Estresse, Ansiedade e Depressão

Gisela Savioli · Capítulo 8 de 15

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Estresse, Ansiedade e Depressão

6. O incrível eixo intestino-cérebro

6. O incrível eixo intestino-

cérebro

 

P ARA AQUELES QUE ACOMPANHAM meu trabalho de longa data devem estar dizendo:

– Lá vem a doutora de novo colocando esse abençoado intestino em destaque!

Exatamente! E desta vez você vai se surpreender ainda mais com os novos conhecimentos que a literatura científica tem mostrado.

Há mais de dez anos que estudo esse órgão fantástico e sempre comento com meus pacientes que depois de uma consulta ou de lerem algum dos meus livros, nunca mais eles vão olhar para o intestino apenas como grande órgão excretor.

Ele de fato é nosso segundo cérebro, e a grande novidade é que ele se comunica com nosso primeiro cérebro (e vice-versa) por um nervo chamado vago, através de substâncias sinalizadoras produzidas por suas bactérias que ali habitam.

Em vários dos meus livros dedico um capítulo a esse órgão que está sempre a me surpreender:

Tudo Posso, Mas Nem Tudo Me Convém :

Intestino – Nosso Segundo Cérebro17.

Alimente Bem Suas Emoções :

Intestino – o Cérebro Desconhecido١٨.

Desafio do Bem – 30 Dias:

Intestino – onde tudo começa e não onde tudo termina19.

Antes de prosseguir com as grandes novidades que tenho para este capítulo, vamos entender um pouco mais sobre ele.

Seu intestino, para começar, é imenso mas está todo compactado dentro da sua barriga. Se esticássemos todas as vilosidades e microvilosidades que ele possui, seria possível cobrir uma quadra de tênis (250 m²).

Esse imenso universo abriga 500 milhões de neurônios, àqueles que você tem no cérebro, o que lhe permite formar um sistema nervoso próprio chamado de Sistema Nervoso Entérico (SNE). Várias ações são orquestradas exclusivamente no intestino por meio desse sistema nervoso próprio (SNE) sem que haja participação do cérebro.

O que sempre chamou atenção de todos, era a grande produção do neurotransmissor serotonina. Noventa por cento de toda serotonina sintetizada em nosso corpo é produzida pelos neurônios presentes no intestino, para seu adequado funcionamento. O peristaltismo, por exemplo, depende de serotonina.

Será que essa dificuldade de ir ao banheiro que nós mulheres temos tanto, a famosa constipação, não poderia ser falta de produção de serotonina no intestino?

Hoje sabemos que essa serotonina também pode fazer um efeito sistêmico (atinge a circulação), assim como os outros mais de 30 mensageiros químicos sintetizados no intestino também. Essas substâncias são mensageiros que estabelecem contato direto do intestino ao cérebro por intermédio do nervo vago, que é o maior nervo craniano que liga o sistema gastrointestinal até a cabeça. Esse nervo é uma via de mão dupla, portanto leva informações do cérebro para o intestino também, por isso quando ansiosas, algumas pessoas sentem um “frio na barriga” ou “vontade de ir ao banheiro”.

Mas existe um terceiro elemento que interfere nessa “conversa” e que está sendo cada dia mais estudado: nossa microbiota intestinal. Temos trilhões de bactérias. Antigamente pensava-se que tínhamos 10 bactérias no intestino para cada célula do corpo, mas novos estudos eliminaram essa hipótese. Temos na verdade 1 bactéria no intestino para cada célula em nosso corpo. O que continua sendo muitas bactérias! Elas representam de 2 a 3 quilos do nosso peso (se lembre disso quando for se pesar a próxima vez).

Nossa microbiota intestinal tem papel determinante na manutenção da nossa saúde global, ajuda na digestão dos alimentos e nos protege contra infecções. Intestino também tem um papel importantíssimo como órgão imunológico. Setenta por cento das células imunes estão presentes no intestino.

Assim como em 1990, surgiu o Projeto Genoma, em 2008 especialistas de 80 centros de pesquisa lançaram nos Estados Unidos o Projeto Microbioma Humano para entender melhor essa população de bactérias que habita nosso corpo. Foi a partir daí que começou a se compreender como nossa microbiota é capaz de influenciar até o comportamento e emoções das pessoas.

A partir dessa informação, o gastroenterologista Dr. Pierre Déchelotte, da Universidade de Rouen, na França, passou a chamar “de brincadeira” a nossa microbiota intestinal de Terceiro Cérebro. Uma brincadeira com um belo fundo de verdade.

Os pesquisadores envolvidos nessas pesquisas verificaram que uma alimentação muito rica em gordura está associada à morte das “boas bactéricas” e desenvolvimento das “bactérias ruins”.

O primeiro sinal disso é quando, depois que comermos, ficamos com a barriga estufada e com gases. E se esses gases tiverem odor forte, significa que estamos com proteínas mal digeridas chegando ao intestino e alimentando as bactérias chamadas proteolíticas que são as “do mal”. Ao se alimentarem desses restos proteicos que não deveriam estar lá, essas bactérias produzem duas substâncias que dão aos gases esse odor fétido: chamam-se cadaverinas e putrecinas. Nomes bem sugestivos, não?

Um bom equilíbrio da nossa microbiota intestinal deve ter 85% de boas bactérias e apenas 15% das más, que também são necessárias, no entanto em pequena quantidade.

Além dos alimentos fontes de fibras solúveis e insolúveis tão necessárias para a saúde de sua microbiota, o exercício físico é um grande benefício que você pode fazer para seu cérebro, pois aumenta produção de novos neurônios, retarda seu envelhecimento, melhora a circulação de nutrientes para todo corpo e para ele também, além de aumentar os níveis de dopamina, serotonina e noradrenalina.