Guerras do Alecrim e Manjerona
Cena V
Câmara. Haverá uma cama, e nela estará D. Tibúrcio deitado, assistido de
D. Lancerote, D. Clóris, D. Nise e Sevadilha.
D. LANCEROTE
O que tarda este médico!
SEVADILHA
Não pode tardar muito, pois me disse que já vinha.
D. LANCEROTE
Como estais agora, meu sobrinho?
D. TIBÚRCIO
Depois que arrotei, acho-me mais aliviado.
D. NISE
(Aparte)
Vaso mau não quebra.
D. CLÓRIS
(Aparte)
Se fora cousa boa, não havia de escapar.
D. LANCEROTE
Não sabeis quanto folgo com a vossa melhora, pois me estava dando cuidado o enterro, e me podeis agradecer a boa vontade, pois vos seguro que havia ser luzido; vós o veríeis.
D. TIBÚRCIO
Outro tanto desejo eu fazer a vossa mercê.
(Entram D. Gilvaz e Semicúpio, vestidos de médico.)
SEMICÚPIO
Deo gratias.
D. LANCEROTE
Entrem, meus Senhores Doutores.
D. GILVAZ
(Aparte)
Em boa me meteu Semicúpio! Eu não sei o que hei-de dizer.
SEMICÚPIO
Qual de vossas mercês é aqui o doente?
D. LANCEROTE
É este que aqui está de cama.
SEMICÚPIO
Logo me pareceu pelos sintomas.
SEVADILHA
(Para D. Clóris)
Senhora, que são Semicúpio e D. Gil!
D. CLÓRIS
Bem os vejo. Nise, que te parece?
D. NISE
Que faz melhor efeito o teu alecrim, que a minha manjerona.
(Entram D. Fuas e Fagundes.)
FAGUNDES
Entre, Senhor Doutor; aqui vem este Senhor, que também se entende muito bem.
D. FUAS
Neste instante chego de fora da terra, quando logo me chamou esta mulher, que viesse a ver um enfermo.
D. LANCEROTE
Já era escusado; porém, entre e sente-se.
D. CLÓRIS
Nise, D. Fuas compete nas finezas com D. Gil.
D. NISE
Não me pesa.
D. FUAS
(Aparte)
Aqueles são D. Gil e Semicúpio; estou ardendo!
SEMICÚPIO
(Para D. Gil)
Ah, Senhor, não vês a D. Fuas também como gente?
D. GILVAZ
Já sei.
D. TIBÚRCIO
Ai, minha barriga, que morro! Acuda-me, Senhor Doutor.
SEMICÚPIO
Agora vou a isso. Ora diga-me: que lhe dói?
D. TIBÚRCIO
Tenho na barriga umas dores mui finas.
SEMICÚPIO
Logo as engrossaremos; e tem o ventre túmido, inchado e pululante?
D. TIBÚRCIO
Alguma cousa.
SEMICÚPIO
Vossa mercê é casada, ou solteira?
D. TIBÚRCIO
Porquê, Senhor Doutor?
SEMICÚPIO
Porque os sinais são de prenhe.
D. LANCEROTE
Não, Senhor, que meu sobrinho é macho.
SEMICÚPIO
Dianteiro, ou traseiro?
D. LANCEROTE
Ui, Senhor Doutor! Digo que meu sobrinho é varão.
SEMICÚPIO
De aço, ou de ferro?
D. LANCEROTE
É homem, não me entende?
SEMICÚPIO
Ora, acabe com isso. Eis aqui como por falta de informação morrem os doentes; pois, se eu não especulara isso com miudeza, entendendo que era macho, lhe aplicava uns cravos; e, se fosse varão, umas limas; e, como já sei que é homem, logo veremos o que se lhe há-de fazer.
D. LANCEROTE
Eis aqui como gosto de ver os médicos: assim especulativos.
SEMICÚPIO
Pois o mais é asneira. Diga-me mais: ceou demasiadamente a noite passada?
D. TIBÚRCIO
Tanto como a futura; porque, desde que se me acabaram as chouriças que trouxe no alforge, me tem meu tio posto a pão e laranja.
D. LANCEROTE
Aquilo são delírios, Senhor Doutor.
SEMICÚPIO
Assim deve ser por força, ainda que não queira, pois conforme ao aforismo: Cum barriga dolet, cætera membra dolent.
D. TIBÚRCIO
Não são delírios, Senhor Doutor, que eu estou em meu juízo perfeito.
SEMICÚPIO
Pior, pois quem diz que tem juízo não o tem.
D. LANCEROTE
Senhor Doutor, o homem está alucinado depois que um fantasma que saiu de uma caixa o desancou; e sobre isso, a grande pena que tem tomado de umas moças que aqui introduziu em casa, enganando-as, de cuja insolência se me veio aqui a mãe queixar, que era mulher de bem, ao que parecia.
SEMICÚPIO
Ela é muito criada de vossa mercê.
D. TIBÚRCIO
Deixemos isso; o caso é que a minha barriga não está boa.
SEMICÚPIO
Cale-se, que ainda há-de ter uma boa barrigada. Deite a língua de fora.
D. TIBÚRCIO
Ei-la aqui.
SEMICÚPIO
Deite mais, mais.
D. TIBÚRCIO
Não há mais.
SEMICÚPIO
Essa bastará. É forte linguado! Tem mui boa ponta de língua! Vejam vossas mercês, Senhores Doutores.
D. GILVAZ
A língua é de prata.
D. FUAS
Húmida está bastantemente.
SEMICÚPIO
Venha o pulso. Está intermitente, lânguido e convulsivo. Ó menina, tomou as águas?
SEVADILHA
Ainda não veio o aguadeiro.
SEMICÚPIO
Pergunto se o doente fez a mija?
D. TIBÚRCIO
Nesta casa não há ourinol.
SEMICÚPIO
Pois tome-as, ainda que seja numa frigideira, em todo o caso, quia per orinis optime cognoscitur morbus.
D. LANCEROTE
Ah, Senhores, grande médico!
D. NISE
(Para D. Clóris)
E D. Fuas como está melancólico!
D. CLÓRIS
Estará cuidando na receita.
SEMICÚPIO
Ora, Senhores, capitulemos a queixa. Este fidalgo (se é que o é, que isto não pertence à medicina) teve uma colórica procedida de paixões internas, porque o espírito, agitado da representação fantasmal e da investida feminil, retraindo-se o sangue aos vasos linfáticos, deixando exauridas as matrizes sanguinárias, fez uma revolução no intestino recto; e, como a matéria crassa e viscosa que havia nutrir o suco pancreático, pela sua turgência se achasse destituída do vigor, por falta do apetite famélico, degenerou em líquidos. Estes, pela sua virtude acre e mordaz, velicando e pungindo as túnicas e membranas do ventrículo, exaltaram-se os sais fixos e voláteis por virtude do ácido alcalino, de sorte que fez com que o Senhor andasse com as calças na mão toda esta noite: in calsis andatur, qui ventre evacuatur, disse Galeno.
D. LANCEROTE
Eu não lhe entendi palavra.
D. TIBÚRCIO
Eu morro, sem saber de quê.
SEMICÚPIO
Conhecida a queixa, votem o remédio, que eu, como mais antigo, votarei em último lugar.
D. GILVAZ
Eu sou de parecer que o sangrem.
D. FUAS
Eu, que o purguem.
SEMICÚPIO
Senhores meus, a grande queixa, grande remédio; o mais eficaz é que tome umas bichas nas meninas-dos-olhos, para que o humor faça retrocesso de baixo para cima.
D. TIBÚRCIO
Como é isso de bichas nas meninas-dos-olhos?
SEMICÚPIO
É um remédio tópico; não se assuste, que não é nada.
D. TIBÚRCIO
Vossa mercê me quer cegar?
SEMICÚPIO
Cale-se aí; quantas meninas tomam bichas, e mais não cegam.
D. LANCEROTE
Calai-vos, sobrinho, que ele médico é e bem o entende.
D. TIBÚRCIO
Por vida de D. Tibúrcio, que primeiro há-de levar o Diabo ao médico e à receita, que eu em tal consinta. (Ergue-se.)
SEMICÚPIO
Deite-se, deite-se! O homem está maníaco e furioso!
D. LANCEROTE
Aquietai-vos; sois alguma criança?
D. NISE
Ora, Senhores Doutores, já que vossas mercês aqui se acham, bem é que os informemos, eu e minha irmã, de várias queixas que padecemos.
SEMICÚPIO
Inda mais essa? Ora digam.
D. CLÓRIS
Senhor, o nosso achaque é tão semelhante, que com uma só receita se podem curar ambos os males.
D. NISE
Não há dúvida que o meu achaque é o mesmo em carne que o de minha irmã.
SEMICÚPIO
Achaque em carne pertence à cirurgia.
D. CLÓRIS
Que, como dormimos ambas, se nos comunicou o mesmo achaque; e assim, Senhor, padecemos umas ânsias no coração, umas melancolias n’alma, uma inquietação nos sentidos, uma travessura nas potências; e finalmente, Senhor Doutor, é tal este mal, que se sente sem se sentir; que dói sem doer; que abrasa sem queimar; que alegra entristecendo, e entristece alegrando.
SEMICÚPIO
Basta, já sei, isso é mal cupidista.
D. LANCEROTE
O que é o mal cupidista, que nunca tal ouvi?
SEMICÚPIO
É um mal da moda.
D. NISE
Que remédio nos dão vossas mercês?
D. FUAS
Eu dissera que o óleo de manjerona era excelente remédio.
D. GILVAZ
O verdadeiro para essa queixa são as fumaças do alecrim.
D. FUAS
Ui, Senhor Doutor, a manjerona é um excelente remédio.
D. GILVAZ
Nada chega ao alecrim, cujas excelentes virtudes são tantas, que para numerá-las não acha número ou algarismo; e não faltou quem discretamente lhe chamasse planta bendita.
D. FUAS
Se entrarmos a especular virtudes, as da manjerona são mais que as da erva santa.
SEMICÚPIO
Daqui a pô-la no altar não vai nada.
D. FUAS
A manjerona é planta de Vénus, de cujos ramos se coroa Cupido, e para o mal cupidista não pode haver melhor remédio que uma planta de Vénus; pois, se notarmos a perfeição com que a natureza a revestiu daquelas mimosas folhinhas, para que todo o ano sejam hieroglífico da imortalidade, aquele suavíssimo aroma de cuja fragrância é hidrópico o olfacto, ela é a delícia de Flora, o mimo de Abril e a esmeralda no anel da Primavera.
SEMICÚPIO
É verdade; não há dúvida.
D. NISE
(Aparte)
Estou tão contente!
D. GILVAZ
O alecrim, Senhor, pela sua excelência, é titular na república das plantas, cujas flores, depois de serem bela imitação dos cerúleos globos, são a doçura do mundo nos melífluos ósculos das abelhas.
SEMICÚPIO
Todavia, a matéria é de apicibus.
D. GILVAZ
Ele é a coroa dos jardins, o lenço vegetável das lágrimas da Aurora. Nas chamas, é Fénix; nas águas, rainha; e finalmente é o antídoto universal de todos os males, e a mais segura tábua da vida, quando no mar das queixas assopram os ventos inficionados; e para prova deste sistema, repetirei, traduzido em português, um epigrama do proto-médico Avicena, poeta arábico.
SONETO
Um dia para Siques quis amor
Uma grinalda bela fabricar,
E por mais que buscou, não pôde achar
Flor do seu gosto entre tanta flor.
Desprezou do jasmim o seu candor,
E a rosa não quis por se espinhar,
Ao girassol mostrou não se inclinar,
E ao jacinto deixou na sua dor.
Mas tanto que chegou Cupido a ver
Entre virentes pompas o Alecrim,
Num verde ramo pretendeu colher;
Tu só me agradas, disse, pois enfim
Por ti desprezo, só por te querer,
Jacinto, girassol, rosa e jasmim.
D. CLÓRIS
Viva o Senhor Doutor, eu quero as fumaças do alecrim.
D. TIBÚRCIO
E morra o Senhor doente! Ai, minha barriga!
D. FUAS
Se versos podem servir de textos, escute uns de um antegonista desse autor a favor da manjerona, pelos mesmos consoantes.
SONETO
Para vencer as flores quis amor
Setas da Manjerona fabricar:
Foi discreta eleição, pois soube achar
Quem soubesse vencer a toda a flor:
O jasmim desmaiou no seu candor,
A rosa começou-se a espinhar,
No girassol foi culto o inclinar,
Ais o jacinto deu de inveja e dor.
Entre as vencidas flores pôde ver
Retirar-se fugido o Alecrim,
Que amor para vingar o quis colher;
Cantou das flores o triunfo, enfim,
Nem os despojos quis, por não querer
Jacinto, girassol, rosa e jasmim.
D. NISE
Viva o Senhor Doutor, eu quero o remédio da manjerona.
D. LANCEROTE
Não cuidei que a manjerona e alecrim tinham tais virtudes. Vejamos agora o que diz o Senhor Doutor.
D. TIBÚRCIO
Que tenho eu com isso? Senhores, vossas mercês me vieram curar a mim, ou às raparigas? Ai, minhas barrigas!
SEMICÚPIO
Calado estive ouvindo a estes Senhores da escola moderna, encarecendo a manjerona e alecrim. Não há dúvida que, pro utraque parte há mui nervosos argumentos, em que os doutores alecrinistas e manjeronistas se fundam; e, tratando Dioscórides do manjeronismo e alecrinismo, assenta, de pedra e cal, que para o mal cupidista são remédios inanes; porque, tratando Ovídio do remédio amoris, não achou outro mais genuíno contra o mal cupidista que o malmequer, por virtude simpática, magnética, diaforética e diurética, com a qual curatur amorem. Repetirei as palavras do mesmo Ovídio.
SONETO
Essa, que em cacos velhos se produz
Manjerona misérrima sem flor,
Esse pobre Alecrim, que em seu ardor
Todo se abrasa por sair à luz:
Ainda que se vejam hoje a flux
Desbancar nas baralhas do amor,
Cuido, que elas o bolo hão-de repor,
Senão negro seja eu como um lapuz:
O Malmequer, Senhores, isso sim,
Que é flor, que desengana, sem fazer
No verde da esperança amor sem fim;
Deixem correr o tempo, e quem viver
Verá, que a Manjerona, e o Alecrim,
As plantas beijarão do Malmequer.
SEVADILHA
Viva e reviva o Senhor Doutor! E, já que é tão bom médico, peço-lhe me cure de umas dores tão grandes, que parecem feitiço.
SEMICÚPIO
Dá cá as pulseiras. Ah, perra, que agora te agarrei! Tu estás marasmódica e empiemática. Ah, Senhor, logo, logo, antes que se perpetue uma febre podre, é necessário que esta rapariga tome uns semicúpios.
SEVADILHA
Semicúpios, eu? É cousa que abomino.
SEMICÚPIO
Eu descarrego a minha consciência e não sou mais obrigado.
D. LANCEROTE
Ela não tem querer, há-de fazer o que vossa mercê mandar.
FAGUNDES
Eu também sou de carne, tenho anos e tenho achaques.
SEMICÚPIO
Pois cure-se primeiro dos anos, logo se curará dos achaques.
FAGUNDES
Não, Senhor, que este achaque não é anual, é diário.
SEMICÚPIO
Se fora nocturno, não era mau. Pois que achaque é o seu, senhora velha?
FAGUNDES
Que há-de ser? É esta madre, que me persegue.
SEMICÚPIO
Ui, você com esses anos ainda tem madre? E o que será de velha a senhora sua madre! Filha, isso não é madre, é avó.
FAGUNDES
Talvez que por isso tão rabugenta me persiga. E que lhe farei, Senhor Doutor?
SEMICÚPIO
A uma madre velha que se lhe há-de fazer? Andar, ponha-lhe óculos e muletas, e deixe-a andar.
D. LANCEROTE
Isto aqui é um hospital, graças a Deus. Só eu nesta casa sou são como um pêro, apesar de duas fontes e uma funda.
SEMICÚPIO
Oh, ditoso homem, que vives sem males!
D. TIBÚRCIO
Senhores, o meu mal devia ser contagioso, porque depois da minha doença todos adoeceram. Ai, minha barriga!
D. LANCEROTE
Pois em que ficamos?
SEMICÚPIO
Senhor meu, falando em termos, o doente sangre-se no pé; vossa mercê, na bolsa; às senhoras suas sobrinhas, três banhos; à moça, semicúpios; e a velha lancem-na às ondas, que está danada.
FAGUNDES
Ai, que galante cousa!
D. CLÓRIS
Eu não quero mais remédio que os fumos do alecrim.
D. NISE
E eu os da manjerona.
SEMICÚPIO
Não seja essa a dúvida. Ainda que não sou desse voto, contudo cada um é senhor da sua vida, e se pode curar como quiser; lá vai a receita.
(Canta Semicúpio a seguinte:)
ÁRIA
Si in medicinis
Te visitamus,
Non asniamus,
Sed de alecrinis,
Et manjeronis
Recipe quantum
Satis aná.
Credite mihi,
Qui sum peritus,
Non mediquitus
De cacaracá.
D. LANCEROTE
Esperem, Senhores, vossas mercês perdoem, lá repartam essa ninharia entre todos, que eu não estou aparelhado senão para um.
SEMICÚPIO
Venha embora, que só este é o verdadeiro sintoma da medicina. (Vai-se.)
D. GILVAZ
Ai, Clóris, que, quando o mal é de amor, só o morrer é remédio! (Vai-se.)
D. FUAS
Finjo que me vou, por ver se posso apurar a falsidade de D. Nise. (Vai-se.)
D. TIBÚRCIO
Mande-me cerrar este biombo, que vou entrando em um suor copioso; abafem-me bem.
D. LANCEROTE
Aqui servia o meu capote. Paciência! Vamo-nos e deixemo-lo suar; ninguém lhe fale à mão. (Vai-se.)
D. CLÓRIS
Vamos, Nise, a moralizar os extremos destes amantes. (Vai-se.)
D. NISE
Tanto me importa; vamos a regar os nossos craveiros. (Vai-se.)
FAGUNDES
O diabo de Semicúpio temo que me meta em um chinelo com seus ardis. (Vai-se.)
(Entra D. Fuas.)
D. FUAS
Já todos se foram. Quem me dera encontrar a esta tirana, cruel, falsa, inimiga.
(Entra Fagundes.)
FAGUNDES
D. Tibúrcio fica a suar como um cavalo. Mas ai! Quem está aqui?
D. FUAS
Sou eu, Senhora Fagundes, não se assuste.
FAGUNDES
Senhor, que temeridade é esta? Vossa mercê não vê que ainda é lusque-fusque? Como, sem deixar anoitecer, penetra estas paredes, aonde até o sol entra às furtadelas?
D. FUAS
Não reparei que ainda era dia, pois no abismo de meu ciúme sempre estou às escuras. Aonde está esta cruel D. Nise?
FAGUNDES
Estará no jardim.
D. FUAS
Pois vamos lá, e de caminho quero me vá dizendo de meter-me na caixa a mim e a D. Gil.
FAGUNDES
Vamos, que eu lhe contarei o que foi; ande por aqui com pés de lã. Ai, Senhor D. Fuas, quanto me deve!