Filosofia da Caixa Preta

Vilém Flusser · Capítulo 2 de 14

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Filosofia da Caixa Preta

Glossário para uma futura filosofia da fotografia

G LOSSÁRIO PARA UMA FUTURA FILOSOFIA DA FOTOG RAFIA

 

Aparelho: brinquedo que sim ula um tipo de pensam ento.

Aparelho fotográfico: brinquedo que traduz pensam ento conceitual em fotografias.

Autômato: aparelho que obedece a program a que se desenvolve ao acaso.

Brinquedo: obj eto para j ogar.

Código: sistem a de signos ordenado por regras.

Conceito: elem ento constitutivo de texto.

Conceituação: capacidade para com por e decifrar textos.

Consciência histórica: consciência da linearidade (por exem plo, a causalidade).

Decifrar: revelar o significado convencionado de sím bolos.

Entropia: tendência a situações cada vez m ais prováveis.

Fotografia: im agem tipo-folheto produzida e distribuída por aparelho.

Fotógrafo: pessoa que procura inserir na im agem inform ações im previstas pelo aparelho fotográfico.

Funcionário: pessoa que brinca com aparelho e age em função dele.

História: tradução linearm ente progressiva de idéias em conceitos, ou de im agens em textos.

Idéia: elem ento constitutivo da im agem .

Idolatria: incapacidade de decifrar os significados da idéia, não obstante a capacidade de lê-la, portanto, adoração da im agem .

Imagem: superfície significativa na qual as idéias se inter-relacionam m agicam ente.

Imagem técnica: im agem produzida por aparelho.

Imaginação: capacidade para com por e decifrar im agens.

Informação: situação pouco-provável.

Informar: produzir situações pouco-prováveis e im prim i-las em obj etos.

Instrumento: sim ulação de um órgão do corpo hum ano que serve ao trabalho.

Jogo: atividade que tem fim em si m esm a.

Magia: existência no espaço-tem po do eterno retorno.

Máquina: instrum ento no qual a sim ulação passou pelo crivo da teoria.

Mem ória: celeiro de inform ações.

Obj eto: algo contra o qual esbarram os.

Objeto cultural: obj eto portador de inform ação im pressa pelo hom em .

Pós-história: processo circular que retraduz textos em im agens.

Pré-história: dom ínio de idéias, ausência de conceitos; ou dom ínio de im agens, ausência de textos.

Produção: atividade que transporta obj eto da natureza para a cultura.

Programa: j ogo de com binação com elem entos claros e distintos.

Realidade: tudo contra o que esbarram os no cam inho à m orte, portanto, aquilo que nos interessa.

Redundância: inform ação repetida, portanto, situação provável.

Rito: com portam ento próprio da form a existencial m ágica.

Scanning: m ovim ento de varredura que decifra um a situação.

Setores primário e secundário: cam pos de atividades onde obj etos são produzidos e inform ados.

Setor terciário: cam po de atividade onde inform ações são produzidas.

Significado: m eta do signo.

Signo: fenôm eno cuj a m eta é outro fenôm eno.

Símbolo: signo convencionado consciente ou inconscientem ente.

Sintoma: signo causado pelo seu significado.

Situação: cena onde são significativas as relações-entre-as-coisas e não as coisas-m esm as.

Sociedade industrial: sociedade onde a m aioria trabalha com m áquinas.

Sociedade pós-industrial: sociedade onde a m aioria trabalha no setor terciário.

Texto: signos da escrita em linhas.

Textolatria: incapacidade de decifrar conceitos nos signos de um texto, não obstante a capacidade de lê-los, portanto, adoração ao texto.

Trabalho: atividade que produz e inform a obj etos.

Traduzir: m udar de um código para outro, portanto, saltar de um universo a outro.

Universo: conj unto das com binações de um código, ou dos significados de um código.

Valor: dever-se.

Válido: algo que é com o deve ser.