Mappa de Portugal antigo, e moderno, tomo 1
D. Joseph I. vigesimo quinto Rey.
164 Chegando finalmente o prazo ultimo de seus dias, os terminou em Lisboa aos 31 de Julho
de 1750, e foy viver na Bemaventurança em premio das virtudes que exercitou; tendo-se primeiramente disposto, e preparado como Catholico com todos os Sacramentos da Igreja. Jaz seu corpo no Templo de S. Vicente de Fóra.
165 A inclyta Naçaõ Portugueza deu ao publico em Roma numa demonstraçaõ do seu
reverente obsequio à saudosa memoria de taõ grande Monarca: celebrou na Real Igreja de Santo Antonio as solemnes exequias com aquella magnificencia, e esplendor, que eraõ devidas às excelsas prerogativas de hum Principe taõ benemerito da Sé Apostolica: para isto fez erigir hum sumptuoso Mausoleo com engenhoso artificio pela idéa do Architecto Portuguez Manoel Rodrigues dos Santos, ornado de primorosas figuras, medalhas, e epigrafes; concluindo-se todo o apparato lugubre com a seguinte inscripçaõ:
JOANNI V.
Lusitaniæ Regi Fidelissimo,
Pio, Victori, Pacifico.
Christianæ rei ubicumque terrarum Orbi, & Gentium
Propagatori.
Bonarum artium, omniumque Disciplinarum
Parenti vindici, Mæcenati munificentissimo.
Qui
Feralibus bellorum dissidiis, aut consilio restinctis,
Aut virtute sublatis,
Pacis artes, publica Sacerdotia,
Ecclesiæ majestatem, dignitatemque
Post Constantini Magni memoriam,
Quam qui maxime ornavit, auxit, amplificavit.
Principi Optimo
Deque omnium Nationum ordinibus benemerentissimo
Lusitani D. N. M. Q. Ejus.
D. Joseph I. vigesimo quinto Rey.
166 He o Fidelissimo Senhor D. Joseph Monarca presentemente reinante, augusto successor
de seu grande Pay D. Joaõ V. Foy acclamado Rey na Cidade de Lisboa em huma segunda feira de tarde aos 7 de Setembro de 1750 com festivos applausos de seus vassallos. Para esta ceremonia chea de grande alegria, se levantou huma varanda magnifica no terreiro do Paço junto a Palacio, a qual começando da sala dos Tedescos, por onde tinha a entrada, rematava no torreaõ do Forte com quarenta palmos de largo, e trezentos e setenta de comprido, sustida em dezaseis altas columnas ligadas com huma balaustrada que fazia face ao mesmo terreiro, e revestido tudo com o mais precioso ornato, que soube idear o bom gosto.
167 Tanto que subio ao Throno, e empunhou o Cetro, fez ver que existia vivamente naõ só na
magestade da Pessoa, e clemencia do genio, mas na generosidade das acções, reproduzido o coraçaõ magnanimo de seu memoravel Pay. Este bom conceito annunciaraõ seus vassallos desde o dia 6 de Junho de 1714, em que este Monarca vio a primeira luz do mundo, onde havia ser o primeiro brilhante Astro da esfera Lusitana. Para segurar a successaõ Regia casou em 19 de Janeiro de 1729 com a Serenissima Princeza das Asturias D. Maria Anna Victoria, filha delRey Catholico Filippe V., e da Rainha D. Isabel Farnese sua segunda mulher.
168 Logo nos primeiros passos do seu Reinado mostrou o grande zelo de conservar os seus
povos em paz, justiça, e prosperidade: e como estes atributos naõ se podem estabelecer sem o recto manejo de bons Ministros, cuidou em os eleger competentes, e de alta comprehensaõ aos interesses politicos, e economicos do Estado. Com esta providencia se dispozeraõ as negociações da Marinha, do Commercio, e de todos os Tribunaes naquelle melhorado regimen, que o Reino experimenta; ajudando ao bom exito de tudo as justissimas Leys, que em utilidade do bem publico tem promulgado.
169 Para augmentar o Commercio, e Navegaçaõ, de que resultaõ opulencias mayores que as
da natureza, ordenou que os despachos fossem promptos, evitando demoras na expediçaõ dos Tribunaes. Exaltou, e renovou o exercicio das bellas letras com a reforma de melhores Methodos; dispondo que fossem educados seus vassallos principalmente os Nobres; fundando para este effeito Collegio onde se aprendaõ todas as uteis, e estimaveis profissões das Artes, abolindo por Decreto de 29 de Julho de 1759 o magisterio aos Jesuitas, e a liçaõ da Arte do Padre Manoel Alvares.
170 Nos extraordinarios accidentes do terremoto, e incendio, que fatalmente destruiraõ Lisboa
no anno de 1755, se vio a grandeza do coraçaõ deste augusto Monarca; porque conservando-se inalteravel em hum caso taõ repentino, e horrendo, em que vacilaraõ os mayores talentos, elle se applicou pio, e providente a soccorrer, e acautelar a consternaçaõ, do afflicto Povo: e como se fora pequeno este empenho, intentou d’entre as cinzas de Lisboa abrazada reproduzir outra de
novo com mayores vantagens, excedendo nas circustancias a grandeza de Trajano.[737]
171 Com igual constancia de animo tolerou aquelle barbaro desacato, com que a aleivosia,
rompendo as obrigações da fidelidade Portugueza, se atreveo a insultar a sua veneravel Pessoa em a noite de 3 de Setembro de 1758. Mas a Providencia de Deos, salvando-lhe com prodigio a vida, fez que naõ ficassem sem castigo os perfidos delinquentes, fazendo-os justiçar a 13 de Janeiro do seguinte anno em o Caes de Belém; porque o Principe, que dissimula a malicia, reina só no nome; o que a castiga, reina no nome, e no officio.
172 Ainda naõ havia bem descançado de punir traições, e acautelarse de insultos, quando os
Reys Catholico, e Christianissimo com o Pacto de Familia, que entre si estipularaõ, querendo por força que nos declarassemos contra Inglaterra, invadiraõ, e atacaraõ com cavilozos pretextos algumas das nossas Praças Trasmontanas; commetendo o Marquez de Sarria, e outros Generaes Castelhanos muitas hostilidades desde 8, 15, e 21 de Mayo de 1762, em que se introduziraõ em Miranda, Bragança e Chaves, e em cujas acções tem perturbado a paz publica, e fé dos Tratados estabelecidos com a antiga solemnidade.
173 Porém como da nossa parte milita a justiça, e a razaõ, espera ElRey Fidelissimo triunfar
do poder, e industria de seus inimigos. Para este bom exito mandou fazer promptas as suas Tropas, cujo total mando, e manejo entregou plenamente ao Conde Soberano de Lippa Guilherme de Schaumburg, Cavalleiro da Real Ordem Prussiana da Aguia Negra, Pessoa que ElRey da Grã Bretanha, como nosso Alliado, elegeo, por ser de huma distincta reputaçaõ, e de conhecido valor, e fama nas guerras da Europa. Sua Magestade Fidelissima o nomeou Marechal General dos seus Exercitos, e Director geral de todas as suas Tropas por Decreto de 3 de Julho de 1762.
174 Toda esta boa razaõ, e justiça, em que se estriba a nossa defensa, fez persuadir tambem
ao Principe Carlos Luiz Federico Duque de Meckelburgo, Streliz, Principe de Vandalia, a que passasse dos exercitos Britanicos onde era Marechal de Campo, para as Tropas delRey Fidelissimo, o qual logo o nomeou Coronel General de hum Regimento de Cavallaria, a que deu titulo de Meckelburgo. Naõ só prometem estas antecedencias felicidades às Armas Portuguezas, mas animo. Será cada coraçaõ Portuguez hum escudo à vida, e gloria de nosso Augusto Monarca, o qual em militares campanhas amedrentará com o ecco do seu valor dilatados climas do Universo.
Ann. Ann. Anno
Lugar da Lugar da
N. Nome. Cognome. Patria. Nasc. Coroaç. que que da
morte. sepultura
reinou. viveo. morte.
1D. Affonso Santa Conquistador. Guimarães. 1109 1128 57 76 1185 Coimbra. Cruz de I. Coimbra.
2D. Sancho Santa Povoador. Coimbra 1154 1185 26 57 1211 Coimbra. Cruz de I. Coimbra.
3D. Affonso
Gordo. Coimbra. 1185 1211 12 38 1223 Coimbra. Alcobaça.
II.
4D. Sancho Sé de Capello. Coimbra. 1202 1223 25 46 1248 Toledo. II. Toledo.
5D. Affonso
Bolonhez. Coimbra. 1210 1246 32 69 1279 Lisboa. Alcobaça.
III.
6D. Diniz Lavrador. Lisboa. 1261 1279 46 63 1325 Santarem. Odivelas.
7D. Affonso Sé de Bravo. Coimbra. 1291 1325 32 66 1357 Lisboa. IV. Lisboa.
8D. Pedro
Justiceiro. Coimbra. 1320 1357 9 46 1367 Estremoz. Alcobaça.
I.
9D. Formoso. Coimbra. 1345 1367 16 38 1383 Lisboa. Santarem. Fernando.
10D. Joaõ I. Boa Lisboa. 1357 1385 48 76 1433 Lisboa. Batalha. memoria.
11D. Duarte. Eloquente. Viseu. 1391 1433 5 46 1438 Thomar. Batalha. 12D. Affonso
Africano. Cintra. 1432 1438 43 49 1481 Cintra. Batalha.
V.
13D. Joaõ II. Perfeito. Lisboa. 1455 1481 14 40 1495 Alvor. Batalha. 14D.
Venturoso Alcochete. 1469 1495 26 52 1521 Lisboa. Belém.
Manoel.
15D. Joaõ
Piedoso. Lisboa. 1502 1521 35 55 1557 Lisboa. Belém.
III.
16D.
Desejado. Lisboa. 1554 1557 21 24 1578 Africa. Belém.
Sebastiaõ.
17D.
Casto. Almeirim. 1512 1578 1 68 1580 Almeirim. Belém.
Henrique.
18D. Filippe
Prudente. Valhadolid. 1527 1581 18 71 1598 Escurial. Escurial.
II.
19D. Filippe
Pio. Madrid. 1578 1598 23 43 1621 Madrid. Escurial.
III.
20D. Filippe
Grande. Valhadolid. 1605 1621 19 60 1665 Madrid. Escurial.
IV.
21D. Joaõ S. Vicente
Restaurador. Villa Viços. 1604 1640 15 51 1656 Lisboa.
IV. de Fóra
22D. Affonso
Vitorioso. Lisboa. 1643 1656 11 40 1683 Cintra. Belém.
VI.