Lira da Mocidade: Primeiros Versos

Faustino Fonseca Júnior · Capítulo 23 de 27

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Lira da Mocidade: Primeiros Versos

+Em Viagem+

 

Noite de lua cheia, pura brisa

Agita caprichosamente o mar

Onde o navio rapido desliza,

 

Dentro da superficie circular

Formada pelas aguas buliçosas

Que a abobada celeste vem ta upar.

 

As nuvens, em manadas caprichosas,

O vapor desafiam na carreira,

Passando em turbilhões vertiginosas.

 

Deffendendo o navio, precavida,

As aguas vae tingir de rubra côr,

A lanterna vermelha, suspendida,

 

E faz correr do flanco do vapor

Um jacto côr de sangue, qual baleia,

Ferida pela mão do trancador.

 

A proa corta a vaga que volteia.

Ha um arfar giganteo, convulsivo, +LYRISMO+

D'um immenso coração que bate e anceia.

 

E d'aquelle organismo, forte, vivo,

Saem soluços de estridor medonho,

Saem rugidos d'um toar altivo.

 

Esse gigante que se ri do oceano

É creação, quasi milagre, sonho,

D'outro gigante, o pensamento humano!

 

A bordo do Funchal, 1891