Expansão e mudanças tecnológicas no agronegócio canavieiro: impactos na estrutura fundiária e na ocupação agropecuária no estado de São Paulo

4 – Avanço da área, mudanças tecnológicas e ocupação canavieira e agropecuária no estado de São Paulo

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

Além das razões descritas acima, mais relacionadas com decisões

dos empresários sucroalcooleiros, ainda que incentivadas por órgãos públicos, pode-se considerar que ações de outras instituições concorreram para ampliação da mecanização canavieira. Sem que haja intenção de se aprofundar neste ponto, frise-se o papel de entidades de pesquisa agronômica no desenvolvimento de variedades de cana-de-açúcar mais adaptadas à mecanização, por exemplo, mais eretas e com gemas que sofrem menos danos no corte mecânico. Outrossim, pode-se registrar a ação de empresas privadas e também de entidades de pesquisa no aprimoramento das colhedoras empregadas no processo, em muitos casos atendendo sugestões das próprias empresas sucroalcooleiras.

 

Dados da mecanização da colheita

canavieira

 

Dados do Projeto Canasat do Inpe permitem avaliar, ainda que

indiretamente, a extensão da colheita mecânica em São Paulo na

vigência do Protocolo Agroambiental. A Tabela 27 mostra que, entre 2006 e 2014, a área colhida total de cana cresceu 2.137,9 mil ha em São Paulo. Até 2009, a área de cana queimada registrou queda abaixo de 10% ao ano, enquanto a área de cana crua expandia, em termos relativos, em valores bem mais altos, o que indica que nas novas áreas plantadas é que foi se eliminando a queimada, mais fortemente. O ano 2010, de maior expansão da área colhida canavieira, foi o único que registrou aumento da área queimada, em parte, porque parcela expressiva de área que deveria ser colhida em 2009, em face do

extenso período chuvoso, passou para 2010.4 A partir de 2011, evidencia-se forte queda da área queimada, sempre maior que 20% ao ano, revelando que as antigas áreas de cana já haviam se adaptado, em sua maior parte, à colheita mecânica de cana crua. Entre 2006 e 2014, a área de cana queimada passou de, aproximadamente, dois terços para próximo a 10% do total de área colhida no estado.

 

Tabela 27 – Área de colheita de cana crua e queimada no Estado de

São Paulo, em mil ha, participação relativa e taxas de crescimento

(TC), 2006 a 2014

Cana Crua Cana Queimada Total

Ano

Área % TC (%) Área % TC (%) Área Var.

2006 1.110,1 34,2 2.132,0 65,8 3.242,1 2007 1.765,0 46,6 59,0 2.025,4 53,4 -5,0 3.790,4 548,30 2008 1.924,1 49,1 9,0 1.997,6 50,9 -2,4 3.921,7 131,30 2009 2.266,4 55,6 17,8 1.810,5 44,4 -9,4 4.076,9 155,20 2010 2.627,0 55,6 19,9 2.101,1 44,4 16,0 4.728,1 651,20 2011 3.125,6 65,2 19,0 1.670,5 34,8 -21,5 4.796,1 68,00 2012 3.381,3 72,6 8,2 1.277,0 27,4 -23,6 4.658,3 -137,80 2013 4.030,0 83,8 19,2 780,0 16,2 -38,9 4.810,0 151,70

2014* 4.820,0 89,6 19,6 560,0 10,4 -28,2 5.380,0 570,00

2006/14 3.709,9 334,2 -1.572,0 -73,7 2.137,9

Fonte: Projeto Canasat (Inpe, 2013); São Paulo (2016). *Dados preliminares.

Outro ponto que merece ser comentado da Tabela 27 é o salto de

mais de 600 mil ha ou de 59% na área de cana crua, entre 2006 e 2007. Em termos absolutos, esse valor só iria ser ultrapassado entre as safras de 2013 e 2014. Confirma-se, portanto, que o ano 2007 representou um divisor d’água na mecanização canavieira em São Paulo, com a nova tecnologia sendo ampliada em um valor, até então, inédito no estado.

Eliminar as queimadas significa, quase que integralmente, a adoção

da colheita mecânica de cana-de-açúcar. E, de fato, foi-se observando, ao longo do presente século, o crescimento do número de colhedoras de cana. Ramos (2007) aponta que, em 2003, foram vendidas no Brasil 40 dessas máquinas, saltando para 254, em 2006. O autor ainda previa que as vendas de colhedoras se elevariam para 950 a 1.000 unidades, em 2010, e que 80% da área de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil seriam colhidos mecanicamente, em 2015. Com isso, mesmo se estimando que houvesse uma ampliação de 69,5% na área colhida e de 77,6% na produção de cana-de-açúcar, entre 2006 e 2015, o autor calculava que a ocupação dos canavieiros cairia em 63,9% no período, no Centro-Sul do Brasil.

Em relação à área de cana-de-açúcar daquelas empresas signatárias

do Protocolo Agroambiental, a evolução do número de colhedoras pode

ser observada na Tabela 28. Em todo o período foram incorporadas novas 2.530 colhedoras, fazendo que a frota ao seu final fosse superior a 4,4 vezes a do seu início. A importância do ano 2007 fica evidenciada mais uma vez, ao se observar que novas 645 máquinas foram adquiridas pelas empresas sucroalcooleiras nesse ano, correspondente a 85,7% da frota existente em 2006. Em nenhum outro ano, o número de colhedoras aumentou tanto, com 2009 apresentando o segundo maior incremento, com 450 colhedoras novas.

 

Tabela 28 – Número e crescimento anual de colhedoras de cana-de-

açúcar de empresas signatárias do Protocolo Agroambiental do estado

de São Paulo, 2006-2007 a 2014-2015

Ano Número de Colhedoras Aumento de Colhedoras

2006 753

2007 1.398 645 2008 1.581 183 2009 2.031 450 2010 2.258 227 2011 2.580 322 2012 2.740 160 2013 3.056 316 2014 3.283 227

Todoperíodo 2.530

Fonte: São Paulo (2016).

O grande crescimento do número de colhedoras em 2007 parece ter

caracterizado o chamado “efeito manada”. Não é difícil ter acontecido que várias empresas, aproveitando as condições de mercado e de investimentos favoráveis, anteriormente apresentadas, tenham adquirido novas máquinas sem que seus canaviais estivessem totalmente adaptados à colheita mecânica de cana-de-açúcar. Empresas também podem ter enfrentado problemas nas instalações industriais, em especial nas operações de recepção e limpeza, que, como já informado, precisam de novos equipamentos para processarem canas em pequenos toletes e cruas em vez do colmo inteiro da cana queimada.

Outro aspecto a ser considerado é que os investimentos em novas

tecnologias agrícolas e industriais associados à colheita mecânica de cana e muito concentrados no tempo resultaram em aumento do nível de endividamento de vários grupos empresariais sucroalcooleiros, o que se revelou mais preocupante quando as condições de realização setorial pioraram a partir de 2009. Tais dificuldades, operacionais e financeiras, não devem ter atingido igualmente todas as usinas e destilarias, de forma a se constituir em importante fator de diferenciação da rentabilidade e competividade entre as empresas.

Algo que não fazia parte dos levantamentos anteriores e que foi

divulgado apenas para 2014 é que, nesse ano, além das colhedoras

elencadas na Tabela 28 e de propriedade das empresas sucroalcooleiras, foram registradas mais 433 colhedoras de propriedade de firmas terceirizadas operando na colheita canavieira em São Paulo. Esse número não é desprezível e corresponde a 11,6% do total de colhedoras que estariam operando em 2014 em São Paulo. Como não se tem informações de anos anteriores, não se consegue aferir se o processo de terceirização da colheita mecânica de cana esteja aumentando ou não em são Paulo.

A área colhida de cana crua é uma estimativa indireta da

mecanização da colheita e tende a subestimar, mais fortemente em safras mais antigas. Acontece que uma parte da colheita mecânica, pelo menos até alguns anos atrás, costumava ser feita após a queima dos canaviais. Para o Centro-Sul, Braga Júnior (2012) informa que a colheita mecânica de cana queimada era observada em 16% do total colhido de seus canaviais, em 2003, caindo para 12%, em 2006, elevando-se, de forma surpreendente, para 21%, em 2010, e voltando a cair, registrando 10%, em 2012. Muito provavelmente, essa queda continuou ocorrendo após 2012, mesmo porque não haveria como se justificar, para a sociedade, a manutenção de um método de colheita que, ao mesmo tempo, agride o ambiente e provoca desocupação. Ainda mais após o compromisso assumido publicamente pelos usineiros de eliminação das queimadas, na assinatura do Protocolo Agroambiental de 2007.

Existe uma estimativa direta da área de colheita mecânica no estado

de São Paulo, feita por técnicos do IEA a partir de informações municipais e regionais prestadas por técnicos agropecuários da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati). Com base nesses dados, Fredo et al. (2012; 2015) estimam que a colheita mecânica estava presente em 41,7% dos canaviais paulistas, em 2007, cresceu para 69,8%, em 2011, e alcançou 84,8%, em 2013. Esses valores são muito próximos, nos respectivos anos, aos porcentuais de

colheita de cana crua apontados na Tabela 27.

Assim como no caso da eliminação da queimada de cana, o nível de

mecanização da colheita da lavoura na área explorada diretamente pelas agroindústrias sucroalcooleiras era maior que na dos fornecedores de cana-de-açúcar. Segundo Brasil/MME (2013), dados da Sema do Estado de São Paulo apontavam que na safra 2012-2013, 85% da área de cana das usinas e destilarias foram colhidas mecanicamente, valor que se reduzia para 50% no caso da cana dos fornecedores. Dessa forma, em se confirmando as vantagens de custo da colheita mecânica, pode-se esperar que sua aceleração tenha provocado maior exclusão de fornecedores, em especial daqueles com pequenas áreas cultivadas de cana.

 

A mecanização do plantio canavieiro

 

Além da colheita, realizada normalmente entre abril e novembro nas

condições de São Paulo, outra operação agrícola em que se observaram modificações tecnológicas importantes foi no plantio de cana. Essa atividade se concentra nos três meses iniciais do ano, quando se planta a chamada cana de ano e meio, mas pode se dar também entre outubro e novembro, para a cana de ano, ou mesmo entre junho e agosto, sendo necessário, nesse caso, o uso de irrigação.

Até há alguns anos, como já afirmado, a forma amplamente

predominante de plantio de cana em São Paulo era composta de operações mecanizadas, como transporte de mudas, adubação, abertura e fechamento de sulcos, e outras não mecanizadas, o arremesso das canas inteiras para os sulcos e seu picamento em pequenos toletes nos sulcos. Mais recentemente, o plantio inteiramente mecânico de cana se alastrou, passando, segundo Empresa de Pesquisa Energética (EPE, 2016), de 33% da área total de cana cultivada diretamente por agroindústrias paulistas, em 2009, para 75%, em 2014.

Também aumentou o número de cortes de um mesmo canavial. Na

década de 1970, o comum era que, depois de plantada, a cana fosse colhida após 18 meses, sendo chamada de cana de primeiro corte ou cana planta. Em seguida, deixava-se brotar a soqueira desse canavial, que viria a ser colhido um ano após, obtendo-se a chamada cana soca. Por mais um ano, repetia-se a operação, obtendo-se a chamada cana ressoca. Depois do terceiro corte, o canavial era renovado, com o revolvimento do solo, a incorporação das soqueiras antigas, e a realização de um novo plantio alguns meses depois. Ou seja, o plantio tendia a se repetir em uma mesma área, a cada quatro anos.

Atualmente, devido ao melhoramento genético e aprimoramentos nos

tratos culturais, é comum que o mesmo canavial permita cinco, seis ou mais cortes, antes da renovação. Algumas empresas chegam a reportar que conseguem realizar 10 ou mais corte de um mesmo canavial (Baccarin, 2016). Assim, em uma mesma área, o plantio de cana se repete apenas a cada seis, sete ou mais anos, diminuindo a necessidade de trabalhadores nessa operação. Isso não necessariamente diminui o número de pessoas ocupadas no conjunto de atividades canavieiras, posto que, ao não se fazer um novo plantio, a cana continua sendo colhida, ocupando trabalhadores nessa atividade.

 

Os percalços e a provável diferenciação

de empresas em face da mecanização

 

Como visto anteriormente, com auxílio da Tabela 25, entre 2007-

2008 e 2014-2015, a produtividade da terra na lavoura canavieira em São Paulo reduziu-se em 18,1%, segundo dados da Conab, ou 13,0%, segundo o IEA. Como reconhecem técnicos de mecanização e empresários sucroalcooleiros, em grande parte isso se deveu à

aceleração da adoção do plantio e da colheita mecânica.5

As máquinas, especialmente em talhões de cana mais velhos,

mostraram dificuldade de cortar os colmos de cana rente ao solo, diminuindo sua produtividade agrícola e também a industrial, já que nessa parte a concentração de sacarose é maior. Outro problema é que as colhedoras chegam a arrancar soqueiras e provocam mais danos às gemas da cana, diminuindo o vigor de suas brotações. Com isso, tem sido relatada a diminuição de uma a duas safras no ciclo do canavial, tendo-se que antecipar a renovação do canavial, que poderia ser feita após sete ou oito anos, se a colheita permanecesse manual. Um pesquisador de mecânica agrícola entrevistado entende que essa redução do número de cortes de um mesmo canavial, sob a colheita mecânica, dificilmente será eliminada em futuro próximo (Baccarin, 2016).

Ao mesmo tempo, afirma-se que há aumento de problemas

fitossanitários, com influência na produção, em decorrência do excesso de palha deixada no campo pela colheita mecânica de cana crua, propiciando condições mais favoráveis para o desenvolvimento de patógenos fúngicos e de insetos.

Uma alternativa adotada por algumas unidades agroindustriais vem

sendo o enleiramento e recolhimento em fardos de, aproximadamente, metade da palha que iria ser deixada no campo e seu aproveitamento para produção de energia, caso mais geral, ou para produção de etanol celulósico, mais raramente. Outra possibilidade, em fase incipiente de estudos, é o recolhimento de metade da palha pela própria colhedora que a deposita em veículo próprio para seu transporte e processamento nas agroindústrias.

No plantio semimecanizado, o colmo a ser plantado era colhido

manualmente e inteiro para depois ser depositado e picado, também manualmente, no sulco de plantio. No caso do plantio totalmente mecanizado, colhe-se mecanicamente, da área de mudas, pequenos toletes de cana (“rebolos”), de 30 a 40 cm, que, posteriormente, são plantados por máquinas. Nesse método há maiores danos mecânicos às mudas e sua deposição no solo é menos precisa, fazendo que haja problema de brotação e exigindo uma quantidade de mudas/ha 50% a 100% maior que no plantio semimecanizado (Conab, 2013).

Ademais, tanto o plantio como a colheita mecânica acarretam maior

tráfego de veículos nos canaviais, aumentando os problemas de compactação do solo, o que prejudica o desenvolvimento do sistema radicular da cultura. Isso acaba por se transformar em mais um fator a prejudicar a produtividade dos canaviais e exige maiores gastos no preparo de solo nos plantios futuros.

Braga Júnior (2012) informa que o plantio e a colheita mecanizada

trouxeram perdas de produção/ha na lavoura canavieira no Centro-Sul do Brasil. No caso do plantio, dependendo da variedade de cana, as perdas variaram entre 1,3% e 16,0%. No caso de usinas denominadas “novatas” as perdas foram de 5% a 10%, entre as safras 2006 e 2010, com a adoção da colheita mecânica de cana não queimada.

Nesse ponto, sugere-se um tema a ser aprofundado em futuros

estudos. Os transtornos enfrentados na recente expansão da colheita e do plantio mecânico foram generalizados ou atingiram mais fortemente empresas que não estavam adequadamente preparadas para essa rápida transformação tecnológica? Provavelmente, a segunda situação é a que foi verificada, especialmente para a colheita, mesmo porque existem empresas que já no final da década de 1990, apresentavam índices de mecanização semelhantes aos constatados, atualmente, para todas as empresas sucroalcooleiras.

A impressão que se tem é que as dificuldades operacionais, com

importantes repercussões financeiras, estiveram relacionadas com a adoção abrupta (“efeito manada”) da colheita mecânica por volta de 2007. As perspectivas dos mercados sucroalcooleiros eram tão favoráveis à época que fizeram os empresários, além de se endividarem, arriscarem mais para que fosse possível a realização de vultosos investimentos. O que Braga Júnior (2012) chama de “novatas” seriam aquelas empresas que não adotaram um procedimento gradual, ao longo de vários anos, como fizeram as empresas pioneiras da mecanização. Essas, em 2007, já apresentavam maiores conhecimentos acumulados e domínio da gestão da nova tecnologia, além de necessitarem de um aporte financeiro relativamente menor para bancarem novos investimentos, diante dos dispêndios feitos anteriormente.

Aliás, algumas das empresas pioneiras já caminharam para maior

nível de sofisticação tecnológica, como o uso de vant (veículo aéreo não tripulado) para marcar as linhas de plantio, o que é procedido pelo plantio com piloto automático, que segue precisamente as coordenadas georreferenciadas daquele equipamento aéreo. Com isso, garante-se melhor aproveitamento da área disponível e maior regularidade nas linhas de cana, facilitando a colheita mecânica posterior, que usa as mesmas coordenadas do plantio, e diminuindo o pisoteio das soqueiras de cana.

Nesse aspecto, convém reforçar a descrição da sofisticação

administrativa e tecnológica que impera, senão em todas as empresas, pelo menos naquelas mais inovadoras. São usadas técnicas de programação linear para o planejamento das várias atividades agrícolas, em especial o plantio e a colheita. Pratica-se a agricultura de precisão que permite que se controle, por exemplo, a quantidade de adubo de acordo com a fertilidade natural de pequenas faixas de terra. Os controles eletrônicos georreferenciados estão presentes nas máquinas agrícolas, o que permite que, dos escritórios, acompanhe-se a movimentação e o desempenho dos veículos e máquinas usados na cana-de-açúcar. Algo que talvez fosse inimaginável há algumas décadas acontece corriqueiramente na lavoura canavieira, que é a execução da colheita no período noturno. A falta de luz natural é substituída pelos potentes faróis do maquinário, pela sua condução georreferenciada e pela sistematização e eliminação de obstáculos (tocos, pedras) do terreno com a cana a ser cortada. Também, tenta-se diminuir os efeitos adversos do clima, particularmente a deficiência observada nas chuvas em alguns anos, pela irrigação com vinhaça (resíduo líquido do processamento industrial da cana) dos canaviais.

Muitas unidades agroindustriais parecem estar passando por uma

fase de aprendizado com as novas tecnologias, mas pode ser que não consigam se adaptar, a tempo, às novas condições. Tal fato deve ser ainda mais drástico no caso dos fornecedores. A provável diferenciação de empresas em relação à tecnologia adotada tenderia a abrir espaço para um rearranjo na estrutura produtiva setorial, com aumento de sua concentração técnica e econômica, conforme as defini Labini (1984).

Há outro ponto que merece maiores observações e estudos, que é a

relação dos usineiros com as empresas produtoras de colhedoras e plantadoras de cana-de-açúcar. Especialmente as grandes empresas sucroalcooleiras têm capacidade gerencial e financeira de “palpitar” e influenciar no aprimoramento técnico das máquinas que utilizam. É comum se expressar a seguinte frase no setor: “os usineiros mandam nas empresas que produzem colhedoras”. Descartando o muito provável exagero da afirmação, esse feedback, de fato, ocorre de forma intensa e é voz corrente que há espaço para aprimoramento das colhedoras mecânicas de cana-de-açúcar. Segundo um pesquisador da área de engenharia mecânica entrevistado, enquanto as colhedoras de cereais em condições de campo alcançam eficiência de 80%, as de cana-de-açúcar apresentam eficiência de apenas 50% em relação aos testes realizados em condições controladas (Baccarin, 2016).

Outro ponto que se sugere para futuros estudos está relacionado

com a consolidação das trajetórias tecnológicas do plantio e da colheita. Nesse caso, depois de constantes aprimoramentos, as opções têm ficado entre o uso de máquinas que colham uma ou duas linhas e que piquem a cana, embora haja estudos preliminares para o desenvolvimento de máquinas que, aos moldes dos cereais, colham, simultaneamente, um número bem maior de linhas, diminuindo o tráfego de veículos nos canaviais. Na colheita resta também verificar qual o melhor destino a ser dado à palha da cana-de-açúcar, qual a porcentagem a ser deixada no campo e a ser processada para obtenção de etanol ou energia mecânica e elétrica.

Já no plantio, tem predominado o mecânico de “rebolos”, mas vêm

se divulgando outras alternativas, como o plantio de mudas pré-germinadas em tubetes, conforme se faz com café e eucalipto, ou de “sementes” de cana-de-açúcar, na verdade, mudas pequenas com duas ou três gemas pré-brotadas envoltas em gel protetor, devendo se dizer que essa última encontra-se em fase bastante preliminar.

 

Efeitos na ocupação canavieira e

agropecuária de São Paulo

 

No capítulo seguinte, será desenvolvida uma análise bastante

detalhada e específica sobre a evolução da ocupação sucroalcooleira e canavieira em São Paulo, com destaque ao período 2007 a 2014. Serão analisados dados de ocupação formal oriundos do MTE. Até como contraponto, encerra-se este capítulo estudando dados de outras fontes de ocupação canavieira e comentando questões relativas ao ritmo e intensidade de trabalho no corte de cana-de-açúcar.

Por mais de duas décadas, até 2006, técnicos do IEA divulgavam

estimativas de ocupação agropecuária para São Paulo, com base em indicadores técnicos de ocupação das diversas atividades da agricultura estadual. Foi com base nesses levantamentos que se

construiu, por exemplo, a Tabela 20, apresentada ao final do capítulo 3.

Na Tabela 29 procura-se verificar como evoluiu a importância da ocupação canavieira no total de ocupação agropecuária paulista.

 

Tabela 29 – Estimativa da ocupação canavieira e participação na

ocupação agropecuária paulista, anos selecionados, 1975 a 2006

Coeficiente Coeficiente Área Cana Área Cana Ocupação Ocupação Ocupação Ocupação 4/5 4/5

Ano Ano

Técnico-dh/ha Técnico-dh/ha (mil ha) (mil ha) Cana – 4 Cana – 4 Agrop. – 5 Agrop. – 5 (%) (%)

1975 31,6 689,5 60.521 1.322.500 4,6 1980 27,4 1.073,1 81.675 1.159.000 7,0 1985 22,7 1.951,6 123.330 1.412.000 8,7 1990 20,7 2.111,7 121.423 1.624.000 7,5 1996 18,4 2.816,0 143.929 1.171.000 12,3 2001 16,5 3.008,7 137.899 1.165.400 11,8 2006 14,6 4.258,4 172.701 1.086.400 15,9 Fonte: IEA (2007); Vicente (1999); Vicente et al. (2005).

Percebe-se constante redução na necessidade de pessoas ocupadas

por área de cana, com o valor de 2006 sendo menor que a metade do de 1975. Mesmo assim, em face do aumento de sua área, o número total de ocupação canavieira e sua participação na ocupação agropecuária paulista tenderam a crescer, de 1975 a 2006. Os dois anos que fugiram a essa tendência foram 1990 e 2001, marcados por crises nos mercados de açúcar e etanol, o que talvez não seja uma simples coincidência.

Outra fonte sobre ocupação é a PNAD. Seus dados permitiram a

construção da Tabela 30. Em alguns anos não se fez a PNAD, em 1994, 2000 e 2010, os dois últimos de censo demográfico. Outra observação é que a semana de referência para levantamento de seus dados é de setembro, período ainda de safra canavieira, embora o pico de contratação de cortadores de cana ocorra entre maio e julho.

Observa-se que o número de pessoas ocupadas em outras

atividades agropecuárias paulistas caiu para menos da metade, entre 1992 e 2014, e em poucos anos se verificou crescimento dessa ocupação. Já a ocupação canavieira decresceu 16,7% em todo o período, ou seja, bem menos que a da agropecuária como um todo. Entre 1992 e 2001, a tendência foi de queda na ocupação canavieira, fato que se reverteu de 2001 a 2008, com a constatação de taxas anuais de crescimento positivas, exceto em 2003 e 2005. Isso se relaciona com o bom desempenho da produção canavieira e sucroalcooleira no início do século XXI, em contraste ao baixo dinamismo setorial que se observou na década de 1990. Após 2008, a ocupação canavieira tendeu a cair, porque o dinamismo produtivo setorial diminuiu e a aceleração do uso de colhedoras e plantadoras mecânicas de cana-de-açúcar resultou em grande diminuição no número de canavieiros empregados por área cultivada com cana-de-açúcar.

O Gráfico 3 mostra que a participação da ocupação canavieira na

agropecuária paulista, de 1992 a 2014, se manteve entre um mínimo de 13,1%, em 1998, e um máximo de 23,9%, em 2008. Entre 1992 e 2003, não se registrou grande alteração nessa participação, que se situou entre 13,1% e 16,4%. De 2003 a 2008, a participação da ocupação canavieira na ocupação agropecuária paulista mostrou tendência de crescimento, de quase 11%. Na fase final, a partir de 2008, a tendência foi de decréscimo, com a ocupação canavieira ficando abaixo de 20% da ocupação da agricultura paulista, em 2014.

 

Tabela 30 – Ocupação canavieira, das demais atividades agropecuárias

e da agropecuária, em mil pessoas, estado de São Paulo, 1992 a 2014

Ocupação Ocupação Demais Ocupação Canavieira Atividades Agropecuária

Ano

∆ ∆ ∆

Número Índice Número Índice Número Índice

Anual Anual Anua

1992 198,6 100,0 1.274,6 100,0 1.473,0 100,0 1993 236,9 119,3 19,3 1.253,5 98,3 -1,7 1.490,0 101,2 1,2

1995 200,7 101,1 -15,3 1.100,1 86,3 -12,2 1.301,0 88,3 -12,7 1996 211,0 106,2 5,1 1.079,2 84,7 -1,9 1.290,0 87,6 -0,8 1997 162,2 81,7 -23,1 911,3 71,5 -15,6 1.073,0 72,9 -16,8 1998 137,6 69,3 -15,2 910,7 71,4 -0,1 1.048,0 71,2 -2,3 1999 162,9 82,0 18,4 1.013,9 79,5 11,3 1.177,0 79,9 12,3

2001 135,4 68,2 -16,9 819,5 64,3 -19,2 955,0 64,8 -18,9 2002 152,8 76,9 12,9 833,6 65,4 1,7 986,0 67,0 3,3 2003 131,4 66,2 -14,0 854,8 67,1 2,5 986,0 66,9 0,0 2004 182,6 91,9 39,0 847,5 66,5 -0,9 1.030,0 69,9 4,5 2005 159,1 80,1 -12,9 882,1 69,2 4,1 1.041,0 70,7 1,1 2006 176,5 88,9 10,9 849,6 66,7 -3,7 1.026,0 69,7 -1,5 2007 200,4 100,9 13,5 808,6 63,4 -4,8 1.009,0 68,5 -1,7 2008 236,7 119,2 18,1 752,6 59,0 -6,9 989,0 67,2 -2,0 2009 180,9 91,1 -23,6 758,8 59,5 0,8 940,0 63,8 -5,0

Fonte: Oliveira (2009); IBGE (2016).

Ocupação Ocupação Demais Ocupação Canavieira Atividades Agropecuária

Ano

∆ ∆ ∆

Número Índice Número Índice Número Índice

Anual Anual Anua

2011 153,7 77,4 -15,0 662,1 51,9 -12,7 815,8 55,4 -13,2 2012 167,4 84,3 8,9 559,6 43,9 -15,5 727,0 49,3 -10,9 2013 165,5 83,3 -1,1 615,6 48,3 10,0 781,1 53,0 7,4 2014 130,9 65,9 -20,9 546,7 42,9 -11,2 677,6 46,0 -13,3 Fonte: Oliveira (2009); IBGE (2016).

 

Gráfico 3 – Participação da ocupação canavieira na ocupação

agropecuária, estado de São Paulo, 1992 a 2013

 

Fonte: Oliveira (2009); IBGE (2016).

Adicionalmente, pode-se comparar a participação da cana na área

agropecuária explorada (lavouras, pastagens e reflorestamento) com sua participação no total da ocupação agropecuária em São Paulo,

conforme o apresentado no Gráfico 4. No início do período, havia grande coincidência entre ambas as participações. Com o tempo, a participação da cana na área foi ficando maior que na ocupação, o que se torna mais nítido a partir de 2004 e muito forte a partir de 2008. Com isso, nos anos mais recentes, a expansão da área e produção canavieira sobre as áreas das demais atividades agropecuárias, consideradas em seu conjunto, está tendo um efeito negativo em termos de ocupação, ao se comparar com uma situação hipotética em que se considerasse a composição do uso da terra agrícola em São Paulo constante, entre 2004 a 2014. Dito de outra forma, os dados indicam que o número de pessoas ocupadas por hectare de cana, no presente século, tem se revelado menor que número semelhante do conjunto das outras atividades agropecuárias de São Paulo.

 

Gráfico 4 – Participação porcentual da cana-de-açúcar na área

explorada e na ocupação agropecuária, estado de São Paulo,

1992 a 2014

 

Fonte: IBGE (2016); IEA (2016).

Algo semelhante tinha se constatado a partir das análises dos dados

censitários, entre 1996 e 2006, e tal fato guarda relação com a aceleração da mecanização da cana-de-açúcar e seu desenvolvimento muito concentrado nos muito grandes estabelecimentos agropecuários. Esses, como já visto, geram menos ocupação por área do que os estabelecimentos de menor porte, especialmente os pequenos.

Para o Brasil todo, Balsadi e Del Grossi (2016, p.94), com base em

dados da PNAD, mostram que nos estabelecimentos que declararam como atividade principal o Cultivo de Cana-de-açúcar a ocupação agrícola apresentou uma taxa anual de decréscimo de 3,9%, entre 2004 e 2014. Em igual período, a taxa de queda da ocupação de toda a agricultura brasileira se revelou menor, de 2,8% ao ano.

 

Alteração no controle do ritmo de

trabalho canavieiro

 

Qualquer que seja o método de corte, manual ou mecânico, a

quantidade de cana-de-açúcar colhida deve guardar grande concatenação com o ritmo de seu processamento industrial. As moendas das usinas e destilarias ditam o ritmo do podão do cortador ou das lâminas das colhedoras de cana-de-açúcar e a garantia desse ritmo é uma preocupação fundamental da administração da produção sucroalcooleira.

No corte manual, o expediente básico que garantia (ainda garante,

nos casos em que se mantém) a quantidade de matéria-prima agrícola necessária era o pagamento por produção, estipulado pelos usineiros e fornecedores, até onde se sabe, em 100% da área de cana-de-açúcar colhida manualmente no Brasil. Ganhava mais aquele trabalhador que cortasse maior quantidade de tonelada de cana por dia, de forma que o próprio trabalhador procurava estabelecer um ritmo de trabalho, em dependência de sua resistência e vigor.

Isso não quer dizer que não houvesse fiscalização no corte manual.

Pelo contrário, havia uma série de exigências quanto à qualidade do produto colhido. O corte basal do colmo de cana não deveria ser tão baixo para que as raízes não fossem atingidas e não se prejudicasse a brotação para os cortes dos anos posteriores, ao mesmo tempo em que não deveria ser tão alto (“toco alto”), de forma a deixar sacarose sem proveito no campo. Os fiscais acompanhavam a altura do corte basal, bem como o despalhamento e a eliminação do ponteiro da cana (pobre em sacarose) e a deposição dos colmos na linha central do eito de trabalho, para que o carregamento mecânico tivesse melhor desempenho. Cana bem cortada e arrumada significava menor quantidade de impurezas vegetais e minerais e maior produtividade industrial na obtenção de açúcar e etanol.

Ao longo dos anos, os empresários procuravam selecionar os

cortadores com maior produtividade, melhor qualidade de cana cortada e com maior sujeição às determinações da administração (Alves,

2007).6 Se não todas, mas várias empresas faziam estudos, inclusive ergométricos, e estabeleciam programas de treinamento visando aumentar a habilidade e capacidade de produção dos cortadores (Novaes, 2007).

O corte manual de cana, por si mesmo, era muito penoso, realizado

ao ar livre, debaixo de forte insolação, baseado em milhares de movimentos repetitivos diários, com o trabalhador respirando a fuligem da cana queimada e tendo de usar, isso mais recentemente, roupas de proteção que aumentavam o suor e com ele, a perda de líquido e de micronutrientes do corpo. Somava-se a isso o estímulo que o pagamento por produção trazia para que o cortador fosse até o extremo de suas forças, à procura de aumentar sua remuneração. Como bem relatam Alves (2007), Moraes Silva (2007) e Moraes Silva et al. (2015), como consequência, não raramente se constatavam casos

de esgotamento físico7 e desmaios (mortes, em caso extremos) entre os cortadores de cana-de-açúcar, com comprometimento da sua vida laboral útil ou mesmo de sua expectativa média de vida.

Além disso, os trabalhadores ficavam sujeitos a jornadas de trabalho

acima do legalmente determinado. Para as condições brasileiras, Krein e Stravinski (2009, p.381) informam que, em 2006, 57,9% dos trabalhadores rurais permanentes e 39,1% dos temporários cumpriram uma jornada de trabalho acima das 44 horas semanais, máximo determinado pela Constituição Brasileira de 1988. Especificamente, para o setor sucroalcooleiro paulista, Pochmann (2009, p.86) afirma que, em 2005, 41,9% dos trabalhadores ficavam sujeitos a uma jornada semanal de trabalho entre 45 e 48 horas e 24,8%, acima de 48 horas.

Retomando a questão da quantidade cortada de cana, com o tempo,

os empresários conseguiram que se elevasse a produtividade dos cortadores de cana-de-açúcar. Dados do IEA evidenciam que, em 1989, o canavieiro cortava, em média, 6,09 t de cana por dia, valor que passou para 7,00 t, em 1995, 7,69 t, em 2000, até alcançar, em 2014, 8,72 t (IEA, 2008; 2016). Portanto, em um prazo de 25 anos, a produtividade média do canavieiro no corte de cana em São Paulo aumentou em 43,2%.

Aliás, era esse aumento de produtividade, ou do esforço diário em

cortar maior quantidade de cana, que garantia, pelo menos até 2007, a elevação dos salários dos canavieiros. As negociações trabalhistas, em 1995, levaram à fixação da remuneração de R$ 1,18/t de cana cortada, ou R$ 2,59, quando atualizado para 2007. Nesse ano, o novo acordo trabalhista fixou o valor da tonelada de cana em R$ 2,60, praticamente o mesmo valor de 1995 (Baccarin; Alves, 2008).

Informações do IEA (2008) mostram que os valores efetivamente

pagos pelo corte da tonelada de cana se situavam pouco acima do estabelecido nos acordos trabalhistas. Assim, enquanto o valor acordado para 1995 foi de R$ 1,18/t, o valor registrado pelo IEA foi de R$ 1,43, equivalente a R$ 3,14, de 2007. Em 2000, diante da forte crise sucroalcooleira, esse valor caiu para R$ 1,75 ou R$ 2,85, quando corrigido para 2007. De 2000 em diante, acompanhando o crescimento da área e produção de cana-de-açúcar, o valor pago por tonelada de cana cortada voltou a subir até atingir R$ 3,27, em 2007, apenas 4,1% a mais do que o pago em 1995. Também fica evidenciado que, se os cortadores de cana-de-açúcar conseguiram aumento salarial nos 12 anos transcorridos entre 1995 e 2007, isso se deveu, quase que integralmente, ao aumento da quantidade de cana cortada diariamente

e não ao reajuste do preço pago por tonelada cortada.8

Para uma fase mais recente, verifica-se que, acompanhando a

elevação real dos salários no Brasil e em São Paulo, em 2014, o preço pago ao trabalhador por tonelada de cana cortada atingira R$ 6,06 (IEA, 2016), 85,3% acima do constatado em 2007, e superior à variação do IPCA, que foi de 54,4% (Ipea, 2016). Com esse ganho real, o cortador poderia manter o salário mesmo que diminuísse a quantidade de cana cortada por dia. E, de fato os dados do IEA (2016) revelam que a quantidade média cortada por trabalhador, praticamente, não se alterou nos últimos anos, passando de 8,74 t/dia, em 2007, para 8,72 t/dia, em 2014.

Isso pode estar associado à queda da produção/ha de cana

observada no período 2007-2014, bem como ao envelhecimento e aumento da participação de mulheres entre os canavieiros, o que se

verá no capítulo seguinte. Outra provável explicação é que empresas com canaviais mais produtivos, no período 2007 a 2014, já haviam substituído quase ou integralmente o corte manual pelo corte mecânico em suas plantações.

Aliás, com o emprego maciço das colhedoras, sob o ponto de vista

empresarial e, especificamente, do gerenciamento de recursos humanos, foram se tornando cada vez menos importantes as ações de treinamento e de estímulo ao aumento da produtividade do cortador de cana. Na atualidade, a garantia do abastecimento de cana nas usinas e destilarias depende do controle do ritmo das máquinas, feito não mais pelos seus operadores, mas pelos escritórios, com seus computadores, GPS e meios de comunicação. Os poucos trabalhadores não qualificados que vão restando influenciam pouco naquele abastecimento e, muitas vezes, têm seu ritmo de trabalho ditado pelo movimento do maquinário, que tomou conta dos canaviais.