 91 e 96%, respectivamente. (N. do M.)
94 Este núcleo de controle havia sido disposto em uma pequena cúpula cilíndrica. A “rede” de inversão de massa estendia-se,
contudo, a toda a estrutura sólida do “berço”, incluindo, naturalmente, a “membrana” que recobria a blindagem externa a que
me referi no começo deste diário. Qualquer partícula subatômica ou quantum energético que se achasse no recinto seria
automaticamente invertido, incluídas, certamente, as massas dos astronautas, os gases etc. A inversão simultânea dos eixos
orientados dos swivels alcançaria também uma pequena área do envoltório cortical da nave: até uma distância de 0,0329 m.
(N. do M.)
95 Papai Noel, o computador central, operava, em uma primeira fase, mediante uma análise das funções contínuas ou
analógicas. Posteriormente, por um processo automático de amostragem estatística, selecionava os parâmetros básicos,
efetuando os cálculos digitalmente. Dessa forma oferecia-nos uma resposta definitiva e quantificada. A confiabilidade dos
resultados era extraordinária: praticamente total. (N. do M.)
96 Ainda haverá ocasião para falar disso, mas sirva de antecipação que entre o arsenal de medicamentos figuravam, por
exemplo, penicilinas, aminoglicocídios e aminociclitóis, cefalosporinas, macrolídeos e lincosamidas, tetraciclinas, peptídios,
antibióticos, antimicóticos, clorofenicol etc. (N. do M.)
97 As funções básicas desta “membrana” eram: primeiro, como ficou dito, a camuflagem do módulo por meio de um “escudo”
ou “colchão” de radiação infravermelha (acima dos 700 nanômetros). Este requisito era imprescindível para nossas
observações, não afetando assim o ritmo natural dos indivíduos que se pretendia estudar ou controlar. Segundo, procurar a
absorção – sem reflexo ou retorno – das ondas decimétricas, utilizadas fundamentalmente nos radares. (No caso das
camuflagens militares israelenses, estes dispositivos de segurança foram previamente ajustados às ondas utilizadas por tais
radares: 1.347 e 2.402 megaciclos.) Este procedimento anulava a possibilidade de localização eletrônica do “berço” enquanto
era elevado a 800 pés, ponto ideal para a imediata fase de inversão de massa dos swivels. Por último, a “membrana” que
cobre a blindagem externa da nave, cujo espessador é de 0,0329 metro, deveria provocar uma incandescência artificial que
eliminasse qualquer tipo de germe vivo que aderisse à sua superfície. Essa precaução evitava que tais germes fossem
invertidos tridimensionalmente com a nave. Um involuntário “ingresso” de tais organismos em outro “tempo” ou outro marco
tridimensional poderia acarretar conseqüências imprevisíveis de caráter biológico. Como informação puramente descritiva,
posso dizer que a “membrana” possui propriedades de resistência estrutural muito especiais. Este recobrimento poroso do
“berço”, de composição cerâmica, goza de elevado ponto de fusão: 7.260,64 °C, sendo seu poder de emissão externa
igualmente alto. Sua condutibilidade térmica, ao contrário, é muito baixa: 2,07113 x 10-6 CoI/Cm/s/oC. (Para esta membrana é
muito importante que a ablação se mantenha dentro de uma margem de tolerância muito ampla.) Para isso utiliza-se um
sistema de resfriamento por transpiração, com base no lítio liquefeito. Além disso, foi provida de uma fina camada de platina
colonial colocada a 0,0108 metro da superfície externa. (N. do M.)
98 O fundamento de RMN baseia-se na peculiar característica do núcleo dos átomos de hidrogênio. Empregando palavras
simples, vêm a ser como microscópicos ímãs, capazes de originar um fenômeno de ressonância magnética. Submetendo tais
átomos a um campo magnético de alta freqüência (0,15 tesla), os núcleos de hidrogênio se alinham. Ao serem excitados
mediante ondas de rádio, esses núcleos atômicos “giram” sobre si mesmos, perdendo a energia inicial em forma de radiação.
Esta pode ser captada e processada com o auxílio de um computador, sendo “traduzida” para imagens. Nosso dispositivo
RMN – especialmente miniaturizado –, trabalhando em um campo magnético de 2 teslas, podia explorar a fundo a totalidade
de nossas massas cerebrais, interpretando cada órgão e região em três dimensões simultâneas e reconstruindo os “cortes” em
forma sagital, axial ou oblíqua. (N. do M.)
99 “WX” ou condições meteorológicas. Visibilidade a 6.300 BRKN quer dizer 6.300 pés de altura – base das nuvens – e
“BRKN”, abreviatura de broken (quebrado, em inglês), em que as nuvens aparecem quebradas em algumas zonas do céu.
Estão cobertos mais de quatro oitavos do céu. Vento 190 graus: direção sudoeste. Nível 8: a 800 pés de altura. Ventos em 30
a 25: que têm direção nordeste e que alcançam uma velocidade de 25 nós ou 50 quilômetros por hora, aproximadamente. (N.
do M.)
100 Não é meu desejo desviar-me agora para as revolucionárias descobertas dos especialistas do Cavalo de Tróia em relação
ao Tempo e ao Espaço (parte delas já descrevi sumariamente). Como simples apontamento complementar, mencionarei
algumas definições do que agora entendemos como “tempo”. No contínuo “espaço-tempo” – erroneamente concebido ainda
por muitos físicos – o homem não é outra coisa senão uma espécie de “ruga” a mais desse espaço; uma “depressão” através
da quarta dimensão, que poderíamos definir matematicamente com dez dimensões. Em suma, uma “massa” com volume e
tempo associados. Para a maioria dos seres humanos atuais, esse homem é um ser de três dimensões que “vive” o fluir do
tempo através de uma sucessão encadeada de fatos ou acontecimentos. Para essas pessoas só há “lembranças” de
acontecimentos ou situações pretéritas. O presente é a única realidade e o futuro, naturalmente, não existe.
Nossas descobertas demonstraram que essa concepção é errônea. Darei um exemplo: imaginemos todos os acontecimentos
que viveu, vive e viverá um ser humano ao longo de sua existência. E imaginemo-los alinhados sobre um eixo que represente
a dimensão “tempo”. Cada acontecimento aparece com uma data. Pois bem, de acordo com nossas descobertas, o espaço e
o tempo encontram-se tão estreitamente vinculados que, se fundirmos esses acontecimentos todos, formando uma única
imagem, resultará uma estranha “criatura” de quatro dimensões (volume mais tempo), e de forma cilíndrica ou tubular. Cada
seção será a representação de um fato. A esse formidável “tubo” poderíamos qualificá-lo como um “contínuo e permanente
presente”. Um para cada indivíduo.
E que representa um corte ou seção desse “contínuo presente”? Um acontecimento em que o ser humano é o protagonista.
Mas esse acontecimento é mera ficção. Como seria uma ilusão pensar que a totalidade do “cilindro” não pode ser cortada em
rodelas, formando um todo inviolável. Usarei outra comparação. Suponhamos um bosque pelo qual serpenteia um túnel de
cristal ou plástico transparente. No interior do túnel encontram-se móveis, utensílios domésticos e objetos diversos. E
imaginemos um homem – nossa consciência – que caminha por ele. É noite e ele traz uma lanterna. Ao longo de sua
caminhada, o indivíduo vai iluminando os objetos que encontra em sua passagem, incluindo parte das árvores mais próximas às
paredes transparentes do sinuoso corredor. Surpreendido, nosso protagonista irá vendo outros pontos luminosos (outras
lanternas) que outra coisa não são senão uma infinidade de homens, como ele, que caminham por seus respectivos túneis.
Tanto a passagem quanto o bosque já existiam anteriormente à aparição de cada ser humano. Todavia, cada um dos que ali
transitam pensa que o que está iluminando nesse instante acaba de ocorrer nesse preciso momento. E o chama “presente”. O
que foi deixado para trás ele chama de “passado”; e os objetos que ainda não viu, de “futuro”. Certamente, nem um nem
outro – “passado” e “futuro” – existem para esse ser humano. Evidentemente se equivoca. “Tudo é um permanente
presente.”
Pode-se argumentar, com razão, que essa situação excluiria a liberdade. Aí, exatamente, intervém outro “fator” – ao qual me
referirei mais adiante – e que “descobrimos” em nossa segunda exploração: o que muitos chamam de “alma”. Uma entidade
difícil de rotular, adimensional, que goza de uma sublime prerrogativa: poder “modelar” a conduta do corpo em que se aloja.
Conquanto, insisto, mais à frente eu venha a referir-me a essa sensacional conquista – a descoberta científica da “alma” –
talvez um novo exemplo seja esclarecedor, de momento. Imaginemos de novo que esse túnel, longo e flexível, é adquirido por
seu “proprietário” (a alma), que pode curvá-lo e estendê-lo pelo bosque com inteira liberdade. Obviamente, terá de adaptá-lo
à topografia, contornando as árvores e os acidentes geográficos e, muito especialmente, terá de cuidar que o traçado não
perturbe os demais túneis. Com um só olhar o verdadeiro “proprietário” poderá contemplar a totalidade de “seu” túnel. O
homem que, ao nascer, começa a caminhar por ele, não é seu autêntico dono. Trata-se apenas de um corpo e uma
“consciência”. A “consciência” (A) real é outra coisa. Mas essas diferenças entre “consciência” e “consciência” nos
levariam longe demais... (N. do M.)
(A) O termo “consciência” deriva do latim conscientia. O português, o francês e o inglês conservaram a grafia etimológica. O
espanhol alterou-a, eliminando o “s” conciencia. Entretanto, manteve-a nos adjetivos e nos advérbios: “consciente” e
“inconsciente”, “conscientemente” e “inconscientemente”. Mas a acepção do substantivo conciencia, no Espanhol,
corresponde à das outras línguas. (N. T.)
101 O cálculo exato dos dias e horas que devíamos “retroceder” no tempo não constituiu problema algum para os
computadores do Cavalo de Tróia. Os especialistas basearam-se no sistema conhecido como “data juliana”. Para achar o
tempo transcorrido entre duas datas muito distanciadas é preciso levar em conta as correções dos diferentes calendários, as
diferentes eras, os anos bissextos etc. A “data juliana”, que nada tem que ver com o calendário juliano, começa a contar os
dias a partir de segunda-feira, 1o de janeiro do ano 4713 a.C. Esse dia recebe o número 1. (N. do M.)