Lira da Mocidade: Primeiros Versos

Faustino Fonseca Júnior · Capítulo 12 de 27

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Lira da Mocidade: Primeiros Versos

+Os Crepes de Camões+

 

Portugal jáz por terra! Esta patria querida

Dos fortes, dos heroes, dos rudes marinheiros,

Esta nação valente, homerica, aguerrida

Que soube rechaçar outr'ora os estrangeiros,

 

Jáz por terra abatida! A bandeira de gloria

Que fulgurou ovante ao sol de cem combates

E sempre ha-de brilhar, aqui, em toda a historia

Que foi desde o Brazil ás regiões do Gates.

 

Hoje roja-se no pó! De tudo o que tivemos

De brio, heroicidade, altivez e coragem

Nada nos resta já! Parece que viemos

Perdendo tudo, tudo, em funebre viagem!

 

A propria honra se foi! Um insulto cruel

Fez agitar um dia o lodaçal enorme,

Houve gritos de raiva, amarguras de fel

Mas já tudo passou! E o povo dorme… dorme!

 

O derradeiro arranco! Ao pobre muribundo

Não resta d'esperança um lampejo fugaz, +A BORDO+

Hoje existe sómente a mostrar-nos ao mundo

Um sepulcro marmoreo, um funebre aqui jaz.

 

Synthetizou outr'ora um esperançoso ideal

Em honra do cantor das nossas tradicções,

Hoje existe de pé por sobre o tremedal

Um symbolo de morte:

O lucto de Camões!

 

Lisboa, 11-1-91