Concepção Existencial de Deus
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J. Herculano Pires
Concepção
Existencial de
Deus
Editora Paidéia Ltda.
Título: Concepção Existencial de Deus
Autor: J. Herculano Pires
6ª Edição - Fevereiro de 2003 - 3.000 exemplares
(1ª edição novembro de 1981)
Coordenação Editorial: Herculano Ferraz Pires
Capa: Andrei Polessi
Diagramação: Adriana Cury Pires
Revisão: Tatiana Cury Pires
Número do ISBN 85 – 88849 – 05 – 4
Dados da Editora:
Editora Paidéia Ltda
Rua Pinto Ferraz, 70 - V. Mariana
CEP 04117-040 São Paulo - SP
Tel. (011) 5182-5836
www.editorapaideia.com.br
Apoio:
(Contracapa)
Uma Conversa sobre Deus
Com uma capacidade indiscutível de falar sobre o complexo de maneira simples, Herculano Pires enfrenta neste livro o desafio do tema que se expressa no próprio título: a Concepção Existenci-al de Deus. Vai o autor abordar o Absoluto, o Criador, na feliz tentativa de colocá-lo em termos humanos, daquilo que existe, que é, e fugir, portanto, das abstrações incapazes de lhe dar um rosto. “Deus – afirma ele – como Existente, que existe na nossa realidade humana, pode ser tocado com os dedos e sentido, capta-do pelo nosso sensório comum”. O desafio de Herculano, contu-do, corre como um rio para o perigoso e estreito campo do antro-pomorfismo, onde Deus foi confundido com a imagem do homem e transformado, ele mesmo, em homem. Ao dar-lhe esse rosto coerente com a filosofia espírita, o rosto do Existente, que pode ser valorizado pelo trato da lógica, do bom senso, ao contrário de confundi-lo com o ser finito fisicamente. Herculano vai torná-lo exatamente um pouco mais compreensível aos sentidos humanos, aproximando-o mais do mundo terreno e daqueles que o habitam, como nós. Eis, então, que “não necessitamos da percepção extra-sensorial para captar sua existência”, porque podemos vê-lo na sua obra, com a visão elaborada do poeta ou a visão prática do homem simples; a partir dos cálculos e métodos do cientista ou depois das experiências cotidianas daqueles que, também existen-tes, percebem, sem qualquer possibilidade de elaboração filosófi-ca mais apurada, um Existente a presidir a vida em todos os senti-dos.
Herculano, aqui, como em tantos outros momentos de sua vi-da intelectual fecunda, ao mesmo tempo em que combate o erro inominável das religiões, ou seja, essa dupla tentativa frustrante de “apresentar Deus como enigma insolúvel e exigir que o ame-mos de todo o coração e de todo o entendimento”, empreende o esforço de refletir sobre a “concepção existencial de Deus, enten-dido este não mais como elaboração imaginária dos homens des-lumbrados pelo esplendor da Natureza, mas como necessidade lógica e ôntica da compreensão do real”. Tudo isto para alcançar uma síntese de valorização da consciência humana ou, melhor dizendo, uma capacitação dessa consciência para a própria visão de mundo que cada um constrói. E a síntese de Herculano se expressa nessa conseqüência. “Ao homem-existente junta-se necessariamente, e portanto de maneira inegável e indispensável, o Deus-Existente, cuja imagem absoluta se reflete na pluralidade humana”. Deus existe assim como o homem existe, mas trata-se de uma realidade que se objetiva pelas relações que se estabele-cem entre ambos em contextos maiores e menores. Assim como o senso comum admite hoje, sem maiores complicações, que o homem não pode ser compreendido fora do social, assim também Herculano vai demonstrar que este mesmo homem “não pode ser explicado fora do contexto natural do Cosmo” sem os limites e os universos que a mentalidade relativizada ainda lhe impõe.
Wilson Garcia