Contos Paraenses
A convalescente
O meu companheiro, o meu extranho conviva, ergueu-se e, accenando-me para que acompanhasse-o, seguiu em direcção ao povoado, cantarolando esta pandega quadra do Dia e a Noite, de Lecocq:
Minha mulher, que Deus levou,
Foi-me infiel constantemente;
Nada d'isso me acabrunhou:
Levei o caso alegremente!{20}
{21}
A convalescente
Ao dr. Alvares da Costa
Estava pallida e triste, encostada levemente á grade do camarote, n'aquella noite de estréa.
Os seus olhos, negros como a sêda que o seu delicado corpo vestia, divagavam pela platéa, indecisos, sem fixarem-se em ponto algum. Parecia uma d'essas melancholicas personagens de George Sand, phantasticas e idéaes, bellas, todavia, mesmo na falsidade da sua creação,—vivificada por um mysterio e conduzida áquella sala d'espectaculo,{22} onde ostentavam-se as formosuras das moças da moda e as austeras sobrecasacas dos burguezes, sob a intensa luz do gaz.