História das Guerras

Demétrio Magnoli · Capítulo 5 de 29

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História das Guerras

Guerra do Peloponeso

 

Pedro Paulo Funari

 

A Guerra do Peloponeso pode ser considerada, a justo título, um conflito de importância histórica ímpar. Ainda que a guerra tenha terminado há 24 séculos, continuou a fascinar as gerações posteriores e serviu como instrumento analítico para entender inúmeros conflitos posteriores e, mais recentemente, a Primeira Guerra Mundial e a Guerra Fria. Serviu de referência não apenas para historiadores, como generais, diplomatas, estadistas e estrategistas. Por sua significação para os destinos da história posterior, a Guerra do Peloponeso foi considerada particular, ao selar o destino das cidades independentes gregas, conhecidas como póleis. Primeira guerra em larga escala travada em um contexto democrático, de discussão pública das decisões, tem servido, de geração em geração, ao debate sobre a relação entre regime político e guerra.

No campo militar, stricto sensu, a Guerra do Peloponeso foi também inovadora, com a introdução ateniense da estratégia defensiva de abandono do campo, concentração da população na cidade, fortalecimento da Marinha e, condição sine qua non, introdução de um esquema de abastecimento fundado na obtenção de recursos dos seus aliados, com um sistema imperial de sustentação do esforço de guerra. A estratégia militar ateniense representou, de fato, uma revolução logística que serviria, posteriormente, de modelo aos grandes exércitos macedônicos e romanos, também fundados em grandes impérios que abasteciam as tropas. [pag. 19]

UMA BREVE APRESENTAÇÃO

 

A Guerra do Peloponeso pode ser definida como a disputa entre Atenas e seu império contra Esparta, Tebas, Corinto e outros membros da Liga do Peloponeso, entre 431 e 404 a.C. (Uma primeira guerra nesses moldes já havia ocorrido entre 460 e 455 a.C.) As batalhas deram-se em ampla área, da Sicília, ao ocidente, até a Ásia Menor, ao oriente, do Helesponto e a Trácia, ao norte, até Rodes, ao sul.

Foi a primeira grande guerra narrada por uma testemunha ocular, um historiador cuja fama perdura até hoje, Tucídides (464-401 a.C). A guerra passou, para as gerações posteriores, como uma luta modelar entre uma democracia comercial e grande potência marítima, Atenas, e uma aristocracia agrícola e potência militar terrestre, Esparta.

A guerra começou em 4 de abril de 431 a.C. com a tentativa de Tebas de atacar Platea,1 aliada de Atenas, e terminou em 25 de abril de 404 a.C., com a capitulação de Atenas.

As cidades da Liga Beócia, lideradas por Tebas, eram os aliados continentais de Esparta, desde o início, com o apoio posterior de Siracusa e outras cidades da Sicília. Os persas, com o desenrolar da guerra, deram apoio financeiro e logístico a Esparta, com vistas a reconquistar as cidades gregas que se haviam aliado a Atenas. Os espartanos contavam também com a simpatia das oligarquias em muitas cidades.

Atenas dispunha do apoio de outras tantas cidades que se opunham aos persas e que prosperavam com o comércio — a leste na Jônia e nas ilhas do mar Egeu, assim como ao norte na Trácia e às bordas do mar Negro —, além de contar com o apoio dos democratas em outras cidades. No Peloponeso, contou com a neutralidade e depois com o apoio de Argos, rival de Esparta.

 

A GRÉCIA NO SÉCULO V a.C

 

Para que possamos entender a Guerra do Peloponeso, faz-se necessário tratar, ainda que de maneira breve, do contexto histórico e cultural em que se inseria. O que chamamos de mundo grego era composto de uma pletora de cidades autônomas, as póleis, espalhadas por grande área, no Mediterrâneo Oriental, incluindo as ilhas do mar Egeu, além das colônias gregas fundadas no Mediterrâneo Ocidental, no que viria a ser Itália, França e Espanha. Os [pag. 20]

 

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gregos falavam dialetos apenas parcialmente inteligíveis entre si, e embora compartilhassem características culturais comuns, como a religião politeísta olímpica e a tradição dos poemas homéricos, apresentavam diferenças notáveis, divergiam e lutavam entre si. Entre os gregos, nunca houve noção de cidadania que ultrapassasse o quadro de cada cidade, a tal ponto que o cidadão (polités) era o homem com direitos apenas em sua cidade (pólis).

Num mundo de cidades gregas muitas vezes rivais, a guerra era uma atividade não apenas corriqueira, como essencial. O filósofo Heráclito (540-475 a.C.) observou que “a guerra é o pai de todas as coisas” (pólemos patér pantõn). O grande patrimônio comum dos gregos, os poemas homéricos, mostravam a honra dos valores militares e da luta sem quartel:

 

Flecheiros fanfarrões, Aqueus vexaminosos, não tendes brio? Por que — como filhotes

tímidos de corça que, depois de correr pelo prado, exânimes, detêm-se — estais inermes,

pávidos, sem fibra para a luta? (Ilíada, Canto 4, 241-246, tradução de Haroldo de

Campos).

 

O historiador e arqueólogo francês Yvon Garlan bem constatou a “onipresença da guerra” no mundo grego, algo que se expressa no volumoso vocabulário usado pelos gregos para se referir à guerra e ao conflito militar: pólemos (guerra), agón (competição), mákhe (batalha), para não mencionarmos os derivados. A virtude masculina por excelência, areté, era a coragem, ousadia ou petulância na luta, como na Ilíada, Canto 20, 411-412: “confiando nos pés céleres, com petulância pueril, desabalado, se exibia na linha de frente até perder a vida” (tradução de Haroldo de Campos). A luta era elemento central na educação dos meninos gregos, e a guerra constituía tanto parte integrante da vida em sociedade, como atividade essencial para definir as subjetividades, para a formação dos indivíduos e dos coletivos humanos.

Da diversidade de constituições políticas nas póleis gregas, duas desde logo destacaram-se por suas características e diferenças: Atenas e Esparta. Atenas tinha um amplo território, a Ática, formado por planícies e colinas, e embora ocupadas continuamente desde a Idade do Bronze, as aldeias da região só foram unificadas tardiamente, com instituições centralizadas. Após longa evolução, no final do século VI a.C. o líder ateniense Clístenes reformou o sistema de tribos, ampliou o conselho que administrava a cidade para quinhentos membros (boulé) e permitiu que cada cidadão registrado em um demos (aldeia) votasse na assembléia popular (ekklesía). O historiador Heródoto (484-424 a.C.) (História 6,131,1) e o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) [pag. 22] (Constituição de Atenas, 29,3) definiram Clístenes, em 508 a.C., como o introdutor da democracia.

Esparta, no Peloponeso, havia sido fruto de um processo de conquista da região, que resultou em uma cidade de esparciatas (uma elite militar), que dominavam os periecos e hilotas (estrangeiros e servos), desprovidos de direitos. Os esparciatas tinham dois reis, um conselho (gerusía, ou Senado) e uma assembléia que elegia gerontes e éforos, que governavam a cidade (como hoje seriam o prefeito e seus secretários). Os meninos eram criados em unidades de tipo militar (agélai, “rebanhos”) e, a partir dos 12 anos, recebiam uma formação ainda mais severa até chegar ao treinamento em unidades militares (phidítia). Como afirma o historiador francês Pierre Vidal-Naquet, havia, portanto, um antagonismo entre a modernidade e inovação ateniense e o arcaísmo lacedemônio.

A arte da guerra, na Grécia antiga, passou por transformações importantes e duradouras a partir do século VII a.C., em parte por influência dos modelos orientais, talvez dos assírios à época do rei Tiglat Pilese (745-727 a.C), quando chegaram à Síria e à costa do Mediterrâneo. Como quer que seja, é certo que nos séculos VI e V a.C. a tática de guerra em terra era a hoplítica. O exército era composto por infantaria bem armada, com lança e espada, para o ataque, e armadura defensiva, com corpete, braçadeiras, elmo fechado e largo escudo redondo, chamado hóplon — daí o nome hoplítico. Os soldados lutavam em formação cerrada, escudo ao lado de outro escudo, como uma falange, numa série de fileiras. A fileira dianteira avançava e tentava empurrar o inimigo e as fileiras traseiras sustentavam e davam força ao avanço.

A Marinha de guerra desempenhou papel crescente em Atenas a partir da ação do líder Temístocles (528-460 a.C), que se utilizou dos recursos das minas de prata do Láurio para construir cerca de 200 barcos para a luta contra os persas, em 480 a.C., em Salamina. Durante o período do império de Atenas, sua frota será sempre numerosa, contada entre 300 e 400 belonaves. Seus navios de guerra tinham 3 ordens de remos, chamados de trieres, com medidas médias de 50 metros de comprimento por 7 de largura. A triere possuía um mastro e vela, mas as manobras em batalha eram feitas apenas com os remos. Em média, havia 170 remadores e 30 outros soldados para manejo do barco. Os remadores eram atenienses pobres, sem renda, chamados tetas, remunerados para servir na marinha, o que significa um imenso contingente de até 40 mil homens pobres que constituíam uma das principais forças de apoio a todo tipo de aventura militar. [pag. 23]

 

AS ALIANÇAS MILITARES

 

As cidades gregas, com suas particularidades e rivalidades, haviam sido galvanizadas, no início do século V a.C., em sua luta contra os persas. Entre 490 e 449 a.C. os gregos opuseram-se a Dario I (rei de 522 a 485 a.C.) e Xerxes (rei de 485 a 465 a.C.) e conseguiram ainda repelir os ataques aquemênidas que queriam submeter as cidades gregas da Jônia.

Heródoto de Halicarnasso, cidade grega na Ásia Menor que esteve sob jugo persa, escreveu sua História para investigar as origens do conflito entre gregos e persas, e por seu intermédio sabemos muito sobre o pano de fundo das guerras. A luta contra os persas levou à formação de uma aliança militar entre cidades, symmakhía, em 481 a.C., a chamada Liga Helênica, da qual participavam todas as principais cidades gregas, como Atenas e Esparta. Contudo, já no século VI a.C. a Liga do Peloponeso havia iniciado as alianças militares, sob a liderança de uma cidade principal, Esparta, chamada de hegemón (guia, líder), termo usado também para designar o comandante no exército. Assim, a antiga Liga Helênica era ampla, enquanto a Liga do Peloponeso restringia-se a Esparta e outras cidades do interior.

O nome oficial da Liga do Peloponeso era “Os lacedomônios e seus aliados”. Os espartanos encontravam-se em minoria em sua própria terra, na qual predominavam os hilotas e periecos, e rivalizavam com a cidade de Argos, no próprio Peloponeso e, por isso, fundavam seu domínio em uma formação militar rígida que a tornava a cidade de Esparta mais poderosa. Estabeleceram, também, uma política internacional voltada para as potências orientais, cultivando relações com a Lídia e o Egito, de modo que já no fim do século VI a.C. Esparta representava a cidade mais potente e reconhecida no mundo grego.

O vocabulário das alianças era derivado do uso militar. As ligas dominariam a cena política grega, daí até o domínio macedônico, na década de 340 a.C. — e é neste contexto que se pode entender a Guerra do Peloponeso. Frente à aliança em torno de Esparta, contrapôs-se outra capitaneada por Atenas. Ao final das guerras contra os persas, em 479 a.C., os atenienses voltaram-se para fortalecer a Ática, pobre de recursos físicos, centrando sua estratégia na garantia das rotas marítimas e do abastecimento de grãos da região do mar Negro, assim como no fortalecimento de seu poderio naval.

Em 478 a.C., uma expedição da Liga Helênica que combatia os persas, sob a liderança do espartano Pausânias, congregando espartanos, atenienses e outros, foi tomar Bizâncio (atual Istambul, na Turquia) de uma guarnição persa. [pag. 24] Posteriormente, Pausânias foi acusado pelos atenienses de ter liberado os altos dignitários persas e mesmo de ter trocado cartas com o rei persa Xerxes. Embora as acusações não tenham sido confirmadas, revelam uma diferença fundamental de estratégia entre Esparta, propensa ao acordo com os orientais, e Atenas, que defendia os interesses das cidades gregas da Jônia recém-liberadas do jugo persa.

Naquele ano, surgiu uma aliança, chamada modernamente de Liga de Delos. Congregava diversas cidades que deviam fornecer belonaves e fundos, que formariam um tesouro comum administrado por tesoureiros atenienses (hellenotamíae). De início em Delos, o tesouro foi transferido antes de 454 a.C. para Atenas. Os membros da liga eram, principalmente, as ilhas do Egeu, mas com o tempo foram adicionadas as Ilhas Cícladas, Lesbos, Quíos, Samos, Rodes, cidades da Trácia, da Calcídica, e a maioria das cidades gregas a oeste e ao sul da Ásia Menor.

 

AS FONTES HISTÓRICAS

 

A História da Guerra do Peloponeso conta com uma gama de fontes, cada uma com suas particularidades e limitações. A guerra foi narrada, em detalhe, pelo historiador ático Tucídides (464-401 a.C), em obra escrita ao final do conflito, em 404 a.C. Testemunhou boa parte do conflito e teve acesso tanto a arquivos quanto a pessoas que participaram das decisões. Buscava a verdade, entendida, como propõe o estudioso italiano Luciano Canfora, como o desvelar da diferença entre a palavra e a política, o que se diz e o que se faz efetivamente. A História, contudo, era antes de tudo um gênero literário e Tucídides compôs muitos discursos que, na melhor das hipóteses, representavam não o que havia sido dito, mas o que era verossímil que tivesse sido dito. Tucídides refere-se, ainda, muitas vezes a intenções ocultas que eram, na verdade, resultado da sua interpretação. O racionalismo de Tucídides é acompanhado pelas explicações irracionais, na forma da deusa Fortuna, como lembra a historiadora espanhola Virgínia Muñoz.

O historiador e general ático Xenofonte (430-356 a.C.) deixou-nos uma História da Grécia (Helênica), sobre o período entre 411 e 362 a.C. Outras fontes literárias são a Constituição de Atenas (obra de autor desconhecido, atribuída a Xenofonte), assim como a obra do mesmo nome de Aristóteles. Autores posteriores como Diodoro da Sicília (século I a.C.) e Plutarco, nas Vidas paralelas, também fornecem informações sobre a guerra. O contexto da guerra encontra-se, também, em outros autores antigos, como Sófocles (496-406 a.C), Eurípides (485-406 a.C.) e Aristófanes (450-385 a.C). [pag. 25]

Outro grande manancial de dados provém das escavações arqueológicas, feitas nos últimos dois séculos. Por esse meio, foram encontrados e publicados diversos documentos escritos, como fragmentos da Helênica, de autor desconhecido, encontrados em papiros no Egito, em Oxyrhynchus, a partir de 1906, sobre os momentos finais da luta. Inscrições monumentais referentes ao império de Atenas foram descobertas e publicadas, sendo de especial interesse as listas de tributos atenienses. Também são pertinentes as informações arqueológicas sobre as trocas comerciais no século V, que demonstram a importância estratégica das rotas comerciais para Atenas, assim como ampla gama de indicações sobre a vida quotidiana à época da guerra.

 

A PRIMEIRA GUERRA DO PELOPONESO (460-455 a.C.)

 

As causas estruturais de um conflito bélico ligam-se aos interesses econômicos e políticos subjacentes às relações entre os contendores, e, no caso da Grécia do século V a.C., os atores políticos eram múltiplos, a começar pelas cidades que se contrapunham umas às outras. Os motivos das disputas eram estratégicos; no sentido estrito, relacionavam-se à disputa por território entre cidades vizinhas que disputavam fronteiras e entre cidades que disputavam o acesso a outras regiões, em especial às fontes de abastecimento. Essas rivalidades territoriais eram, portanto, o motor primeiro das constantes lutas entre as cidades.

Os limites eram, também, “fronteiras mentais”, como lembra o historiador André Leonardo Chevitarese, pois se revestiam de caráter étnico e cultural, de modo que uns tomavam a si mesmos como modelos de virtudes e os outros, seus inimigos, como exemplos de estilo de vida condenáveis e indignos. Pela multiplicação de cidades envolvidas e pela volatilidade das situações, as alianças eram, muitas vezes, ocasionais, mas havia algumas regularidades estratégicas, em particular no que se refere à disputa entre potências vizinhas, como Esparta e Argos no Peloponeso e Atenas e Tebas, na fronteira entre a Ática e a Beócia. A mesma rivalidade repetia-se entre as cidades menores e vizinhas.

As cidades gregas eram também caracterizadas pela heterogeneidade social, por diferentes regimes políticos, ou constituições, com facções em conflito no interior de cada cidade. Em Esparta, havia uma elite dória que oprimia, e temia, os hilotas e os periecos. Em muitas cidades prevalecia um sistema oligárquico, com oposição popular, enquanto em outras prevalecia o regime democrático, sempre marcado pela oposição oligárquica. Isso criava um [pag. 26] elemento adicional de flutuação política, com implicações para as alianças estratégicas. No interior de uma mesma cidade e de um mesmo grupo, como o democrático, por exemplo, havia divergências e decisões militares que nem sempre seguiam uma única linha estratégica, como veremos. Havia, portanto, múltiplos fatores a condicionar as batalhas e mesmo o curso geral das guerras.

Tucídides (1,102) apresenta como motivo estrutural da Guerra do Peloponeso as divergências de fundo entre os oligarcas espartanos e os democratas atenienses: “Os lacedomônios preocupavam-se com o espírito empreendedor e revolucionário dos atenienses, além de os considerarem de origem estrangeira.”

A explicação de Tucídides menciona, portanto, as diferenças entre oligarquia e democracia, assim como adiciona a oposição entre a origem dória dos espartanos e a autoctonia dos atenienses. Os esparciatas preocupavam-se com a garantia da sua segurança interna, frente às populações submetidas e aos seus vizinhos no Peloponeso que poderiam inspirar-se na democracia ateniense e fazer reivindicações ameaçando a hegemonia espartana. Os atenienses, resultado de uma junção de aldeias, voltavam-se para os benefícios de uma liderança marítima e comercial.

As causas imediatas e mais conjunturais, contudo, são menos claras, pois, como lembra o historiador italiano Arnaldo Mommigliano, “toda a História diplomática e social dos trinta anos precedentes à Guerra do Peloponeso está, talvez, irremediavelmente perdida para nós, pois não interessava a Tucídides”. De toda forma, à contraposição principal acenada pelo historiador grego, entre as duas maiores potências, juntavam-se as rivalidades das inúmeras cidades que se aliavam a uma ou outra potência por motivos estratégicos, regionais ou sociais, a depender de quem dominava no momento, oligarcas ou democratas.

Espartanos e atenienses encontravam-se na mesma luta contra os persas, e sua vitória, em 479 a.C., abriu espaço para que as divergências de fundo entre as duas potências gregas se tornassem mais claras. Um primeiro conflito aberto, chamado de Primeira Guerra do Peloponeso, entre 460 e 455 a.C., já mostrava os caminhos da disputa que duraria até o final do século V a.C., assim como as escolhas estratégicas das partes, com uma inovação crucial dos atenienses. Tradicionalmente, o combate dava-se em campo aberto entre exércitos, e o resultado do embate era decidido pelas manobras e pela bravura dos combatentes. Os atenienses, com seu estado voltado para o mar e para as trocas comerciais, começaram a investir em estratégias defensivas, que evitassem o ataque e o combate decisivo. Além disso, a estratégia ateniense apostava no uso [pag. 27] das rivalidades entre as cidades para conquistar aliados. Essa postura, ainda embrionária, já seria adotada no primeiro conflito no Peloponeso.

Atenas estabeleceu alianças com Argos, vizinho e adversário histórico de Esparta, o que embaraçava os esparciatas ao norte e dificultava o avanço de tropas espartanas em direção à Ática. Com o mesmo senso estratégico, Atenas aliou-se a Mégara, que estava às portas da entrada para a Ática, em posição estratégica muito favorável, pois tinha dois portos capitais para o controle do acesso marítimo à Ática — em Niseia, ao sul, e em Pegae, ao norte.

Dessa forma, Atenas podia contar com alguma cidade aliada em toda a sua fronteira terrestre com o Peloponeso, além de dois portos aliados para a defesa marítima. Atenas conseguira essa aliança ao apoiar Mégara, em disputa fronteiriça com Corinto. Atenas ajudou Mégara a construir fortificações do tipo grandes muralhas para ligar a cidade de Mégara e o porto de Niseia e estacionou uma guarnição ateniense no porto. Pegae lhe permitia controlar o golfo de Corinto. Com essas políticas, Atenas contava com dois grandes aliados para contrapor-se a Esparta. Os atenienses aliaram-se, ainda, a Naupacto, ao norte do Peloponeso, do outro lado do golfo de Corinto. Atenas pôde circundar então Esparta e Corinto.

Os atenienses haviam acumulado recursos para a luta contra os persas e enviaram duzentos barcos seus e de aliados a Chipre, de onde foram chamados pelo rebelde egípcio Inaros a lutarem contra o domínio persa do Egito, em 459 a.C. Com essa luta, atenienses e aliados conseguiram assenhorar-se da maior parte da província ou satrapia egípcia. Os atenienses, em seguida a sua aliança com Argos, tentaram conquistar o melhor porto entre Atenas e Argos, Halieis, mas foram derrotados pelas forças de Corinto e Epidauro.

Esparta entrou no conflito e mandou força expedicionária do Peloponeso à Grécia Central, para tentar controlar a região ao norte da Ática. Eram 1.500 hoplitas lacedemônios e 10 mil aliados. Os atenienses continuavam suas expedições marítimas e, com os aliados, enviaram exército para fazer frente aos peloponésios, num total de 14 mil homens, apoiados, ainda, pela cavalaria da Tessália. Com grandes perdas para ambos os lados na batalha de Tânagra, a vitória dos peloponésios mostrava a constante superioridade terrestre das forças de espartanos e seus aliados. Os atenienses concluíram a partir daí que a estratégia defensiva seria decisiva e construíram grandes muralhas para proteger sua cidade, em direção à costa, protegendo o porto do Pireu e Falerum, mais ao sul. A Primeira Guerra do Peloponeso terminou em um tratado de paz, como recorda Tucídides (1,112): “após um intervalo de três anos, um tratado de cinco anos foi feito entre peloponésios e atenienses”, em 451 a.C. [pag. 28]

Nesse período relativamente pacífico, a Liga de Delos enfrentava dificuldades, com o crescente destaque de Atenas e sua gradual transformação em um domínio de Atenas sobre as outras cidades, naquilo que os antigos chamavam de arkhé e que ficou conhecido como Império de Atenas — termo enganoso, pois Atenas passava a exercer um poder discricionário, mas não possuía senão uma fragilíssima estrutura administrativa imperial. A partir de meados do século V a.C. os aliados passaram a ser súditos, juraram fidelidade a Atenas e os tributos acabaram concentrados e geridos em Atenas.

Esparta e outras cidades aliadas voltavam-se para o fortalecimento das suas milícias e para um futuro enfrentamento com a potência marítima e comercial emergente ateniense. Esparta firmava-se como potência terrestre, ao atuar com êxito na Grécia Central. Atenas voltava-se para controle marítimo.

 

AS PERIODIZAÇÕES DO GRANDE CONFLITO

 

O período entre 454 e 431 a.C., embora sempre caracterizado por guerras localizadas — uma constante no mundo antigo —, representou uma época de paz entre as duas grandes alianças militares de atenienses e peloponésios. Um acordo de paz definitivo, com validade por 30 anos, foi estabelecido em 446/ 5 a.C., resultado do avanço terrestre de Esparta na Grécia Central e da concentração de interesses atenienses no seu próprio império. Embora os termos do acordo não tenham chegado até nós, pode-se estabelecer as seguintes prováveis cláusulas:

• Os atenienses aceitavam devolver as terras que haviam conquistado por

guerra no Peloponeso;

• Os espartanos reconheciam, de alguma maneira, o Império Ateniense;

• Os aliados de cada campo não podiam mudar de lado, mas cidades neutras

podiam ser arregimentadas;

• As divergências deviam ser submetidas a arbítrio.

Esta última norma constituía novidade no cenário militar e estratégico, pois previa que, mesmo em caso de divergência, seria buscada uma solução arbitrada, antes que militar imediata. O tratado reconhecia uma bipartição do mundo grego entre uma potência terrestre, Esparta, e uma marítima, Atenas, com seus respectivos aliados ou súditos.

Em 431 a.C., calcula-se que Atenas contasse com um exército ativo de 13.000 hoplitas, 1.000 cavaleiros, 1.400 efebos (jovens entre 18 e 20 anos), [pag. 29] 2.500 veteranos (entre 50 e 60 anos), 9.500 metecos, com um total de 27.400 homens. Esparta contava com contingentes próprios menos numerosos, mas com muitas tropas aliadas.

A Guerra do Peloponeso pode ser dividida em seis etapas:

• A Guerra sob o líder ateniense Péricles e a revolta no Império Ateniense

(432-427 a.C), conhecida também como Guerra de Arquidamo, rei de Esparta;

• As Novas estratégias atenieneses (426-421 a.C);

• Paz e Guerra (421-416 a.C.);

• A Guerra no teatro de operações ocidental (Sicília) e a derrota ateniense

(416-413 a.C.);

• Revoltas no Império de Atenas (413-410 a.C.), também conhecida como

Guerra na Jônia;

• A Restauração da Democracia em Atenas e a queda de Atenas (410-404

a.C).

 

ORIGENS DA GUERRA DO PELOPONESO

 

No verão de 440 a.C., iniciou-se um conflito entre Samos e Mileto pelo controle de Priene, cidade situada entre ambas. A ilha de Samos era autônoma, membro da Liga de Delos, o mais importante dos três únicos aliados que não pagavam impostos a Atenas e possuía marinha própria. Mileto também era membro da liga. Quando os milésios pediram ajuda, Atenas acudiu e submeteu a contenda à arbitragem, refutada por Samos. Péricles (490-429 a.C), o grande líder democrático ateniense, comandou então uma frota contra Samos, depôs a oligarquia, instalou um governo democrático, impôs uma indenização, tomou reféns e deixou uma guarnição na ilha para manter a nova ordem. Algumas das antigas lideranças de Samos recorreram ao sátrapa (governador) persa da Ásia Menor para reagir, derrotando por fim o novo regime democrático e a guarnição ateniense.

A partir desse episódio, outros aliados ameaçaram revoltar-se contra a hegemonia ateniense com apoio persa, e a Liga do Peloponeso foi instada a apoiar a rebelião — o que, entretanto, acabou não ocorrendo, pois os espartanos temiam expandir sua hegemonia a cidades marítimas e distantes das suas bases terrestres. aliadas aos atenienses contasse com apoio persa e peloponésio em caso de descontentamento com relação à líder Atenas.

Embora, nesse caso, não tenha havido intervenção dos peloponésios, abria-se a possibilidade de que uma revolta das oligarquias das cidades [pag. 30]

 

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Outra crise, mais grave, derivou de novo de um desencontro entre cidades menores. As distantes Córcira e Epidamno estavam em disputa, quando Epidamno pediu e obteve apoio de Corinto, preocupada com a frota de Córcira, a maior depois da ateniense. Córcira atacou Epidamno, que pôde contar com o decisivo apoio de Corinto e de outros membros da Liga do Peloponeso. Córcira, vendo-se em desvantagem, ameaçou pedir o socorro de Atenas. Os espartanos então perceberam o perigo de uma guerra de grandes dimensões e mediaram, o que garantiu o êxito de Córcira e a humilhação de Corinto, que, no entanto, não se resignou e insistiu em um recuo de Córcira. Pressionada, Córcira enviou embaixadores à assembléia popular, em Atenas, em 433 a.C., para tentar persuadir os atenienses a ficarem a seu favor em sua disputa contra Corinto. Seu grande argumento era estratégico:

 

Há apenas três frotas dignas de nota na Grécia: a sua, a nossa e a de Corinto. Se os

coríntios nos controlarem, as duas marinhas serão uma só e vocês terão que lutar contra

as frotas de Córcira e do Peloponeso ao mesmo tempo. Se nos aceitarem, lutarão com eles

com seus próprios navios e com os nossos (Tucídides 1,33,3).

 

A resposta ateniense foi, também nesse caso, uma inovação estratégica, fruto de provável intervenção de Péricles. Em vez de aceitarem uma aliança (symmakkhía) ampla, criaram novo estatuto de acordo defensivo, válido apenas em caso de ataque (epimakkhía) e enviaram uma força que, pequena, seria apenas para persuadir os coríntios a abandonarem suas pretensões. A estratégia de dissuasão, no entanto, falhou, pois os coríntios retiraram-se intactos e determinados a conseguir o apoio dos seus aliados peloponésios contra Atenas.

Com o fim de dissuadir Mégara e outros da idéia de ajudarem Corinto, os Atenienes aprovaram um decreto que impedia os megários de usar os portos do Império Ateniense e de freqüentar o mercado de Atenas (agorá), o que era outra inovação: um embargo econômico.

A decisão de fazer guerra foi espartana. Os atenienses insistiam no recurso à arbitragem, mas os espartanos preferiram ouvir as queixas dos descontentes, em particular de Mégara e de Corinto, o que já indicava sua inclinação para a guerra. A Liga do Peloponeso votou de fato pela guerra, persuadida não tanto pelos argumentos dos aliados quanto, como diz Tucídides (1,88), por temerem “que os atenienses ficassem demasiado fortes, estando já a maior parte da Grécia em suas mãos”. Como também afirma Tucídides (1,23,6), “a causa mais [pag. 32] verdadeira do conflito, mas a menos comentada, foi o crescimento do poder (arkhé) de Atenas, que amedrontava os espartanos e forçando-os à guerra”. Era o Império Ateniense o motivo último da disputa, o que vale também para Atenas, pois Péricles afirmava que “se aceitarmos as exigências deles agora, em seguida nos pedirão outras concessões, ainda maiores, já que fizemos a primeira concessão por temor” (Tucídides, 1,140,5). Ceder algo do poder sobre o império era ter o princípio do próprio império ameaçado.

Péricles foi o grande estrategista ateniense, ao preocupar-se, desde 445 a.C., com o estabelecimento de linhas de abastecimento seguras para Atenas, com o fortalecimento da sua esquadra, assim como por procurar alianças políticas com cidades estrategicamente localizadas, como Régio e Leotinos, no Ocidente. Com isso, buscava controlar o acesso dos alimentos que vinham da Sicília para o Peloponeso, assim como tudo o que proviesse do mar Egeu. Corinto e Mégara eram diretamente prejudicadas pelo domínio ateniense estratégico dos mares.

Iniciada a guerra, Esparta apostava na estratégia militar grega tradicional, ao invadir e destruir os campos da Ática, planejando forçar Atenas a aceitar a paz ou a lutar em campo aberto, o que favoreceria o exército espartano, a grande máquina de guerra terrestre da Grécia antiga. O exército ateniense era menos numeroso e menos disciplinado para os combates terrestres do que os espartanos. Atenas, sob o comando estratégico de Péricles, líder democrata que conseguia, na maioria das vezes, levar a assembléia a votar como ele aconselhava, adotou diante da situação uma contra-estratégia inovadora. O abastecimento de grãos para Atenas provinha do Egito e da Criméia, e Atenas contava com a garantia dos tributos dos aliados, o que inviabilizava a eficácia do plano de um cerco tradicional, como pretendido pelos espartanos. O rei espartano Arquidamo sabia, pelos antecedentes, que Atenas contava com um império e preferia uma posição mais conciliatória, mas a maioria dos espartanos, confiante na estratégia tradicional, preferiu um ataque frontal, na expectativa de que a guerra terminasse em pouco tempo.

Péricles apostava em sua estratégia defensiva e imperial, e, além disso, argumentava com a legitimidade da posição ateniense, que não visava à conquista, mas apenas pedia o respeito aos acordos firmados e a aceitação espartana de um arbítrio internacional. Atenas estava guarnecida por uma muralha que a ligava a seu porto e que permitia que toda a população camponesa se deslocasse para dentro dos muros da cidade e, assim, fosse melhor defendida. A poderosa frota ateniense manteria a ordem no império, garantiria o abastecimento à cidade e ainda permitiria que o Peloponeso [pag. 33] fosse acossado por mar, exigindo que os espartanos não abandonassem sua retaguarda desguarnecida, dividindo o exército inimigo. O grande historiador militar alemão Hans Delbrück acredita que Péricles deva ser colocado “entre os maiores generais da história mundial”, por sua capacidade de fazer um povo livre e soberano aceitar uma estratégia de exaustão que era muito dura e, por isso, impopular.

Como potência agrícola, Esparta precisava recolher seus efetivos durante a primavera e o outono, para que os soldados pudessem ajudar na faina agrícola. Os atenienses, livres dessas obrigações, poderiam então atacar por terra os aliados de Esparta, Mégara e o istmo de Corinto. Uma vitória sobre Mégara impediria futuros ataques espartanos e inibiria a vinda dos tebanos do norte contra Atenas.

Péricles era líder em uma democracia e sua estratégia era limitada por essa mesma circunstância. Conseguiu convencer os atenienses a abandonarem os campos, mas teve dificuldades de montar uma ofensiva terrestre e marítima poderosa, que abalasse Esparta, pois a assembléia não estava disposta a sacrificar um grande número de combatentes atenienses. Essa hesitação provou ser desastrosa, e a aglomeração humana em Atenas permitiu que uma praga, vinda com os grãos do Egito e da Líbia, se propagasse com rapidez, causando grande devastação humana.

Em meio à praga, um destacamento foi enviado a Potidéia, levando a doença para as tropas distantes. Enquanto as outras cidades permaneciam sem a praga, tanto pelo pouco contato com os atenienses, como pela menor aglomeração humana, Atenas perdia pela doença os homens que não perdera em campo de batalha. Os ataques a Esparta eram, assim, débeis, e as cidades do Império Ateniense, pressionadas a pagarem tributos de guerra, mostravam descontentamento ou mesmo revolta. Em meio à crise, uma oferta ateniense de paz foi rejeitada por Esparta em 430 a.C. Péricles também foi vítima da doença, morrendo em 429 a.C.

No outono de 429 a.C., Atenas conseguiu vencer duas batalhas navais, em Cálcis e Naupacto, graças à sua superioridade naval. Quando Mitilene, na ilha de Lesbos, em junho de 428 a.C., se revoltou contra os impostos, na expectativa de obter ajuda espartana, os atenienses conseguiram pôr em fuga a esquadra adversária, o que levou à rendição de Mitilene, em julho de 427 a.C. Os tebanos aproveitaram-se da atenção ateniense voltada à ilha no mar Egeu para atacar e derrotar Plateae, aliada de Atenas e na porta da Ática. Plateae foi destruída e a população dizimada. [pag. 34]

Ambos os lados haviam apostado em uma vitória rápida e em uma guerra-relâmpago. Esparta subestimou o poderio do Império Ateniense. Atenas democrática não conseguiu empreender uma ofensiva poderosa, temerosa dos custos humanos, preferindo confiar nos benefícios advindos do império. Ao final da primeira fase da guerra, ambos os lados encontravam-se empatados, Atenas ainda confiando no Império e Esparta em uma vitória a longo prazo, por seu exército terrestre.

 

A GUERRA SOB A NOVA LIDERANÇA DEMOCRÁTICA EM ATENAS

 

Em 426 a.C., Atenas começou uma ofensiva, por iniciativa de novos líderes democráticos, Cléon e Demóstenes. As classes altas, lideradas por Nícias, continuavam a resistir à estratégia ofensiva. Os prejuízos das elites agrárias faziam sentir-se com a devastação dos campos, enquanto a população urbana podia contar com os benefícios do império, como recorda o filósofo Aristóteles (384-322 a.C), na Constituição de Atenas (24):

 

Depois disso [a partir de 478 a.C], a cidade estava confiante e muito dinheiro havia sido

coletado, de modo que Aristides aconselhou os atenienses a mostrarem sua liderança e a

deixarem os campos e viverem na parte urbana: haveria dinheiro para todos, alguns no

exército, na guarda ou nos serviços públicos [...]. De acordo com o conselho de Aristides,

os tributos davam grandes recursos ao povo miúdo, de modo que mais de 20 mil homens

eram mantidos pelos tributos, taxas e aliados.

A guerra causava prejuízos à elite, mas mantinha a plebe satisfeita, o que explica o persistente apoio das massas à guerra e as tentativas, que se repetem, das elites de tomarem em suas mãos o poder e decidirem por uma composição e pelo fim das hostilidades. Os líderes populares tentaram levar a guerra para a Beócia, contra Tebas, e a Esparta e à Sicília. Em 426 a.C. dois exércitos atenienses avançaram em direção a Tebas, o primeiro sob o comando do general Demóstenes, pela Acarnânia, enquanto o segundo, sob o comando de Nícias, ia por Tânagra. A ofensiva fracassou em ambas as frentes, pois as tropas aliadas sob comando de Demóstenes sofreram ataques e tiveram de refugiar-se em Naupacto, enquanto o sempre relutante general oligárquico Nícias, apesar de vencer uma batalha em Tânagra, preferiu efetuar uma retirada. Para fazer frente aos custos da guerra, o líder popular Cléon apelou para o aumento das contribuições das cidades do Império Ateniense. [pag. 35]

Esparta, por sua vez, montou um grande exército sob o comando do general Euríloco em direção a Délfi, ameaçou Naupacto e sitiou a cidade de Argos da Acarnânia, mas Demóstenes conseguiu duas grandes vitórias em Olpae e Idomene, por meio de manobras táticas inovadoras, liberando o caminho para a frota ateniense chegar à Sicília.

Em 425 a.C. Atenas venceu a batalha em Spacteria e sua frota que ia em direção à Sicília montou um forte no promontório de Pilos. Acabaram sendo atacados por terra e mar pelos espartanos. Demóstenes repeliu os ataques, pediu socorro à Marinha ateniense que eliminou toda a frota espartana. O general Cléon trouxe reforços e os espartanos foram também derrotados em terra, tendo sido capturados como prisioneiros 292 soldados, 120 dos quais esparciatas, levados a Atenas como reféns. A derrota e humilhação espartanas levaram a uma proposta de paz, recusada pelo democrata Cléon.

Nem tudo ia bem com a ofensiva ateniense, contudo. Os planos dos líderes populares baseavam-se na manutenção e expansão do Império, que consideravam indispensável para a manutenção dos benefícios às massas. Os almirantes que haviam ido à Sicília tiveram de retornar sem resultados e foram punidos pela assembléia popular de Atenas. Os planos de expansão não tinham êxito em campo, em parte por problemas logísticos, com a Marinha distante das bases. Em novembro de 424 a.C., os atenienses iniciaram uma ofensiva contra Tebas, mas foram derrotados pelo general Pagondas, que usou uma tática original, com a penetração em profundidade de uma ala da infantaria, apoiada pela cavalaria. A ofensiva ateniense para capturar Mégara foi bloqueada pelo habilidoso general espartano Brásidas, que aproveitou a oportunidade para uma marcha rápida pela Beócia e Tessália, na tentativa de semear a revolta na Calcídica, bem ao norte, região vital para o abastecimento de Atenas.

Assim como Atenas havia oferecido apoio na luta contra a ingerência persa, agora o espartanos agitavam os aliados de Atenas a ganharem a liberdade, eleuthería, palavra de ordem forte, pois o termo era o mesmo para manumissão ou alforria, como se dessem aos aliados de Atenas a oportunidade de deixarem de ser “escravos” do Império Ateniense. Os espartanos conseguiram a rendição de Anfípolis. Atenas enviou reforços, mas ambos os generais que propugnavam a guerra ofensiva de lado a lado, Brásidas e Cléon, foram mortos em batalha, o que deu oportunidade para que o oligárquico Nícias concluísse um tratado de paz entre Atenas e Esparta, em 11 de abril de 421 a.C. [pag. 36]

 

O TEATRO OCIDENTAL E A DERROTA ATENIENSE

 

As contradições e os conflitos subjacentes à contraposição entre o Império Ateniense e as potências oligárquicas não arrefeceram com o tratado de paz. Corinto e Tebas recusaram-se a juntar-se aos espartanos no respeito ao acordo e as condições para a retomada dos conflitos mantinham-se. A tensão diminuiu, contudo, com a devolução dos espartanos mantidos como reféns. Sob novas lideranças democráticas, com Alcibíades (450-404 a.C), Atenas aliou-se a Argos, Mantineia e Élis para enfrentar o eixo espartano e beócio. Desde a morte de Péricles, o regime democrático de Atenas enfrentava uma divisão profunda entre as facções oligárquicas e populares e Alcibíades e Nícias aprofundariam as dissensões. As lutas intestinas atenienses levariam, nos anos seguintes, a defecções, falta de engajamento, brigas e expurgos, o que terminaria, ao final, por destruir a própria autoridade (arkhé) ateniense, minando a liderança ática (hegemonía).

A nova estratégia ateniense visava a acossar Esparta em seu próprio território, graças à aliança renovada com Argos. A resposta espartana foi formulada pelo rei Ágis, que planejou um ataque a Argos pelo norte, na expectativa de que teria a ajuda das forças aliadas beócias ao seu flanco norte. Sem a chegada dos beócios, conseguiu apenas um tratado com Argos, que o assinou a contragosto. Os atenienses, poucos meses depois, conseguiram reconquistar Argos para seu lado, mas não obtiveram êxito em mandar tropas de retaguarda suficientes para concretizar o apoio; em agosto de 418 a.C. os espartanos obtiveram a vitória na maior batalha terrestre da guerra, em Mantineia, entre Esparta e Argos.

Isolada Atenas, Alcibíades, em 416 a.C., formula um plano de guerra ousado: conquistar Siracusa, controlar em seguida toda a Sicília, derrotar Cartago, para retornar ao Peloponeso com uma força inquebrantável. As facções populares apoiaram entusiasticamente a estratégia, desaprovando a cautela aristocrática de Nícias que propugnava a continuidade das operações militares limitadas na Calcídica, em primeiro lugar para garantir a continuidade do império. Na democracia ateniense, votou-se e ganhou a estratégia imperialista ousada de Alcibíades, mas o comando foi dividido entre três generais, Alcibíades, Nícias — no fundo, contrário à ampliação das operações para o teatro ocidental — e o comandante profissional Lâmaco. Nem bem haviam começado as operações, os oligarcas conseguiram chamar de volta Alcibíades para ser processado por suposto envolvimento com um sacrilégio em Atenas. [pag. 37]

De fato, em 7 de junho de 415, os atenienses haviam encontrado algumas estátuas do deus Hermes (Mercúrio para os romanos, deus da fertilidade e dos viajantes) desfiguradas e com seus falos quebrados. A ação havia sido feita em uma única noite, o que indicava ser obra de um grupo restrito de pessoas. Alguns tomaram o fato como presságio contrário à expedição à Sicília. Os adversários de Alcibíades acusaram-no de atuar em diversas práticas sacrílegas e de almejar derrubar a democracia e apresentar-se como tirano. A ação havia sido premeditada por um grupo (hetairía), mas a confusão instalara-se, com suspeitas para todos os lados, pois uns imputavam agentes de Corinto, outros familiares de Nícias.

O resultado, contudo, foi um desastre para a expedição à Sicília. Alcibíades, sentindo-se traído, abandonou a campanha e passou-se para os espartanos, entregando os planos estratégicos atenienses que visavam à conquista da Sicília e de Cartago. Segundo o relato de Tucídides (6,92,4), Alcibíades justificou-se, pois “o verdadeiro patriota não é aquele que aceita perder sua pátria injustamente sem atacá-la, mas aquele que tanto a ama que tudo fará para reconquistá-la”. Alcibíades (450-404 a.C), que havia sido criado por Péricles, companheiro de Sócrates (469-399 a.C), mostrava toda a sua formação sofistica ao justificar sua defecção, com a passagem de Atenas a Esparta.

Em um primeiro momento, Siracusa foi assediada por mar e terra, com a construção de um muro que tentaria bloquear a cidade, mas o plano falhou quando os siracusanos construíram uma muralha própria. Lâmaco morreu em batalha, a frota foi derrotada, as linhas de abastecimento atenienses interrompidas, Nícias adoentado mantinha-se na defensiva, chegavam reforços espartanos, e mesmo a chegada de nova frota ateniense sob comando de Demóstenes foi derrotada em 413 a.C. A frota ateniense foi bloqueada no porto e derrotada, enquanto o mesmo aconteceu com as tropas terrestres sob o comando de Nícias. Ambos os generais foram executados, a maioria dos soldados mortos em combate e os sobreviventes escravizados.

 

A CRISE NO IMPÉRIO ATENIENSE E A REAÇÃO

 

Em março de 413 a.C., o rei Ágis ocupou a Deceleia, em movimento tático para manter Atenas sem acesso às minas de prata. Os reveses militares de Atenas logo levaram às revoltas das cidades que lhe pagavam tributos, em 412 e 411 a.C Aproveitando-se da debilidade ateniense, os persas começaram a [pag. 38] apoiar abertamente Esparta, por meio do sátrapa Tissafernes, que redigiu um tratado que reintegrava ao domínio persa diversas cidades gregas.

Grupos de oligarcas nas cidades do Império Ateniense tentavam persuadir os espartanos a apoiar rebeliões oligárquicas contra os regimes democráticos, oferecendo em troca que suas cidades passassem a apoiar os peloponésios. Mesmo em Atenas, um movimento oligárquico tomava corpo. Um documento de autor desconhecido, A Constituição dos atenienses, escrito na década de 420 a.C., revela desprezo pelo regime democrático: “quanto à constituição dos atenienses, não os louvo por a terem escolhido, pois deram o melhor ao povo vulgar (ponéroi, „os trabalhadores"), em detrimento dos bons (chrestói, „os valorosos") (1,1,3).” O regime democrático é descrito como um governo ruim (kakonomía). Os grupos oligárquicos, agrupados em facções (hetairíai), estavam de fato dispostos a dar um golpe de estado.

Em 411 a.C., foram assassinados diversos líderes populares, e a assembléia foi pressionada a aceitar que as decisões passassem às mãos dos oligarcas, num conselho de 400 membros. Os oligarcas não contavam com o apoio das massas que constituíam a espinha dorsal da Marinha, e por isso, apesar de afirmarem que planejavam continuar a guerra, começaram a tratar de conciliar-se com os espartanos, mantendo Atenas sob domínio oligárquico.

As disputas entre os 400 membros do conselho aumentavam, com os rumores de que Alcibíades voltaria a Atenas para comandar, com apoio persa, a revanche contra Esparta. As massas conseguiram reunir-se na Pnice — praça da assembléia popular —, depuseram o regime dos 400 e estabeleceram que 5.000 hoplitas (os soldados armados) passariam a governar. Alcibíades foi chamado de volta.

Com o abastecimento de grãos proveniente da Sicília e do Egito bloqueado por Esparta e pela Pérsia, Atenas dependia dos suprimentos vindos da Criméia pelo Helesponto. Em setembro de 411 a.C., os comandantes atenienses Trasíbulus e Trásilus derrotaram os espartanos em Cinossémate. Em março de 410 a.C., Alcibíades conseguiu uma vitória contra a Marinha espartana, apoiada pelo Exército persa, no mar de Mármara, restabelecendo a supremacia marítima de Atenas. As ofertas de acordo de Esparta foram rejeitadas e Alcibíades, em 409 a.C., recapturou Bizâncio e garantiu o abastecimento de grãos, o que lhe garantiu um retorno triunfal a Atenas em 16 de junho de 408 a.C. [pag. 39]

 

A FASE CONCLUSIVA DA GUERRA

 

Os espartanos lançaram mão do apoio persa e construíram uma poderosa frota, baseada em Éfeso. Os atenienses enfrentavam problemas logísticos no abastecimento de sua Marinha, e Alcibíades, em 407 a.C., dividiu a frota em duas partes, de modo que pudesse dirigir-se com uma delas para o norte, a fim de conseguir suprimentos com a pilhagem de cidades inimigas, enquanto deixava Antíoco no comando da outra parte, mas com ordens de evitar o confronto. O almirante espartano Lisandro, que havia sido o arquiteto da estratégia de construção de uma armada com apoio persa, aproveitou-se da situação e atacou as forças de Antíoco.

O retorno de Alcibíades, tardio, foi insuficiente para reverter a situação, e o líder foi chamado a prestar contas em Atenas da estratégia, que foi considerada desastrosa. Alcibíades, contudo, havia, em certo sentido, sido forçado a dividir a frota por falhas na logística, derivadas, por sua parte, da debilidade imperial de Atenas. De qualquer modo, antes que ser processado em Atenas, preferiu, de novo, desertar, ficando no Helesponto. (Depois da queda de Atenas, em 404 a.C., iria juntar-se aos persas, sendo logo em seguida assassinado.)

Em 406 a.C., o almirante espartano Calicrátidas bloqueou a frota ateniense no porto de Metilene e, em agosto, com a chegada de reforços de Atenas, ocorreu a maior batalha naval de toda a guerra, em Arginusa. Calicrátidas contava inicialmente com mais de 170 navios, mas deixou 50 embarcações sob o comando de Eteônico, para bloquear o porto de Mitilene, de modo que pôde contar com apenas 120 belonaves contra as mais de 150 atenienses. Os peloponésios perderam mais de 60 barcos, Calicrátidas morreu em batalha e os espartanos ofereceram um acordo de paz, que foi rejeitado pelos democratas atenienses.

Insatisfeitos com o desempenho dos almirantes na proteção dos marinheiros, os populares mandaram chamar de volta e executaram os comandantes atenienses. Em seu lugar, foram colocados generais adversários de Alcibíades, que levaram a frota para Aegospótami, no Helesponto, o que permitiu que Lisandro capturasse, em 405 a.C., toda a marinha ateniense. Com a linha de abastecimento em grãos novamente cortada, Lisandro impôs um bloqueio naval a Atenas, enquanto o rei espartano Pausânias cercava a cidade por terra. Após seis meses de sítio, esfomeada, Atenas rendeu-se, tendo suas muralhas destruídas e seu império dissolvido. [pag. 40]

[pag. 41]

AS CONSEQÜÊNCIAS DA GUERRA E OS DEBATES HISTÓRICOS

 

As conseqüências foram imediatas e no longo prazo. A vitória de Esparta não trouxe a liberdade para as cidades do antigo Império Ateniense, pois muitas cidades da Ásia Menor foram repartidas entre espartanos e persas. Os espartanos instalaram governos oligárquicos, guarnições militares e restabeleceram os tributos, agora em seu proveito. Em Atenas, os espartanos impuseram um regime títere, conhecido como dos “Trinta Tiranos”, que estabeleceu uma política de perseguição e confiscações contra os líderes democráticos e, em seguida, contra outros, para benefício dos próprios tiranos, tendo de recorrer a tropas espartanas para manter-se no poder.

O líder popular Trasíbulo exilou-se em Tebas, cidade que temia agora o poder excessivo de Esparta e que acolhia democratas atenienses refugiados. Esse grupo de exilados formou um destacamento nas montanhas ao norte da Ática. Em 403, Trasíbulo e seu pelotão conseguiram restaurar a democracia em Atenas. Os novos líderes democráticos, escaldados pelas conseqüências das dissensões intestinas anteriores, adotaram uma política de moderação. Nos anos seguintes, Atenas recobraria sua frota, muralhas e independência e, em 25 anos, os atenienses reconquistariam muitos dos antigos aliados.

Os espartanos, em poucos anos, foram obrigados a abandonar o império e os tributos, potência terrestre que eram. As riquezas que chegavam a Esparta, contudo, levaram a disputas internas, colocando os esparciatas em posição delicada. Antigos aliados e inimigos uniram-se contra a hegemonia espartana, o que os levou a buscar o apoio persa. Aos 30 anos da vitória sobre Atenas, Esparta sairia derrotada em terra pelos tebanos, com seu poder comprometido a partir daí.

No longo prazo, as conseqüências foram várias, a começar pelo reforço dos regimes oligárquicos em toda a Grécia e pelo enfraquecimento das cidades Estados independentes, frente às potências imperiais, primeiro a Pérsia e, em seguida, a Macedônia, com o fim da independência das cidades, com Alexandre, na década de 330 a.C.

Algumas grandes inovações diplomáticas e estratégicas foram aprendidas e passaram a ser adotadas nos conflitos, como a aliança defensiva, o bloqueio econômico, o recurso à arbitragem internacional e a estratégia de exaustão, com o abandono do campo e recolhimento da população nas muralhas urbanas. [pag. 42]

Em termos militares, as gerações posteriores analisaram as fraquezas tanto da estratégia terrestre, agrícola, de Esparta, como a confiança exagerada ateniense na marinha, incapaz, sem uma ação em terra poderosa, de ser vencedora. Macedônios e romanos atentaram também para os erros da partição do comando militar para generais com pontos de vista táticos diversos, com o respectivo fortalecimento do alto comando e do general em chefe. Muitos séculos depois, já no período moderno, conclusões semelhantes seriam estudadas tanto por Napoleão (sobre os erros da falta de comando unificado, em uma democracia) como pelos ingleses (sobre a fragilidade de uma marinha sem exército à altura).

Durante a Guerra Fria (1945-1989), a contraposição entre Esparta e Atenas foi comparada àquela entre a União Soviética e os Estados Unidos, ou entre o Pacto de Varsóvia e a Otan, em particular, no que se refere ao caráter terrestre e maciço do exército vermelho, assim como ao regime fechado e anticapitalista. Não por acaso, o grande especialista na guerra na Grécia antiga, Victor Davis Hanson, autor do best-seller The western way of war (1989), tornou-se, com a administração George W. Bush, a partir de 2001, assessor direto do ministro da Defesa Donald Rumsfeld, responsável pela estratégia de conquista do Afeganistão e Iraque. Hanson também identifica os Estados Unidos a Atenas e aí funda sua política de mudança de regime nos territórios conquistados, de oligárquicos para democráticos, na expectativa de que os democratas serão naturais aliados da potência democrática.

Trata-se de uma leitura muito criticada da analogia com a situação grega, mas nem por isso menos real e efetiva no início do século XXI. Outros estudiosos do balanço estratégico durante a Guerra Fria, como o diplomata e historiador americano George F. Kennan (1904-2005), leram Tucídides e nele se inspiraram. Kennan considerava a União Soviética surda à lógica da razão, como Esparta aos olhos de Tucídides, mas sensível à lógica da força. Kennan inspirou o Plano Marshall, de recuperação da Europa Ocidental, no Pós-Guerra, também influenciado pelo que percebia serem os erros de Atenas ao não fortalecer as democracias aliadas. A inspiração para a Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança defensiva, foi a epimakkhía de Péricles. Propôs que os Estados Unidos fosse governado por um grupo de sábios, à maneira de Péricles e seu círculo.

Por fim, mas não menos importante, a narrativa fundamental da guerra, por Tucídides, constituiu, por 2.500 anos, um parâmetro para o tratamento [pag. 43] do tema. Os autores posteriores, de Salústio e Tácito a Tolstoi e Henry Kissinger, miram-se em Tucídides tanto para a maneira de narrar o conflito, como para as explicações das motivações, estratégias e táticas. Os discursos de Péricles e Alcibíades encontram-se citados ou lembrados, indiretamente, assim como suas descrições do caráter contrastante de espartanos e atenienses, retomadas tantas vezes para descrever os povos em contenda, alemães e franceses, russos e americanos. A Guerra do Peloponeso, tão distante no tempo, continua presente e inspiradora também em nossa época.

 

AGRADECIMENTOS

 

Agradeço a leitura e os comentários de Demétrio Magnoli, assim como de Carla Bassanezi Pinsky. Sou grato, também, a André Leonardo Chevitarese e a Raquel dos Santos Funari. Devo mencionar, ainda, o apoio institucional do Núcleo de Estudos Estratégicos (NEE/Unicamp), do CNPq e da Fapesp. A responsabilidade pelas idéias se restringe ao autor.

 

NOTA

 

(1) Os topônimos e nomes próprios gregos seguem o Vocabulário Ortográfico da Língua

Portuguesa (Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1940), salvo nos casos em que não

são registrados. Os termos gregos estão transliterados e acentuados e todos os textos citados

foram traduzidos da língua original pelo autor.

 

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