Maigret e o Finado Sr. Gallet

Georges Simenon · Capítulo 9 de 13

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Maigret e o Finado Sr. Gallet

Sete

 

A Orelha de Joseph Moers

 

OCALOR do verão era intenso. Toda m anhã os j ornais relatavam os danos de

tem pestades ocorridas em diversos pontos da França, m as j á fazia três sem anas que em Sancerre e nos arredores não caía um a gota d’água. À tarde, o quarto que fora de Ém ile Gallet recebia em cheio os raios do sol e ficava inabitável. Naquele sábado, porém , Moers apenas baixou, diante da j anela, a cortina de pano cru e, m enos de m eia hora depois do alm oço, j á estava inclinado sobre suas placas de vidro e suas pontas de papel queim ado, trabalhando com um a regularidade de m etrônom o. Durante alguns m inutos, Maigret ficou rondando ao redor dele, tocando em tudo, arrastando os pés, com o um hom em hesitante. Por fim , suspirou:

— Escute, m eu velho! Não aguento m ais! Adm iro seu trabalho, m as você não pesa cem quilos... Preciso ir para um lugar m ais fresco...

Onde se refugiar daquele calor? No terraço havia um pouco de brisa, m as tam bém os hóspedes do hotel e sua garotada. No café era raro passar m eia hora sem ouvir o choque enervante das bolas de bilhar. Maigret foi até o pátio, que recebia som bra até a m etade, cham ou um a j ovem funcionária que passava.

— Poderia m e trazer um a espreguiçadeira?

— O senhor quer se instalar aqui? Ouvirá todo o ruído da cozinha...

Ele preferia isso, m ais o cacarej ar das galinhas do que as conversas das pessoas. Arrastou sua cadeira até perto do poço, abriu o j ornal sobre o rosto para se proteger das m oscas e, quem diria? Não tardou a ser invadido por um a voluptuosa sonolência. Aos poucos, o retinir dos talheres lavados e guardados na copa se tornava irreal, e Maigret, entorpecido, escapava ao dom ínio obsedante do seu m orto. Em que m om ento exato ele percebeu com o que o ruído de duas detonações? Elas não chegaram a arrancá-lo de todo do seu torpor, porque em seguida um sonho se esboçou no seu espírito, explicando esses sons intem pestivos. ...Ele estava sentado no terraço do hotel. Tiburce de Saint-Hilaire passou vestindo um traj e verde-garrafa, seguido de um a dúzia de cães de orelhas com pridas...

— O senhor m e perguntou outro dia se há caça por aqui, não foi? Ele disse. ...Com o fuzil que trazia ao om bro, atirou ao acaso e caíram um m onte de perdizes com o se fossem folhas m ortas...

— Com issário!... Depressa! Ele teve um sobressalto, viu um a em pregada do hotel à sua frente.

— Foi no quarto!... Tiros...

O com issário se envergonhou de se sentir tão pesado. Pessoas j á corriam no hotel, e ele não foi dos prim eiros a chegar ao quarto de Gallet, onde viu Moers de pé j unto à m esa, com as duas m ãos sobre o rosto.

— Que todo m undo saia! Ordenou.

— Cham o um m édico? Perguntou o Sr. Tardivon. — Há sangue... Olhe!

— Sim , vá cham ar! Fechada a porta, ele se dirigiu até o j ovem da Identidade Judiciária. Sentia rem orsos.

— O que houve, m eu rapaz? E viu que havia, de fato, sangue, sangue por todo lado! Nas m ãos, nos om bros de Moers, nas placas de vidro e no chão.

— Não foi grave, com issário... A orelha... Vej a...

Soltou por um instante o lobo da orelha e logo o sangue esguichou. Moers estava lívido. No entanto, tentava sorrir e sobretudo conter o m ovim ento convulsivo do seu m axilar. A cortina continuava abaixada, atenuando a luz do sol, dando um tom alaranj ado à atm osfera do quarto.

— Não é perigoso, é?... Não há nada pior para sangrar do que um a orelha...

— Calm a!... Respire com calm a. Pois o flam engo m al conseguia falar, de tanto que seus dentes se chocavam .

— Eu não deveria ficar nesse estado... Mas não estou habituado!... Tinha acabado de m e levantar para pegar novas placas... Ele tam ponou a orelha ferida com o lenço ensanguentado, apoiou a outra m ão na m esa. — Vej a, eu estava exatam ente neste lugar... Ouvi um a detonação. Juro que senti o deslocam ento de ar de um a bala, que passou tão perto dos m eus olhos que achei que m eu pincenê fora arrancado... Joguei-m e para trás... E logo em seguida, após o prim eiro tiro, houve um segundo. Pensei que eu estava m orto... Havia um zum bido na m inha cabeça, com o se o m eu cérebro com eçasse a ferver...

Ele sorriu com m enos constrangim ento.

— Está vendo? Não foi nada. Um pedacinho da orelha arrancado... Eu devia ter corrido até a j anela. Mas não consegui m e m exer. Achei que outras balas iam ser disparadas. Eu não sabia o que era, até agora, um a bala.

Precisou se sentar. Por um a espécie de choque retardado, de m edo retrospectivo, suas pernas am oleceram .

— Não se preocupe com igo... Procure-o... Gotas de suor com eçaram a escorrer da sua testa, e Maigret com preendeu que ele desm aiava. Correu até a porta.

— Pode se ocupar dele, Sr. Tardivon?... E o m édico?

— Não está em casa. Mas este senhor aqui, um dos m eus hóspedes, é enferm eiro na Santa Casa.

Maigret afastou a cortina e transpôs a j anela, ao m esm o tem po em que punha m aquinalm ente o cachim bo vazio na boca. O cam inho das urtigas estava deserto, um a m etade à som bra, a outra vibrando de luz e calor. Ao fundo, o portão estava fechado. No m uro branco, em frente ao quarto, o com issário nada observou de anorm al. Quanto a pegadas no chão, era inútil procurá-las nas ervas secas; elas não conservavam vestígios, assim com o nos lugares onde o solo nu era m uito pedregoso. Ele cam inhou em direção ao rio. Um as vinte pessoas estavam reunidas, hesitando em avançar.

— Algum de vocês estava no terraço quando atiraram ? Várias vozes disseram : “Eu!”. Alguns, satisfeitos, se aproxim aram . — Viu alguém entrar nesse cam inho?

— Ninguém ! Há um a hora, pelo m enos. Não saí daqui, disse um hom enzinho m agro, de cam isa m ulticolorida... — Vá para j unto da sua m ãe, Charlot!... Eu estava aqui, com issário... Se o assassino tivesse entrado no cam inho das urtigas, fatalm ente eu o teria visto.

— Ouviu os tiros?

— Com o todo m undo. Achei que estavam caçando na propriedade vizinha... Cheguei a dar alguns passos...

— E não viu ninguém no cam inho?

— Ninguém .

— Evidentem ente não olhou atrás de cada tronco de árvore...

Maigret fez isso rapidam ente, por desencargo de consciência, depois se dirigiu até a entrada principal do pequeno castelo. O j ardineiro em purrava num a aleia um carrinho de m ão com cascalho.

— Ele não está?

— Deve estar na casa do tabelião... É a hora em que eles j ogam sua partida de cartas.

— Você o viu sair?

— Com o estou vendo o senhor! Há um a hora e m eia, m ais ou m enos.

— E não encontrou ninguém no j ardim ?

— Ninguém ... Por quê?

— Onde você estava há dez m inutos?

— À beira do laguinho, carregando o carrinho de m ão.

Maigret olhou-o bem nos olhos. O hom em parecia sincero. Além do m ais, era m uito sonso para saber m entir. Sem se preocupar com ele, o com issário foi até o barril encostado contra o m uro, m as não descobriu nenhum indício da passagem do assassino. Exam inou o portão enferruj ado sem m ais sorte. Não parecia ter sido aberto depois que ele m esm o o abrira de m anhã. “No entanto, foram dados dois tiros!”. No hotel as pessoas haviam voltado a se sentar, m as a conversa era geral.

— Nada de grave! Disse o Sr. Tardivon, que veio ao encontro do com issário. — Fiquei sabendo que o doutor está na casa do tabelião Petit. Devo m andar cham á-lo?

— Onde é a casa do tabelião?

— Na praça, ao lado do Hotel du Com m erce.

— De quem é esta bicicleta?

— Não sei. Mas pode usá-la. O senhor m esm o vai até lá?

Maigret m ontou na bicicleta, m uito pequena para ele, as m olas do assento rangeram . Cinco m inutos m ais tarde, acionava um sino num a casa am pla, lim pa e fresca, onde um a velha dom éstica de avental de quadradinhos azuis o olhou através de um postigo.

— O doutor está?

— Quem desej a vê-lo? Mas um a j anela entreaberta se abriu de vez e um hom em j ovial, com cartas na m ão, se inclinou:

— É a m ulher do guarda?... Já estou indo.

— Um ferido, doutor. Poderia ir im ediatam ente ao Hotel de la Loire?

— Espero que não se trate de m ais um crim e... Três outros personagens, reunidos em volta de um a m esa onde brilhavam copos de cristal, se levantaram . Maigret reconheceu Saint-Hilaire.

— Um crim e, sim ... Venha depressa!...

— Morto?

— Não. Mas leve m aterial para um curativo... Maigret não tirava os olhos de Saint-Hilaire. Percebeu que o proprietário do pequeno castelo estava m uito perturbado.

— Um a pergunta, senhores...

— Um instante! Interveio o tabelião. — Por que não o faz entrar? A em pregada, que havia esperado, abriu enfim a porta. O com issário atravessou o corredor e entrou na sala onde reinava um cheiro bom de charuto e de conhaque.

— O que aconteceu? Perguntou o dono da casa, que era um senhor de aparência bem cuidada, cabelos sedosos e pele branca com o a de um bebê. Maigret fingiu não ter escutado.

— Eu gostaria de saber, senhores, há quanto tem po estão j ogando. O tabelião lançou um olhar ao relógio de pêndulo.

— Cerca de um a hora.

— Nenhum dos senhores deixou esta peça desde então? Eles se olharam com espanto.

— Não. Som os apenas quatro... O núm ero necessário para o bridge.

— Tem certeza absoluta? Saint-Hilaire estava verm elho com o carm im .

— Quem é a vítim a? Ele perguntou, com a garganta seca.

— Um em pregado da Identidade Judiciária que trabalhava no quarto de Ém ile Gallet... Ele se ocupava precisam ente de um certo Sr. Jacob...

— Sr. Jacob... Repetiu o tabelião.

— Conhece alguém com esse nom e?

— Não... Deve ser um j udeu...

— Tenho um favor a lhe pedir, Sr. de Saint-Hilaire. Gostaria que fizesse o im possível para encontrar a chave do portão... Se precisar, posso lhe ceder inspetores para vasculhar a casa... O gesto do castelão, que tom ou num trago a bebida no seu copo, não escapou a Maigret. — Desculpem -m e por tê-los incom odado, senhores.

— Não quer tom ar um trago conosco, com issário?

— Noutra ocasião... Obrigado. Tornou a partir de bicicleta, virou à esquerda e logo chegou diante de um a casa em m au estado, em cuj o letreiro m al se conseguia ler: Pensão Germ ain.

— A Srta. Boursang está? Um a m ulher, com um bebê nos braços, chegou do fundo de um a peça.

— Ela saiu, com o faz toda tarde. Mas o senhor certam ente a encontrará na colina, perto do velho castelo, pois ela levou um livro e é o seu lugar favorito.

— Esse cam inho vai até lá?

— Vire à direita depois da últim a casa. Na m etade da encosta, ele precisou desm ontar e em purrar a bicicleta. Estava m ais febril do que gostaria de estar, talvez porque, m ais um a vez, tinha a im pressão de seguir um a pista falsa.

— Não foi Saint-Hilaire que atirou, isso é certo. No entanto...

O cam inho que ele seguia atravessava um a espécie de j ardim público. À esquerda, num terreno em declive, um a m enina estava sentada perto de três cabras presas por um a corda em estacas.

O cam inho fazia um a curva brusca e, logo acim a, a cem m etros, Maigret viu Éléonore instalada num banco, com um livro na m ão. Ele cham ou a m enina, que devia ter uns doze anos.

— Conhece a senhora que está sentada lá em cim a?

— Sim , senhor.

— Ela vem seguidam ente ler naquele banco?

— Sim , senhor.

— Todos os dias?

— Acho que sim , senhor. Mas, quando vou à escola, não a vej o...

— A que horas você chegou hoj e?

— Já faz tem po, senhor. Vim logo depois do alm oço.

— E onde você m ora?

— Naquela casa lá em baixo... Ficava a m eio quilôm etro. Era um a casa baixa, num a granj a.

— A senhora j á estava lá?

— Não, senhor.

— Quando ela chegou?

— Não sei, senhor. Acho que há duas horas...

— E ela não saiu dali?

— Não, senhor.

— Não passeou pela estrada?

— Não, senhor.

— Ela tem um a bicicleta?

— Não, senhor.

Maigret tirou um a m oeda de dois francos do bolso e pôs na m ão da m enina, que apertou os dedos sem olhar para ela e perm aneceu im óvel no m eio do cam inho, de olhos voltados para ele, que voltou a m ontar na bicicleta e se dirigiu para o vilarej o. Ele parou na agência dos Correios, redigiu um telegram a para Paris:

Desejo saber com urgência onde estava Henry Gallet sábado quinze horas. Maigret. Sancerre.

— Deixe isso, m eu rapaz!

— O senhor m esm o m e disse que era urgente, com issário. E j á não sinto m ais nada!

Bravo Moers! O m édico lhe fizera um curativo tão com plicado e tão espesso com o se tivesse recebido seis balas na cabeça. E o pincenê de vidros cintilantes tinha um aspecto côm ico no m eio de todas aquelas bandagens brancas.

Até as sete da noite, Maigret não se inquietou com ele, sabendo que o ferim ento era sem gravidade, e agora o via no m esm o lugar que de m anhã, diante de suas placas de vidro, sua vela e seu fogareiro a álcool.

— Não descobri m ais nada sobre o Sr. Jacob. Mas acabo de reconstituir um a carta, assinada Clém ent, endereçada a não sei quem e que fala de um presente a oferecer a um príncipe exilado... Há duas vezes a palavra óbolo e um a vez a palavra lealdade...

— De interesse secundário.

Pois isso se relacionava evidentem ente às vigarices de Gallet. O exam e da pasta rosa havia inform ado Maigret a esse respeito, bem com o alguns telefonem as dados a donos de castelo do Berry e do Cher. Num a época im precisa, três ou quatro anos após seu casam ento, talvez, um ano ou dois após a m orte do seu sogro, Ém ile Gallet decidira se servir da velha papelada do Soleil, da qual era o herdeiro. Com um a tiragem de poucos exem plares, reservados quase exclusivam ente a raros assinantes, o j ornal, dirigido por Préj ean, m antinha em alguns fidalgos do cam po a esperança de ver um Bourbon retom ar o trono da França.

Maigret havia folheado a coleção do Soleil e observado que um a m eia página era sem pre reservada a listas de subscrição, ora em favor de um a velha fam ília fiel, ora para os fundos de propaganda, ora ainda para perm itir festej ar dignam ente um aniversário. É o que deve ter dado a Gallet a ideia de tirar proveito dos legitim istas. Ele tinha seus endereços, sabia m esm o, por essas listas, em que proporção podia lhes pedir dinheiro e a que sentim ento devia recorrer para cada um em particular.

— É a m esm a escrita que encontrou nos outros papéis?

— A m esm a... Meu m estre, o professor Locard, lhe diria ainda m ais. Escrita calm a, aplicada, no entanto com sinais de febre e de desânim o no final das palavras... Um grafólogo afirm aria sem hesitar que o hom em que escreveu essas cartas estava doente e sabia disso.

— Claro!... É o suficiente, Moers... Pode descansar. Maigret fixou dois buracos na cortina, os dois buracos feitos pelas balas. — Volte por um m om ento ao lugar onde estava há pouco... Ele reconstituiu a traj etória, sem dificuldade. — O m esm o ângulo, concluiu. — Atiraram do m esm o lugar, no alto do m uro... Mas que barulho é esse?

Levantou a cortina e viu no cam inho das urtigas o j ardineiro, que passava um ancinho entre as ervas altas.

— Que está fazendo? Perguntou-lhe Maigret.

— Meu patrão m e disse para...

— ...Para procurar a chave?

— Isso m esm o!

— E foi ele que o enviou a esse lugar?

— Ele tam bém está procurando, no j ardim ... A cozinheira e o m ordom o vasculham a casa... Maigret baixou a cortina com um gesto brusco e, de novo isolado em com panhia de Moers, observou:

— Quer saber, m eu velho?... Aposto que ele vai encontrar a chave!

— Que chave?

— Pouco im porta!... Seria dem orado dem ais para explicar... A que horas você baixou o estore?

— Assim que cheguei, por volta de um a e m eia da tarde...

— E não ouviu ruídos aí fora?

— Não prestei atenção. Estava m uito concentrado, pois o trabalho que eu fazia, em bora pareça idiota, é na realidade m uito delicado.

— Entendo, entendo!... Na verdade, a quem foi que falei do Sr. Jacob? Ao j ardineiro, eu acho... E Saint-Hilaire, que saíra para pescar, voltou para o alm oço, se vestiu e foi j ogar sua partida de cartas... Tem certeza de que todos os outros papéis carbonizados foram escritos à m ão pelo Sr. Clém ent?

— Certeza absoluta!

— Então não interessa. A única coisa que conta é a carta assinada pelo Sr. Jacob que fala de num erário, de segunda-feira, e que parece reclam ar vinte m il francos para essa data, am eaçando de prisão o destinatário. O crim e aconteceu no sábado... Às vezes o ancinho, do lado de fora, batia num a pedra. — Não foi nem Éléonore nem Saint-Hilaire que atiraram , m as...

— Achei! Ouviu-se de repente a voz do j ardineiro. Maigret sorriu com orgulho, foi levantar a cortina.

— Me dê! Falou, estendendo a m ão.

— Não esperava encontrá-la aqui...

— Vam os, m e dê! Era um a chave enorm e, de um m odelo que não se encontraria noutro lugar a não ser em antiquários. Com o a fechadura, estava enferruj ada e tinha alguns arranhões.

— Diga apenas a seu patrão que você a entregou a m im ... Vá!

— Mas é que...

— Vá! E Maigret baixou a cortina, lançou a chave em cim a da m esa. — A gente poderia dizer que, descontada sua orelha, a j ornada foi m agnífica, não é verdade, Moers?... Sr. Jacob!... A chave!... Os dois tiros e todo o resto!... Pois bem ...

— Um telegram a! Anunciou o Sr. Tardivon.

— Que foi que eu lhe disse, m eu velho? Com pletou o com issário, após dar um a espiada no telegram a. — Em vez de avançar, a gente recua. Escute isto: Às quinze horas, Henry Gallet estava na casa de sua m ãe, em Saint-Fargeau. Continuava lá às dezoito horas.

— E então?

— Então nada! Resta apenas o Sr. Jacob para ter atirado em você, e até agora esse Sr. Jacob é um a figura tão inconsistente quanto um a bolha de sabão.

* * *