Nós Queremos Que Você Fique Rico
Capítulo 14: O que você aprendeu com seu pai?
O QUE VOCÊ APRENDEU COM SEU PAI?
A resposta de Robert
Meu pai era um homem formidável. Quando criança, eu o admirava e o respeitava. Tinha orgulho de ser seu filho e queria que ele tivesse orgulho de mim.
No primeiro dia de aula, os professores faziam a chamada, seguindo o livro de presença, e cada um parava após chamar seu nome e perguntava: “Ralph Kiyosaki é seu pai?”
Meu pai foi chefe de educação do estado do Havaí. Para um oriental, era um homem bastante alto, cerca de 1,90m, então se destacava de várias maneiras. Era conhecido como um homem brilhante e uma mente independente. Graduou-se como o melhor da classe, foi orador da turma e era respeitado como um grande educador no sistema educacional do Havaí. Pouco antes de morrer, foi reconhecido como um dos dois principais educadores da história do Havaí. Lembro-me de quando me mostrou, em lágrimas, o artigo do jornal sobrea premiação. Como dizia o artigo, foi um homem que dedicou sua vida ao ensino e às crianças do Havaí.
Meu pai originalmente planejou estudar medicina. Por várias gerações, nossa família fora de médicos. Mas quando estava no ensino médio, na ilha de Mauí, percebeu que seus colegas de classe desapareciam rapidamente da escola. Como representante de sua classe, procurou o diretor para descobrir para onde iam os alunos. A princípio, recebeu uma resposta evasiva, mas acabou descobrindo a verdade. Soube que a empresa de plantio de açúcar para a qual os pais das crianças trabalhavam passara uma ordem para que 20% dos alunos fossem reprovados, a despeito do rendimento escolar. Isso garantiria que os campos teriam lavradores incultos em número suficiente. Meu pai descobriu que professores, diretores e pessoas de todos os níveis no sistema educacional conviviam com isso. Foi então que meu pai desistiu de ser médico e resolver estudar para ser professor e tentar mudar o sistema. Além disso, lutou para levar o melhor ensino possível às crianças cujos pais não tinham condições de custear os estudos – crianças que não tinham escolha, mas dependiam da escola pública que deveria trabalhar por eles, não contra eles. Essa foi a batalha de sua vida.
Entretanto, o sistema educacional do país tem piorado. Os Estados Unidos tornaram-se um país com um dos piores sistemas educacionais do mundo, a despeito de gastarem mais do que qualquer outro país no globo.
Por mais que meu pai tenha lutado, o estado do Havaí continua como um dos piores sistemas educacionais da América. A edição de maio de 2006 da Honolulu Magazine trouxe um artigo de capa sobre as faculdades do Havaí. Segundo a matéria, a NEA (National Education Association) classificou o Havaí na posição de número 43 entre os 50 estados americanos – ou seja, o sétimo pior do país. O Estado recebeu a nota Dem padrões e exigências, F pelo ambiente escolar, D pela melhoria na qualidade dos professores e C em adequação dos recursos escolares.
O motivo nãoé falta de dinheiro. Em 2001,o orçamento para o sistema educacional era de US$1,3 bilhão e, em 2006, de US$2,1 bilhões. Como informa o artigo:
“Enquanto os legisladores distribuem mais dinheiro hoje do que há cinco anos, os contribuintes não estão vendo os resultados. Uma coisa que praticamente não mudou a respeito do sistema de ensino do governo foi sua incrível capacidade de resistir às mudanças.”
Meu pai concorreu ao cargo de vice-governador do Havaí porque percebeu que não poderia mudar o sistema apenas como inspetor de ensino. Ele precisava de um posto mais alto, e concorreu como republicano, em um estado predominantemente democrata-trabalhista. Sofreu vários tipos de retaliação. Não só nunca mais pôde ocupar um cargo no governo do Havaí novamente (pois fora contra a máquina política que domina o Estado), como também seus próprios companheiros de longa data se viraram contra ele porque tinham medo de perder o emprego. Mais do que a perda do trabalho, foi a covardia de seus amigos e a traição destes que destruíram sua vitalidade. Meu pai tinha cerca de 50 anos na época da derrota política e nunca mais se recuperou da perda.
Em 1974, voltei do Vietnã e vi meu pai com apenas 50 anos e totalmente falido. Ele tentou ganhar algum dinheiro comprando uma franquia de uma sorveteria nacional. Pegou aposentadoria antecipada, empregou todas as suas economias na franquia e perdeu tudo. Não fosse pela pensão da previdência social, ele teria se tornado um miserável.
Todos temos momentos decisivos. É nessas horas que
descobrimos nosso verdadeiro caráter. Tornamo-nos heróis ou
covardes, dizemos a verdade ou mentimos, avançamos ou
recuamos.
– Robert T. Kiyosaki
Esse foi um momento decisivo para mim. Ver meu pai, o homem que eu amava e respeitava, sentado na sala de estar, assistindo à televisão o dia todo, chocou-me. Ele estava na plenitude da vida, um homem altamente culto, porém arrasado. Com o passar do tempo, sua raiva contra si mesmo e contra os ex-amigos que o traíram aumentou.
Ele estava sentado, assistindo à televisão, quando me deu o conselho sobre o qual falei antes: “Volte para a faculdade, faça o mestrado, o doutorado e arrume um emprego público.” Foi sincero em sua recomendação. Foi exatamente isso o que ele fez. Afinal, ele acreditava em educação e dedicou sua vida a ela.
Naquele momento, percebi que faltava algo vital à educação tradicional: ela não nos prepara para o mundo real. Ela nos preparava para sermos empregados. Foi então que descobri que seguiria os passos de meu pai rico (o pai de meu melhor amigo) e não de meu pai pobre (meu verdadeiro pai). Decidi seguir meu pai rico porque ele não permitiu que a falta de estudo formal abalasse seu espírito empreendedor ou seu desejo de ensinar e orientar seu filho e a mim. Para quem não sabe, ele tornou-se o homem mais rico do Havaí.
O ano decisivo para mim foi 1974. Primeiro, porque descobri que não seguiria os passos de meu pai. Anos depois, percebi que 1974 também foi o ano em que a lei da previdência privada nos Estados Unidos foi aprovada.
Vendo o mundo pelos olhos de meu pai, percebi que minha geração, os baby-boomers, enfrentaria a mesma dificuldade que meu pai enfrentava. Minha geração consistiria em pessoas honestas, com boa formação educacional, dedicadas ao trabalho, mas que precisariam da ajuda do governo e da família, sem saber como sobreviver financeiramente por conta própria. Nos anos seguintes, haveria milhões de pessoas no mundo todo que, a exemplo de meu pai, acabariam sem muito dinheiro depois de uma vida de trabalho duro, vivendo com medo da penúria.
Por uma questão de respeito, esperei cinco anos após a morte de meu pai para publicar Pai Rico, Pai Pobre. Algumas pessoas acharam o livro indelicado. Contudo, estou certo de que meu pai teria grandeza suficiente para lidar com a realidade contida no livro. Era um grande homem, não apenas em estatura.
Escrevi o livro para pegar a tocha que meu pai carregou e continuar a luta para reformar e mudar o atual sistema educacional obsoleto, fora da realidade e, na minha opinião, que não prepara grande parte dos jovens para o mundo que enfrentarão na vida adulta. Como digo há anos: “Por que nosso sistema educacional não nos ensina a lidar com o dinheiro? Seja você rico ou pobre, inteligente ou não, uma coisa temos em comum: todos precisamos de dinheiro.”
A TIME Magazine publicou uma matéria de capa com uma manchete em letras garrafais dizendo que os Estados Unidos eram uma nação em que as crianças abandonavam os estudos. O artigo da revista tratava sobre os administradores de ensino que maquiavam o verdadeiro número de crianças que saíam da escola, de um modo muito parecido com o que a Enron maquiava seus prejuízos. O artigo afirma precisamente que o problema hoje é muito pior que no passado, porque os desistentes não têm mais a opção de trabalhar em fábricas por altos salários. Atualmente, as únicas opções são os mal remunerados empregos burocráticos ou em restaurantes fast-food, visto que os Estados Unidos se tornaram uma nação de consumidores, não de produtores. Pagaremos por esse enorme problema no futuro: o sistema de ensino tornou-se obsoleto, fora da realidadee permanece resistente às mudanças.
Foi isso o que herdei de meu pai. Continuo com sua luta. A única diferença é que luto fora do sistema, em vez de atacá-lo diretamente. Defendo a causa como um homem rico, e não como um empregado que precisa da segurança de um salário no fim do mês.
A resposta de Donald
A influência de meu pai
O legado de meu pai está contido no provérbio: “Daquele a quem muito é dado, muito será esperado.” Sou um homem determinado porque devo ser.
Hoje é um lindo dia de maio, e estou em meu avião a caminho da ilha Canouan, nas Grenadinas, não muito longe de St. Barts. Tenho um resort lá com campo de golfe e chalés muito confortáveis. É um local fantástico, desde que você goste de ambiente paradisíaco. Farei uma visita de alguns dias para verificar se está tudo certo, e gosto de aproveitar esses momentos de tranquilidade durante o voo quando viajo. Entretanto, Robert ligou para mim pouco antes do embarque e fez a seguinte pergunta:
“Donald, o que você faria se perdesse tudo?”
Ele contou que Henry Ford disse que reconstruiria tudo em cinco anos, que Picasso continuaria pintando e assim por diante. Já passei por um grande revés que poderia ter me destruído totalmente e impossibilitado minha recuperação. Como reconstruí minha vida com muito mais sucesso que antes, posso dizer com segurança que trilharia o mesmo caminho anteriormente seguido.
Mas então comecei a pensar em meu pai, Fred Trump, que foi à bancarrota ainda jovem: meu avô morreu quando meu pai tinha 11 anos, o que o tornou o homem da casa com uma mãe e dois irmãos menores para cuidar. Esse foi o momento decisivo da vida de meu pai, que começou a fazer todo tipo de trabalho: de engraxate, entregador do mercado de frutas, carregador de madeira em uma construção. Terminou o ensino médio, mas como nem podia pensar em fazer faculdade, começou a trabalhar como ajudante de carpinteiro para um empreiteiro no bairro do Queens, em Nova York. Um ano depois, construiu sua primeira casa e batizou a empresa como Elizabeth Trump & Son porque era jovem demais para ser um empresário por conta própria e precisou que sua mãe assinasse toda a documentação e os cheques da pessoa jurídica.
Meu pai teve tanto sucesso que conseguiu enviar o irmão mais novo para o MIT (Massachusetts Institute of Technology), onde obteve doutorado, e também conseguiu casar com minha mãe e começar uma família. Para encurtar a história, foi um homem que se fez por esforço próprio desde os 11 anos e foi um grande exemplo. Foi alguém que nunca contou com coisas líquidas e certas e que mantinha padrões muito altos para si mesmo, tanto na bonança quanto na tempestade.
Meu pai nunca teve tempo para reclamar. Ele apenas trabalhava e aprendi isso com ele. Quando passei por dificuldades, lembrava-me da provação pela qual meu pai passou e continuava lutando. Posso dizer por experiência própria que a perseverança é do que precisamos. Acho que Henry Ford e Picasso sabiam um bocado sobre trabalho. A ética do trabalho se aplica a qualquer setor de atividade em que você atue ou almeje atuar.
Saiba tudo o que puder sobre o seu trabalho.
– Fred Trump
Robert menciona dois pais — um rico e um pobre. Ele teve dois exemplos para aprender, observar e escolher qual teria como mentor. Acabou aprendendo mais com o pai que não tinha formação educacional avançada. Aprendeu a descobrir as coisas sozinho, de modo parecido com o de meu pai. Essa é uma lição para todos nós. Por mais que eu valorize a mais alta educação, às vezes parece que a escola da vida produz pessoas com bom senso acima da média. Meu pai era naturalmente inteligente, e sua inteligência aliada à sua ética no trabalho produziu um dínamo eficaz.
Meu pai foi uma grande inspiração e um excelente exemplo para mim. Ele nunca teve de dizer que o sucesso implica trabalho duro e disciplina. Podíamos ver isso observando-o trabalhar, dia após dia, durante muitos anos. Mas isso nunca foi penoso para ele. Meu pai amava o que fazia. Tinha paixão pelos negócios e sua exuberância era autêntica. Esse tipo de exemplo marcou-me eternamente, e sou muito grato.
Até hoje, recebo cartas de pessoas que conheceram meu pai e foram tocadas por sua generosidade e ética profissional. Recebi uma carta, recentemente, de alguém que se lembra que meu pai costumava andar pelas obras catando os pregos do chão. Odiava desperdício e, para ele, catar os pregos do chão não era problema algum, mas, sim, parte de ser consciencioso e dedicado. Meu pai era detalhista e sempre dizia: “Saiba tudo o que puder sobre o seu trabalho.”
Ouvi e segui seu conselho. Quando as pessoas perguntam por que me considero um homem bem-sucedido, a primeira coisa que penso é sobre a criação e a influência de meu pai. Sim, eu estudei em Wharton, mas, antes disso, aprendi muito com meu pai. Se ele chegou aonde chegou sem o privilégio da educação e do suporte financeiro da família, minhas expectativas teriam de superar as de meu pai, simplesmente porque tive uma base muito melhor que a dele. Tínhamos os mesmos padrões em termos de objetivos e a mesma ética no trabalho, mas as condições eram diferentes. Literalmente, não poderia aceitar fazer menos do que faço agora porque não teria desculpas. Portanto, se sou visto como um homem determinado, existe uma boa razão por trás disso. Substitua suas desculpas por motivos e tudo ficará claro.
Sua resposta
O que você aprendeu com seu pai que o ajudou a
tornar-se bem-sucedido hoje?
______________________________
(Se o seu pai não foi um modelo positivo, descreva a influência de outra pessoa que foi decisiva em sua vida.)
______________________________
CAPÍTULO QUINZE