Contos Paraenses

João Marques de Carvalho · Capítulo 22 de 41

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Contos Paraenses

Capítulo II

E assim ficou justificado e perdoado o meu primeiro atrevimento, que manifestara-se no roubo d'um beijo,—d'um pequenino beijo fugitivo,—áquella bemdita virgem, candida e pura, cujo delicado corpo como que desabrochava as divinas graças triumphaes em gentis florescencias de invejavel juventude pujante!

As rosas pareceram agitar-se nos verdes ramos, espreitar maliciosas esse enthusiasmo da minha amante virilidade em face das seducções capitosas de tão bello rostinho!..

 

II

 

Mas anoitecêra de todo. A latada que nos abrigava com os seus floridos jasmineiros{93} rescendentes maior escuridão communicava á parte do jardim onde haviamos feito pazes, após o intemerato roubo de um beijo colhido nos rubros labios mádidos da minha pequenina amante fascinadora.

Um silencio embaraçador enleiava-nos em tíbia indecisão. A loira cabecinha d'ella descansava indolente no meu hombro, com os lindos anneis undiflavando-se-lhe tranquillos, concentrados, ao longo das correctissimas espaduas.

E uma tentação chegou-me a súbitas, sob a latada que abrigava-nos com seus rescendentes jasmineiros floridos, entre o silencio enleiando-nos embaraçadoramente em tíbia indecisão.

Já tinha-se curvado a minha fronte para a loira cabecinha a descançar-me no hombro, indolente e concentrada, e um desejo de intemerata relapsia assaltava-me poderoso, induzindo-me a colher novo beijo,—um fugitivo beijo pequenino e casto,—nos humidos labios da minha gentil e tentadora amante.