Da importância da História Universal Filosófica na esfera dos conhecimentos humanos

Capítulo 2

antes, como diz Cantu[2], os antigos tinham ainda muito poucas

ruinas deante de si, phrase que Edgar Quinet repetiu [3],—e sendo o passado o campo aberto ás investigações da historia, onde quasi não havia passado não podia haver historia.

Sim. Dai um montão de ruinas ao homem, e conseguireis fazer d'elle um historiador. Uma vertebra, que no fim de contas é uma ruina do vasto edificio zoologico, bastou a Cuvier para a reconstrucção do passado. É pelo esqueleto das gerações que nos antecederam que os sabios de nossos dias teem realisado as mais assombrosas conquistas da sciencia moderna.

Mas havia transcorrido o tempo e as nacionalidades tinham sahido recentemente do berço, porque a humanidade gastára longo periodo da sua infancia na vida errante e rude primeiro que podesse constituir-se em tribu, e que da tribu nascesse a nação. Como acontece com as grandes obras d'arte, as instituições humanas foram modeladas{11} por um esboço, e aperfeiçoadas depois. O esboço da nação foi a tribu.

Parece-nos, porém, questionavel a fixação do periodo de desenvolvimento humano em que se constituiram as primeiras sociedades.

«Na verdade, diz Cantu, como podiam os laços do matrimonio e da paternidade tomar-se deveres antes do homem comprehender o bem que d'isto deriva e os meios de o alcançar? Como conceberia as vantagens da sociedade o que nunca as tivesse experimentado? Para que os homens se unam entre si, e façam um pacto social, é forçoso que possuam uma linguagem commum para se entenderem uns aos outros, e fórmas de convenção, de assembléas, e de representação; isto é, que estejam reunidos já em sociedade.»