
Memória muscular: um estudo interdisciplinar sobre a performance no violoncelo
Violoncelistas repetem trechos horas por dia e, no dia seguinte, muitos têm a impressão de que nada ficou memorizado. É desse incômodo que parte a tese de doutorado de Joel Silva de Souza, publicada pela Cultura Acadêmica da Unesp. A explicação vem da neurociência e da psicologia cognitiva: a bainha de mielina que engrossa os axônios mais usados, o hipocampo recuperando o que o córtex guardou, a amígdala por trás do medo de palco, o experimento de Cairney em que palavras aprendidas antes de dormir são tocadas durante o sono de ondas lentas. Os exemplos saem do repertório tratado como vocabulário motor: a escala de Dó maior dividida em agrupamentos, os dois primeiros compassos do quarteto A Morte e a Donzela servindo de molde para os dois seguintes, o staccato volante do compasso 30 do Concerto em Ré maior de Haydn preparado nos estudos de Popper.
