Lira da Mocidade: Primeiros Versos

Faustino Fonseca Júnior · Capítulo 3 de 27

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Lira da Mocidade: Primeiros Versos

+O Mar+

 

Gigante irrequieto, immenso mar,

Inspira-me tão funda nostalgia

O teu sonoro e doce murmurar!

 

Quando ao sol posto a areia luzidia

Tu vens traquillamente rebeijar

N'alma despertas maga poesia.

 

O teu esverdeado transparente

Fala-nos meigamente d'esperança

A ondular poetico, dolente,

 

Beijado pelas auras da bonança;

Parece-me o brincar puro, innocente,

Inofensivo e meigo da creança!

 

* * * * *

 

Mas quando agitas o teu seio immenso

No voltear das vagas alterosas

Rugindo com fragor enorme, intenso,

Já não tem expressões harmoniosas

Teu palpitar e n'essa hora eu penso

Em coisas bem sinistras, pavorosas.

 

Ó monstro, no teu seio tens sumido

Victimas aos milhões, causas terror,

Tens navios, cidades engulido.

 

Será um côro de vingança e dôr

Das victimas, ó mar, o teu rugido,

Ou do remorso o pávido clamor?

 

Angra do Heroismo 1890