Falar Verdade a Mentir

Almeida Garrett · Capítulo 5 de 17

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Falar Verdade a Mentir

Cena V

Os já mencionados, JOSÉ FÉLIX (disfarçado em negociante velho),

JOAQUINA

 

JOAQUINA — O senhor Tomás José Marques.

DUARTE, pasmado — O senhor!...

BRÁS FERREIRA, idem — Como?

JOSÉ FÉLIX, a Duarte — Peço-lhe desculpa, meu caro senhor Duarte, de o perseguir assim pelas casas alheias; mas a obrigação, como lá dizem, está primeiro que a devoção. E aqui, parece-me que todos parentes os senhores, não quer dizer nada... O senhor seu pai, creio eu?... E estas senhoras, suas manas? Tenho a honra de as cumprimentar. Custa-me vir importuná-lo... mas são duas palavras, e já me retiro.

DUARTE, aparte — Que história será esta?

AMÁLIA — Estes senhores querem tratar dos seus negócios... O meu pai dá licença, eu retiro-me.

DUARTE — Para quê?... Eu por mim, não tenho segredos nenhuns...

JOSÉ FÉLIX — A falar a verdade, para uma senhora não é divertido ouvir tratar de títulos, registos, termos de posse, escrituras... ainda se fossem de casamento — vá, tem a gente paciência, recolhe o seu espírito, e...

BRÁS FERREIRA — Vai, minha filha, vai: nós não tardamos também.