Mas Não se Matam Cavalos?
...capítulo dez · Horas transcorridas 783
Pares restantes 26
— Senhoras e senhores — Rocky anunciou — antes de com eçar o dérbi, a direção m e pediu que eu contasse a vocês que vai haver um a cerim ônia pública de casam ento aqui na sem ana que vem ... um casam ento real, legítim o, bem aqui na pista, do par n° 71, Vee Lovell e Mary Hawley. Venham aqui, Vee e Mary, para que o público vej a que lindo casal vocês form am ...
Vee e Mary, de uniform e, foram para o centro da pista, receber os aplausos. O salão estava cheio de novo.
— ...isto é — Rocky disse —, se eles não forem elim inados no dérbi. Esperam os que não. A cerim ônia de casam ento público faz parte da política da direção de oferecer divertim ento de altíssim o nível...
A srª. Lay den puxou m inha cam iseta.
— O que houve com o braço de Rocky ? — ela perguntou em voz baixa.
Dava para perceber que Rocky tivera um acidente. A m anga do braço esquerdo do seu casaco estava em ordem , m as o braço esquerdo estava num a tipóia e casaco o cobria com o um m anto.
— Deu um m au j eito — eu disse.
— Só levou nove pontos — Glória disse, baixinho.
— É por isso que ele não estava aqui ontem à noite
— disse a srª. Lay den. — Ele sofreu um acidente...
— É isso aí.
— Ele caiu no chão?
— É isso aí, acho que sim ...
— ...querem os apresentar a m aravilhosa estrela do cinem a, a srta. Mary Brian. Quer se levantar, srta. Brian?
A srta. Brian se levantou. O público aplaudiu.
— ...e o fam oso com ediante, sr. Charley Chase... Mais aplausos quando Charley Chase se levantou e fez um a reverência.
— Odeio essas apresentações — Glória disse.
— Boa sorte... — disse a srª. Lay den, quando nos dirigim os à plataform a.
— Estou cheia disso — disse Glória. — Estou cheia de olhar para as celebridades e estou cheia de fazer sem pre a m esm a coisa...
— Às vezes m e arrependo de ter conhecido você — eu disse. — Não gosto de dizer isso, m as é verdade. Antes de conhecer você eu não sabia com o era estar perto de gente deprim ida.
Nós nos j untam os aos outros pares na linha de partida.
— Estou cansada de viver e tenho m edo de m orrer
— Glória disse.
— Ora, essa é um a idéia legal para um a m úsica — disse Jam es Bates, que escutou tudo. — Você podia com por um a m úsica sobre um velho negro no rio que estava cansado de viver e tinha m edo de m orrer. Ele poderia estar carregando algodão e enquanto isso cantava um a m úsica para o rio Mississipi. Ora, sei de um bom título... você podia cham ar de Old Man River...
Glória lançou olhares fulm inantes para ele, m exendo no nariz.
— A senhora aí... — Rocky cham ou a srª. Lay den, que tinha chegado à plataform a. — Senhoras e senhores... — ele disse ao m icrofone gostaria de apresentar a cam peã m undial dos fãs de m aratonas de dança... um a senhora que não perdeu nenhum a noite desde o início da com petição. É a srª. Lay den; e a produção ofereceu a ela um passe livre válido para toda a tem porada. Um a salva de palm as para a srª. Lay den, senhoras e senhores. Levante-se, srª. Lay den...
A srª. Lay den hesitou um m om ento, m uito desconcertada, sem saber o que fazer ou dizer. Mas quando o público aplaudiu, ela deu um passo à frente e fez um a reverência desaj eitada. Dava para ver que foi um a das m aiores surpresas de sua vida.
— Vocês que são fãs de dança j á a viram antes — Rocky disse. — Ela é do j úri do dérbi todas as noites... Nós não teríam os um dérbi, se não fosse por ela. A senhora gosta de m aratona de danças, srª. Lay den? — ele perguntou, inclinando-se e levando o m icrofone até ela.
— Ela odeia dérbis — Glória disse, baixinho. — Ela j am ais viria a um a m aratona, seu filho-da-puta...
— Gosto sim — disse a srª. Lay den. Estava tão nervosa que m al conseguia falar.
— Qual é seu par favorito, srª. Lay den?
— Meu par favorito é o n° 22: Robert Sy verten e Glória Beatty .
— O par favorito dela é o n° 22, senhoras e senhores, patrocinado pela Cervej a Jonathan que não engorda. A senhora está torcendo para eles ganharem , não é?
— Sim , e se eu fosse m ais j ovem , estaria participando da m aratona.
— Muito bem . Muito obrigado, srª. Lay den. Tudo bem ... Quero agora oferecer à senhora o passe livre, srª. Lay den, um presente da produção. A senhora pode vir aqui quando quiser, sem pagar...
A srª. Lay den aceitou o passe. Ela estava tão tom ada pela gratidão e em oção que sorria e chorava ao m esm o tem po.
— Outro grande m om ento — disse Glória.
— Cale a boca! — eu disse.
— Tudo bem . Os j uizes estão prontos? — Rocky perguntou, endireitando-se.
— Todos prontos — disse Rollo, aj udando a srª. Lay den a se sentar na fileira do j úri.
— Senhoras e senhores — Rocky anunciou —, a m aior parte de vocês j á conhece as regras do dérbi, m as vou explicar para os que estão assistindo pela prim eira vez, para que saibam do que se trata. A m oçada corre em volta da pista por quinze m inutos, os rapazes pisando nos calcanhares e nas pontas dos pés, as m oças correndo ou trotando, com o quiserem . Se por algum m otivo um deles for para a arena (a arena é o centro da pista onde estão as cam as de ferro), se por algum m otivo um deles for para a arena, o parceiro tem de fazer duas voltas na pista, valendo por um a. Está claro?
— Vam os logo com isso! — um a pessoa do público gritou.
— As enferm eiras e os treinadores estão prontos? O m édico está aqui? Tudo bem — ele entregou a arm a para Rollo. — Pode dar a partida, srta. Delm ar? — Rocky perguntou ao m icrofone. — Senhoras e senhores, a srta. Delm ar é um a fam osa escritora e rom ancista de Holly wood...
Rollo levou a arm a para a srta. Delm ar.
— Segurem seus chapéus, senhoras e senhores — Rocky gritou. — Orquestra, pronta para com eçar. Tudo bem , srta. Delm ar...
Ela disparou a pistola e nós partim os.
Glória e eu deixam os que os cavalos de corrida dessem o ritm o. Não fizem os nenhum esforço para ficar na frente. Nosso esquem a era chegar a um ritm o estável e m antê-lo. Não havia nenhum prêm io especial em dinheiro naquela noite. Mesm o se tivesse, não faria diferença para nós.
O público aplaudiu e bateu os pés, pedindo grandes em oções, m as naquela noite não tiveram nenhum a. Só um a m oça, Ruby Bates, foi para a arena, e só por duas voltas. E pela prim eira vez em sem anas ninguém caiu no chão quando a corrida acabou.
Mas aconteceu um a coisa que m e assustou. Glória puxou m eu cinto com m ais força e durante m ais tem po do que nunca. Nos últim os cinco m inutos do dérbi parecia que ela não tinha m ais força própria. Eu praticam ente a arrastei pela pista. Tive um a sensação de que escapam os por pouco de ser elim inados. Nós quase perdemos. Mais tarde naquela noite, a srª. Layden me contou que conversou com o homem que estava nos controlando. Nós só fizemos duas voltas a mais do que os perdedores. Aquilo me apavorou. Decidi que a partir daquele momento era melhor esquecer o nosso esquema e aumentar a velocidade.
Os perdedores foram Basil Gerard e Geneva Tom blin, o par nº 16. Foram desclassificados im ediatam ente. Eu sabia que Geneva estava contente quando tudo acabou. Poderia então se casar com o capitão do barco que ela conheceu na prim eira sem ana da com petição.
Geneva voltou para a pista, enquanto estávam os com endo. Estava vestida para sair e trazia um a pequena m ala.
— Senhoras e senhores — Rocky disse ao m icrofone aqui está um a pessoa m aravilhosa, que foi elim inada hoj e. Não está linda? Um a salva de palm as, senhoras e senhores...
O público aplaudiu e Geneva inclinou a cabeça para todos os lados, enquanto desfilava na plataform a.
— Isso é espírito esportivo, senhoras e senhores... Ela e seu parceiro perderam um dérbi difícil, m as ela está sorrindo. Vou contar um segredo para vocês, senhoras e senhores — aproxim ou o rosto do m icrofone e falou bem alto, em tom de fofoca ela está apaixonada e vai se casar. Isso m esm o, senhoras e senhores, a m aratona de dança é o berço do rom ance, porque Geneva vai se casar com um hom em que ela conheceu bem aqui neste salão. Ele está presente, Geneva? Ele está aqui?
Geneva fez que sim com a cabeça, sorrindo.
— Onde está esse suj eito de sorte? — Rocky perguntou. — Onde está? Levante-se, com andante, e receba os aplausos...
O público todo esticou o pescoço, olhando em volta.
— Ali está ele! — Rocky gritou, apontando para o outro lado do salão. Um hom em pulou a cerca da arquibancada e estava andando na pista em direção à Geneva. Tinha o andar típico de um m arinheiro.
— Diga algum a coisa, com andante — Rocky disse, inclinando o apoio do m icrofone.
— Me apaixonei por Geneva na prim eira vez em que a vi — o m arinheiro disse para o público — e dois dias depois pedi a ela que abandonasse a m aratona de dança e se casasse com igo. Mas ela disse que não, que não queria largar seu parceiro. Então eu tive que ficar por aqui. Agora estou contente que ela foi desclassificada e m al posso esperar pela lua-de-m el...
O público estourou na gargalhada. Rocky endireitou o m icrofone.
— Um a chuva de m oedas para a noiva, senhoras e senhores...
O com andante pegou o m icrofone e o aproxim ou da boca.
— Não precisa dar nenhum a contribuição, m inha gente — ele disse. — Acho que sou capaz de tom ar conta dela...
— É o próprio Popey e — Glória disse.
Não houve chuva de m oedas. Nem um a única m oeda caiu no chão.
— Vocês vêem com ele é m odesto — disse Rocky. — Mas acho que posso contar a vocês que ele é o capitão do Pacific Queen, um navio de quatro m astros que agora é um a barca de iscas, ancorada a três m ilhas do píer. Há táxis aquáticos a toda hora durante o dia, e se algum de vocês quiser um a boa pescaria em alto-m ar, procure o com andante...
— Dá um beij o nela, seu idiota — gritou um a pessoa do público.
O com andante beij ou Geneva e a levou para fora da pista sob os aplausos e gritos do público.
— É o segundo casam ento que a m aratona de dança está prom ovendo, senhoras e senhores — Rocky anunciou. — Não se esqueçam da nossa m aravilhosa cerim ônia de casam ento na próxim a sem ana, quando o par n° 71, Vee Lovell e Mary Hawley, vai se casar bem diante de vocês. Podem com eçar — disse para a orquestra.
Basil Gerard deixou o vestiário com roupa de sair e foi para a m esa receber a últim a refeição por conta da casa.
Rocky se sentou na plataform a, balançando as pernas.
— Cuidado com m eu café — Glória disse.
— Ok, ok — Rocky disse, m ovendo um pouco a xícara. — Com o está a com ida?
— Está boa — eu disse.
Duas senhoras de m eia-idade aproxim aram -se de nós. Eu as tinha visto m uitas vezes antes, sentadas nos cam arotes.
— O senhor é o gerente? — um a delas perguntou a Rocky .
— Não exatam ente — disse Rocky . — Sou o assistente. O que desej am ?
— Sou a srª. Higby — a m ulher disse. — Esta é a srª. Witcher. Podem os conversar em particular?
— Este é o lugar m ais particular que tem os por aqui — Rocky disse. — O que desej am ?
— Som os a presidente e a vice-presidente...
— Qual é o problem a? — perguntou Socks Donald, chegando por trás de m im .
— Ele é o gerente — Rocky disse, parecendo aliviado.
As duas m ulheres olharam para Socks.
— Som os a presidente e a vice-presidente da Liga das Mães em prol da Moralidade...
— Ui! — Glória disse, baixinho.
— Sim ?
— Tem os um com unicado para o senhor — disse a srª. Higby, entregando um papel dobrado nas m ãos dele.
— E do que se trata? — Socks perguntou.
— Só isso — disse a srª. Higby. — Nossa Liga em prol da Moralidade condenou sua com petição...
— Espera aí — Socks disse. — Vam os ao m eu escritório conversar sobre isso...
A srª. Higby olhou para a srª. Witcher, que fez um sinal afirm ativo com a cabeça.
— Muito bem — disse.
— Vocês dois venham com igo. Rocky, você tam bém . Ei, enferm eira, leve essas xícaras e pratos em bora. — Ele sorriu para as duas m ulheres e disse: — Vej am bem , não perm itim os que a m oçada faça nada que desperdice energia. Por aqui, senhoras...
Ele indicou o cam inho saindo por trás da plataform a para seu escritório, num canto do prédio. Enquanto andávam os j unto, Glória fingiu tropeçar, caindo com força sobre a srª. Higby, segurando sua cabeça com os braços.
— Oh, desculpe... perdão— Glória disse, olhando para o chão, para ver sobre o que tropeçara.
A srª. Higby não disse nada e aj eitou seu chapéu, olhando furiosam ente para Glória, que m e deu um cutucão e piscou, sem que a srª. Higby visse.
— Lem brem -se, m eninos, vocês são testem unhas — Socks sussurrou quando entram os em seu escritório, que antes tinha sido um a sala e era bem pequeno.
Notei que pouca coisa m udara desde o dia em que Glória e eu fôram os nos inscrever na m aratona. A única m udança eram dois retratos de m ulheres peladas que Socks prendeu na parede. A srª. Higby e a srª. Witcher viram os retratos na m esm a hora e trocaram olhares cúm plices.
— Sentem -se, senhoras — disse Socks. — Então, qual é o problem a?
— A Liga das Mães em prol da Moralidade condenou sua com petição — disse a srª. Higby. — Decidim os que é um a influência vulgar, degradante e perniciosa para a com unidade. Decidim os que o senhor deve fechar...
— Fechar?
— Agora m esm o. Se o senhor se recusar irem os à Assem bléia Municipal. Essa com petição é vulgar e degradante...
— As senhoras não com preenderam direito — disse Socks. — Não há nada de degradante nesta com petição. Ora, os j ovens adoram . Todos ganharam peso desde que a com petição com eçou...
— Há um a m oça nessa com petição que vai ser m ãe — disse a srª. Higby um a tal de Ruby Bates. É um crim e perm itir que essa m oça corra e ande o dia todo, quando seu bebê está para nascer. Além disso, é chocante vê-la exibindo-se quase pelada para todo m undo. Acredito que ela deveria ter a decência de vestir um casaco...
— Bem , senhoras — disse Socks. — Nunca pensei desse j eito. Ruby sem pre m e pareceu saber o que estava fazendo, e nunca prestei atenção à sua barriga. Mas entendo seu ponto de vista. Querem tirá-la da com petição?
— Com toda certeza — disse a srª. Higby .
A srª. Witcher fez que sim com a cabeça.
— Tudo bem , senhoras — disse Socks —, com o quiserem . Sou fácil de negociar. Tam bém pagarei a conta do hospital... Obrigado por m e advertirem . Vou cuidar disso agora m esm o...
— Isso não é tudo — disse a srª. Higby. — O senhor pretende fazer um a cerim ônia pública de casam ento na sem ana que vem ou apenas anunciou isso para atrair um bando de idiotas?
— Nunca fui um im postor na m inha vida — disse Socks. — O casam ento é verdadeiro. Jam ais enganaria os clientes dessa form a. Podem perguntar para qualquer pessoa que trabalha com igo o tipo de hom em que sou...
— Conhecem os bem sua reputação — disse a srª. Higby. — E nem assim posso acreditar que o senhor vai patrocinar um sacrilégio desses...
— Os dois que vão se casar estão apaixonados — disse Rocky .
— Não vam os perm itir essa zom baria — disse a srª. Higby. — Exigim os que o senhor acabe com essa com petição agora m esm o!
— O que vai ser desses j ovens se ele acabar com a com petição? — Glória perguntou. — Vão voltar direto para a rua...
— Não tente j ustificar nada, m ocinha — disse a srª. Higby. — Essa com petição é perversa. Atrai m aus elem entos. Um dos participantes era um assassino refugiado, o italiano de Chicago...
— Bem , senhoras, não podem m e culpar por isso tam bém — disse Socks.
— Claro que sim ! Estam os aqui porque é nosso dever m anter a cidade lim pa e livre desse tipo de influência...
— As senhoras se im portariam se eu e m eu assistente saíssem os para conversar um pouco? — Socks pediu. — Talvez encontrem os um j eito...
— ...m uito bem — disse a srª. Higby .
Socks cam inhou em direção a Rocky e os dois saíram .
— As senhoras têm filhos? — Glória perguntou, quando a porta se fechou.
— Nós duas tem os filhas adultas — disse a srª. Higby .
— Sabem onde elas estão hoj e à noite e o que estão fazendo?
Nenhum a das duas m ulheres disse nada.
— Talvez eu possa lhes dar um a idéia — Glória disse. — Enquanto as senhoras, duas nobres personalidades, estão aqui cum prindo seu dever com pessoas que nem conhecem , suas filhas provavelm ente estão sem roupas no apartam ento de algum suj eito enchendo a cara.
A srª. Higby e a srª. Witcher prenderam a respiração ao m esm o tem po.
— É o que acontece em geral com as filhas de reform adores — Glória disse. — Mais cedo ou m ais tarde elas transam com alguém e a m aioria não sabe nem evitar encrenca. Yocês as afastam de casa com seus m alditos serm ões sobre pureza e decência, e ficam m uito ocupadas se m etendo na vida dos outros para poder ensinar a elas...
— Ora! — disse a srª. Higby , com o rosto cada vez m ais verm elho.
— Eu... — disse a srª. Witcher.
— Glória... — eu disse.
— Está na hora de alguém falar isso para essas m ulheres — disse Glória, ficando de costas para a porta, com o se para evitar que as m ulheres saíssem —, e sou quem vai fazer isso. Vocês são daquele tipo de vaca que se enfia no banheiro para ler livros de sacanagem e contar histórias suj as e depois anda por aí tentando estragar a festa dos outros...
— Saia da frente desta porta, m ocinha, e deixe— nos sair daqui! — gritou a srª. Higby. — Me recuso a escutá-la. Sou um a senhora respeitável. Sou professora da escola dom inical...
— Não vou m e m exer nem um m ilím etro, enquanto eu não acabar — disse Glória.
— Glória...
— Sua Liga da Moralidade e seus m alditos clubes de m ulheres — ela disse, sem prestar atenção em m im — cheios de vacas introm etidas que não dão um a bela trepada há m ais de vinte anos. Por que as senhoras não saem por aí e pagam por um a de vez em quando? É isso que está errado com vocês...
A srª. Higby avançou em Glória, o braço levantado com o se fosse bater nela.
— Vam os lá! Pode m e bater — Glória disse, sem se m exer. — Pode m e bater! Se encostar a m ão em m im , eu acabo com você.
A porta abriu, em purrando Glória. Socks e Rocky entraram .
— Essa... essa... — disse a srª. Higby , sacudindo o dedo apontado para Glória.
— Não vacile — Glória disse —, pode falar. A senhora consegue dizer: puta. P-U-T-A.
— Cale a boca! — Socks disse. — Senhoras, eu e m eu assistente decidim os aceitar qualquer sugestão que tiverem ...
— Nossa sugestão é que fechem este lugar agora m esm o! — disse a srª. Higby. — Ou irem os para a Assem bléia Municipal pela m anhã...
Com eçou a sair, seguida pela srª. Witcher.
— Mocinha — disse a srª. Higby para Glória —, você deveria estar num reform atório!
— Já estive num — Glória disse. — Tinha um a velha com o a senhora tom ando conta. Ela era lésbica...
A srª. Higby prendeu a respiração de novo e saiu, seguida pela srª. Witcher.
Glória bateu a porta, quando saíram , sentou na cadeira e com eçou a chorar. Cobriu o rosto com as m ãos e tentou conter o choro, m as não conseguiu. Aos
poucos inclinou o corpo para frente, ficando dobrada, trem endo e sacudindo pela em oção, com o se tivesse perdido o controle da parte superior de seu corpo. Durante um m inuto o único barulho do quarto eram seus soluços e o barulho das ondas subindo e descendo, que se ouvia pela j anela m eio aberta.
Então Socks foi até ela e pôs a m ão com carinho sobre a cabeça dela.
— Não foi nada, m ocinha — disse. — Não conte para ninguém — disse para m im . — É um segredo.
— Não vou contar nada — eu disse. — Terem os de fechar?
— Acho que não — Socks disse. — Só que terem os de dar um a grana para alguém . Vou falar com m eu advogado am anhã. Enquanto isso, Rocky, conte a novidade para Ruby. Ela tem de ir em bora. Muitas m ulheres estão reclam ando por causa dela — ele olhou para a porta. — Eu devia ter ficado na m inha — ele disse. — Malditas filhas-da-puta...