Lira da Mocidade: Primeiros Versos

Faustino Fonseca Júnior · Capítulo 13 de 27

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Lira da Mocidade: Primeiros Versos

+A Bordo+

 

Vamos no alto mar, a noite lentamente

Encobre pouco a pouco a abobada celeste;

Ha pallidos clarões das bandas do occidente

E sopra uma rajada aguda de Nordeste.

 

Corre a todo o vapor, com impeto potente

O navio rasgando a superficie agreste

Do gigantesco oceano. As ondas febrilmente

Tem o tom verde-negro e triste do cypreste.

 

Só vemos ceo e mar, o horizonte enorme,

Cercados pelo gigante immenso que não dorme

No monotono circo é plena a solidão.

 

N'essa tremenda lucta o pensamento humano

Mostra pujantemente, ao dominar o oceano,

Um cerebro o que vale! o que é um coração!

 

A bordo do Funchal, 1891