Lira da Mocidade: Primeiros Versos

Faustino Fonseca Júnior · Capítulo 19 de 27

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Lira da Mocidade: Primeiros Versos

+Amoroso+

 

Eu amo-te, amo-te tanto

Talvez não saibas o quanto

Meu coração fazes pulsar;

Talvez não saibas, ó linda,

Como a tua graça infinda

Me faz viver para amar.

 

Amo-te a face formoza,

Amo-te a boca de roza,

Amo-te o negro cabello,

Amo-te o gesto mavioso,

O sorrir casto e bondoso,

O olhar gracioso e bello.

 

Adoro-te a singelleza

Que é engaste da belleza,

Amo-te o lindo rubor

Com que te purpurizaste,

Quando tremula escutaste

As juras do nosso amôr.

Encontrei-te, o meu coração

Satisfez a aspiração

E tenho um novo viver.

Acho mais bellos os prados,

Os tons do sol mais dourados,

Em tudo o amor julgo vêr.

 

Oh! se o teu amôr assim

Fôr tão ardente por mim,

Não haverá nada igual

Á pura felicidade

Dos dias da mocidade,

Ao meu risonho ideal.

 

Angra do Heroismo, 1890