Contos Paraenses

João Marques de Carvalho · Capítulo 2 de 41

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Contos Paraenses

A convalescente

O meu companheiro, o meu extranho conviva, ergueu-se e, accenando-me para que acompanhasse-o, seguiu em direcção ao povoado, cantarolando esta pandega quadra do Dia e a Noite, de Lecocq:

Minha mulher, que Deus levou,

Foi-me infiel constantemente;

Nada d'isso me acabrunhou:

Levei o caso alegremente!{20}

{21}

 

A convalescente

 

Ao dr. Alvares da Costa

 

Estava pallida e triste, encostada levemente á grade do camarote, n'aquella noite de estréa.

Os seus olhos, negros como a sêda que o seu delicado corpo vestia, divagavam pela platéa, indecisos, sem fixarem-se em ponto algum. Parecia uma d'essas melancholicas personagens de George Sand, phantasticas e idéaes, bellas, todavia, mesmo na falsidade da sua creação,—vivificada por um mysterio e conduzida áquella sala d'espectaculo,{22} onde ostentavam-se as formosuras das moças da moda e as austeras sobrecasacas dos burguezes, sob a intensa luz do gaz.