História das Guerras

Demétrio Magnoli · Capítulo 17 de 29

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História das Guerras

A Guerra Austro-Prussiana

 

Em outubro de 1865, no episódio que ficou conhecido como “a visita de Biarritz”, Bismarck encontrou-se por duas vezes com Napoleão III — a corte francesa estava em Biarritz — e, mais tarde, na primeira semana de novembro, uma vez em St. Cloud, procurando obter o apoio francês no caso de uma guerra contra a Áustria. Como era sua tática, em conversas totalmente informais, acenava com possíveis ganhos territoriais para a França. Ele tinha de vencer as resistências do ministro do Exterior francês Drouyn de Lhuys, que considerava a Convenção de Gastein, 33 assinada a 14 de agosto de 1865, uma cínica barganha e não escondia sua preferência pela liderança austríaca nos assuntos alemães.

Para o imperador Napoleão III, a questão do Veneto era muito mais importante que á do Holstein, e Bismarck aproveitou-se disso para obter sua não intromissão num eventual conflito. Bismarck acreditava ainda que uma Itália unida, anexado o Veneto, seria um aliado natural da Prússia no caso do conflito com a Áustria.34 [pag. 302]

A neutralização da França deu a Bismarck a possibilidade de explorar todo e qualquer incidente no Holstein para desconceituar a Áustria. Para ele, a presença do duque de Augustenburgo no Holstein era incompatível com a dupla soberania sobre os ducados; ele não aceitava que o representante austríaco na Dieta não se juntasse ao da Prússia na condenação às provas de simpatia pró-Augustenburgo na Dieta. Após uma manifestação de massa a favor do duque no Holstein, em janeiro de 1866, provavelmente estimulada pelo governador austríaco, Bismarck enviou uma nota dura para Viena, alertando que se a Áustria “não acabasse com a perigosa agitação democrática e revolucionária no Holstein, a cooperação entre os dois governos chegaria ao fim”.35

Tanto Guilherme I como toda a família real se opunham à guerra entre irmãos, mas a política de Bismarck acabou convencendo a todos da inevitabilidade do conflito, transferindo para a Áustria a responsabilidade do aumento das tensões. Tanto Ronn quanto Moltke, cuja competência impressionara o rei durante a campanha de 1864, contribuíram para o convencimento real. Guilherme pensava usar Moltke como um contrapeso para Bismarck.

No Conselho da Coroa, que reunia o rei e os principais ministros, realizado em Berlim, a 28 de fevereiro, Bismarck usou toda a sua competência para justificar a guerra. A ambição totalmente justificada da Prússia de unificar a Alemanha sob sua liderança era frustrada pelas posições egoístas e interesseiras da Áustria; as condições internas da Alemanha e da Europa nunca haviam sido tão favoráveis como no momento e, sendo a guerra travada em função dos ducados, as vantagens seriam todas da Prússia e, inevitavelmente, a Unificação seria alcançada de acordo com os interesses prussianos. Bismarck, secundado por Moltke, apontava a necessidade de uma aliança com a Itália que, assim, abriria uma segunda frente contra a Áustria atacando o Veneto, dividindo dessa forma os exércitos austríacos. Para Moltke, a ação da Prússia deveria ser rápida de modo a não dar tempo para a mobilização completa da Áustria e da Saxônia e da Bavária, que certamente se bateriam do lado austríaco.

O príncipe real Frederico Guilherme — futuro imperador Frederico III da Alemanha — opôs-se à guerra, pois, na sua opinião, ela só aproveitaria a Napoleão III. Apesar da divisão de opiniões, o rei autorizou Bismarck propor a Napoleão um entendimento político e aprovou os preparativos para um acordo militar com a Itália que comprometesse Vitor Emanuel com a guerra.

A chegada de uma missão militar da Itália a Berlim, na segunda semana de março, alarmou a Áustria, que, com relutância, enviou tropas para a muito [pag. 303] desprotegida Boêmia. Esse fato permitiu que Bismarck mostrasse ao rei as intenções hostis da Áustria, fazendo com que ele autorizasse o deslocamento de tropas para as fronteiras. A 27 de abril, a Áustria decretou a mobilização do exército do norte; a mobilização prussiana logo se seguiu.

Desde então ficou claro que Bavária, Württemberg, Baden, Hesse-Darmstadt apoiariam a Áustria e que dificilmente Saxônia e Hesse-Cassel permaneceriam neutros. Contando com esse apoio, os austríacos, por meio de seu representante na Dieta, anunciaram que, não tendo sido possível um acordo com a Prússia sobre os ducados, o futuro deles ficaria nas mãos da Dieta e de uma assembléia popular que se reuniria no Holstein. Guilherme considerou essa atitude um insulto, já que contrariava o Tratado de Viena de 1864, e autorizou que os prussianos, partindo do Schleswig, atacassem o Holstein. As tropas austríacas recuaram sem combater, atravessando o Elba em direção ao Hanover.

A Dieta de Frankfurt reuniu-se para deliberar. Antes que o representante prussiano apresentasse o plano de Bismarck — a criação de um Estado Federal Alemão com a exclusão da Áustria —, o representante austríaco conclamou os Estados-membros a mobilizarem-se contra a Prússia, já que esta, ao atacar o Holstein, havia desrespeitado a Constituição da Confederação. A 14 de junho, a Dieta condenou a Prússia e, segundo instruções de Bismarck, o delegado prussiano leu uma declaração recusando-se a reconhecer o direito da Dieta de agir daquela maneira contra um dos seus membros e declarou dissolvida a Confederação.

No dia seguinte, a Prússia apresentou um ultimato aos reis da Saxônia e de Hanover, e ao eleitor de Hesse,36 exigindo a aceitação do plano prussiano e o direito de o exército prussiano passar livremente pelos respectivos territórios. Tendo o ultimato sido rejeitado por todos, no mesmo 15 de junho, à meia-noite, os prussianos invadiram a Saxônia e o Eleitorado de Hesse, que, sem maiores dificuldades, foram ocupados. Apesar de uma tentativa de resistência por parte do rei George, de Hanover, já a 24 de junho toda a Alemanha setentrional estava firmemente sob controle prussiano.

No front sul, os prussianos, empregando com máxima eficiência suas ferrovias — pela primeira vez usadas com propósitos militares na Europa — concentraram suas tropas num arco de 270 milhas, ao longo da fronteira da Saxônia para leste até a Silésia. No flanco direito prussiano, o Exército do Elba, depois de rechaçar as forças saxônicas para a Boêmia, juntou-se ao Primeiro Exército que, sob o comando do príncipe Frederico Carlos, avançava pela Boêmia ao longo de toda a linha; no flanco esquerdo, posicionava-se o Segundo Exército sob o comando do príncipe herdeiro. [pag. 304]

Como os italianos abriram uma segunda frente no Veneto, os austríacos, conforme previra Bismarck, tiveram de dividir suas forças: 74 mil homens ficaram na frente italiana e cerca de 240 mil na frente prussiana. A 24 de junho, os austríacos derrotaram os italianos em Custoza.

Na tentativa de dominar o Adriático, os italianos planejaram capturar a ilha de Lissa para usá-la como base de operações contra os portos austríacos de Pola e Trieste. A força naval austríaca, mais uma vez sob o comando de Tegertthoff, que nessa época ainda não tinha 40 anos, composta de oito navios encouraçados, nove não-encouraçados e mais dez pequenos navios, partiu, a 27 de junho, para Ancona, onde estavam as forças italianas, superiores, sob o comando do sexagenário conde Carlo Persano, com 19 navios encouraçados e 15 sem couraça.

Os italianos fugiram do combate, permanecendo no porto. Quando a força austríaca teve de se retirar para carvoar, Persano deixou o porto com sua força e partiu para bombardear as fortificações de Lissa. A força austríaca, a 20 de julho, voltou para proteger a ilha, exatamente quando a situação dos defensores era crítica, e engajou-se com a força italiana; apesar de os navios italianos terem aríete e os austríacos não, foram esses que se lançaram contra aqueles procurando abalroá-los. Durante o “mêléé”37 resultante, o capitânea italiano Re d"Italia foi abalroado pelo capitânea austríaco Erzherzog Ferdinand Max afundando com quase toda a tripulação. Ao final, os italianos haviam perdido dois navios encouraçados, 612 oficiais e marinheiros e os austríacos tiveram apenas 38 homens mortos, a maioria a bordo do Kaiser, um navio de madeira que pegou fogo, mas que apesar da avaria continuou flutuando.38

Os três exércitos prussianos avançando na Boêmia convergiram para a vila de Sadowa, 12 km a noroeste da fortificação de Königgratz onde, a 3 de julho, teria lugar a batalha decisiva da guerra.39 O rei Guilherme, Bismarck e Moltke posicionam-se numa elevação próxima para observar a batalha.

Os confiantes austríacos pensavam derrotar o Primeiro Exército e o Exército do Elba, este comandado pelo general Herwath Von Bittenfeld, com os quais estava engajado, antes da chegada do Segundo Exército, exatamente como previsto por Moltke quando idealizou a armadilha. Desde alguns dias, o Segundo Exército vinha progredindo na Silésia, tendo feito contato com a retaguarda do Primeiro Exército a 30 de junho, não havendo perigo de se atrasar para a batalha e surpreender os austríacos.

O Primeiro Exército iniciou o ataque contra as posições austríacas ao longo do rio Bistritz. Naquele dia, de 440 mil a 460 mil homens entraram em combate, um recorde de efetivos envolvidos numa batalha que só seria batido na Primeira [pag. 305] Guerra Mundial. Após cinco horas de combate, o Segundo Exército chegou ao local e lançou-se na batalha; com mais três horas de engajamento, Moltke pôde dizer ao rei: “Viena jaz aos pés de Vossa Majestade”.40 Ao cair da noite, o exército austríaco estava destroçado, tendo perdido 24 mil homens entre mortos e feridos e, ainda, 13 mil prisioneiros, embora tenha conseguido evitar o cerco e atravessar o Elba, fugindo, de forma totalmente desestruturada, em direção ao Danúbio.

O emprego, pelos prussianos, de fuzis modernos com carregamento pela culatra, enquanto os austríacos só dispunham de fuzis de carregamento pela boca, de muito menor cadência de tiro, foi um dos fatores decisivos para a vitória, além, é claro, da estratégia superior de Moltke. A vitória foi decisiva e, mesmo que os austríacos tivessem podido transferir tropas do Veneto após a vitória sobre os italianos, não mudariam a sorte da batalha.

Moltke receava que a França ou a Rússia, preocupadas com a mudança no equilíbrio de poderes europeu, pudessem interferir nos acontecimentos. Como queria que a paz fosse assinada em Viena, determinou que seus exércitos avançassem o mais rapidamente possível, abandonando para tanto suas colunas de suprimento e passando a viver das requisições no território por onde avançavam. Um funcionário britânico observou que os três exércitos prussianos, com suas incessantes ordens de requisição, tinham transformado a Áustria ao norte do Danúbio num “vasto deserto”.41

Os austríacos queriam um armistício imediato, mas consideraram as. condições impostas por Moltke demasiado duras e Francisco José apelou para a intermediação de Napoleão, o que acarretou a continuação da guerra ainda por três semanas. Desse momento em diante, houve uma mudança radical de posições: Bismarck, que fora o grande artífice da guerra, agora insistia na necessidade de um armistício, que era a posição do príncipe herdeiro. Guilherme I, Moltke e o príncipe Frederico Carlos queriam agora anexar todos os Estados alemães à Prússia e permitir que os exércitos ocupassem Viena. Bismarck queria evitar a todo custo a humilhação da Áustria e não queria que os termos de paz fossem tão draconianos que transformassem os austríacos em inimigos mortais no futuro: “Um dia vamos precisar do poderio da Áustria a nosso favor”.42

Graças à interveniência de Napoleão e às pressões do príncipe Frederico Guilherme, as pretensões do rei foram reduzidas: a Prússia anexaria territórios até o limite de 4 milhões de novos súditos para o rei da Prússia, com exceção da Saxônia — o equivalente a anexar Hesse, Nassau, Hanover, Schleswig-Holstein e a cidade livre de Hamburgo. Isso representava a unificação do território da [pag. 306] Prússia, antes separado em duas partes divididas pelo Hanover. O Veneto era cedido à Itália, embora a Áustria permanecesse com o sul do Tirol e com Trieste. A Áustria seria excluída de qualquer união germânica e ela e seus aliados pagariam indenizações à Prússia. Outros acordos foram feitos: com a Bavária, que cedeu à Prússia os pequenos distritos de Gersfeld e Orb; com Hesse-Darmstadt, que cedeu Hesse-Hamburg; e, ainda, com Württemberg, Baden e Saxônia.

Em 26 de julho, Áustria e Prússia assinaram o documento preparatório para o tratado formal de paz, o Tratado de Praga, assinado em 23 de agosto. A Prússia pôde então organizar a Confederação Germânica do Norte43 — Os estados do norte que ainda se mantinham independentes ficavam sob a liderança da Prússia em tudo, desde a legislação de comércio até a política externa. 44 Além disso, resolveu um velho problema interno: a Câmara Baixa, em conflito com o governo desde 1862, chegou a um acordo com Bismarck aprovando a Lei de Indenização. Pela lei, a Câmara dava autorização retroativa aos gastos realizados — o que era um reconhecimento de que o governo agira até então inconstitucionalmente —, pondo fim ao problema. Não sem razão, o historiador alemão Heinrich von Treitschke declarou que “as vitórias do Exército haviam rejuvenescido a pátria”.45

Os Estados do sul da Alemanha, ao sul do Main — Bavária, Baden, Hesse-Darmstadt e Württemberg —, embora mantendo sua independência, tiveram de assinar tratados com a Prússia pelos quais seus exércitos ficariam sob comando prussiano em caso de uma guerra externa. As negociações com a Bavária prolongaram-se até outubro, quando foi possível dar início aos trabalhos de redigir uma constituição unitária. A total unificação da Alemanha estava agora na dependência de mais uma crise. 46

A derrota do Império Austríaco na guerra contra a Prússia levou à dissolução da Confederação Germânica e, portanto, ao afastamento da Áustria da Alemanha e também ao seu afastamento da Itália, já que teve de abandonar o Veneto; mas, por outro lado, criou a oportunidade para a reestruturação do Império Austríaco, cuja grande fraqueza era a multiplicidade de etnias sob sua jurisdição. As Revoltas de 1848 mostraram nitidamente essa vulnerabilidade, em especial com relação aos magiares (Hungria). O Império era mais uma possessão doméstica da casa dos Habsburgo do que um estado com consciência e propósito comuns. O compromisso de 1867 entre o imperador e a Hungria, pelo qual foi criado o Império Austro-Húngaro, uma dinastia dual, unida apenas nas questões relativas à guerra e às relações exteriores, foi uma tentativa [pag. 307] para minorar as dificuldades do Império mas, por não terem sido ouvidas as demais etnias nem consideradas as suas reivindicações, ineficaz.

 

ENTREATO

 

O grande problema de Bismarck, agora, era a preparação da Constituição para a Confederação Germânica do Norte. Antes de fazê-lo, porém, tinha de acalmar as inquietações russas e francesas com o novo arranjo dos Estados alemães e encaminhar o problema da unificação total, sua próxima meta.

Foi fácil convencer a Rússia de que a Confederação era uma solução melhor que a volta do liberalismo revolucionário de 1848, que poderia agitar a Alemanha e também a Polônia. A possibilidade de contar com o apoio da Prússia para uma futura revisão do Tratado de Paris, assinado após a Guerra da Criméia, contribuiu para tranqüilizar a Rússia, que não aceitava as cláusulas da desmilitarização do mar Negro. As reivindicações francesas, muito exageradas, foram sendo recusadas por Bismarck — principalmente a volta às fronteiras de 1814 — que, bem a seu estilo, deixava Napoleão III sem nenhuma posição clara da Prússia em relação às suas pretensões.

A 9 de dezembro de 1866, Bismarck apresentou um proposta da Constituição, com 64 artigos. Pela proposta, todo o poder verdadeiro permanecia nas mãos do rei prussiano; o primeiro-ministro a ser eleito pelo Parlamento era um cargo quase honorífico; a responsabilidade pela política externa, por declarar a guerra e fazer a paz, era do rei da Prússia na sua qualidade de presidente da Confederação, e a ele cabia também o comando das Forças Armadas integradas.

Ouvido o Conselho da Coroa, a única mudança de substância aceita por Bismarck dizia respeito às responsabilidades do primeiro-ministro (chanceler). Ele aceitou que este tivesse “poderes e responsabilidades para propor e sancionar leis federais”, desde que fosse nomeado pelo rei e não eleito pelo Bundesrat (assembléia de representantes de todos os estados que compõem a Confederação Germânica do Norte). Tendo em vista essa mudança, Bismarck decidiu ocupar ele mesmo o posto de primeiro-ministro, acumulando também o cargo de ministro-presidente da Prússia. Em fevereiro de 1867, tendo o Conselho aprovado, embora relutantemente, o anteprojeto, foram realizadas eleições nos Estados-membros da Confederação para eleição do parlamento (Reichstag) da Confederação. O parlamento eleito, com predominância aristocrática, aprovou, com algumas emendas, a Constituição. [pag. 308]

Ainda em fevereiro, Napoleão abriu o Parlamento francês com uma arrogante fala do trono, dizendo que os franceses haviam detido os prussianos às portas de Viena sem movimentar um só regimento. A irritação alemã foi enorme.

As divergências entre Bismarck e Moltke sobre a oportunidade da guerra deviam-se às diferentes visões que tinham sobre o comportamento dos quatro estados do sul (Saxônia, Bavária, Württemberg, Baden e Hesse-Darmstadt): para Bismarck, eles não apoiariam a Prússia numa guerra contra a França; Moltke partia da suposição de que eles lutariam ao lado da Prússia. Enquanto Moltke queria a guerra imediatamente, Bismarck queria protelá-la até que as relações com o Sul se tornassem mais sólidas. Em 1869, dizia Bismarck: “A questão da unidade alemã está fazendo progresso, mas requer tempo — talvez um ano, ou cinco, quem sabe até dez anos. Não posso fazê-la andar mais depressa”. 47

A crise da sucessão da Espanha — em 1868, a despótica e desacreditada rainha Isabel II foi deposta por um movimento popular, tendo se refugiado na França — levaria à guerra entre a Prússia e a França. O convite por um dos grupos monarquistas para que o príncipe Leopoldo, filho mais velho do príncipe Carlos Antonio Hohenzollern-Sigmarigen, assumisse o trono espanhol, em princípio foi rejeitado por ele e pelo rei Guilherme, seu parente. Como Leopoldo, além de oficial do Exército prussiano era um Hohenzollern, portanto estreitamente ligado à Prússia, ele e o rei temiam as repercussões em toda a Europa da sua presença no trono da Espanha.48

Depois de muitas negociações, conduzidas secretamente, foram vencidas as resistências do rei e de Leopoldo. Por uma série de contratempos, antes que as cortes espanholas pudessem eleger Leopoldo e, portanto, apresentar ao mundo um fato consumado, a notícia vazou; surpreendidos, os franceses reagiram indignados, atribuindo o fato a uma maquinação prussiana. Querendo evitar o agravamento da crise, Guilherme fez Leopoldo desistir da Coroa, num encontro na cidade de Ems, e comunicou esta decisão imediatamente ao embaixador francês que, então, pediu ao rei garantias de que Leopoldo jamais aceitaria a retomada de sua candidatura. Enfurecido com a exigência que implicava falta de confiança na sua palavra, Guilherme recusou-se a fazê-lo e autorizou Bismarck a divulgar o encontro. Bismarck, embora mantendo-se fiel à essência dos fatos, deu publicidade a um relato, em nota preparada com a mais apurada técnica jornalística, pondo em relevo a insolência do embaixador francês e a altiva resposta do rei.

A notícia do Encontro de Ems, como relatado por Bismarck, chegou a Paris a 14 de julho, exaltando os ânimos franceses; o mesmo ocorreu na [pag. 309] Alemanha, inclusive nos Estados do Sul, criando-se as condições desejadas por Bismarck para a guerra com a França. A 19 de julho de 1870, o encarregado de negócios francês entregou no Ministério do Interior da Prússia uma declaração formal de guerra. Ambos os países deram início à movimentação de suas tropas para a fronteira. No dia seguinte, a Bavária, Württemberg, Baden e Hesse-Darmstadt comprometeram-se a lutar ao lado da Prússia.

 

A GUERRA FRANCO-PRUSSIANA

 

As ações não tiveram lugar imediatamente. Franceses e alemães levaram praticamente uma quinzena para desdobrarem suas forças na fronteira, apesar do uso das ferrovias numa escala sem precedentes. Somente no último dia de julho, Guilherme deixou Berlim para assumir o comando do Exército em campanha.

Houve, porém, diferenças consideráveis no processo de mobilização. A Alemanha, graças a cuidadoso planejamento e esmerada organização do sistema de transporte, especialmente ferroviário, pôde colocar 3 exércitos em posição — cerca de 380 mil homens — em 18 dias. Por outro lado, na França a confusão foi enorme: unidades chegaram ao front sem suprimentos e sem meios de transporte, e os atrasos foram freqüentes. Quando Napoleão III juntou-se ao Exército em Metz, a 28 de julho, nenhum corpo estava em condições de dar início às operações. Em conseqüência, perdeu-se a vantagem inicial que seria da França, com maior proporção de tropas profissionais e melhores armas portáteis. A vantagem alemã era numérica — além dos prussianos, contava com tropas de outros Estados da Confederação (inclusive da Saxônia e do Hesse) e também dos Estados do Sul (Bavária, Württemberg e Baden) —, além da superioridade da artilharia, em organização e mobilidade.

A constituição inicial do Exército alemão era a seguinte:

• Primeiro Exército, sob o comando do indiciplinado e arrogante general

Steinmetz, organizado em três corpos, com um total de 50 mil homens;

• Segundo Exército, sob o comando do príncipe Frederico Carlos, organizado

em seis corpos além da Guarda, com um total de 134 mil homens;

• Terceiro Exército, sob o comando do príncipe herdeiro Frederico,

organizado com dois corpos de prussianos, dois de bavarianos, uma divisão de Baden e uma de Württemberg, com um total de 125 mil homens.49 [pag. 310]

Uma das primeiras batalhas de envergadura foi a de Wörth, a 6 de agosto de 1870. O Terceiro Exército alemão, que apenas dois dias antes obtivera uma boa vitória num ataque de surpresa perto de Wissemburgo, envolveu e derrotou o flanco direito francês, sob o comando do marechal MacMahon. Os alemães perderam 10 mil homens entre mortos e feridos contra 7 mil mortos e feridos franceses além de 4 mil prisioneiros. A retirada francesa após a batalha caracteriza a vitória alemã.

Os Primeiro e Segundo Exércitos alemães, deslocando-se ao sul de Metz, depararam-se com as forças principais francesas. Duas sangrentas mas indecisivas batalhas tiveram lugar — em Vionville, a 16 de agosto, e Gravelotte, a 18. Apesar da superioridade numérica alemã (3 x 2), suas perdas foram maiores; contudo, a vitória estratégica e moral lhes pertenceu, pois as forças francesas, sob o comando do marechal A. F. Bazaine, se retiraram para trás das defesas de Metz.

A principal dificuldade de Moltke era a incompreensão de alguns de seus generais das suas idéias; mas, graças à eficácia dos oficiais de seu Estado-Maior e à disciplina das tropas:

[...] ele conseguiu que seus exércitos continuassem avançando como uma massa ordeira e

articulada, suficientemente dispersos para fins de movimento e suprimento, embora

concentrados o bastante para apoio mútuo: um conjunto de tentáculos movendo-se para

diante através das planícies da França, qualquer um deles podendo pegar e prender sua

vítima enquanto os outros a envolviam para destruí-la.50

 

Depois de Wörth, MacMahon retirou-se para o Marne e, em Châlons, improvisou uma força correspondente a quatro corpos de Exército. Tendo em vista o novo quadro estratégico, Moltke reorganizou os exércitos alemães. Ele tinha de conter o até então intacto exército de Bazaine em Metz e de perseguir e destruir as forças que agora estavam se concentrando em Châlons. O Terceiro Exército não era suficientemente forte para enfrentar MacMahon sozinho; se um dos Exércitos que assediavam Metz fosse destacado para ajudá-lo, o outro não seria capaz de conter Bezaine.

Moltke decidiu então abandonar a organização tripartite, dividindo o Exército alemão em dois grupos praticamente iguais. Para isso, o Segundo Exército foi dividido em dois: a Guarda e dois corpos de Exército, além de duas divisões de cavalaria, constituiriam o Exército do Meuse, sob o comando do príncipe Alberto da Saxônia (o que era não só politicamente correto, mas também certo sob o ponto de vista militar, pois o príncipe já havia dado provas [pag. 311] de sua competência); os quatro corpos de Exército restantes ficariam em Metz no Primeiro Exército, com o príncipe Frederico Carlos assumindo o comando de toda a força sitiante.51

A 22 de agosto, MacMahon recebeu um despacho de Bazaine do qual inferiu que este teria de abandonar Metz, o que, para a opinião pública francesa, era inaceitável. A pressão política para que MacMahon abandonasse seu plano de ir para Reims e corresse em socorro de Bazaine tornou-se irresistível e ele tomou a decisão fatal de marchar para o Meuse, sendo suas forças cercadas em torno de Sedan.52 Moltke não pôde se conter: “Agora estão na ratoeira”.53

A certeza da vitória levou a uma situação hoje totalmente impossível: instalados numa encosta na vila de Frénois, Guilherme I, Bismarck, Ronn, Moltke, e seus respectivos Estados-maiores, e grande número de observadores de países estrangeiros e de correspondentes de guerra puderam assistir, através de seus binóculos, a batalha que estava decidindo os destinos da Europa. Mais uma vez, Bismarck usara a diplomacia para conquistar vantagens para a Prússia. Tão logo ele percebeu que as forças francesas poderiam ser cercadas e encurraladas contra a fronteira belga, informou aos governantes da Bélgica que, caso os franceses atravessassem a fronteira e não fossem imediatamente desarmados, os alemães os perseguiriam dentro do território belga.

A Batalha de Sedan teve início com o bombardeio cerrado das tropas francesas pela artilharia alemã e o ataque pelas tropas de infantaria e cavalaria; os franceses, espremidos contra a fronteira belga, foram obrigados a render-se a 2 de setembro. Entre mortos e feridos, perderam 17 mil homens e tiveram de ceder 104 mil prisioneiros, entre os quais o próprio imperador Napoleão III e o marechal MacMahon; os alemães perderam menos de 9 mil homens, entre os quais 460 oficiais.

Como o Exército de Bazaine permanecia cercado em Metz, a guerra estava decidida, apenas cinco semanas após seu início. Entretanto, ela ainda se arrastaria por mais cinco meses. A 4 de setembro dei870, assumiu o poder em Paris um governo de defesa nacional republicano que logo depôs Napoleão III, ainda prisioneiro dos alemães, e estabeleceu a Terceira República.

A resistência francesa em Paris foi heróica. A máquina de guerra alemã não estava preparada para lidar com forças irregulares como as dirigidas pelo líder popular e radical republicano Léon Gambetta — um prenuncio das guerras de guerrilha do século XX — e apelou a retaliações selvagens para impedir a difusão das guerrilhas pela França ocupada. Uma guerra de [pag. 312] objetivos indefinidos e ações altamente dispersas era tudo o que os alemães não queriam.

Depois de Sedan, a Alemanha, inclusive os Estados do Sul, foi tomada por um fervor patriótico extraordinário. Até na Bavária, onde sempre predominou o sentido de independência, o nacionalismo alemão prevaleceu e o rei Ludwig reconheceu a necessidade de união de toda a Alemanha. Bismarck quis aproveitar a situação e iniciou as negociações para que Württemberg, Baden, Bavária e Hesse se unissem à Confederação, e os resultados não tardaram: Hesse e Baden ingressaram na união a 15 de setembro, a Bavária a 23 e Württemberg a 25. A grande vitória de Bismarck foi a proclamação em Versalhes, a 18 de janeiro de 1871, de Guilherme da Prússia como imperador da Alemanha.

A 27 de outubro, Bazaine rendeu-se em Metz, mas a 9 de novembro os alemães foram expulsos de Orléans, que haviam tomado no mês anterior. No começo de dezembro, os alemães retomaram Orléans. O ataque a Paris começou a 5 de janeiro de 1871, com o canhoneio alemão. A 19, os defensores lançaram uma ofensiva com 90 mil homens contra as linhas alemães diante de Versalhes. Ela falhou e quatro dias depois os franceses pediram um armistício, assinado a 28, com a duração de três semanas, tempo necessário para a realização de uma eleição para formar uma assembléia geral, em Bordeaux, que estabeleceria as condições para a paz.

A 17 de fevereiro, Adolphe Thiers foi indicado chefe do poder executivo, logo iniciando as negociações de paz. Os termos do tratado foram ratificados pela assembléia a 1º de março. A 18, entretanto, ocorreu a revolta da Comuna de Paris54 e, por cerca de dois meses, os franceses envolveram-se numa luta fraticida na capital, com os exércitos alemães apoiando as “forças da ordem” francesas para esmagar a Comuna. O Tratado de Frankfurt, que pôs fim ao conflito, foi completado a 10 de maio e ratificado a 23.

Os termos do armistício e do Tratado foram duros, pois o objetivo prussiano era deixar a França enfraquecida por muitos anos. A Alemanha anexou a Alsácia e a Lorena germânica (incluindo Metz); a França comprometeu-se a pagar uma indenização de 5 bilhões de francos e a arcar com os custos da ocupação alemã das províncias do norte até que a indenização fosse paga. Paris não chegou a ser ocupada, mas sofreu a humilhação de uma marcha triunfal alemã ao longo dos Campos Elísios. [pag. 313]

 

RUMO À GUERRA MUNDIAL

 

A completa derrota da França, que culminou com o fim do Segundo Império Francês, criou novo equilíbrio de poder na Europa, com a Alemanha substituindo a França como potência hegemônica no continente europeu. E verdade que o equilíbrio era apenas aparente, já que o poder da Alemanha representava, definitivamente, o fim do sistema criado com o Congresso de Viena. A política de poder (realpolitik) levaria o mundo no início do século XX irremediavelmente rumo à Primeira Guerra Mundial.

O poder temporal do papa, mantido somente devido à presença de tropas francesas em Roma desde 1867, não sobreviveu à nova situação. Com a retirada dos franceses, os italianos ocuparam Roma a 20 de setembro de 1870. A Unificação da Itália seria ratificada a 2 de outubro, quando um plebiscito realizado em Roma determinou sua união com o reino da Itália.

Alexandre II, imperador da Rússia, aproveitou o momento e repudiou as cláusulas do Tratado de Paris, que pôs fim à Guerra da Criméia em 1856 e proibia a Rússia de militarizar as margens do mar Negro. Apesar dos protestos da Grã-Bretanha e da Alemanha, nada foi feito para deter a Rússia. De uma forma nunca vista desde 1815, a política internacional passou a ser dominada por ameaças de violência, com os Estados europeus tratando a guerra como um instrumento de sua política nacional, tornando cada vez mais real o aforisma de Clausewitz — o grande estrategista militar que analisou as guerras napoleônicas — de que “a guerra é uma continuação da política por outros meios”.

A paz só poderia ser preservada através da sutil manipulação do equilíbrio de poder entre os Estados ou entre sistemas de alianças. A Guerra de 1914 seria uma conseqüência direta dessa visão. Os quarenta anos de paz européia depois de 1871 não podem ser vistos como resultado de estabilidade existente mas como um equilíbrio instável resultante de tensões que não foram eliminadas pelos estadistas da época.

A Alemanha unificada tornou-se foco de instabilidade, ainda que, indiretamente, passasse a ditar a política européia. Em busca da segurança absoluta para seu país, os líderes alemães, após Bismarck, passam a ameaçar os demais países europeus, desencadeando assim coalizões contra a Alemanha quase automaticamente e gerando insegurança total,55 A Entente Cordiale — acordo diplomático de 8 de abril de 1904 que estabeleceu relações amistosas entre a França e a Grã-Bretanha e definiu suas respectivas zonas de influência [pag. 314] no mundo — foi uma conseqüência dessa política alemã, e daria origem à Tríplice Entente, assinada em 1907 incluindo a Rússia — a França, já tinha com a Rússia um tratado de entendimento desde 1893 —, além da França e da Grã-Bretanha. Como desde 1882, a Alemanha, a Áustria e a Itália já tinham um tratado de cooperação e amizade, ficavam delineados os campos opostos que se defrontariam na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

 

NOTAS

 

(1) Henry Kissinger, Diplomacy, New York: Simon & Schuster, p. 79. (2) Kissinger, op. cit., p.109.

(3) Idem, Ibid. p. 105.

(4) Eric Hobsbawn, A era do capital, 1848-1875, Rio de Janeiro: Paz e Terra, p. 88 (5) Apud Palmer & Calton, A History of the Modern World, New York: Alfred A. Knopf Inc.,

p. 521.

(6) Kissinger, op. cit., p. 114.

(7) Gordon Craig, The Politics of the Prussian Army, 1640-1945, New York: University Press,

pp. 138-139.

(8) Hobsbawm, op. cit., p. 88.

(9) Craig, op. cit, p. 137.

(10) Idem.

(11) Wawro, The Austrain-Prussian War: Austria"s War With Prussia And Italy In 1866,

Cambridge: Cambridge University Press, p. 16 e Craig, op. cit., p. 139.

(12) Howard, The Franco-Prussian War, London: Richard Clay Ltd., pp.4-8. (13) Fuller, A conduta da guerra, Rio de Janeiro, Bibliex, p. 108. (14) Apud Fuller, op. cit., p. 108.

(15) Jeremy Beach, War and the World: Military Power and the Fate of Continents — 1450-

2000, p. 175.

(16) Fuller, A conduta da guerra, Rio de Janeiro, Bibliex, 1966, p. 110. (17) Howard, op. cit, pp. 4-8.

(18) Fuller, op. cit., p. 111.

(19) Wawro, op. cit., p. 17.

(20) Pflantze, Bismarck and the Development of Germany: The Period of Unification, 1815-

1871, Princeton: Princeton University Press, pp. 462-468 e Craig, op. cit., pp. 195-216.

(21) Wawro, op. cit., pp. 18-9.

(22) Raposo, Dimensões da Estratégia, 2º v., Rio de Janeiro: Bibliex, p. 322. (23) Howard, op. cit., p. 88.

(24) Alan Palmer, Bismarck, Brasília: Ed. Universidade de Brasília p. 94. (25) Craig, op. cit., p. 121.

(26) Idem.

(27) Oliver Warner and Others, Sea Warfare, London: Salamander Books, p. 14. (28) Kissinger, op. cit., p. 113.

(29) Palmer, op. cit., p. 99.

(30) Idem, pp. 103-4. [pag. 315]

(31) Kissinger, op. cit., p. 114.

(32) Palmer, op. cit., p. 91.

(33) A Convenção de Gastein determinou o fim da administração conjunta dos ducados pela

Áustria e pela Prússia e sua substituição por uma divisão provisória: a Áustria administraria

o Holstein, enquanto a Prússia assumiria a responsabilidade sobre o Schleswig e adquiriria

os direitos da Áustria sobre o Lauenburgo por certa quantia.

(34) Na guerra de 1859, a Áustria, lutando contra o Piemonte e a França, tinha perdido a

Lombardia para o Piemonte — em 1861, Lombardia e o Piemonte constituíam o núcleo em

torno do qual se formaria a Itália — mas ainda retinha o Veneto. A França, porém, não

ganhou em 1859 o reconhecimento da Itália porque, sem consultá-la, assinou a paz com a

Áustria em Vilafranca. Em 1866, quando a Áustria foi derrotada pela coalizão Prússia-

Itália, teve de ceder o Veneto para a Itália, que atribuiu essa conquista à vitória da Prússia e

não à mediação da França.

(35) Palmer, op. cit., p. 107.

(36) Eleitor de Hesse — governante de um dos pequenos reinos — o Eleitorado de Hesse —

que compunham a Confederação Germânica.

(37) Mêlée — expressão francesa que define um combate que não se processa de forma

ordenada já que os diversos elementos de combate (unidades de tropas, navios ou pequenos

grupos de navios etc.) se engajam de forma desordenada, sem seguir um princípio tático

facilmente identificável. O termo é usado nos nossos meios militares, sem ser traduzido.

(38) Warner, op. cit., p. 14 . A tática do “abalroamento”, que já tinha sido usada com sucesso

por Barroso na Batalha Naval do Riachuelo, em junho de 1865, quando da Guerra da

Tríplice Aliança (1864-70), criou a falsa idéia da potencialidade do aríete. O crescente

alcance e a cada vez maior eficiência da artilharia naval tornaram o uso do aríete muito

limitado.

(39) Alemães e austríacos referem-se à batalha como “de Königgratz” mas na Grã-Bretanha e na

França ela é conhecida como Batalha de Sadowa, penso que com mais propriedade. Após a

batalha, Königgratz continuou de posse dos austríacos; o nome Königgratz foi usado pelo

rei Guilherme porque a cidadela fora o quartel-general de Frederico, o Grande, nome,

portanto, significativo na história militar da Prússia. Hoje Königgratz é conhecida pelo

nome tcheco Hrádec Králove.

(40) Palmer, op. cit., p. 119.

(41) Wawro, op. cit., p. 276.

(42) Palmer, op. cit., p. 121.

(43) Confederação Germânica do Norte não é o mesmo que Confederação Germânica. Ela não

incluía a Áustria nem os estados ao sul da Confederação Germânica muito ligados à

Áustria.

(44) Kissinger, op. cit., p. 117.

(45) Palmer, op. cit., p. 124.

(46) Kissinger, op. cit., p. 117.

(47) Palmer, op. cit., p. 135.

(48) Aparentemente, não era de esperar um veto de Napoleão III: o irmão de Leopoldo tinha

recentemente sido feito dirigente do novo Principado da Romênia com apoio francês; seu

cunhado, rei de Portugal, era parente de Napoleão III pois sua avó era filha de Eugênio

Beauharnais e, portanto, prima-irmã do imperador.

(49) Howard, op. cit., p. 82.

(50) Idem,p. 127.

(51) Idem, p. 190. Deixando o general Steinnetz sob as ordens do príncipe, Moltke tirava-o do

comando direto e não tardou a acontecer o que Moltke queria: o convívio entre os dois

tornou-se insuportável e Steinmetz foi retirado e aposentado.

(52) Idem, p. 196.

(53) Palmer, op. cit., p. 144. [pag. 316]

(54) A Assembléia Nacional — eleita em substituição ao Governo de Defesa Nacional instituído

após a capitulação do imperador e do exército francês em Sedan — tinha entre as suas

primeiras tarefas a assinatura de um tratado de paz com o Império Alemão — o rei da

Prússia assumira o título de imperador, em janeiro de 1871, em Versalhes, então ocupada

pelos alemães. Para a Assembléia Nacional foi eleita uma expressiva maioria de deputados

monarquistas; Luís Adolfo Thiers foi eleito “chefe do executivo da República Francesa”,

devendo governar “sob o controle da Assembléia Nacional e com o apoio de ministros, por

ele escolhidos e por ele presididos”.

Quando a Assembléia decidiu sair de Bordéus, onde se instalara a sede do Governo de

Defesa Nacional, e instalar-se em Versalhes, e não em Paris, os republicanos mais radicais,

temendo que isto fosse um prenúncio da volta da monarquia, rebelaram-se e estabeleceram

uma Comuna com sede em Paris, cujo principal objetivo era opor-se a essa possibilidade,

por meio de uma ação revolucionária que empolgasse o país. Embora a possibilidade do

retorno à monarquia fosse a centelha que fez detonar o movimento, suas causas mais

profundas estavam ligadas à frustação da derrota militar para os alemães e também às

dificuldades por que a cidade passara durante os quatro meses em que os exércitos alemães

a cercaram.

Apesar de a Comuna de Paris ter tido algum êxito, especialmente em Lions, Marselha e St.

Étienne, a revolta foi esmagada e as tropas francesas vindas de Versalhes — Thiers

negociara a libertação do exército francês com Bismarck — ocuparam a cidade e

dizimaram as forças da Comuna, a 21 de maio. A violência da repressão, que eliminou os

radicais, abriu caminho para uma república mais conservadora.

(55) Kissinger, op. cit., p. 172.

 

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[pag. 317]

[pag. 318]