Lira da Mocidade: Primeiros Versos

Faustino Fonseca Júnior · Capítulo 9 de 27

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Lira da Mocidade: Primeiros Versos

+Á Memoria

 

DE

 

ALFREDO LOPES+

 

Viver! O que é viver! Arrastar a existencia

No vasto labyrintho onde só reina a dor;

N'um pouco de materia é guia a consciencia

Quasi a perder-se a força, a faltar o valor.

 

Morrer! Passar além! Da lucta repousar,

Deixar por uma vez do mundo as agonias;

Descer á terra mãe, os lyrios fecundar,

Servir de refeição aos vermes nas orgias.

 

Mas coisa alguma nasce e coisa alguma morre.

Transforma-se a materia em mil combinações:

Seiva, no vegetal as hastes lhe percorre;

Sangue, faz palpitar os nossos corações.

 

Tu então não morreste; apenas d'esta lida

Immensa, em que mostraste o fulgido talento, +A REVOLUÇÃO+

Descanças. No teu corpo ha ainda essa vida

Que palpita da terra ao proprio firmamento.

 

A vida da materia. Então bellas, formozas,

Por cima d'essa campa onde agora repouzas,

Hão-de brotar de ti as lindas flores viçosas

Na vaga poesia harmonica das cousas.

 

Rosas a recordar teu risonho futuro,

A tua juventude os cravos em botão,

O martyrio o finar na dôr tão prematuro,

O cypreste a lembrar teu grande coração!

 

Angra do Heroismo, 9-9-88