Lira da Mocidade: Primeiros Versos

Faustino Fonseca Júnior · Capítulo 18 de 27

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Lira da Mocidade: Primeiros Versos

+A Prostituta+

 

A rua é miseravel, suja, estreita,

Como um terrivel antro criminoso,

E d'uma porta a prostituta espreita

O transeunte lubrico, cioso.

 

É repellente, quanto mais enfeita

O cabello postiço e unctuoso.

Teve illusões, quem sabe, hoje desfeita,

A graça d'esse rosto alvar oleoso,

 

Veio cahir n'aquelle lodaçal

Onde se espoja torpe, embriagada,

Até ir decompor-se no hospital

 

Se o amante que tem a desgraçada

Não lhe der caridoso, bestial,

O descanço pr'a sempre á navalhada.

 

Lisboa, 1891