Da importância da História Universal Filosófica na esfera dos conhecimentos humanos

Capítulo 66

Max Müller[66] faz, a traços poeticos, a biographia da palavra palacio. Sobre as margens do Tibre, uma das sete collinas era chamada collis Palatinus. Palatinus derivava-se de Palas, divindade pastoral, cuja festa se celebrava a 21 de abril. Nero mandou demolir todas as casas particulares d'esta collina para ahi edificar o seu aureo palacio, domus aurea, a que se principiou a dar o nome de Palatium, conservando-se como typo dos palacios reaes da Europa. De palatium nasceu o adjectivo palatino, a que se juntou a palavra abobada para significar o ponto mais elevado da bocca, porque abobada era realmente, como observa Müller, uma palavra muito propria para designar o palacio da bocca. O illustre professor d'Oxford, lembrando a phrase de Ennius—palatum coeli—, para exprimir a abobada dos céos, faz sentir a evidente analogia que ha entre a concepção do palacio da bocca e a de uma abobada, e entre a concepção de uma abobada e a sumptuosa habitação dos imperadores.

Tomando por instrumento de investigação a philologia, a Historia não abriu os vocabularios das differentes{60} raças para estudar sómente a biographia das palavras, mas quiz tambem deletrear n'elles a condição social, a civilisação d'essas raças.

A critica philologica descobriu que os Hos da India central não conhecem os termos affectuosos; que os Algonquinos, povo da America septentrional, não possuem o verbo amar; que os Bosmejans não teem nomes proprios para distinguir os individuos; que as tribus brazilicas desconhecem as noções de côr, genero, espirito, etc., por isso que não apparecem nos seus vocabularios

palavras correspondentes a estas noções[67].