Contos Paraenses

João Marques de Carvalho · Capítulo 23 de 41

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Contos Paraenses

O preço das pazes

Ella, porém, de salto ergueu-se, vibrante e nervosa, rapida e precavida. Uma das mãos subiu-lhe célere á altura da cabeça, ameaçadoramente. Bateu o pésinho, n'uma expansão de enfado incipiente....

—Se reincidir, não perdôo mais!—exclamou, avisando-me, com a voz ainda repassada de toda a indolente volúpia de pouco antes e fugiu-me das mãos extendidas{94} nervosamente, mais rapida que esses doces momentos de goso que me concedeu, emquanto descançava a fronte no meu hombro, com os formosos anneis da adoravel cabecinha louca undiflavando-se-lhe tranquillos pelas correctíssimas espáduas.

Deixei-me ficar, triste e concentrado, sob a perfumosa latada, em meio á escuridão, recordando o prazer das jubilosas pazes feitas após o roubo de um beijo,—do primeiro beijo, pequenino e casto,— aos ardentes labios mádidos da minha bemdita virgem.

E as rosas pareceram agitar-se nas verdes ramas invisiveis quasi, n'um recolhimento compadecido, lamentando a inutilidade da minha juventude em face do capricho d'aquella pequenina cabeça loira, de triumphantes graças capitosas, que só admittira e perdoara o meu primeiro atrevimento... ainda tão innocente e retrahido!...{95}

 

O preço das pazes

 

A J. A. Pinto Barbosa