Lira da Mocidade: Primeiros Versos

Faustino Fonseca Júnior · Capítulo 22 de 27

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Lira da Mocidade: Primeiros Versos

+As Revoluções+

 

Excerpto

 

. . . . . . . . . . . . . . . Um de nós que cahir

Das entranhas da terra ha-de fazer surgir

Milhares de vingadores promptos a combater.

Pela causa da patria a quem custa morrer?

O sangue vae regar a arvore bemdita

Da santa liberdade! O fogo que crepita

Aldeias a queimar, cidades e castellos,

A forca gemebunda, os gumes dos cutellos,

As algemas de ferro, as fortes legiões,

A chuva da metralha, a boca dos canhões,

Sacrificios crueis, o jugo do tyranno,

Esmagando o direito, o pensamento humano,

Isso tudo o que vale! Conseguirá deter

O carro do Progresso?. . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . . . Tu lembras-te de ver

O mar quando revolto agita o dorso hiruto,

N'um palpitar gigante, ameaçador e brusto

O que faz ao navio, o mais forte que seja? +EM VIAGEM+

Sabes a vaga enorme que elle altivo dardeja,

Como destroe as naus mais ricas e possantes,

As frotas que sepulta numerosas, gigantes,

Como galga furioso anteparos muralhas.

Elle joga os rochedos como se fossem palhas,

E vae cavando sempre e sempre transformado

A miseria, a ruina, o lodo sepultando?

Detenham-no vão por-lhe um dique, uma corrente

Para que não avance, obstaculo potente,

Elle deve temer os fortes paredões.

Galga tudo porém!. . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . . . Assim as revolucções

Por sobre a sociedade avançam triumphaes

Entre os hymnos de amor e furias de chacaes,

Entre rios de sangue e tremedaes de lama

Hasteando por fim libertadora flamma

Os povos redimindo!. . . . . . . . . . . . . .

 

Guerrilheiro—Acto IV—Scena II