Nós Queremos Que Você Fique Rico
Capítulo 17: Como o ensino militar ajudou a definir a sua vida?
COMO O ENSINO MILITAR AJUDOU A DEFINIR
A SUA VIDA?
A resposta de Robert
Há três razões que me levaram à escola militar. Quando tinha 10 anos, meu professor da quinta série fez com que estudássemos a história dos grandes exploradores – Cristóvão Colombo, Fernando Cortez, Fernão de Magalhães e Vasco da Gama. A leitura desses livros inspirou-me a querer navegar pelos mares e explorar o mundo.
Aos 13 anos, enquanto as outras crianças entalhavam saladeiras para dar de presente às mães, convenci meu professor de artes a deixar-me construir um barco de madeira como meu projeto de marcenaria. Elaborei o projeto e passei os meses seguintes alegremente construindo meu veleiro classe El Toro, de oito pés. Aquela foi uma das poucas matérias em que tirei um A.
Passei alguns dos dias mais felizes de minha vida navegando em meu veleiro em Hilo Bay, perto da cidade onde cresci. Sentado em meu barco, minha mente viajava enquanto eu sonhava com portos distantes e mulheres exóticas.
Minha orientadora vocacional perguntou-me: “O que você quer ser quando crescer?” Respondi: “Quero ir para o mar, viajar para lugares exóticos, como o Taiti, tomar cervejas e ir atrás de mulheres.”
Em vez de ficar zangada comigo, ela disse: “Tenho apenas a escola para você.” Então pegou um folheto da Academia da Marinha Mercante e disse: “Dê uma olhada nisto. É uma escola difícil, mas se você realmente quer ir para o mar, este material o ajudará a entrar na academia.”
Depois de conseguir a indicação de um congressista, o senador americano Daniel K. Inouye, em 1965, saí da pacata cidade de Hilo e viajei para Nova York para começar os estudos e tornar-me oficial da marinha mercante. Em 1968, como parte de meu aprendizado no mar, naveguei por Papaete, no Taiti, bebi cerveja e saí com uma das mulheres mais lindas que jamais conheci. Ela era a “garota do tempo” da televisão e candidata a Miss Taiti. Meus sonhos se tornaram realidade.
...descobri que o combate era o teste definitivo de vontade e
treinamento. Não havia segundo lugar e o vencedor seria o que
estivesse mais bem preparado.
Mudei minha mentalidade para: “O combate não é arriscado.
Estar despreparado é que é perigoso.” Percebi que o
empreendedorismo não é arriscado. Estar despreparado é que é
perigoso.
– Robert T. Kiyosaki
A outra razão foi meu pai não ter condições financeiras para mandar-me à faculdade. Ele me disse: “Quando terminar o ensino médio, você estará por conta própria.” E assim aconteceu. Ir para a academia significava ter uma bolsa de estudos integral, acomodações, roupas e reembolso de despesas de viagem. Além de tudo, ganhávamos um pequeno (irrisório mesmo) salário mensal.
O terceiro motivo, e provavelmente o mais importante, foi a disciplina. Quando garoto, eu surfava mais do que assistia às aulas. Mesmo depois que meu pai, inspetor de ensino, pegou-me gazeteando, não resistia a deixar as aulas de lado quando as ondas estavam grandes.
Sabia que precisava de disciplina. Se tivesse ido para a Universidade do Havaí, nunca teria terminado o curso superior.
Na academia, aprendi disciplina... do jeito mais difícil. Era punido com frequência e severidade. Os oficiais eram mais duros do que eu imaginava. Sem um sistema militar rígido, nunca teria me formado.
Também aprendi a obedecer e dar ordens. Em resumo, aprendi o que é liderança. Quando você olha para o Quadrante do Fluxo de Caixa, pode ver que a liderança é essencial para o sucesso no quadrante B. Depois de três anos de disciplina dura e treinamento sobre liderança, no último ano, fui promovido a Comandante de Batalhão. Meu trabalho era ensinar liderança aos calouros parecidos comigo quando entrei na academia – pequenos espertalhões que pensavam que poderiam vencer o sistema.
A maior lição de todas
Depois de quatros anos de academia, juntei-me aos Fuzileiros Navais como voluntário, porque a Guerra do Vietnã continuava. Foi na escola de voo da Marinha que tive duas lições definitivas e muito úteis na vida:
1. Uma das partes mais emocionantes do treinamento de voo foi aprender a
combater avião contra avião, o que se costuma chamar de dogfight
(combate aéreo de curta distância). Na época, voávamos em um T-28
Trojan, um monomotor fabricado na Segunda Guerra. Ele era grande,
rápido e implacável. Muitos alunos morreram, pois o avião foi projetado
para ser ágil e manobrável. Se você não fosse um bom piloto, a aeronave
o mataria.
Certo dia, voava sozinho, sob a supervisão de meu instrutor, e
faríamos uma simulação. De repente, ouvi um grito pelo fone de ouvido
dentro do capacete: “Bang, bang, bang, bang!” Era o instrutor me
avisando que o combate havia começado. Imediatamente, coloquei em
prática o que aprendi, jogando a mistura de combustível para proteger o
motor e puxandoo avião para cimae paraa direita, rodopiando-oe
tentando abalar o atacante.
Em vez de derrubá-lo, ouvi apenas o “bang, bang, bang, peguei
você, seu trouxa”. Não consegui abalar meu instrutor. Aumentei a
altitude, girei, mergulhei, tentei reduzir a velocidade, mas nada o
abalava. Mal conseguia enxergar, porque a proteção de meu rosto estava
coberta de suor. Por uns bons dez minutos, meu instrutor ficou grudado
na cauda de minha aeronave, sem se abalar com nenhuma de minhas
manobras evasivas.
De volta ao solo, começou a avaliação da missão. Conforme meu
instrutor usava as mãos para descrever meu voo, comecei a passar mal
do estômago. O mal-estar não foi por causa das manobras violentas que
acabara de fazer. Foi por descobrir o péssimo piloto que eu era e quanto
ainda tinha a aprender.
Naquele momento, meu instrutor disse algo que me acompanha até
hoje: “O problema deste negócio é que não há segundo colocado.
Somente um piloto permanece vivo.” Aquele foi um momento decisivo
em minha vida. Depois daquele dia, pratiquei, pratiquei e pratiquei.
Mais tarde, no Vietnã, ouviria essas mesmas palavras inúmeras
vezes. Só que dessa vez era para valer. Eram balas de verdade e não meu
instrutor gritando “bang, bang, bang” pelo rádio.
Venci nos negócios hoje não porque sou inteligente ou porque
nunca fracassei. Venci porque, no meu mundo, não existe segundo
lugar. Suspeito que Donald siga a mesma regra pessoal.
2. O outro momento decisivo tem a ver com riscos.
Sempre que ouço alguém dizer “Investir é arriscado” sei que, na
verdade, a pessoa não está pronta nem é apta para a tarefa.
Depois daquele dia no ar com meu instrutor de voo, descobri que o
combate era o teste definitivo de vontade e treinamento. Não havia
segundo lugar e o vencedor seria o que estivesse mais bem preparado.
Mudei minha mentalidade para: “O combate não é arriscado. Estar
despreparado é que é perigoso.”
Nos negócios e nos investimentos, sou um fanático a respeito de
prática e preparação. Pratico para reduzir o risco. Melhoro minhas
habilidades para reduzir o risco. Estudo para reduzir o risco. Jogo para
ganhar, e o prêmio vai para quem joga com o mínimo risco e a maior
confiança.
Se tiver de assumir um risco, ele deve ser mínimo. Antes de
investir com dinheiro de verdade, em meu primeiro contrato imobiliário,
participei de um workshop para investidores. Seguindo o que aprendi,
analisei uma centena de contratos. Em todos os lugares aonde fui no
Havaí, os corretores diziam: “Você está procurando algo que não
existe.” Após meses de procura, finalmente descobri um pequeno
negócio na ilha de Mauí. Era um imóvel de um quarto em um
condomínio, perto da praia, por apenas US$18 mil. Era o meu primeiro
investimento. Desde então, tenho analisado dezenas de milhares de
investimentos possíveis e comprei somente alguns deles.
Depois que perdi minha empresa de carteiras de velcro, voltei para
a disciplina do estudo, prática, estudo, prática. Percebi que o
empreendedorismo não é arriscado. Estar despreparado é que é perigoso.
Entender que, no meu mundo, não há segundo lugar e perceber que o maior risco é estar despreparado foram insights que fizeram enorme diferença em minha busca pela riqueza.
A maioria das pessoas investe dinheiro e não investe tempo. Donald e eu investimos muito tempo antes de aplicarmos qualquer montante em dinheiro. Nós nos preparamos para investir. Percebi que o empreendedorismo não é arriscado. Estar despreparado é que é perigoso.
A resposta de Donald
Embora tenha sido enviado para o colégio militar porque era um garoto um pouco agressivo, o que aprendi lá pouco tem a ver com disciplina e como canalizar minha energia de modo mais eficaz, e muito a ver com aprender a arte da negociação. Foi uma excelente lição de negócios disfarçada.
Um ex-sargento de recrutas dos fuzileiros atravancou meu caminho e percebi que nunca poderia me igualar a ele, tampouco enfrentá-lo fisicamente; então, teria de usar a cabeça para lidar com a situação.
Tinha de saber lidar com o sujeito de algum jeito, e recusava-me a desistir; portanto, tentei descobrir o que poderia colocá-lo do meu lado. Vi minha primeira oportunidade: eu era um excelente jogador de basquete e capitão da equipe, e ele era o treinador. Sabia que poderia deixá-lo numa situação agradável se jogasse bem, e foi o que fiz. Tínhamos um excelente time e aprendi a liderar com eficácia. Esse foi o primeiro passo.
O segundo foi mostrar-lhe que eu o respeitava (o que não foi difícil, porque o respeitava mesmo), mas que não o deixaria intimidar-me. Acho que ele respeitou minha atitude e percebeu que seria inútil me perseguir. Assim, encontramos um ponto forte em comum e estabelecemos o respeito mútuo. Essa foi uma grande lição empresarial, especialmente em negociação. Ambos saímos ganhando.
Até hoje, sou amigo de meu ex-sargento nos fuzileiros, Theodore Dobias, e conhecê-lo na Academia Militar de Nova York foi um lance de sorte para mim. Lá estava eu, a caminho do colégio militar, a princípio sem a menor empolgação. Mais tarde, percebi que gostava dos desafios e da disciplina e nunca perdi o respeito pelo que aprendi ali. As pessoas que me conhecem sabem que odeio me atrasar e que também não gosto que os outros se atrasem.
A escola militar ressaltouo que meu pai sempre nos ensinou— que devemos demonstrar respeito. Respeitava o Sr. Dobias e isso foi bom para mim; aprendi a respeitar o tempo, o que também me foi muito estava pronto para trabalhar com ele depois desse treinamento.
Outra lição importante do colégio militar foi que desculpas são inaceitáveis. Aprendi a não choramingar e, sim, a manter o equilíbrio e a perseverança. Quando enfrentei dificuldades e pressões mais tarde em minha vida, recusei-me a desmoronar. Sabia que o melhor jeito de lidar com os problemas era simplesmente seguir em frente, persistir e continuar procurando soluções. Essa foi uma boa lição aprendida na vida militar.
Enquanto estava no colégio militar, meu pai pegou o hábito de enviar-me citações de inspiração a cada semana. Lembro-me de várias frases e elas continuam me inspirando até hoje, como estas, por exemplo:
“Quem não sabe obedecer não sabe mandar.”
– Aristóteles
“Nunca diga às pessoas como fazer as coisas. Diga-lhes o que fazer e elas o surpreenderão com sua ingenuidade.”
– George S. Patton
“Não é capaz de comandar quem não consegue se impor.”
– Sófocles
“Somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito.”
– Aristóteles
Percebi que meu pai estava instilando valores sobre liderança ao selecionar essas gotas de sabedorias de épocas diferentes. Essas lições ficaram em meu subconsciente e vêm à tona para ajudar-me em situações às quais se aplicam. É por isso que ainda gosto muito de citações; elas podem acertar em cheio contra pensamentos negativos ou confusos. Quando as pessoas me ouvem citar ou referir-me a vários grandes pensadores da história, sabem que isso é algo que começou em minha juventude e que permanece até hoje. Tudo começou quando eu estava no colégio militar.
Outro momento decisivo dessa fase de minha vida tem a ver com história. Tive um colega que estudava a Segunda Guerra Mundial por conta própria. Era fã da matéria e aluno dedicado. Um dia eu lhe disse o seguinte: “Você deve ser um especialista na Segunda Guerra Mundial, depois de passar esse tempo todo estudando o assunto.” Sua resposta foi tão marcante que jamais me esqueci: “Não, eu apenas percebi o quanto ainda não sei.” Então, ele me explicou que, para entender a Segunda Guerra, tinha de voltar e estudar a Primeira Guerra Mundial; depois era preciso estudar a situação mundial antes da Primeira Guerra Mundial e ele começava a ver que o processo seria muito longo. Então completou: “Estudar história tornou-me muito humilde, porque sei que nunca saberei tudo.” Vindos de alguém tão letrado como ele, esses comentários me impressionaram bastante.
Quanto mais você aprende, mais descobre o quanto ainda não
sabe.
– Donald J. Trump
Como resultado, passei a estudar história em meu tempo livre e tentei ler o máximo que pude. Comecei um hábito que mantenho até hoje, que é o de me perguntar: “O que posso aprender hoje que não sabia antes?” Essa é uma maneira de manter minha mente curiosa e alerta. Aristóteles estava certo: excelência pode se tornar um hábito.
Quando entrei na Wharton, anos mais tarde, descobri que meus hábitos do colégio militar me ajudariam muito. Como mencionei antes, passava meu tempo livre estudando o setor de imóveis e execuções de hipotecas, e tudo o que caía em minhas mãos sobre o assunto — tudo além do currículo obrigatório. Não queria ser aprovado por fazer o suficiente. Queria fazer mais e vi que estava preparado quando saí da faculdade para o mundo real, onde muitas vezes o “suficiente” não é bom o bastante.
Como diz um dos grandes filósofos gregos que meu pai me apresentou, eis uma última e definitiva lição que aprendi no colégio militar:
“Vencer a si próprio é a maior das vitórias.”
– Platão
Aprendi a fazer parte de um todo. O colégio militar deu-me a oportunidade de entender como fazer parte do panorama geral sem perder a identidade. Isso foi uma grande vantagem nos negóciose permitiu que eu me rebaixasse, quando necessário. Às vezes, o quadro fica mais claro se você se afasta dele. Essa é uma grande lição. Alguém me disse certa vez que eu era um pouco como um camaleão quando se tratava de negociação, que eu era capaz de mesclar-me e afastar-me novamente. Essa capacidade é fruto de minhas experiências no colégio militar.
A maioria das pessoas me vê como um sujeito duro, o que é verdade. Essa é outra vantagem advinda dos tempos do colégio militar. Não gosto de reclamar; posso ser obstinado e às vezes não arredo o pé. Se fiz minha parte, se trabalhei com afinco e fui aplicado, então sei que estou com tudo para me defender. Posso ser um adversário difícil.
Dada minha apreciação pelas citações, terminarei este capítulo com uma frase de Vince Lombardi, lendário técnico de futebol americano, nomeado ao Hall da Fama da NFL (a liga profissional norte-americana):
“A qualidade de vida de uma pessoa é diretamente proporcional a seu comprometimento com a excelência, a despeito do campo de atividade por ela escolhido.”
Sua resposta
O que você aprendeu no colégio militar ajudou você a
definir sua vida?
Talvez você não tenha estudado em instituição militar, mas pode ter participado de um grupo de escoteiros, bandeirantes ou outras entidades do gênero onde aprendeu a importância da disciplina e da liderança. Você tirou algum proveito dessas experiências? Ou, então, como poderia beneficiar-se do uso da autodisciplina e de habilidades de liderança em sua vida?
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Em que áreas de sua vida você se daria bem se tivesse mais disciplina (por exemplo, na gestão de sua equipe ou na administração financeira?) e/ou habilidades de liderança?
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CAPÍTULO DEZOITO