Contos Paraenses
A licção de "Paleographo"
—Emfim,—disse com energia e, desta feita, dando expansão ao pranto,—o resultado d'essa criminosa, d'essa infame e baixa paixão, foi o nascimento d'uma menina, que o meu velho amigo ingenuamente suppoz ser sua filha....
—E essa menina é... Ve..nan..cia?—inquiriu Thiago com os olhos arregalados, os cabellos crispados, as mãos fechadas fortemente, sentindo fraquejar-lhe o espirito ao embate de tamanha commoção.
—Sim, Thiago, sim, é Venancia, fructo da minha infamia, a filha do crime, a filha d'um amigo traidor e d'uma esposa miseravel{118} que não soube resistir á minha tentação! É Venancia, a mulher com quem te queres unir pelo.... casa...mento! É tua irmã, insensato!...
E caíu redondamente para traz, agitado nas convulsões da gotta, da sua molestia habitual, ao mesmo tempo que o filho rolava sobre a rêde de maqueira, fulminado pela morte, que providencialmente o livrou d'uma vida que d'ahi em deante só poderia ser de tormentos e angustias indiziveis.{119}
A licção de "Paleographo"
A Heliodoro de Brito